A frase do dia

“A foto das 300 balsas no rio Madeira percorreu o mundo e criou consternação depois do blá-blá da COP 26. Atestou as mentiras do capetão, que incentiva os garimpeiros. Fazem o que querem contra os indígenas e a natureza. Depois vendem o ouro para empresas de Inglaterra e Canadá”.

João Pedro Stédile – MST

Uma senha para a cidadania

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“No Rio, a formação da identidade passa, também, pela eleição de um time de futebol. O poeta, fiel à sua infância, escolhe o ‘Botafogo Futebol Clube’. Não frequenta os estádios. Não lê o noticiário. Não ouve as transmissões pelo rádio. Mas, se perguntarem seu time, afirma: ‘Botafogo’. Não se trata de uma paixão, mas de uma senha para a cidadania.”Vinícius de Moraes, poeta

“Botafogo é um menino de rua perdido na poética dramaticidade do futebol”Paulo Mendes Campos, escritor

“O Botafogo é o clube mais passional, mais siciliano, mais calabrês do futebol brasileiro”Nelson Rodrigues, escritor

“Ser Botafogo é escolher um destino e dedicar-se a ele. Não se pode ser Botafogo como se é outro clube: você tem que ser de corpo e alma.”Mário Filho, jornalista

“O Sr. sabe lá o que é um choro de Pixinguinha? O Sr. sabe lá o que é ter uma jabuticabeira no quintal? O Sr. sabe lá o que é torcer pelo Botafogo?”Vinícius de Moraes

“O Botafogo tem tudo a ver comigo: por fora, é claro-escuro, por dentro, é resplendor; o Botafogo é supersticioso, eu também sou. O Botafogo é bem mais que um clube – é uma predestinação celestial. Seu símbolo é uma entidade divina. Feliz da criatura que tem por guia e emblema uma estrela. Por isso é que o Botafogo está sempre no caminho certo. O caminho da luz. Feliz do clube que tem por escudo uma invenção de Deus.”Armando Nogueira, jornalista

2022 terá carnaval?

Por José Marcos Araújo

Tenho lido nas redes sociais diversos textos questionando a realização do Carnaval em 2022 e até condenando as ações que estão sendo empreendidas para a retomada das festas carnavalescas. Algumas impregnadas de preconceitos contra a festa de manifestação cultural, outras preocupadas com a questão sanitária e outras apenas repetindo as vozes contra a sua realização. Em primeiro lugar é importante registrar que o povo que constrói o carnaval, em todo o país, somam centenas de milhares de pessoas que, em nenhum momento fizeram qualquer mobilização para que a festa popular se realizasse em 2021, sem que as condições sanitárias permitissem. Com toda a dificuldade que uma decisão dessas traz, as entidades Escolas e Blocos acataram a orientação da ciência e mesmo com fortes prejuízos financeiros para às instituições e para os profissionais que fazem e vivem do Carnaval, suspenderam os ensaios, a produção, os folguemos e o desfile do ano passado.

Como diz a canção “eu não brinquei e você também não brincou. Aquela fantasia que eu comprei, ficou guardada…”. É importante esclarecer que o carnaval não é apenas o ou um desfile. São dezenas de milhares de pessoas que tem no evento a sua manutenção econômica. São os artesãos, as costureiras, os músicos, os sapateiros, ferreiros, decoradores e uma dezena de categorias de profissionais que sofreram o desemprego em uma atividade que além de econômica, envolve empatia e amor.

O objetivo de todos, carnavalescos, engenheiros, operários, comerciários e toda sociedade é que possamos realizar a vacinação de todos, que possamos respeitar e aplaudir a ciência, seus ensinamentos e importância, para que possamos superar o quadro que já nos arrancou mais de 611 mil pessoas, mortas pela pandemia e pela negligência de quem optou por caminhos que não nos protegeram. Nossa busca é, superado esse quadro dantesco, posamos ir reorganizando a vida social, adequada às lições desse mal, que deixará obrigatoriamente mudanças de paradigmas de respeito a higiene, ao meio ambiente, à ciência, onde objetos como máscaras e álcool gel deverão permanecer em nossas vidas.

Hoje (14/11), com cerca de 73,56% da população parcialmente imunizados (156.918.899 pessoas). E, com 58,78% da população está totalmente imunizada (125.380.340 de pessoas). E a dose de reforço foi aplicada em 11.948.110 pessoas, ou 5,6% da população. São esses números que levaram a redução dos números de óbitos causadas pelo Covid19 e que está orientando as decisões de retomada das atividades econômicas.

Os bancos começam a retomar o atendimento pessoal, as casas comerciais ampliam os horários e regras de funcionamento, os restaurantes, as casas de eventos, jogos de futebol e outros eventos esportivos e sociais. Porque será que apenas o carnaval está fadado a se manter silente, imobilizado? Isso nos faz lembrar a época, não tão longínqua, até meados do século XX, onde a simples posse de um instrumento de percussão, como um tamborim era motivo de perseguição e até cadeia para seu portador, que logo era acusado de vagabundagem é chamado de bandido.

São muitas as histórias como do sambista João da Baiana (1887-1974), que enfrentou problemas com a polícia por andar com seu pandeiro pelas ruas do Rio de Janeiro, quando a polícia apreendia o instrumento como prova da “vadiagem” do compositor. Mesmo que o samba hoje seja um dos mais populares ritmos brasileiros, já sofreu muita perseguição, por sua origem racial, onde aos negros era negado os direitos de acesso a felicidade.

Desse “mal” sofreu também a capoeira, o rap e o funk. O professor de Direito Penal da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Reinaldo Santos de Almeida, em entrevista recente à BBC News Brasil, afirmou ser “indissociável” a relação entre a perseguição ao samba e o racismo. “A perseguição no início do século passada é tão racista quanto o sistema de justiça criminal brasileiro, cujo critério determinante é a posição de classe do autor, ao lado da cor de pele e outros indicadores sociais negativos, tais como pobreza, desemprego, falta de moradia”, disse ele, cujo doutorado abordou a criminalização do samba.

Segundo Almeida, sambistas não eram enquadrados apenas quando portavam instrumentos, mas também quando tinham calos nos dedos ou fossem flagrados em rodas de capoeira. Até o formato de desfile nas avenidas, pelo Brasil afora, após a criação das escolas de samba, foi uma forma de controle do estado, com aplicação de regras e regulamentos para o desfile, substituindo os “entrudos”, formato popular até então, o para “conter as classes perigosas e as massas populares nas ruas da cidade”, afirmou Almeida. Não queremos realizar o desfile oficial de carnaval, as rodas de samba e botar os blocos na ruas de forma irresponsável, mas não aceitamos que sejamos o único ou o último segmento que irá ter a concessão de retomar as ações, por causa de nossa origem, de cor ou de classe.

Queremos vacina, queremos ciência, defendemos a vida é os cuidados sanitários, queremos que o samba e o carnaval possa buscar as condições de realizar esse tributo respeitoso à cultura, até em homenagem a todos os trabalhadores do samba que – não foram poucos – perdemos para o genocídio atual. José Marcos de Lima Araújo Bancário, aposentado e benemérito do Império de Samba Quem São Eles.”.

A hora das responsabilidades

Remo 3×0 Manaus-AM (Felipe Gedoz)

POR GERSON NOGUEIRA

O confronto com o Confiança-SE no próximo domingo é a partida mais importante do ano para o Remo. A vitória significará a permanência na Série B e a garantia de um orçamento em torno de R$ 10 milhões no futebol profissional. Ao mesmo tempo, assegura a continuidade de um projeto de modernização iniciado com a aquisição do CT de Outeiro.

Por tudo isso, o jogo vale bem mais do que a simples satisfação de permanecer na Segunda Divisão. Representa a própria sobrevivência financeira e contábil do Remo nos moldes desenhados pela atual gestão. Voltar à Série C seria um abalo de dimensões catastróficas, com consequência direta no equilíbrio das contas do clube.

Todos os trunfos serão utilizados para que a vitória seja conquistada. O técnico Eduardo Baptista sinalizou para isso ao escalar o time titular para o jogo contra o Manaus pela Copa Verde, na quarta-feira (24).

Apesar dos riscos de lesões, Baptista preferiu apostar na busca de ajustes do modelo de jogo adotado desde sua estreia, contra o Goiás. Acertou em cheio. O time, que havia feito um bom jogo contra o Vasco em São Januário, mostrou encaixe ofensivo e venceu o Manaus por 3 a 0.

O triunfo valeu a classificação às semifinais da Copa Verde, mas o tempo todo o desempenho da equipe estava voltado para a decisão de domingo diante do Confiança. O esquema treinado é o de marcação forte no meio-campo, com direito à pressão na saída de bola do adversário.

Foi assim que o Remo imprensou o Manaus no primeiro tempo, encurtando distâncias e provocando erros. É o que seguramente será reproduzido domingo à tarde no Baenão contra um adversário tecnicamente mais qualificado, apesar de já rebaixado à Série C.

Além do esforço dos jogadores em assimilar e executar o planejamento tático, o time apresentou uma novidade interessante: o protagonismo de seu principal jogador. Felipe Gedoz, destaque da equipe ao longo do Brasileiro, caiu de rendimento nas últimas 12 rodadas. Com ele, desabou também o poderio ofensivo do Remo.

Diante do Manaus, Gedoz reassumiu o papel de líder técnico do time. Concentrou a armação de jogadas, apareceu na última linha do ataque quando necessário e chutou cinco vezes a gol. No primeiro tempo, mandou uma bola rasteira na trave do Manaus. Na etapa final, mais quatro arremates, todos com grande perigo.

Fazia tempo que o torcedor não via o camisa 10 tão empenhado em buscar o gol e conduzir o time à vitória. Quando age assim, Gedoz cresce e contribui para que seus companheiros apareçam mais. Neto Pessoa, Igor Fernandes e Lucas Tocantins se beneficiaram diretamente disso.

Além do camisa 10, Baptista tem ainda Erick Flores como trunfo importante para tornar o jogo mais ágil e objetivo se entrar jogando ou se for lançado no 2º tempo, como ocorreu na partida de ontem.

Remo tenta aumentar a capacidade do Baenão

A diretoria do Remo solicitou ontem à Prefeitura de Belém o aumento da capacidade permitida de público no estádio Evandro Almeida para o jogo contra o Confiança, encerrando a Série B. Hoje, com 50% da lotação, são oferecidos cerca de 6.900 lugares.

Caso a PMB conceda a permissão, serão postos à venda novos lotes de ingressos. Até ontem, todos os ingressos disponibilizados ao público foram vendidos. Restam apenas bilhetes para sócio-torcedor, gratuidades e meia-entrada para estudantes.

Papão perde a principal referência da defesa

Sem festas ou homenagens, o zagueiro Perema anunciou ontem sua saída do PSC após defender o clube por cinco anos. Aos 29 anos, ele vai em busca de outros rumos em 2022. Não revelou, na entrevista à Rádio Clube, se já tem outro clube em vista, mas é provável que tenha proposta de um outro clube paraense ou de times da Série C.

No ato de despedida, um desencontro de informações turvou ainda mais a relação com a diretoria. Há dias, o presidente do PSC, Maurício Ettinger, informou que havia firmado um aditivo contratual com o jogador para o restante da Copa Verde. O contrato termina no dia 30 de novembro.

“Tudo que saiu nos noticiários dizendo que eu tinha assinado o aditivo é mentira. O que eu sempre disse foi que iria cumprir meu contrato, e só. Na primeira reunião que eu tive com a diretoria, depois do jogo contra o Castanhal, já havia deixado bem claro de que não ficaria depois do dia 30”, afirma Perema.

Com a camisa alviceleste foram 173 jogos, sete gols e uma assistência. Ganhou três títulos estaduais e um da Copa Verde, como capitão. A perda do acesso à Série B, com direito a episódios vexatórios, como a invasão de campo por parte da torcida no jogo com o Ituano, deixou mágoas no santareno Perema.

Revela o sentimento de medo e impotência: “Eu me senti um lixo, foi um sentimento muito ruim. Porém, saio com a consciência de que fiz o meu melhor, dei o meu máximo nos jogos”. Sobre o futuro no futebol, sigilo absoluto.

Para o Papão, o adeus de Perema é uma perda de grande porte na disputa das semifinais da Copa Verde. Apesar de algumas oscilações na Série C, Perema era a referência da defesa e foi titular absoluto nos últimos anos. Sem ele, Wilton Bezerra terá como opção de zaga para o Re-Pa a dupla Yan-Vítor Salinas. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 26)