A caminho do abismo

POR GERSON NOGUEIRA

Operário-PR x Remo

Foi um bombardeio do Operário durante o primeiro tempo. Thomaz, Paulo Sérgio, Felipe Garcia, Marcelo e Rafael Chorão foram os primeiros personagens do jogo. O Remo mal passava do meio, muito em função da fraca movimentação de volantes e laterais. O gol só não saiu por milagre. Na etapa final, não houve jeito: 2 a 1 para o Trem Fantasma.

Os poucos momentos do Remo no ataque no começo da partida foram com Mateus Oliveira em chute forte aos 17 minutos e depois com Victor Andrade, que arrancou em direção à área e foi derrubado, aos 20’.

O Operário, ao contrário, teve chances com Thomaz, Paulo Sérgio e Felipe Garcia. Jogadas que exploravam a intranquilidade da defesa azulina, principalmente em função da fraca cobertura à frente dos zagueiros.

No final, Marcelo meteu uma bomba em cobrança de falta e Tiago Coelho defendeu bem, espalmando para escanteio. O goleiro foi, por sinal, o nome mais destacado do Remo na partida. Apareceu bem em vários momentos.

Posicionamento errado, estratégia zero, articulação nenhuma, falhas na troca de passes, apagão nos escanteios. O time azulino teve uma atuação pálida, com pinceladas de apatia. Os zagueiros e volantes se contentaram em espanar bolas e cometer faltas, Romércio à frente.

À frente da zaga, Pingo, que foi bem em outros jogos, foi pouco participativo e uniu-se aos companheiros numa exibição pífia, uma das piores do Remo na competição.

A rigor, só um time jogou até ali. O Operário foi dominante em todos os fundamentos. A posse de bola foi massacrante: 67% a 33%. Em escanteios, 9 a 1. Finalizações, 7 a 4. Precisão dos passes: 80% a 65%.

Operário-PR x Remo

Para a etapa final, espantosamente, Felipe Conceição não mexeu na formação. Deve ter gostado do que viu. Manteve o mesmo time inoperante da parte inicial e o panorama seguiu desfavorável. Logo com 3 minutos, dois chutes perigosos do Operário, com Marcelo e Paulo Sérgio.

O drama azulino só piorava, e com a contribuição dos defensores. Aos 16’, Mateus Oliveira dormiu no ponto e a bola ficou sob feição para Fabiano, que disparou um chute forte com muito perigo. Tiago Coelho desviou para mais um escanteio favorável ao time da casa. Em seguida, escanteio e gol do Operário em cabeceio de Felipe Guedes.

Aí o Remo acordou e foi ao ataque, quase empatando. Mateus Oliveira puxou contra-ataque e lançou Victor Andrade. Sozinho, o atacante chutou para uma grande defesa de Tiago Braga. Lucas Siqueira pegou o rebote e bateu por cima do travessão.

Só aos 25’ foi que o técnico Felipe Conceição decidiu fazer a primeira mexida, apesar do completo descalabro tático visto até ali. Ronald entrou na vaga de Lucas Siqueira, que nem era dos piores em campo. Neto Pessoa, por exemplo, fazia figuração no ataque, absolutamente sem função.

Depois, novas mexidas por atacado aos 39’, quando não havia muito a fazer. Entraram Renan Gorne, Raimar e Wellington Silva e saíram Neto Pessoa, Mateus Oliveira e Tiago Ennes. Marcos Jr., bom passador, foi completamente esquecido no banco de reservas.

Apesar de recuado, o Operário saiu em contra-ataque e marcou o segundo, com Schumacher, aos 44’. Improvisado como meia, Raimar sofreu falta clara na intermediária, o que permitiu o contragolpe fatal. Marcelo e Pimpão trocaram passes, Lucas Mendes furou e o centroavante aproveitou. Detalhe: foi o primeiro gol dele na Série B.

Nos acréscimos, o Remo ainda descontou em cobrança de pênalti por Renan Gorne. Não houve tempo para um último esforço em busca do empate.

Mal escalado, time reflete a falta de ideias do técnico

O Remo fez muito pouco para escapar da derrota em Ponta Grossa, ontem. O placar de 2 a 1 dá a falsa impressão de um jogo equilibrado. Não foi bem assim. A primeira parte do confronto foi totalmente do Operário, que abusou de perder gols. A etapa final confirmou o domínio dos mandantes, que marcaram 2 a 0, cedendo apenas nos minutos finais, quando o Leão conseguiu o pênalti que levou ao seu único gol.

A situação escabrosa do time na etapa inicial não motivou o técnico Felipe Conceição a fazer mudanças de vulto. Só decidiu mexer no time aos 25’ do 2 tempo, trocando Lucas Siqueira por Ronald, depois que o Operário fez seu gol, aos 17’. Jefferson entrou em seguida no lugar de Pingo.

Aí, aos 39’, Felipe fez as últimas substituições. Entraram Gorne, Wellington e Raimar, este improvisado como armador. Enquanto isso, Marcos Jr. ficou no banco. Era o mais indicado para melhorar a transição.  

O fato é que o Remo começou mal, com uma escalação que desprezou o fato de que a vitória deveria ser a meta. A equipe foi estruturada para segurar o empate, sem a opção do contragolpe. Dava chutões e se livrava da bola. Como era previsível, sofreu dois gols no 2º tempo e só melhorou na reta final, cenário facilitado pelo recuo do Operário.

Em 15º lugar, com 41 pontos, o Leão corre cada vez mais riscos e tem três jogos para tentar conquistar os pontos necessários para a permanência.

Felipe tirou o Remo da lanterna no começo da competição, mas parece ter esgotado as ideias para fazer a engrenagem funcionar. A equipe está em queda livre. Virou um amontoado, não se defende bem e ataca de maneira quase inofensiva. Pior: não passa nenhuma expectativa positiva.  

Castanhal e PSC buscam vaga na semifinal da Copa Verde

O jogo é decisivo, vale vaga nas semifinais da Copa Verde. Entusiasmado, o Castanhal recebe hoje à tarde um PSC alternativo, com várias mudanças depois das baixas em relação ao time que disputou a Série C. O confronto inicial terminou empatado, em 1 a 1.

Partida de difícil prognóstico, equilíbrio marcante e que dependerá muito do ânimo de cada lado. O Papão parece encarar a CV sem grandes ambições. O Japiim de Cacaio vê no torneio a chance de fechar bem a temporada. Vontade de vencer sempre faz a diferença. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 10)

Decisão histórica: STF forma maioria contra emendas do “orçamento secreto”

Ao menos seis ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) votaram nesta terça-feira pela suspensão da execução do chamado orçamento secreto. Em sessão virtual do plenário da Corte, Rosa Weber, que é relatora de ação sobre o assunto, foi a primeira a se manifestar. Os magistrados julgam uma liminar concedida pela própria ministra, proferida na sexta-feira.

O dispositivo tem sido usado pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para favorecer parlamentares que votam junto ao governo. Os magistrados também concordaram em manter a liminar da ministra Rosa Weber que suspende “integral e imediatamente” a execução do orçamento paralelo neste ano, “até final julgamento de mérito” da ação.

Os ministros Luís Roberto Barroso, Cármen Lúcia, Edson Fachin, Ricardo Lewandowski e Alexandre de Moraes acompanharam a relatora da ação na Suprema Corte, Rosa Weber. O julgamento, que começou nesta terça-feira (9/11), ocorre no plenário virtual do STF. Os ministros têm até esta quarta-feira (10/11) para votarem.

“O relator-geral desonera-se da observância do dever de atender os mandamentos da isonomia e da impessoalidade ao atribuir a si próprio a autoria das emendas orçamentárias, ocultando , dessa forma, a identidade dos efetivos requerentes das despesas, em relação aos quais recai o manto da imperscrutabilidade”, afirma Weber.

“A utilização de emendas orçamentárias como forma de cooptação de apoio político pelo Poder Executivo, além de afrontar o princípio da igualdade, na medida em que privilegia certos congressistas em detrimento de outros, põe em risco o sistema democrático mesmo”, assegurou, por sua vez, Cármen Lúcia.

“Esse comportamento compromete a representação legítima, escorreita e digna, desvirtua os processos e os fins da escolha democrática dos eleitos, afasta do público o interesse buscado e cega ao olhar escrutinador do povo o gasto dos recursos que deveriam ser dirigidos ao atendimento das carências e aspirações legítimas da nação”, prosseguiu a magistrada, ao acompanhar a relatora.

Como ser feliz e rico

Por André Forastieri

“É um absurdo querer ser feliz no trabalho. As empresas te pagam justamente para comprar tua felicidade. Você pegar seu tempo, sua felicidade, e troca por dinheiro. Aí as empresas pegam a sua felicidade e põem no produto que vendem. Você usa seu salário pra comprar produtos, ou seja, pra comprar felicidade. E o ciclo continua.”

Assim explicava o capitalismo meu amigo Beto Melo. Cresceu em tradicional família de oposição, foi trotskista na juventude, virou “patrão”, sócio de uma grande editora, e manteve alma de artista a vida toda.

Esse parágrafo aí o Beto sempre repetia aos funcionários que iam lhe chorar as pitangas, que não estavam felizes no trabalho e tal. Era uma maneira transversa de dizer “relaxe, ninguém é feliz no trabalho, isso é balela de guru americano”.

É. Eu sempre fui feliz nos meus trabalhos, no conjunto da obra, e tive muitos momentos de infelicidade no dia a dia. Tá mais que bom, e certamente foi melhor que pra maioria mundo afora.

Trabalhar dá trabalho. Exige muitíssimas horas, convivências indesejáveis, negociações intragáveis, frustrações certeiras, trânsito diário, hora extra, almoço no quilão caído. Mesmo que você esteja no emprego que sempre sonhou, ganhando bem etc.

É por isso que a empresa te dá dinheiro. Quanto te pagam, é trabalho; quando você é que paga, é lazer.

Por profundas razões que um analista jamais descobrirá, sempre fui mais cioso do meu tempo do que do faturamento. Mas sempre fui realista com grana. Quando ganhei uma boa bufunfa, e quando perdi também.

Sempre trabalhei de olho em faturar o máximo possível, dentro do que eu me proponha e me permitia fazer, existencial & eticamente, e principalmente em termos do tempo. Nunca deixei de viver a vida, nunca deixei de tirar todos os fins de semana possíveis, ou de viajar sempre que dava.

Sim, eu sempre quis ganhar bem pra fazer revista de rock, Herói, Smack!, gibi do Sandman e Dragon Ball, pra trazer a EGM e a PC Magazine e o dublador do Mario pro Brasil, pra promover o concerto Video Games Live, pra publicar livros de política ultra-radical na coleção Baderna etc. e tal.

Mas nem sempre fui, claro. Não em grana. Em tempo, sempre fui, se não rico, pelo menos abonado.

Não é porque você gosta do que faz que é obrigado a fazer de graça. Ou só os empregos pesados e puxados deveriam pagar salário?

É certo que o cuidador de idoso deveria ganhar melhor do que um jornalista, ou o gerente de compras da Megacorp Inc. A responsabilidade dele é maior. Chegamos lá. Mas enquanto a gente vai mudando o mundo, também temos que ir defendendo o nosso pros boletos.

Eu matuto muito sobre essas questões ligadas a trabalho. Porque são questões conectadas umbilicalmente com outra questão chave. Como usar da maneira mais produtiva e satisfatória meus recursos mais importantes, que são energia, atenção, dinheiro, e tempo.

Até porque são quatro coisas que não aguentam desaforo. Às vezes acabam, e rápido. Às vezes, de repente.

O tempo do Beto acabou em 2018. Virou um dos meus defuntos queridos. Um dia conto como compramos a mesma jaqueta, no mesmo dia, sem saber um do outro – em Buenos Aires.

Você não chega a este equilíbrio de maneira natural ou mágica. Tem que se esforçar, se organizar, planejar pra isso – fazer o “dever de casa”. Tem que investir nisso – investir tempo.

Não é à toa que fundei uma comunidade dedicada a este desafio, e batizei de “Homework”.

Trabalhar para viver, e não viver para trabalhar; difícil fazer, fácil falar.

Pensei nisso tudo por causa do nosso podcast…

OUÇA

Esta edição do Amigos, Barcinski, Forasta e Paulão.

É a última do ano.

Talvez a última pra sempre – mas espero que não. Aliás, confio que não. Aposto que ele continua, porque sei que muita gente gosta bastante do podcast. Talvez, você.

Está no ar o pré-lançamento da nossa campanha no Catarse. Ela vai até o dia 13 de janeiro, quando colocaremos a campanha de fato no ar.

Nosso objetivo é arrecadar um valor mínimo pra produção do ABFP. Não será muita grana, e será dividida por quatro – os três que aparecem, e mais nosso produtor Djeferson Ferreira.

(O Álvaro vai ficar chupando o dedo. Mas pra compensar, botei essa foto de nós todos juntos, quando gravamos o primeiro podcast. Foi a última vez que nós quatro nos encontramos, semanas antes da pandemia estourar).

O fato é que fazer o ABFP leva duas a três horas semanais de cada um de nós, entre preparação, produção e edição. É um prazer fazer? Claro. Tanto que fizemos 57 edições sem ganhar nada (e nem vou falar das décadas do programa Garagem).

A gente quer o seu apoio pra usar bem o nosso tempo. Que é pegando umas horinhas preciosas e fazendo um podcast que amamos fazer, e muita gente curte também.

Quem tem amigos também é rico.

Neste programa, a gente explica nossas razões pra lançarmos a campanha de crowdfunding.

O tema desta semana é… despedidas.

E o link pra você deixar seu email, e ficar informado sobre a campanha, está aqui. Inscreva-se IMEDIATAMENTE!

LEIA

O novo de Guy DeLisle, “Crônicas da Juventude”.

Guy é o eterno outsider curioso. Retratando seu cotidiano, busca conectar com os destinos inesperados para onde é carregado pelo trabalho de sua esposa na ONG Médicos Sem Fronteira – Pyongyang, Shenzhen, Jerusalem, Miyanmar.

Mas desta vez, o lugar exótico que ele visita é o final de sua própria adolescência. Especificamente os verões que passou trabalhando na mesma fábrica de papel que seu pai, em Quebec. Muito seco, muito verdadeiro, para todas as idades.

E aqui tem uma entrevista do Guy sobre seus “factory summers”.


ASSISTA

O filme “22 de julho”, se é que ainda não viste. É sobre o massacre na Noruega em 2011, quando um criptonazista esquizofrênico assassinou 77 pessoas, a maioria jovens. O filme sabe ser eletrizante e inteligente, marca do diretor Paul Greengrass em outros thrillers políticos como “United 93”, “Capitão Philips” e “Domingo Negro”.

Nesta terça, oito da noite, participo de um debate online sobre “22 de julho”, com o psicanalista e professor da Unicamp Roosevelt M.S. Cassorla, com mediação da escritora e também psicanalista, Luciana Saddi. É parte do Ciclo de Cinema e Psicanálise, parceria da Folha de S.Paulo com o MIS e a Sociedade Brasileira de Psicanálise.

Agradeço a Folha pelo convite, e estás convidada. De graça, no canal do YouTube do MIS.


E FALANDO MAIS UM POUCO EM TRAMPO

Talvez você queira controlar mais a maneira como é visto no mercado. Talvez esteja precisando de um emprego, ou trocar de emprego, ou uma promoção. O LinkedIn pode te ajudar muito. Sério mesmo.

Olha aqui um baita argumento para experimentares meu curso “LinkedIn Power”: se você não curtir, tens uma semana pra pedir seu dinheiro de volta, e receberás. Sem precisar justificar nem coisa nenhuma. Pá-pum.

Mas aqui tem mais uma pá de argumentos muito bons – é ou não é?


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