Botafogo formaliza desculpas a auxiliar após ofensas machistas da torcida

Presidente do Botafogo, Durcesio Mello entregue pedido de desculpas formal a auxiliar Katiuscia Berger  - Twitter do Botafogo

Um episódio extracampo manchou a bela festa no estádio Nilton Santos (RJ), na vitória do Botafogo por 3 a 0 sobre o Brusque, pela Série B. Na saída para o intervalo, a auxiliar Katiuscia Berger Mendonça foi chamada de “piranha” por uma parte dos torcedores alvinegros após ter assinalado acertadamente impedimento em um gol da equipe da casa.

A diretoria botafoguense, no entanto, agiu rápido e ao final da partida formalizou um pedido de desculpas à profissional, entregando uma carta repudiando a ofensa machista. O documento, que foi entregue pelo presidente Durcesio Mello, diz:

“Katiuscia, o Botafogo acredita no seu trabalho e defende a equidade de gênero. Hoje, na partida, presenciamos episódios que não condizem com o propósito da instituição, com o que pregamos e defendemos. Estes não representam os nossos milhões de torcedores. Receba nosso carinho e pedido de desculpas. Continue o seu trabalho e conte com o Botafogo para o que o que precisar. Um abraço, Durcesio Mello”.

Os gols da vitória alvinegra foram marcados por Rafael Navarro (2) e Marco Antônio. Com o resultado, a equipe foi aos 55 pontos e encostou no líder Coritiba, que tem 57. Na próxima terça-feira, o duelo será contra o Goiás, em Goiânia (GO). (Do UOL)

Documentário mostra o punk rock enfrentando a ultradireita (e Eric Clapton)

Documentário ‘White Riot’ aborda o movimento Rock Against The Racism, que enfrentou a crescente popularidade da Frente Nacional e de outros movimentos de extrema direita no Reino Unido nos anos setenta

Imagem do documentário ‘White Riot’, de Rubikah Shah.

Por Fernando Navarro, no El País

“Gente normal pode fazer coisas. Pode mudá-las.” A frase sai da boca de Red Saunders, fotógrafo, ativista e fundador do Rock Against The Racism (Rock contra o racismo), o movimento popular criado em 1976 no Reino Unido como reação ao crescimento do partido ultradireitista Frente Nacional (National Front, em inglês) e os ataques que os imigrantes sofriam nas ruas britânicas. Dita com convicção e ênfase, a frase de Saunders soa solene em um dos momentos finais do documentário White Riot (Revolta branca) dirigido por Rubika Shah e que estreou no último festival In-Edit. White Riot aborda um movimento cultural que demonstrou a capacidade de resposta política que o punk britânico exercia no seu auge.

Em meados dos anos 1970, a ultradireita ganhava terreno em um país mergulhado numa profunda crise econômica e social. A Frente Nacional, um partido fascista fundado em 1967, se beneficiava do descontentamento e alcançou o máximo da sua popularidade com um discurso racista e xenófobo. Em 1974, em pleno auge, apresentou como pedra angular de seu programa político a repatriação obrigatória de todos os “não brancos” ou imigrantes “de cor”.

Como se vê em White Riot com valiosas imagens de arquivo, a sociedade britânica vivia um contínuo estado de alerta promovido pelos meios de comunicação conservadores. A imprensa de direita publicava capas atacando os imigrantes com manchetes como: “Estão nos sitiando”. O populismo da Frente Nacional aproveitava a conjuntura para fazer comícios públicos onde lançavam ordens contra “todos aqueles que tiverem as caras marrons, negras ou amarelas”. O supremacismo branco, herança direta do legado colonialista britânico, estava na ordem do dia.

Rock Against The Racism, apoiado pela Liga Antinazista, surgiu como resposta à ultradireita. Embora, como conta Red Saunders no documentário, tenha havido uma gota que fez o copo transbordar e levou o grupo a passar à ação com um show. Essa gota foi ver Eric Clapton, já então um astro do rock britânico, apoiar publicamente o ex-ministro conservador Enoch Powell, conhecido por seu discurso intitulado Rios de Sangue, em que alertava para o risco das ondas migratórias provenientes de ex-colônias britânicas como o Paquistão, Índia e Bangladesh, além do Caribe. Clapton disse ao seu público que o Reino Unido estava “superpovoado” e que era preciso votar em Powell para evitar que o país se tornasse “uma colônia negra”. Depois, gritou repetidamente o slogan da Frente Nacional “Keep Britain White” (“mantenhamos a Grã-Bretanha branca”).

White Riot expõe essa posição de Clapton, pouco recordada. O punk britânico não só atacava o guitarrista britânico por representar um passado do rock psicodélico e defasado da década anterior, mas também — e sobretudo — por sua postura política. Como diz Saunders, que participava de grupos de teatro alternativo junto a outros membros do movimento Rock Against Racism: “Sério? O maior colonialista da música britânica dizendo isto!”. Saunders mandou uma carta à revista NME afirmando que eram comentários “repugnantes” por parte de um sujeito que fez fortuna com uma versão de I Shot the Sheriff, de Bob Marley. A carta também conclamava os leitores a ajudarem a criar o Rock Against Racism. Houve centenas de respostas.

Rock Against Racism proclamava as raízes negras da música britânica. O punk reivindicava seu fio direto com o primitivismo do rock’n’roll, com Chuck Berry, Little Richard e Bo Diddley. Também seus vasos comunicantes com o reggae, posto em órbita pelo próprio Bob Marley. Em White Riot aparecem Gang of Four, The Clash, Sham 69, Steel Pulse, Buzzock e Tom Robinson Band, mas seria possível acrescentar também formações como The Specials, Burning Spear, The Mekons e 999. Todas tinham ideologia. Todas enfrentavam a ultradireita com canções.

Enquanto iam se organizando improvisadamente em diversas cidades ou bairros de Londres, punks e ativistas atenderam ao chamado do Rock Against Racism para uma manifestação na Trafalgar Square em 1978. Entre fortes medidas de segurança e tensões recentes, parecia fadada ao fracasso, mas acabou sendo um sucesso, com 80.000 pessoas. A cereja do bolo foi um show ao ar livre no Victoria Park com Steel Pulse, Tom Robinson Band e X-Ray Spex. E com o The Clash fechando o show cantando sua canção White Riot junto a Jimmy Pursey do Sham 69, autores do hino If the Kids Are United. A partir de 1980, a ultradireita começou a perder fôlego.

White Riot também pode ser visto como um documento que explica o presente. Como dizia o historiador britânico Tony Judt em Reflexões Sobre um Século Esquecido: 1901-2000, “o passado recente talvez continue conosco por mais alguns anos”. A história, mais do que se repetir, parece nunca acabar totalmente. O populismo e a ultradireita são parte desse passado que ainda nos acompanha na Europa, inclusive no Reino Unido, lastrado pelo histórico Brexit. Entretanto, observam-se diferenças importantes: o punk é agora uma vaga lembrança, e a música não tem a mesma capacidade de resposta contracultural. E o The Clash se dissolveu para sempre.

Bastidores do rock

Imagem

David Bowie com a estilista Ola Hudson (também a mãe do guitarrista Slash, do Guns N ‘Roses), em 1976. Abaixo, Bowie com o próprio Slash, nos anos 80.

Imagem

O herói solitário do Galvez na noite do massacre azulino

Remo 9×0 Galvez-AC (Edivandro)

Edivandro, 38 anos, olhar tristonho de quem sabe o peso da luta diária, saiu de campo ontem sob aplausos da torcida remista. Não, ele não evitou a goleada de 9 a 0, mas certamente impediu que o placar fosse maior. Defendeu pelo menos três bolas que tinham destino certo. Fez o que podia embaixo dos três paus, mas o ataque remista estava infernal e inspirado.

Em alguns momentos, Edivandro se irritou com os companheiros de defesa, desabafava com gestos largos. A torcida ensaiou pegar no seu pé, mas depois se solidarizou com ele, ganhando aplausos entusiasmados. A humildade fez com que fosse até diante dos torcedores, conquistando ainda mais a simpatia da massa azulina.

Em seguida, o goleiro ainda recebeu o carinho dos jogadores do Remo e integrantes da comissão técnica. Ganhou a camisa azulina e relatou o drama pessoal. Ficou mais de um ano parado, após perder a mãe para a covid-19.

Por fim, desejou sucesso ao Leão: “Se continuar jogando assim, certamente será campeão da Copa Verde”.

Sem dó, nem piedade

POR GERSON NOGUEIRA

Remo 9×0 Galvez-AC (Rafinha, Tiago Miranda e Wallace)

O Leão fez gato e sapato do modesto Galvez acreano, ontem à noite, no estádio Baenão. Os números são acachapantes. Foi a maior goleada do Remo nas últimas décadas, a maior da história do clube em torneios da CBF e um recorde nas edições da Copa Verde. O placar de 9 a 0 serviu ainda como comemoração especial pela 40ª partida dos remistas na competição inter-regional.

Apesar da diferença técnica óbvia entre o Remo e o Galvez, poucos poderiam esperar um escore tão dilatado, até porque os azulinos entraram com um time mesclado. Felipe Conceição escalou alguns poucos titulares e muitos suplentes do time que disputa o Brasileiro da Série B.

Nos minutos iniciais, o Remo impôs marcação adiantada para provocar erros na saída de bola do retrancado Galvez. Com Rafinha, Neto Pessoa e Jefferson na linha ofensiva, as investidas priorizavam as jogadas de linha de fundo e foi por ali que nasceu o primeiro gol.

Marcos Junior foi lançado na área e deu um passe recuado para Neto Pessoa finalizar para as redes, logo aos 9 minutos. O Remo era superior e apertava o adversário não dando muitos espaços. Aos 15’, porém, acomodado com a vantagem parcial, a defesa permitiu uma chegada forte do Galvez, que mandou a bola na trave e quase empatou.

Aquela seria a última tentativa ofensiva do time acreano. Ainda no primeiro tempo, Neto Pessoa marcou duas vezes em menos de sete minutos, constituindo-se no grande nome da primeira parte do jogo.

O ritmo era de treino por parte do Remo quando a segunda etapa começou. Havia uma preocupação visível em evitar jogadas mais bruscas. Ocorre que o Galvez não oferecia nenhuma resistência, conformado com a derrota. Desse modo, o Remo foi ao ataque, conseguiu um escanteio e o estreante Edu escorou de pé esquerdo para as redes, logo aos 4 minutos.

A goleada se ampliaria aos 20’, após boa jogada de Wallace pela direita, que resultou em rebote para Rafinha encher o pé e marcar. Logo depois, Raimar (que substituiu a Ronald) foi derrubado na área. O pênalti foi cobrado e convertido por Wallace.

O próprio Wallace faria o sétimo, em rápida tabelinha com Neto Pessoa. Aos 31’, Neto Moura marcou chutando da entrada da área. E, aos 37’, saiu o nono e último gol, através de Wallace, novamente aparecendo com rapidez dentro da área e finalizando com um chute rasteiro.

Todos sabiam do favoritismo remista no jogo. Vencer era uma obrigação para um time que disputa a Série B, mas a aplicação do time e o resultado obtido empolgaram a torcida presente ao Baenão. Nos instantes finais, surgiu o coro pedindo o décimo gol, que acabou não ocorrendo.

Remo 9×0 Galvez-AC (Wallace, Neto Pessoa, Neto Moura e Warley)

A atuação destacada de Neto Pessoa, sem que Renan Gorne tenha sequer sido lembrado, deixa no ar que o centroavante pode ganhar chance nos próximos jogos do Remo no Brasileiro. Wallace, também autor de três gols, volta a sinalizar que tem condições de brigar pela titularidade.

Destaque também para o desembaraço de Ronald na lateral esquerda, para a movimentação de Rafinha junto aos atacantes e a tranquilidade de Paulinho Curuá na cabeça-de-área. O volante foi finalmente lembrado substituindo a Marcos Jr. no 2º tempo.

Uma estreia irretocável do Remo na Copa Verde, estimulando os sonhos de conquista da competição pelo clube, depois de ter batido na trave na edição 2020, com a derrota por pênaltis na decisão em Belém.

Motivação é o principal trunfo de Bezerra no Papão

O PSC faz sua estreia hoje na Copa Verde enfrentando o Penarol amazonense na Curuzu. Mais do que a preocupação com o torneio, as atenções estarão voltadas para Wilton Bezerra, que volta ao comando do time após ter participado da conquista do título paraense.  

Motivação e intensidade são as palavras mais ouvidas na Curuzu desde que Roberto Fonseca foi demitido na esteira dos três resultados sem vitória no quadrangular decisivo da Série C. (Sim, o desligamento do técnico foi por demissão, ao contrário da versão de “comum acordo” espalhada por aí.)

Bezerra conhece bem o elenco e é provável que saiba mais sobre as características dos jogadores do que o próprio Fonseca. Muito da experiência acumulada com a pressão pela conquista do Estadual será colocada a serviço da missão ainda mais desafiadora de recuperar as esperanças de acesso à Série B.

Para o jogo de sábado, contra o Ituano, o time não deve sofrer muitas alterações quanto aos nomes escolhidos, mas a forma de atuar seguramente terá uma nova sistemática. É improvável que o PSC seja tão passivo quanto foi diante do Botafogo, seu primeiro jogo como mandante no quadrangular.

Por característica pessoal, Bezerra é adepto de palavras de incentivo, do chamamento à raça e à superação e de orientações voltadas para o lado psicológico. Já afirmou, por exemplo, que o acesso é a prioridade e que ninguém jogou a toalha. É uma forma mais incisiva de dizer que a equipe vai corrigir as falhas das últimas partidas.

Contra o Penarol, o time deve ser alternativo, mas com a presença de jogadores que têm sido escalados como titulares, casos de Ratinho, Paulo Roberto, Grampola e Luan Santos.

Japiim tem confronto desafiador em Roraima

O Castanhal tenta sua segunda vitória na Copa Verde, hoje à tarde, diante do S. Raimundo-RR, em Boa Vista. Na primeira participação, na semana passada, o Japiim derrotou o Fast Clube, em Manaus, por 2 a 0.

O adversário de hoje é o mesmo que deu trabalho ao Castanhal na recente Série D. Os times empataram em 1 a 1 e o Japiim venceu por 2 a 1, jogando no estádio Maximino Porpino.

Um ponto que pode favorecer o time de Cacaio é a situação administrativa do S. Raimundo, que teve dificuldades em manter o elenco da Série D e precisou recorrer a jogadores da base para completar o grupo na Copa Verde. 

(Coluna publicada no Bola, edição desta quarta-feira, 20)