Erro fatal afunda o Leão

POR GERSON NOGUEIRA

Remo x Goiás, Série B

O clima era inteiramente favorável. Torcida empolgada, apoiando desde antes da partida, time mostrando concentração e foco. Tudo parecia indicar que, após quatro rodadas (agora são sete derrotas em oito jogos), o Remo faria as pazes com a vitória. Ledo engano: um erro primário do zagueiro Kevem pôs as esperanças azulinas por terra na metade do 2º tempo.

A partida era equilibrada, com o Remo até mais presente no campo ofensivo e defendendo-se com correção. Mas, depois de sofrer o gol (Alef Manga aproveitou bem a “gentileza”), o time perdeu a régua e o compasso. Os erros se acentuaram e os homens de frente passaram a precipitar as finalizações, sem levar maior perigo.

Ironicamente, o 1º tempo registrou uma das melhores atuações do Remo no returno. Controlava o jogo a partir do meio-campo, com Felipe Gedoz se movimentando bem e tendo em Mateus Oliveira um escape pela direita. Foi por ali que logo aos 3 minutos de partida quase saiu o gol azulino.

Mateus Oliveira pegou de primeira da entrada da área, obrigando o goleiro Tadeu a fazer uma defesa arrojada, no susto. O Goiás foi ao ataque e Alef Manga bateu forte para defesa segura de Vinícius. As equipes jogavam no limite máximo da segurança evitando comer erros.

Ao Remo faltava caprichar mais nos passes na intermediária goiana. Com uma segunda linha de marcação, a equipe visitante não permitia aproximações. Victor Andrade caía pela esquerda, mas não aprofundava as jogadas. Como sofria marcação dupla, voltava sempre para trocar passes com Lucas Siqueira e Igor Fernandes.

Com mais vigilância à cobertura da zaga, o Remo se mostrou diferente do modelo praticado durante a era Felipe Conceição. Buscava sempre a verticalização das jogadas. Não havia perda de tempo com troca de passes laterais. Aliás, os lados do campo voltaram a ser utilizados com intensidade e maior frequência.

Tiago Ennes e Mateus Oliveira foram bastante acionados, levando sempre perigo para a defesa goiana. O problema era a ocupação de espaços na área, onde Neto Pessoa voltou a ficar muito isolado, sem receber passes ou cruzamentos. O time atacava com Gedoz, Mateus, Victor e até Anderson Uchoa, mas o centroavante pouco participou das jogadas.

Veio a segunda metade e o Remo chegou logo assustando, com Victor Andrade pegando bem da entrada da área. Bem colocado, Tadeu defendeu sem dar rebote. O Goiás pressionou e conseguiu falta junto à área. O meia Elvis cobrou e Vinícius espalmou para escanteio.

Aí, aos 22 minutos, quando o Remo tinha o jogo controlado, um passe errado de Bruno Mezenga acabou virando assistência preciosa para Alef Manga invadir a área e marcar. Na linha da bola, Kevem errou bisonhamente ao tentar interceptar. Foi a segunda falha feia da zaga nos últimos jogos. Contra o Londrina, Romércio “deu” o gol para Zeca.

Como a bola pune, segundo aquele filósofo resmungão do Morumbi, o jogo que era parelho ficou então nas mãos do Goiás, que a partir dali fez todo o possível para interromper jogadas e fazer o tempo passar. Ronald ainda arriscou duas arrancadas, mas ao Remo faltou qualidade e força emocional para buscar o empate.

Apesar da derrota, Leão ainda tem chances

Os números ainda são favoráveis ao Remo, apesar da derrocada que a equipe vive nas últimas 10 rodadas. Com 41 pontos, está em 16º lugar (11 vitórias), com a mesma pontuação de Londrina, 41 pontos, mas com uma vitória a menos. O Vitória é o 18º, com 40, três vitórias a menos. O Brusque também tem 41, mas é o 15º porque tem 12 vitórias.

As duas últimas rodadas serão de tirar o fôlego, com possibilidades amplas para todos os concorrentes pela permanência. O Remo terá que ganhar quatro pontos diante de Vasco e Confiança. É difícil, mas não impossível. Dependerá de um bom rendimento técnico, já visto ontem, e de força psicológica para suportar a pressão.

O Brusque, que ontem venceu o CRB, terá jogos difíceis, com Operário (casa) e Goiás (fora). O Londrina joga (fora) com o Vila Nova ainda não garantido e recebe o Vasco. Já o Vitória vai a Maceió enfrentar o CRB e depois recebe o Vila Nova.     

Fogão está de volta à Série A, com todos os méritos

Cheguei a duvidar do acesso. Os primeiros jogos no campeonato foram decepcionantes. Com Chamusca no comando, o time chegou a patinar entre os últimos colocados, perto do Z4. A mudança se operou com a entrada de Enderson Moreira, que conseguiu encaixar um jogo reativo e de grande movimentação no meio-campo, a partir de figuras como Luiz Oyama e Chay. A zaga ganhou estabilidade com o retorno do xerife Joel Carli.

Mesmo sem ter sido muito eficiente como visitante, o Botafogo foi sempre imbatível em casa. Vai fechar a Série B como o melhor mandante, garantindo a arrancada a partir de resultados no estádio Nilton Santos.

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O ataque se beneficiou da ótima fase de Rafael Navarro, jovem centroavante que respondeu sempre positivamente às necessidades do time. Outro jogador de destaque foi o meia-atacante paraense Marco Antônio, revelado pela Desportiva e que vive um momento auspicioso.

Alguns coadjuvantes foram fundamentais na conquista do acesso, casos de Barreto, Kanu, Warley, Diego Gonçalves e Pedro Castro. Um elenco sem estrelas ou jogadores caros, mas de nível técnico satisfatório para a Série B.

Vibrei muito ontem com o meritório retorno à elite do futebol brasileiro, mas agora quero a taça. Caso mantenha a pegada atual, o título será a consequência natural da excelente campanha. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 16)

Botafogo vence de virada e está de volta à Série A

JORGE RODRIGUES / ESTADÃO CONTEÚDO

O Botafogo está de volta à Série A. Foi na garra e no coração. Com a vitória, de virada, sobre o Operário por 2 a 1, o alvinegro confirmou o acesso nesta segunda-feira sob os aplausos da torcida no Estádio Nilton Santos. Com duas rodadas de antecedência, o time comandado por Enderson Moreira não pode mais ser alcançado e segue na liderança com 66 pontos.

“Essa torcida merece muito. Foi um ano muito difícil. Hoje foi o torcedor que ganhou essa partida para gente”, disse o técnico Enderson Moreira, que busca o terceiro título da Série B na carreira.

Enquanto a torcida fazia o papel do 12º jogador, com mais de 25 mil torcedores presentes no estádio, o nervosismo também entrou em campo no Nilton Santos. Precisando apenas da vitória para confirmar a vaga na Série A, o Botafogo quase  se atrapalhou nas próprias pernas diante do Operário, que saiu na frente.

O alvinegro fez um primeiro tempo consistente, com domínio total da partida, mas não soube traduzir em gol. Com Chay de volta, após se recuperar de lesão, o time ganhou qualidade no meio, mas o último passe era o grande problema. O alvinegro teve apenas uma chance realmente boa, com Oyama, que desperdiçou. Sinal de que o apoio das arquibancadas também tem seu grau de pressão.

No segundo tempo, o Operário, que havia vencido a partida do primeiro turno, encontrou seu jogo diante de um adversário a cada minuto mais ansioso. Teve espaços para chegar com velocidade no gol de Diego Loureiro e tirou os do Botafogo. Pimpão poderia ter aberto o placar com um golaço de bicicleta, mas conseguiu um escanteio. Na cobrança, após um bate e rebate na área, Fabiano pegou a sobra e fez o gol do Operário.

Enderson Moreira mexeu no time, que se acalmou aos poucos, e retomou o domínio da partida. Aproveitando o recuo do Operário, com o resultado a favor, o alvinegro se organizou no ataque. Com um cruzamento perfeito de Chay, que naquele momento já mancava em campo por causa de cãimbras, Pedro Castro, de cabeça, empatou.

Só faltava um. E ele veio com o gol do artilheiro Rafael Navarro, após cruzamento de Frizzo. Como típico centroavante, ele se jogou na bola e marcou o 14º gol pelo Botafogo. Chay, que já havia saído de campo após o empate, comandou a festa no banco de reservas e com o público. (Transcrito de O Globo)

Rejeição a Bolsonaro é tão alta que parece não ter mais volta

Por Maria Carolina Trevisan

As pesquisas de opinião divulgadas esta semana mostram que a rejeição ao presidente Jair Bolsonaro alcançou um patamar tão alto que pode ter atingido um ponto de não retorno, o que inviabilizaria a reeleição.

A pesquisa Exame/IDEIA divulgada nesta sexta (12) mostra que 52% dos eleitores consideram o governo Bolsonaro “ruim/péssimo” e 54% desaprovam o trabalho do presidente. Esses dados confirmam o que mostrou a pesquisa Genial/Quaest publicada na quarta (10): a avaliação negativa de Bolsonaro atingiu 56%, 11 pontos percentuais a mais que em agosto.

Na pesquisa PoderData desta quinta (11), 57% avaliam o trabalho do presidente Bolsonaro como “ruim/péssimo”. E na Vox Populi também divulgada na quinta, 69% dos eleitores disseram que reprovam o trabalho do ex-capitão.

“Bolsonaro tem índices muito desfavoráveis. Se ele vencer, será a maior virada de uma eleição presidencial recente na América Latina”, afirma Maurício Moura, fundador do Instituto IDEIA.”

Um levantamento feito pelo instituto de pesquisa de opinião de Moura sobre a relação entre o índice de aprovação e reeleição de governadores desde 1998 mostra que quando a avaliação positiva ficou abaixo de 20%, apenas 11% dos candidatos foram reeleitos.

Moura lembra também que todos os ex-presidentes que conquistaram a reeleição (Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff) tinham índices de aprovação superiores a 30% no terceiro ano de mandato e menor rejeição do que Bolsonaro tem hoje.

Apesar de manter a significativa e consistente aprovação entre 19% e 25% nas duas pesquisas, pode não ser o suficiente para conquistar a reeleição. Um levantamento realizado pela Ipsos Public Affairs com base em 300 votações, concluiu que o candidato que detém o cargo vence a eleição quando aprovado por 40% do eleitorado. Se o apoio for de 30%, sua chance cai para 19% e desaba para 8% quando apenas 1/4 da população o avalia bem.

Para que seja reeleito, o desempenho de Bolsonaro no ano eleitoral teria de ser fenomenal. O presidente conta com o Auxílio Brasil para reconquistar parte dos eleitores. Mas o efeito que o auxílio emergencial teve em sua popularidade no ano passado não deve se repetir com o novo programa social. O Auxílio Brasil carrega muitas incertezas e não tem sustentabilidade para depois de 2022, quando terminam os recursos dos precatórios. Além disso, a alta de preços de alimentos faz com que o poder de compra do novo auxílio seja menor. “Outro fator é o trauma da interrupção do auxílio emergencial. Isso anestesia o entusiasmo”, diz Moura.

Essas avaliações mostram que a população compreendeu a política destrutiva de Bolsonaro e a rejeita. Ele fracassou na gestão da pandemia, da crise econômica, na educação, na área social, queimou a imagem do Brasil no mundo, se tornou refém do centrão no Congresso, falhou ao enfrentar o judiciário e alardear o golpismo, perdeu espaço nas Forças Armadas e foi desmascarado com as emendas secretas e na CPI da Covid, mostrando a face exposta à corrupção.

Perdeu apoio de parte dos evangélicos, do agronegócio, dos empresários, dos lavajatistas, dos mais pobres. Nunca foi bem entre jovens, negros e mulheres. Sobraram os homens brancos, mais velhos e escolarizados. Se perder esses, não tem mais volta. Talvez já não exista mais meio de reverter a popularidade.

Diante do cenário atual e das expectativas pessimistas de futuro, Bolsonaro periga ser o único presidente brasileiro do período democrático a não conseguir se reeleger desde que é possível concorrer à reeleição. Um mito ao contrário.