Desfecho previsível

POR GERSON NOGUEIRA

Foi o desfecho de uma tragédia anunciada. Com apenas dois pontos conquistados em cinco rodadas, saldo de -5 gols e nenhuma vitória, o PSC não tinha como alimentar grandes expectativas de salvar a participação na Série C no confronto diante do Botafogo-PB, em João Pessoa. Persistia aquela esperança que é própria da paixão de torcedor, mas sem sustentação na na realidade. Com o time atual e o comando técnico improvisado, era previsível a eliminação precoce.

O jogo foi horroroso, principalmente no 1º tempo, quando o PSC espantosamente abriu mão de buscar a vitória e se dedicou a um cai-cai vexatório – e burro. Sim, porque o empate, que era aparentemente o objetivo dos bicolores, não serviria para muita coisa. Sob todos os pontos de vista, o lógico seria buscar a vitória, mas a estratégia defensivista foi cumprida à risca e o time preferiu não jogar no primeiro tempo.

Ao contrário do PSC, que rifava bolas e fazia rodízio de quem caía a todo instante no gramado simulando contusão, o Botafogo-PB queria chegar ao gol e partia sempre para o ataque, mas com afobação e sem qualidade. Os erros de passe impediam que o Belo ameaçasse a área bicolor. Por isso, a partida mergulhou num festival de erros e chutões sem rumo. Quando a primeira etapa terminou, até a bola agradeceu.

No 2º tempo, com Esquerdinha e Juninho no meio-campo e um sistema mais encaixado de transição, o Botafogo cresceu em campo, organizou melhor suas investidas. É verdade também que teve contribuição generosa por parte do PSC, que não acertava três passes seguidos e se limitava a explorar ligações diretas.

Os laterais Leandro e Diego Matos não atacavam; eram obrigados a vigiar a posição na defesa. Grampola raras vezes pegou na bola e Marlon, bem vigiado, pouco apareceu. A meia-cancha era terra de ninguém. Os três volantes Marino, Paulo Roberto e Ratinho tinham como única função marcar o ataque adversário, sem nenhuma preocupação ofensiva.

Com bolas esticadas pelos lados, o Botafogo tomou conta da partida. O PSC só se defendia, e mal. A zaga ficava exposta, mas os atacantes paraibanos perdiam oportunidades claras. O gol saiu aos 33 minutos, em jogada rápida, iniciada por Juninho. A bola chegou ao arisco Luã Lúcio, que entrou driblando na área e cruzou para Éderson finalizar.

Curiosamente, todos os que se envolveram no lance do gol tinham entrado na segunda etapa, renovando o fôlego do time de Gerson Gusmão. Ainda haveria tempo para fazer um segundo gol, aos 40’, mas Éderson estava adiantado.

O Papão só ameaçou num chute forte de Ruy, que substituiu a Ratinho, e no final da partida em cabeceio perigoso de Perema, que saiu ao lado do gol defendido por Felipe.

Vitória suada, mas justa do Botafogo, que foi o time que atacou sempre e demonstrou interesse em fazer o gol. O PSC queria empatar, conseguiu isso no primeiro tempo, mas não segurou a onda na etapa final.  

Desorganização e erros nas contratações marcam campanha

A campanha bicolor não terminou ontem. Ainda haverá o jogo final do quadrangular, domingo, em Belém, contra o Criciúma. Alijado da disputa, o PSC cumprirá tabela em confronto que vale muito para o Tigre catarinense na disputa direta com o Botafogo pelo acesso à Série B.

É a terceira vez seguida que o PSC vê morrer o sonho do acesso. Em 2019, foi vítima de uma arbitragem escabrosa de Leandro Vuaden no jogo com o Náutico, no Recife. No ano passado, deixou escapar a vaga ao ser superado por Remo e Londrina, já no sistema de quadrangular.

Desta vez, mesmo diante do baixo nível técnico do grupo A, o time não convenceu na fase de classificação. Com elenco recheado de contratações equivocadas, o PSC chegou a ser goleado pelo Ferroviário por 5 a 1 e se recuperou a tempo de avançar para o quadrangular.

O elenco limitado e o comando técnico caótico, tanto com Vinícius Eutrópio como com Roberto Fonseca, não permitiram que a torcida tivesse maiores esperanças na conquista do acesso.

Quase sempre quando indagadas sobre as chances de subir, as pessoas falavam que só um milagre poderia garantir isso. Pois nem o milagre veio, nem o Papão se aprumou na disputa. O quadrangular foi decepcionante desde a primeira rodada, quando o time empatou em Criciúma.

Em seguida, empatou de novo em Belém ao receber o Botafogo. Saiu, então, para o jogo com o Ituano e foi aí que o barraco desabou de vez. Perdeu a primeira em Itu por 3 a 1 e tomou de 4 a 1 na Curuzu, na partida marcada pela invasão dos bárbaros.

Ontem, era o chamado grito de misericórdia. O Papão precisava desesperadamente da vitória para continuar sonhando. Se isso ocorresse, o time iria a 5 pontos, se igualaria ao Botafogo e ficaria um ponto atrás do Criciúma, abrindo possibilidades de êxito.

A forma desleixada com que o time se apresentou, preocupado apenas em se defender na base do bumba-meu-boi, não deixa dúvidas quanto à justiça da eliminação. Para poder sonhar com o acesso em 2022 será preciso rearrumar a casa por completo, dentro e fora de campo. 

Meio-campo é dúvida no Remo para jogo com Londrina

A torcida já considera que a partida de amanhã contra o Londrina servirá para confirmar a permanência na Série B. Tem tudo para ser, embora sempre se deva ter cautelas numa competição tão equilibrada.

Felipe Conceição, que não vai estar à beira do campo por ter sido expulso em BH, tem uma baixa certa no meio-campo: Uchoa levou o terceiro amarelo. Lucas Siqueira, Marcos Jr., Neto Moura e Paulinho Curuá são as opções. 

Não é uma substituição simples. Uchoa é reconhecidamente o ponto de equilíbrio do setor pela qualidade do passe e pela regularidade. Pingo seria o substituto natural, mas ainda se recupera de lesão.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 01)