Tribuna do torcedor

Caro jornalista. Escrevo  algumas horas antes do jogo de hoje do CSA x Remo, para registrar minha estranheza quanto à arbitragem desse jogo. O trio é do Estado do  Rio Grande do Norte, Estado vizinho de Alagoas, de onde é o CSA. À
primeira vista nada parece estranho, mas, com tantos árbitros credenciados, por que a CBF não escalou árbitros de Estado que não tenha interesse no resultado do jogo?
É público  e notória a “má vontade” da CBF para com os Estados do Norte, uma vez que clubes deste rincão dão mais despesas para a realização de torneios em que ombreiam com os de outras regiões do país. Tal desconfiança se baseia no fato dos flagrantes prejuízos sofridos pelo Remo no primeiro turno. Espero estar equivocado….Veremos logo mais.
Saudações,

Heraldo Paredes, professor e consultor jurídico do Estado aposentado

A responsabilidade do Congresso diante da PEC do Calote

Congresso

Editorial de O Globo

Só a necessidade de apresentar uma vitória política depois de reveses sucessivos explica o afã do presidente da Câmara, Arthur Lira, para aprovar a todo custo a Proposta de Emenda Constitucional de número 23 (PEC-23), apelidada PEC dos Precatórios — ou PEC do Calote.

Essencial à estratégia eleitoral do governo em 2022, o texto aprovado em primeiro turno na Câmara ameaça não apenas a estabilidade econômica ao autorizar a ruptura do teto de gastos. Se aprovado, também se tornará objeto de contestação jurídica tanto pelo conteúdo — pois legaliza o calote em dívidas judiciais cujo pagamento já foi decidido em última instância — quanto pela forma adotada por Lira para garantir a aprovação.

As consequências econômicas da ruptura do teto já vêm sendo sentidas na cotação do dólar, na alta da inflação e na escalada dos juros. O pretexto do governo para promover a lambança é pagar a 17 milhões o novo Auxílio Brasil de R$ 400, substituto do Bolsa Família desenhado não para combater a pobreza ou a desigualdade, mas tão somente para aumentar as chances de reeleição do presidente Jair Bolsonaro.

É um pretexto sem cabimento. Seria perfeitamente possível criar um programa social mais barato e mais eficaz que coubesse sob o teto. O que Lira e o governo querem, na verdade, é manter — se possível ampliar — o espaço orçamentário destinado a seus interesses paroquiais, em particular às emendas do relator, expediente por meio do qual verbas são distribuídas à revelia dos organismos de controle e fiscalização. É dinheiro fundamental para a reeleição dos parlamentares em seus redutos.

Controlando esse mecanismo opaco, Lira e o Centrão têm tentado garantir o apoio necessário à aprovação de propostas legislativas. O fracasso na PEC do Ministério Público, porém, lançou um sinal de alerta. A PEC-23 só saiu vitoriosa por quatro votos porque Lira usou outras manobras mais criativas — e mais questionáveis. Ainda que a Câmara já tenha retomado sessões presenciais, convocou uma sessão virtual. Com os trabalhos em andamento, baixou uma norma mudando a regra de votação para permitir o voto remoto de deputados que estavam em Glasgow, na COP26. Um despropósito.

Para conquistar os votos que faltavam, Lira foi ainda obrigado a introduzir um dispositivo permitindo que estados e municípios furem a fila em dívidas relativas à educação. Fez isso lançando mão de outra manobra duvidosa, a “emenda aglutinativa”. Todas as piruetas contribuem para abrir mais brechas à contestação, ampliando a insegurança jurídica em torno de um texto já profícuo nesse quesito (a OAB apontou 30 inconstitucionalidades).

O calote viola a decisão do Supremo Tribunal Federal que julgou inconstitucional parcelar dívidas da União. O Congresso pode mudar a Constituição, mas não criar contradições. “Negar o pagamento de uma dívida estatal judicialmente reconhecida e transitada em julgado é fator de insegurança jurídica para qualquer cidadão de bem”, escreveu Marcus Abraham, desembargador no TRF da 2ª Região. Fora a fragilidade jurídica, a PEC padece de deficiências técnicas graves. Para calcular o teto, usa uma estimativa da inflação, cujo valor real só é conhecido no ano seguinte ao Orçamento — um absurdo lógico.

Não há outra saída: se a PEC-23 passar em segundo turno na Câmara, caberá ao Senado derrubá-la. A derrota do governo seria uma vitória do Brasil.

A primeira grande decisão

POR GERSON NOGUEIRA

Felipe Conceição

O Remo encara hoje o primeiro confronto da sequência de cinco últimas rodadas da Série B com poucas opções para o setor de criação. No jogo desta tarde com o CSA, em Maceió, o técnico Felipe Conceição não contará com os seus dois meias de ofício: Felipe Gedoz (lesionado) e Mateus Oliveira (3º cartão amarelo) desfalcam o time.

A dificuldade momentânea pode inspirar uma solução criativa. Caso Felipe queira verticalizar o jogo, agilizando a transição, Marcos Junior é alternativa natural para a função. Nesse caso, o meio teria a presença de três jogadores de marcação: Anderson Uchoa, Lucas Siqueira e Artur. Na frente, Victor Andrade e Neto Pessoa (Jefferson).

Há uma outra configuração possível, com três atacantes. Uchoa como primeiro volante, auxiliado por Lucas Siqueira e Marcos Junior (Artur), com Victor Andrade, Neto Pessoa e Jefferson na linha.

Mas, independentemente da escalação e do modelo a ser executado, o Remo não pode abrir mão de um componente crucial na Série B: a intensidade. Todos os times, mesmo os que estão abaixo dos azulinos na classificação, se entregam ao máximo na busca por resultado.

Nos últimos jogos, a equipe azulina tem sido pouco intensa, fato agravado pelo estilo cadenciado adotado na maior parte das partidas. Quando acelera e mostra determinação, o time geralmente é bem sucedido, como naquele segundo tempo diante do Cruzeiro.

A movimentação do meio-campo é visivelmente um dos pontos que faz o time emperrar. Quando a bola chega aos volantes, quase sempre é trabalhada de forma lateral, sem aprofundamento. Em seguida, é distribuída para os homens de lado, alas e atacantes, o que faz o Remo alargar sua área de abrangência, distanciando-se da área.

Contra o Londrina, na rodada passada, o problema ficou evidenciado. O time tinha a bola, mas não conseguia agredir a linha defensiva paranaense. O ataque funcionava bem pelos lados, mas só passou a ter força no centro com a entrada de Neto Pessoa.

Por essa razão, é provável que o centroavante entre jogando, o que reforçaria a exploração de contra-ataques. É preciso entender, porém, que o Remo deverá sofrer pressão desde os primeiros movimentos, pois o CSA precisa vencer para continuar com chances de acesso.

Caberá aos homens de meio a tarefa de conter o ímpeto inicial dos alagoanos, sem descuidar do balanço ofensivo. Contra o Cruzeiro, atuando de forma relativamente fechada, o Remo se segurou no 1º tempo e foi buscar a vitória na etapa final. A conferir.

Direto do blog campeão

“Imaginem se Romércio pé-de-couve optasse por dar um chutão como qualquer zagueiro raiz daria e se Mateus Oliveira não perdesse um gol minutos antes do lance capital? O resultado do jogo seria outro. Mas isso é o Remo, constituído de jogadores que chegam a ser craques em um jogo e espantalhos em outros. Nada está perdido, mas o Leão precisa de um sacolejo nessa reta final”.

Miguel Silva

“O Remo já jogou a Série B, agora é para pontuar tipo fazendo retranca contra os desesperados. Imaginem se o Remo tivesse empatado com Vila Nova, Brusque, Londrina e Ponte Preta. Seriam mais 4 pontos. Falta humildade ao técnico para reconhecer que o time chegou no limite”.

Rildo Medeiros

“Já decretaram o fim do Botafogo pelo menos três vezes nas últimas duas décadas. E aí está o Botafogo, se erguendo novamente, com as próprias pernas, com a torcida ao seu lado. O Botafogo é maior que o fim, que todos se rendam a isso”.

Marcus Carvalho

Paixão do torcedor vs. profissionalismo do futebol

O amigo José Marcos Araújo (mais conhecido como Marcão Fonteles), militante das boas causas e grande desportistas, fez uma reflexão sobre os recentes episódios de violência nos estádios e o comportamento pouco profissional de alguns atletas. Por oportuno, reproduzo aqui.

“O futebol é um esporte profissional. Não é arena dos gladiadores onde os homens eram jogados às feras. Por isso não é admissível que as torcidas ataquem os trabalhadores, jogadores e comissão técnica, pelos insucessos das más escolhas das diretorias”.

Ao mesmo tempo, segundo ele, “não cabe ver jogadores pedindo para ‘rasgar’ antes do fim da competição, colocando em risco a história das equipes que assinaram contrato por livre espontânea vontade. Grande parte do endividamento dos clubes brasileiros advém de dívidas trabalhistas por demissão dos profissionais contratados e, quando o clube está no fundo do poço, simplesmente pedem o ‘boné’ e vão embora”.

Marcão defende que o profissionalismo precisa ser de mão dupla. “Os clubes devem respeitar os atletas e esses devem respeitar os clubes e os contratos que assinam. Nos últimos dias, o Paysandu tem sido avisado rotineiramente de que um, dois ou três atletas estão deixando o clube. E aí? Fica sem time para o resto do campeonato?”.

Acrescenta: “Nas demissões por decisão do clube tem multa, danos morais e materiais, até da parte de jogadores que praticamente não suaram a camisa do clube. E, nesse caso, da saída por decisão unilateral do atleta, não existe nenhuma penalidade pecuniária?”

Finaliza observando que ninguém pode ou deve ser obrigado a realizar um trabalho em condições que não lhe agrade, “mas existem regras, contratos e acordos assinados que precisam ser respeitados, pelos dois lados”.

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 05)