Mês: agosto 2021
Dia de celebrar a Estrela Solitária
Direto do Twitter
Outro disparate bovino
Intensidade é o segredo
POR GERSON NOGUEIRA
O Remo não conseguiu vencer, mas mostrou avanços diante do Goiás. Uma atuação centrada e bem organizada, com consciência tática e acerto de passes. Foi superior no 1º tempo e caiu um pouco na etapa final, sucumbindo ao já habitual erro na saída de bola. Ainda assim, teve forças para buscar o empate nos minutos finais, garantindo um bom resultado.
Um dos pontos a destacar foi a distribuição em campo, com ênfase no papel executado por Uchoa e Erick Flores no meio-campo e a participação intensa de Victor Andrade no ataque. O trio esteve ausente com o Operário e retornou em grande estilo contra o Goiás, provando sua utilidade para o modelo de jogo proposto por Felipe Conceição.
A inversão de papéis entre Victor e Felipe Gedoz funcionou bem, embora sem a necessária contundência ofensiva. Ficou faltando, em alguns momentos, ousar mais nas finalizações. Victor, por duas vezes, e Flores foram os mais agudos. Do lado goiano, Nicolas arriscou uma vez, mas o time parecia intimidado e surpreso com a esquematização do Remo.

O segundo tempo trouxe um Remo mais conservador, menos intenso e preso ao próprio campo. Em consequência, o Goiás subiu de produção e passou a atacar com mais insistência. Num cochilo na saída de bola, com Wellington, nasceu a jogada do bonito gol de Nicolas, aos 17 minutos.
A jogada errada na lateral direita pegou de surpresa os zagueiros Romércio e Jansen. São falhas que não podem se tornar rotineiras no mais disputado campeonato do país. Quem ambiciona alcançar um nível de regularidade que garanta alta competitividade tem que cuidar dos detalhes, principalmente nas zonas próximas à sua área.
Felipe Conceição fez trocas que ajudaram o Remo a sair da postura recuada. Lucas Tocantins, Renan Gorne, Rafinha e Artur entraram e o time voltou a manobrar no ataque, mas nem tudo fluiu como deveria. Faltou priorizar as jogadas com Tocantins, que recebeu apenas duas bolas.
Uma delas, na reta final do jogo, permitiu ao atacante dar um giro no marcador e entrar na área. Quando o goleiro Tadeu chegou para dividir, Tocantins deu um toque na bola e recebeu a falta. O penal foi marcado e convertido por Gorne.
Uma atuação de bom nível, que deixa no ar a impressão de que o time pode evoluir a partir de atitudes mais confiantes. O desafio é manter a constância e ser intenso em todos os jogos.
Bahia é a mais nova potência olímpica
Teve um inconfundível sabor de dendê a melhor campanha do Brasil em Olimpíadas. Dos sete ouros em Tóquio, quatro foram conquistados por atletas baianos. A façanha põe a Bahia em 21º lugar no quadro de medalhas, à frente de países como Espanha, Suécia, Suíça e Dinamarca.
Hebert Conceição (boxe), Ana Marcela (maratona aquática), Isaquias Queiroz (canoagem) e o capitão da Seleção Brasileira olímpica, Daniel Alves, são os ilustres baianos que subiram ao lugar mais alto do pódio.
O “país” Bahia ainda poderia ser 17º no quadro se a boxeadora Bia Ferreira tivesse vencido a final do boxe feminino. Ao todo, o “Comitê Olímpico Baiano ” levou delegação de 11 atletas onde cinco conquistaram medalhas; quatro delas douradas, desempenho mais do que excepcional.
Missa marca os 110 anos de reorganização do Leão
O Conselho Deliberativo do Clube do Remo, através de seu primeiro secretário, Carlos Getúlio Gama, convida para as cerimônias pelos 110 anos da reorganização, que transcorrem neste domingo, 15. Em memória de sócios e beneméritos azulinos falecidos recentemente, será celebrada uma missa na sede social (avenida Nazaré), às 10h.
Um escárnio para o Botafogo de Mané e Saldanha
Sem usar máscara, uma comitiva do Botafogo foi a Brasília ontem render loas a Jair Bolsonaro. Entregaram a ele um quadro com a imagem de Mané Garrincha e brindes oficiais do clube. Com a cara mais deslavada, o notório Durcesio Mello, cheio de salamaleques, foi agradecer pelo “apoio incondicional ao marco legal do clube-empresa”.
O Botafogo, berço de craques que honraram a camisa da Seleção Brasileira, não pode se lançar nos braços de um presidente que ignora a importância do esporte como legítima manifestação popular e social.
A atitude minúscula representa uma mancha à imagem de um dos maiores clubes do mundo e um atentado à memória de Mané Garrincha. Em 1969, ele e Elza Soares tiveram que fugir às pressas do país depois de terem a casa metralhada, em claro aviso da ditadura militar aos dois.
Segundo Ancelmo Góis, participou do encontro o juiz federal José Arthur Diniz Borges, do gabinete do STF no Rio, que se portou como cicerone do encontro. Borges é consultor especial do Botafogo.
Para tornar a história toda ainda mais deplorável e humilhante, a diretoria do Botafogo fez questão de bajular a família Bolsonaro, lembrando que dois de seus filhos (Carlos e Eduardo) são alvinegros.
E pensar que o Botafogo foi um dos times que corajosamente se posicionou contra a retomada intempestiva do futebol em meio à pandemia, desafiando o discurso do próprio Bolsonaro e seus acólitos na Federação do Rio. Por conta disso, foi acintosamente operado pelas arbitragens na Série A daquele ano, acabando por ser rebaixado à Série B.
Fico a imaginar o que João Saldanha, o imortal João Sem-Medo, estaria pensando de iniciativa tão subserviente quanto idiota.
(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 12)
Rock na madrugada – Bob Dylan, “Desolation Row”
Um teste de força
Por Igor Grabois
Arthur Lira não estava preocupado com o voto impresso, necessariamente. Essa estória do voto impresso é um grande bode. Se tornou o bode de estimação do bolsonarismo. Portanto, Lira, deputado experiente que é, aproveitou pra fazer um teste de plenário. Quem já participou de congressos e assembleias estudantis e sindicais sabe do que estou falando. Faz-se uma votação pra medir força, sentir a composição do plenário.
O bode bolsonarista passou longe de ser aprovado. Uma PEC precisa de 308 votos. 228 votos, porém, é mais do que o necessário pra barrar um impeachment.
Os 218 contrários, podemos descontar algo em torno de 120/130 deputados da oposição de esquerda, no sentido amplo do termo. A direita mais tradicional conseguiu mobilizar algo em torno de 90/100 votos. É necessário refinar essa conta, mas em uma análise imediata é isso.
A rigor, Lira e a direita tradicional têm controle estrito de cerca de cem deputados, independente de legenda. Bozo recortou o centrão. Pode contar com um piso de 190/200 deputados. E têm uns 60 que permaneceram escondidos e preferiram não mostrar posição.
Esses números não refletem o peso do Bozo na sociedade em geral. As classes dominantes têm consenso em relação ao receituário econômico, não sem nuances e contradições. Mas não têm consenso político, sobre o que fazer com o monstro que eles soltaram.
Enquanto o jogo ficar restrito na praça dos Três Poderes, vai ser isso. Morde e assopra, arreganhos e cada setor tentando tirar o seu pedaço do butim.
Falta povo nesse cenário.
Arte brasileira perde Paulo José
Grande nome do teatro, cinema e TV no Brasil, morreu nesta quarta-feira o ator Paulo José, vítima de pneumonia. Ele tinha 84 anos e convivia há 20 anos com o mal de Parkinson. Conhecido nacionalmente por papéis como o de Shazan na série cômica “Shazan & Xerife e cia.” de imenso sucesso nos anos 60, na Rede Globo. Ainda na TV, fez papéis marcantes em novelas como “Explode Coração”, “Por Amor”, “Senhora do Destino”, “Caminho das índias” e na série “JK”. No cinema, participou de clássicos nacionais como “Todas as Mulheres do Mundo” e “Macunaíma”. Paulo José foi imenso.
A cultura resiste
Por Paulo Rocha (*), na Folha de S. Paulo
Ao longo dos séculos 20 e 21, o Brasil levou ao mundo as cores da nossa bandeira pelas vias artísticas. Na música, revelamos ao planeta a bossa nova. À sétima arte, legamos o cinema novo. Na literatura contemporânea, autores nacionais deixaram obras consagradas e reconhecidas no exterior. E não podemos esquecer, claro, da produção diária de anônimos que enriquecem e formam a cultura popular brasileira.
Pois a classe artística, responsável por levar o nome do país a todo o planeta, agora pede socorro. De personalidades consagradas a cantores de bares, todos estão entre os profissionais mais afetados pelos efeitos da pandemia, sendo muitas vezes impedidos de exercer a profissão devido à nova realidade de distanciamento social.
As consequências são gravíssimas, com artistas tendo que vender instrumentos de trabalho para sobreviver e até mesmo passando fome.
A dificuldade de obter apoio do governo não é em vão. Vem desde 2016, quando artistas denunciaram o atentado contra a democracia que ocorria no Brasil com o impeachment de Dilma Rousseff (PT). No Festival de Cannes, o diretor Kleber Mendonça e a equipe de “Aquarius”, estrelado por Sônia Braga, exibiu no tapete vermelho do Grande Teatro Lumiére cartazes como “Um golpe ocorreu no Brasil”. O dedo na ferida jamais foi perdoado.
Desde Michel Temer (MDB), o auxílio ao setor apenas declinou, começando pela extinção do Ministério da Cultura. Já quando Bolsonaro chegou ao Palácio do Planalto, imediatamente o novo presidente mirou na classe artística para deflagrar uma guerra ideológica suja e desonrosa, extirpando as artes das políticas públicas.
Isso se materializou no esvaziamento do orçamento da União. Entre 2016 e 2021, a verba federal para a área caiu mais de 80%, sendo atualmente de míseros R$ 43 milhões.

Por isso, junto com a bancada do PT, apresentei uma proposta que cria a Lei Paulo Gustavo, uma homenagem póstuma ao grande artista que deu vida à Dona Hermínia. O texto prevê a liberação de verbas que totalizam R$ 4,3 bilhões para a área até o final de 2022. A matéria deve ser votada no plenário do Senado ainda neste mês de agosto.
E deixemos claro: os recursos não são governamentais, mas do Fundo Nacional da Cultura (FNC) e do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). Esses instrumentos são apenas geridos pelo governo e encontram-se bloqueados. A ideia é repassar os valores para que estados e municípios possam garantir apoio aos mais diversos campos, que vão de produções audiovisuais a pequenas produções locais.
Não é possível desprezar a cultura, responsável por movimentar 2,67% do PIB brasileiro e envolver quase 6 milhões de pessoas direta ou indiretamente.
Demos ao mundo gênios que vão de Tom Jobim, Chico Buarque e Martinho da Vila a Dona Onete, cantora de carimbó do Pará, e Mestre Vitalino, famoso artesão nordestino. Mas, além deles, temos ainda os anônimos no esteio da nossa diversidade. Todos merecem nosso respeito. Mesmo diante do descaso, a cultura brasileira resiste.
(*) Senador do PT-PA
Bastidores do rock
Há 62 anos, exatamente nesta data, o roqueiro Gustavo Cerati nascia em Buenos Aires. Foi o grande líder da banda Soda Stereo, além de trabalhos isolados.
Foto: Paul Natkin
Jornalistas: seminário da Fenaj abordará como se proteger e denunciar violência

Os números da violência contra jornalistas no Brasil são alarmantes: foram 428 casos (incluindo dois assassinatos) no ano passado. Com o equivalente a mais de uma ocorrência por dia, 2020 foi o ano mais perigoso para o exercício do jornalismo no país desde o início da série histórica do Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa, documento elaborado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) desde a década de 1990.
Às ameaças e intimidações (7,94% do total), somaram-se agressões verbais/ataques virtuais (17,76%), censuras (19,86%), cerceamento à liberdade de expressão por meio de ações judiciais (3,74%) e uma nova categoria, intitulada descredibilização da imprensa (35,51%), entre outras formas de violação do trabalho dos jornalistas.
Preocupada com essa realidade, a Fenaj vem intensificando as ações de acompanhamento e de prevenção à violência contra a categoria, em 2021. E como parte da estratégia de enfrentamento, a entidade sindical realizará, no dia 21 de agosto (sábado), a partir das 9h, o seminário on-line “Violência contra Jornalistas: denunciar para combater e se proteger para evitar”.
O seminário é gratuito e integra um projeto de monitoramento da violência contra jornalistas com o apoio do Fundo de Direitos Humanos do Reino dos Países Baixos. O evento acontecerá pela plataforma Zoom, com capacidade para 200 participantes. As inscrições podem ser feitas AQUI.
Para a presidenta da Fenaj, Maria José Braga, a Federação e os Sindicatos de Jornalistas
vêm cumprindo seu papel de denunciar, durante todo o ano, as agressões ocorridas e pressionar as autoridades competentes para que haja apuração célere para a identificação dos culpados e a consequente responsabilização/punição.
Além disso, Maria José destaca que as entidades sindicais cumprem importante trabalho de apoio e acompanhamento aos profissionais vítimas da violência. No entanto, ela reconhece que é necessário que a categoria reconheça as formas de violência e saiba como denunciar, contribuindo de forma efetiva com os Sindicatos e a Federação nessa tarefa.
Programação
O seminário está dividido em duas etapas, sendo a primeira intitulada “Violência contra jornalistas: como, onde e porque denunciar”. Serão duas mesas de debates. Pela manhã, das 9h às 12h, o tema é “O que caracteriza a violência contra jornalistas e por que denunciá-la?”, contando com as participações já confirmadas da presidenta da FENAJ, Maria José Braga; da pesquisadora Alice Baroni, da Universidade de Pádua (Itália); e do presidente do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), Yuri Costa.
À tarde, das 14h às 17h, será a vez do tema “Jornalistas: como denunciar a violência sofrida?”, com participação do vice-presidente da Fenaj, Paulo Zocchi, e da jornalista Bianca Santana. Também foram convidados jornalistas vítimas de agressões e representantes da Comissão Especial de Defesa da Liberdade de Expressão do Conselho Federal da OAB.
Apoio do Fundo
O projeto apoiado pelo Fundo de Direitos Humanos do Reino dos Países Baixos tem o objetivo de monitorar a crescente violência contra jornalistas no Brasil, a partir da coleta de dados pelos 31 Sindicatos de Jornalistas filiados à Fenaj, para elaboração, publicação e lançamento do Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil – Ano 2021.
Também são objetivos do projeto: capacitar jornalistas para promoverem denúncias sobre agressões e cerceamento ao exercício profissional; capacitar jornalistas para se defenderem de ataques virtuais; e denunciar as agressões contra a categoria no Brasil e internacionalmente. Neste sentido, em novembro desse ano, está programada para acontecer a segunda etapa desse projeto, com a realização do curso de capacitação “Como se proteger de assédios e ameaças on-line”.