Com golaço de Marlon, Leão conquista empate em Manaus

Júlio Rusch, Manaus x Remo

Manaus e Remo ficaram no empate (1 a 1) nesta sexta-feira, na Arena da Amazônia, em Manaus. O jogo foi movimentado, com equilíbrio na maior parte do tempo, mas os gols só saíram nos minutos finais. Com um time bastante modificado, o Remo teve boas chances, com Raimar, Renan Gorne e Jefferson, mas falhou nas finalizações.

Aos 37 minutos do 2º tempo, Marlon abriu o placar para o Remo com um golaço de falta. Aos 43′, um bate-rebate na área remista permitiu ao Manaus empatar o jogo, através de Rafael Lucas. O confronto valeu pelas quartas de final da Copa Verde. O jogo de volta acontece no dia 24 de novembro, no estádio Baenão.

No Remo, destaque para o reaparecimento de Erick Flores, que entrou no segundo tempo. Jefferson, Marlon e Vinícius tiveram boa atuação. Paulinho Curuá entrou na etapa final e também apareceu bem.

Sequência de erros de arbitragem provoca queda de Gaciba

Leonardo Gaciba, ex-presidente da Comissão de Arbitragem — Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Alvo de muitas críticas pelo nível geral da arbitragem brasileira, Leonardo Gaciba não é mais presidente da Comissão de Arbitragem da CBF. A decisão foi tomada na manhã desta sexta-feira pelo presidente interino da entidade, Ednaldo Rodrigues, que está em São Paulo acompanhando a preparação da Seleção para os jogos das Eliminatórias da Copa do Mundo.

Vice da comissão, o também ex-árbitro Alício Pena Júnior assumirá o cargo até o final do Campeonato Brasileiro. Ele é um crítico aos processos dentro do órgão e deve fazer mais mudanças nos próximos dias. Em entrevista ao Seleção SporTV nesta sexta, Alício disse que os árbitros brasileiros são honestos e que tentará diminuir a pressão sobre eles até o fim da temporada.

A polêmica arbitragem de Vinicius Gonçalves Dias Araújo em Flamengo x Bahia, quinta-feira, no Maracanã, que deu um penal inexistente contra o tricolor baiano, antecipou a mudança. O árbitro deu a penalidade para o Rubro-Negro depois que a bola tocou no peito do zagueiro Conti. A decisão foi mantida mesmo depois de ver as imagens no monitor do VAR.

Rodrigues já busca o substituto de Gaciba para aprofundar a reformulação da comissão a partir de janeiro. O presidente interino da CBF pretendia desfazer a atual comissão no final da temporada atual, mas decidiu antecipar a decisão após a série de erros da arbitragem nas últimas rodadas.

Gaciba estava no cargo desde 2019 e foi contratado por Rogério Caboclo para modernizar a arbitragem. A CBF investiu alto em tecnologia para ajudar os árbitros em campo.

Rodrigues está no função desde agosto. Ele substitui Caboclo, afastado do comando da CBF por 21 meses por assédio sexual e assédio moral a uma funcionária da entidade. O VAR começou a ser usado em competições nacionais em 2018. No ano seguinte, o Campeonato Brasileiro foi disputado já com o árbitro de vídeo.

CABOCLO PUNIDO

A Comissão de Ética do Futebol Brasileiro aplicou mais uma punição ao presidente já afastado da CBF, Rogério Caboclo. A medida tomada hoje (12) foi punir o dirigente com mais 20 meses de afastamento da entidade. Com isso, pelas sentenças impostas pelo órgão até agora, Caboclo soma 41 meses de gancho — o caso anterior rendeu 21 meses de suspensão, diante da denúncia de assédio sexual feita por uma funcionária. A punição desta vez veio no processo movido pelo diretor de tecnologia e informação da CBF, Fernando França, que acusou Caboclo de assédio moral e de tentar fazer com que ele espionasse e-mails e telefones de dirigentes e pessoas ligadas à entidade.

Na base do tudo ou nada

POR GERSON NOGUEIRA

Técnico Eduardo Baptista pela Mirassol, seu último clube — Foto: Léo Roveroni/Ag. Mirassol

A situação aflitiva vivida pelo Remo na reta final da Série B impôs à diretoria medidas drásticas, que começaram com o afastamento de Felipe Conceição após a derrota para o Operário e culminaram com a contratação de Eduardo Baptista, anunciada ontem à noite. Fora dos grandes centros há pelo menos três anos, o técnico não era a primeira opção, nem a segunda.

Antes de Baptista, o clube tentou acertar com pelo menos dois outros treinadores, mas a negociação esbarrou em três pontos: no pouco tempo para buscar um nome de consenso, nas altas pedidas salariais e no pouco atrativo pacote oferecido pelos azulinos: salvar o time do rebaixamento tendo apenas três jogos a disputar na competição.

Baptista, preferido ou não pela diretoria, desconhecido para boa parte da torcida, representa claramente o quadro emergencial vivido pelo Remo. Diante do risco de queda e da impossibilidade de manter Felipe Conceição, contratar um novo comandante virou prioridade máxima.

Sem muita margem de manobra dentro do mercado das principais divisões do futebol brasileiro, a opção foi trazer um técnico com experiência e passagem por grandes clubes nacionais – Sport, Palmeiras, Fluminense, Atlético-PR, Ponte Preta e Coritiba. Baptista tem 49 anos e é filho do também ex-jogador e ex-treinador, Nelsinho Baptista.

Até mesmo a natureza pouco ortodoxa da contratação – o técnico virá, na verdade, cedido “por empréstimo” pelo Mirassol-SP apenas para os jogos da Série B – dá a medida do grau de dificuldades encontrado pelo Remo na busca pelo substituto de Conceição.

O fato de preferir um nome experiente à opção caseira de João Nasser Neto ajuda a explicar também os motivos da demissão de Felipe Conceição. Fica claro que há uma preocupação com a gestão de vestiário, aquela competência exigida para lidar com jogadores considerados medalhões.

Significa que o ex-treinador pode ter caído por desgaste junto ao grupo, recheado de jogadores rodados, alguns envergando histórico de pinimbas com técnicos mais exigentes. Não precisa ser bidu para imaginar quem pode ter criado dificuldades para Conceição.

Os últimos trabalhos de Baptista são pouco animadores, com resultados pífios nos três clubes que dirigiu antes de chegar ao Mirassol. No Sport, em 2018, o aproveitamento foi de 17%. No ano seguinte, dirigindo o Vila Nova, alcançou 38% de aproveitamento, chegando a 42% no comando do CSA no ano passado.

Seu melhor momento nesta fase recente da carreira foi no Mirassol, desde o final de 2020 até agora. Obteve 50% dos pontos ganhos, com 25 vitórias, 10 empates e 21 derrotas. Fez boa campanha no Paulistão com um elenco modesto, chegou a mostrar competitividade, mas despencou na Série C.

O anúncio surpreendeu e reforçou a impressão de que, se era para substituir por um nome sem maior brilho e currículo, teria sido melhor enfrentar a fúria da torcida e permanecer com Felipe Conceição até o final.

Flores é a melhor notícia do Leão contra o Manaus

Erick Flores, após longa ausência por contusão, é a principal atração do modificado time do Remo para o confronto contra o Manaus pelas quartas de final da Copa Verde, hoje, no estádio Arena da Amazônia. É a primeira boa notícia de uma semana repleta de dissabores para os azulinos.

A presença do meio-campista representa um reforço e tanto no mata-mata do torneio inter-regional e é também um aceno de esperança para os jogos decisivos pela Série B. É provável que Flores possa atuar contra o Goiás, na segunda-feira.

De nível técnico acima da média, Flores é um dos poucos jogadores de meio-campo do elenco do Remo com versatilidade para executar a recomposição, comandar a transição e ajudar nas manobras de ataque.

Sem ele, o time perdeu força e qualidade no confuso setor da meia-cancha. A longa ausência afetou a produtividade de Felipe Gedoz, Victor Andrade e dos demais companheiros de marcação, como Lucas Siqueira e Uchoa.

Todos os olhares estarão sobre ele, caso entre jogando contra o Manaus, cuidando da armação remista. Deve ter Marcos Junior e Pingo como parceiros diretos. No gol, Vinícius reaparece. O ataque deve ser ocupado solitariamente por Renan Gorne, embora Ronald seja uma alternativa de lado.

Uma parada difícil, em qualquer circunstância – com ou sem Flores.

CV: Papão perde jogadores e põe em risco campanha

Vencer o Castanhal por 3 a 1, garantindo presença na semifinal da Copa Verde, gerou comemorações no PSC, mas trouxe inquietação. É visível a preocupação com os custos de manter o atual elenco por mais um mês (e uma folha salarial) para a disputa das etapas decisivas do torneio.

Não se pode perder de vista que o PSC, como todas as equipes disputantes da Série C, arca com os prejuízos de uma competição deficitária, sem patrocínio ou verba de televisão. O déficit é alto, o que praticamente impede a prorrogação do vínculo com atletas que não renderam o suficiente na frustrada campanha do acesso.

Os primeiros sinais nesse sentido surgem da disposição de incluir atletas do sub-20 no elenco que vai se reapresentar na próxima semana. A preparação será então iniciada para as semifinais, que devem ocorrer somente na metade do mês de dezembro após o cruzamento entre Remo e Manaus.

Ontem, o zagueiro Alisson foi desligado do elenco, juntando-se aos seis outros que já haviam abandonado o barco após a eliminação na Série C. É provável que até quarta-feira novas rescisões sejam anunciadas.

Enquanto isso, o clube busca um executivo de futebol, o que representa mudança de rumos na gestão. Durante toda a temporada 2021 o PSC trabalhou sem a figura de um gerente. Com Ricardo Lecheva no papel de coordenador técnico, Ari Barros (atualmente no Náutico) é o executivo visado, enquanto Vandick e Robgol correm por fora. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 12)