Enfim, um imortal de verdade

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Gilberto Gil, eleito nesta semana para a Academia Brasileira de Letras. Autor de obras-primas como “Refazenda”, “Domingo no Parque”, “Aquele Abraço”, “Copo Vazio”, “Esotérico” e “Nos Barracos da Cidade”, entre tantas outras composições memoráveis, mestre Gil merece a honraria e a ABL ganha um nome realmente merecedor de integrar suas fileiras.

Como disse Eduardo Suplicy, “aquele Fortíssimo Abraço com muita alegria. A Paz invadiu nossos corações, de repente, nos encheu de paz”.

Vem aí a CPI do Bolsolão para investigar o “orçamento secreto” de Bolsonaro

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que foi o vice-presidente da CPI do Genocídio, vem se movimentando pela abertura de uma CPI para investigar o “orçamento secreto” utilizado pelo presidente Jair Bolsonaro, em articulação com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para supostamente “comprar” o apoio de parlamentares. Ao longo da semana, Randolfe vem angariando apoios.

O requerimento pela abertura da chamada CPI do Bolsolão no Senado, em 4 dias, já recebeu assinaturas de 12 senadores, segundo lista obtida pela Fórum. Este número representa quase a metade do necessário, de 27 assinaturas, para a abertura de uma CPI na Casa.

Assinaram o requerimento de Randolfe, até o momento, os seguintes senadores: Alessandro Vieira (Cidadania-SE), Jorge Kajuru (Podemos-GO), Reguffe (Podemos-DF), Fabiano Contarato (Rede-ES), Oriovisto Guimarães (Podemos-PR), Styvenson Valentim (Podemos-RN), Jean Paul Prates (PT-RN), Paulo Paim (PT-RS), Leia Barros (Cidadania-DF) e Paulo Rocha (PT-PA).

“Orçamento secreto”, ou bolsolão, é o nome com o qual vem se chamando as emendas de relator para o Orçamento da União. Essas emendas seguem um rito diferente de outras, que transitam por um rito rígido, atendendo a critérios específicos, para que haja um equilíbrio e uma equivalência entre todos os parlamentares que compõem a Câmara. A prática nada mais é do que um acordo informal que permite ao governo, por meio da direção da Casa, liberar recursos bilionários para que deputados passem a apoiar as propostas encaminhadas pelo Executivo ao Legislativo.

Leão empata e testa opções

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POR GERSON NOGUEIRA

O jogo teve boa movimentação no primeiro tempo, mudanças de peças no segundo e gols na reta final. Pelas quartas de final da Copa Verde, Manaus e Remo fizeram um confronto equilibrado. Com uma escalação modificada, sob o comando de João Neto, o Leão levava perigo quando se aproximava da área inimiga tocando a bola. O problema é que fez isso poucas vezes.

Os gols não saíram no primeiro tempo porque a equipe repetiu aquele roda-roda sem fim dos tempos de Paulo Bonamigo e da última fase com Felipe Conceição. Toques laterais improdutivos, que não incomodam o adversário e fazem a bola ir ficando cada vez mais longe do gol.

Imaginava-se que sob a batuta de Netão e com outros jogadores, o Remo tivesse uma postura mais aguda e verticalizada. Nada disso. Raimar corria com a bola e, quando se aproximava da intermediária do Manaus, engatava a marcha à ré e tocava de novo para um dos zagueiros.

Do outro lado, a mesma coisa. Wellington Silva pouco se arriscava. No meio, Pingo e Marcos Junior eram os mais avançados, mas Rafinha não dava sequência às tentativas de escapada. Gorne corria em vão lá na frente.

Tudo isso forma um repertório que o torcedor azulino conhece bem. Sem agressividade, o Remo tem uma das piores artilharias da Série B. Esmera-se em reter a bola, mas faz uso ruim dela. É um dos motivos da situação dramática na classificação do campeonato.

O bom empate (1 a 1) na Arena da Amazônia serviu como preparatório para as três decisões que esperam pelo Remo na Série B. Marlon foi bem na zaga e melhor ainda batendo falta – fez um golaço aos 37 minutos.

Erick Flores, ausente desde a penúltima rodada do turno (contra o Vasco, no dia 13 de agosto), era uma das presenças mais esperadas. Por cautela, jogou apenas o 2º tempo. Movimentou-se bem, mas ainda com algumas dificuldades quanto ao ritmo das passadas e ao tempo de bola.

Pode ser opção para o importante jogo de segunda-feira contra o Goiás. Jefferson é outro que chamou atenção diante do Manaus. Tomou a iniciativa, buscou lances individuais pelo lado do campo e poderia ter sido melhor sucedido caso a equipe tivesse jogadas ofensivas mais trabalhadas.

Ronald e Paulinho Curuá, que entraram no 2º tempo, também merecem ser observados pelo novo técnico, Eduardo Baptista, que desembarcou em Belém na sexta-feira. Como ele terá curtíssimo tempo para conhecer o elenco, dependerá das indicações de Netão.

O ala Ronald deveria ser alternativa para o lado esquerdo. Está em nível superior a Raimar, Igor e qualquer outro que atue por ali. Curuá, ignorado por Conceição, mostrou rapidez e força no combate à frente da zaga. Marca melhor que quase todos os demais volantes disponíveis no elenco.

Baptista certamente acompanhou o jogo e pode usar isso para traçar a estratégia para a dura missão de estancar a queda livre do Leão na Série B.

Mais um paraense fazendo história no Botafogo

Marco Antônio é um dos destaques da belíssima campanha do Botafogo na competição. Chegou para compor elenco, não era dos mais badalados. Rendeu pouco no início, quando o Chamusca ainda era o técnico. Com a entrada em cena de Enderson Moreira o time todo cresceu de rendimento e o paraense revelado pela Desportiva subiu junto.

Com méritos indiscutíveis, tornou-se peça fundamental na movimentação ofensiva e virou um dos mais festejados pela torcida. Os gols foram saindo, coroando atuações sempre caprichadas. Uma evolução tremenda para o jovem paraense revelado no sub-15 da Desportiva.

No clube paraense, Marco Antônio teve a sorte de contar com um fino observador de seu futebol: Walter Lima. Quando chegou a categorias mais elevadas, ele atuava como volante. Por orientação de Waltinho, passou a jogar como meia e ponta, exatamente os papéis que executa no Botafogo.

Marco Antônio despontou na Copa São Paulo, há quatro anos, principalmente no jogo em que a Desportiva eliminou o Atlético-MG, um dos favoritos ao título. Depois da Copinha, foi adquirido pelo Bahia.  

Os que conhecem os clubes emergentes do futebol paraense conhecem Marituba, que defendeu Tuna e Ananindeua. Ele é tio de Marco Antônio e sua referência para buscar o futebol como ofício.

A atuação diante do Botafogo, domingo passado, serviu como atestado da importância dele na caminhada alvinegra rumo à Série A. Sem poder contar com Chay, lesionado, Enderson Moreira designou Marco Antonio para ser o meia avançado. Deu certo. O paraense bom de bola fez dois gols e ajudou a construir a goleada sobre o Vasco em São Januário.

Marco Antônio refaz a conexão entre o Pará e a Estrela Solitária. Há 60 anos, Quarentinha foi ídolo no Botafogo de Garrincha e Nilton Santos. Silencioso e implacável, tornou-se o maior artilheiro do clube.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa, que vai ao ar excepcionalmente às 19h15 deste domingo, na RBATV. Participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. A edição é de Lourdes Cézar.

Um remédio para os abusos pós-expulsão

Assisti uma cena, sexta-feira, de expulsão do jogador Jonathan Bocão (Confiança) que pisou acintosamente na mão de Clayton (CSA). Bocão só faltou bater no apitador ao ser expulso. Palavrões e acusações de parcialidade foram gritados pelo infrator, de dedo em riste. Fez toda a papagaiada, o árbitro ouvindo tudo e a coisa ficou por isso mesmo.

Não é uma situação incomum, muito pelo contrário. Problemas desse tipo poderiam facilmente ser evitados com a figura do segundo cartão vermelho. O sujeito receberia o primeiro e, em caso de reação, toma outro, que o suspende automaticamente por duas partidas. Seria mão na roda.

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 14)

“Marighella” em sessões extras no Cine Líbero Luxardo

Wagner Moura estará no Roda Viva para falar sobre 'Marighella', seu filme -  Telepadi

“Marighella”, com direção de Wagner Moura, já considerado o filme mais assistido no Brasil em 2021, ganha exibições extras nas sessões regulares do Cine Líbero Luxardo, do Centur. Baseado no livro “Marighella: O Guerrilheiro que Incendiou o Mundo”, escrito pelo jornalista Mário Magalhães, o longa aborda a vida de Carlos Marighella, escritor, deputado e líder revolucionário que marcou seu nome na história recente do país por sua luta contra a ditadura militar, comandando um grupo de jovens guerrilheiros.

A partir do dia 16 de novembro, a sala mais charmosa da cidade sediará grande parte da programação do III Festival do Filme Etnográfico do Pará, iniciativa do Grupo de Pesquisa em Antropologia Visual Visagem (PPGSA/UFPA), sob coordenação geral de Alessandro Campos e Denise Cardoso, e que tem por objetivo difundir, fomentar e premiar produções audiovisuais que apresentem qualidade técnica reconhecida na área, além de promover o diálogo entre produtores, cineastas, pesquisadores e público em geral.

O festival acontecerá em Belém de modo virtual e presencial entre os dias 16 e 21 de novembro de 2021. Esta edição será composta por duas premiações distintas: A Mostra Competitiva Jean Rouch, que premiará o Melhor Filme Etnográfico em Curta, Média e Longa-Metragem e a Mostra Competitiva Divino Tserewahú, voltada para o cinema indígena, que também premiará o melhor Curta, Média e Longa-Metragem para este tipo de produção. O festival será composto ainda por conferências, rodas de conversa, oficinas e homenagens.

Já o Festival Varilux de Cinema Francês 2021 entrará em cartaz no Líbero Luxardo a partir do dia 25 de novembro, com o melhor da produção francesa da atualidade. O evento é realizado pela produtora Bonfilm e tem como patrocinador principal a Essilor/Varilux, além do Ministério do Turismo, Secretaria Especial de Cultura, a rede das Alianças Francesas em todo Brasil, a Embaixada da França no Brasil, ClubMed, as distribuidoras de filmes  Bonfilm, Bretz/ MyMamma, California Filmes, Diamond Films, Vitrine Filmes e Zeta Filmes – e os exibidores de cinema independente/de arte, como o Líbero Luxardo, além de salas de grandes redes de cinema comercial em atuação no país. 

O cine Líbero Luxardo está em funcionamento seguindo normas de segurança contra a covid, exigindo o uso obrigatório de máscaras de proteção para o público e para os servidores durante toda a sessão, da aferição da temperatura, e com lotação de 70% de sua capacidade (66 pessoas por sessão), sendo necessária a apresentação de comprovação da vacinação, mediante apresentação do cartão de vacinação ou por certificado emitido pelo Ministério da Saúde ou pelo aplicativo “Conecte SUS”, associado ao documento de identidade oficial com foto. 

Dicas preciosas para a militância de esquerda

Por Frei Betto

População rebate mentiras de Bolsonaro na TV com panelaços | Política
  1. Mantenha viva a indignação.

Verifique periodicamente se você é mesmo de esquerda. Adote o critério de Norberto Bobbio: a direita considera a desigualdade social tão natural quanto a diferença entre o dia e a noite. A esquerda a encara como uma aberração a ser erradicada.

Cuidado: você pode estar contaminado pelo vírus social-democrata, cujos principais sintomas são usar métodos de direita para obter conquistas de esquerda e, em caso de conflito, desagradar aos pequenos para não ficar mal com os grandes.

  1. A cabeça pensa onde os pés pisam.

Não dá para ser de esquerda sem “sujar” os sapatos lá onde o povo vive, luta, sofre, alegra-se e celebra suas crenças e vitórias. Teoria sem prática é fazer o jogo da direita.

  1. Não se envergonhe de acreditar no socialismo.

O escândalo da Inquisição não faz os cristãos abandonarem os valores e as propostas do Evangelho. Do mesmo modo, o fracasso do socialismo no Leste europeu não deve induzi-lo a descartar o socialismo do horizonte da história humana.

O capitalismo, vigente há 200 anos, fracassou para a maioria da população mundial. Hoje, somos 7,5 bilhões de habitantes. Segundo o Banco Mundial, 2,8 bilhões sobrevivem com menos de US$ 2 por dia. E 1,2 bilhão, com menos de US$ 1 por dia. A globalização da miséria só não é maior graças ao socialismo chinês que, malgrado seus erros, assegura alimentação, saúde e educação a 1,2 bilhão de pessoas.

  1. Seja crítico sem perder a autocrítica.

Muitos militantes de esquerda mudam de lado quando começam a catar piolho em cabeça de alfinete. Preteridos do poder, tornam-se amargos e acusam os seus companheiros (as) de erros e vacilações. Como diz Jesus, vêem o cisco do olho do outro, mas não o camelo no próprio olho. Nem se engajam para melhorar as coisas. Ficam como meros espectadores e juízes e, aos poucos, são cooptados pelo sistema.

Autocrítica não é só admitir os próprios erros. É admitir ser criticado pelos (as) companheiros (as).

  1. Saiba a diferença entre militante e “militonto”.

“Militonto” é aquele que se gaba de estar em tudo, participar de todos os eventos e movimentos, atuar em todas as frentes. Sua linguagem é repleta de chavões e os efeitos de sua ação são superficiais.

O militante aprofunda seus vínculos com o povo, estuda, reflete, medita; qualifica-se numa determinada forma e área de atuação ou atividade, valoriza os vínculos orgânicos e os projetos comunitários.

  1. Seja rigoroso na ética da militância.

A esquerda age por princípios. A direita, por interesses. Um militante de esquerda pode perder tudo: a liberdade, o emprego, a vida. Menos a moral. Ao desmoralizar-se, desmoraliza a causa que defende e encarna. Presta um inestimável serviço à direita.

Há pelegos disfarçados de militante de esquerda. É o sujeito que se engaja visando, em primeiro lugar, sua ascensão ao poder. Em nome de uma causa coletiva, busca primeiro seu interesse pessoal.

O verdadeiro militante, como Jesus, Gandhi, Che Guevara, é um servidor, disposto a dar a própria vida para que outros tenham vida. Não se sente humilhado por não estar no poder, ou orgulhoso ao estar. Ele não se confunde com a função que ocupa.

  1. Alimente-se na tradição da esquerda.

É preciso oração para cultivar a fé, carinho para nutrir o amor do casal, “voltar às fontes” para manter acesa a mística da militância. Conheça a história da esquerda, leia (auto) biografias, como o “Diário do Che na Bolívia”, e romances como “A Mãe”, de Gorki, ou “As Vinhas de Ira”, de Steinbeck.

  1. Prefira o risco de errar com os pobres a ter a pretensão de acertar sem eles.

Conviver com os pobres não é fácil. Primeiro, há a tendência de idealizá-los. Depois, descobre-se que entre eles há os mesmos vícios encontrados nas demais classes sociais. Eles não são melhores nem piores que os demais seres humanos. A diferença é que são pobres, ou seja, pessoas privadas injusta e involuntariamente dos bens essenciais à vida digna. Por isso, estamos ao lado deles. Por uma questão de justiça.

Um militante de esquerda jamais negocia os direitos dos pobres e sabe aprender com eles.

  1. Defenda sempre o oprimido, ainda que, aparentemente, ele não tenha razão.

São tantos os sofrimentos dos pobres do mundo que não se pode esperar deles atitudes que nem sempre aparecem na vida daqueles que tiveram uma educação refinada.

Em todos os setores da sociedade há corruptos e bandidos. A diferença é que, na elite, a corrupção se faz com a proteção da lei e os bandidos são defendidos por mecanismos econômicos sofisticados, que permitem que um especulador leve uma nação inteira à penúria.

A vida é o dom maior de Deus. A existência da pobreza clama aos céus. Não espere jamais ser compreendido por quem favorece a opressão dos pobres.

  1. Faça da oração um antídoto contra a alienação.

Orar é deixar-se questionar pelo Espírito de Deus. Muitas vezes, deixamos de rezar para não ouvir o apelo divino que exige a nossa conversão, isto é, a mudança de rumo na vida. Falamos como militantes e vivemos como burgueses, acomodados ou na cômoda posição de juízes de quem luta.

Orar é permitir que Deus subverta a nossa existência, ensinando-nos a amar, assim como Jesus amava, libertadoramente.

Frei Betto é escritor, autor do romance “Entre todos los hombres” (Editorial Caminos, La Habana), entre outros livros.