Mazola destaca superação e equilíbrio emocional do Leão

Mazola Junior exaltou ajuste do time com a entrada do Djalma — Foto: Samara Miranda/Ascom Remo

Foi no sufoco, mas o Remo conseguiu superar com sucesso mais um compromisso na Série C. Novamente com um jogador expulso – desta vez ainda no primeiro tempo –, o time superou o Ferroviário no Mangueirão jogando com muita intensidade, principalmente na etapa final.

Eduardo Ramos foi de novo decisivo, com uma assistência e o gol da vitória. Após os primeiros 45 minutos em nível inferior ao do adversário, o técnico Mazola Júnior ajustou a equipe no intervalo e mostrou um repertório que ainda não tinha sido visto na retomada.

Mesmo sem ter feito gol ou dado assistência, um dos principais jogadores em campo foi Djalma. Entrou após a expulsão de Charles, aos 37′ da etapa inicial, e ajudou a controlar as ações no meio-campo, dividindo tarefas com Gelson e aparecendo como um ala avançado pela direita.

“Com a expulsão do Charles, penso que com a entrada do Djalma, pela superação do Djalma, e a vinda do Gelson para a posição que ele domina, aí conseguimos encaixar o time. Conseguimos dar mais liberdade ainda ao Eduardo; o meio-campo com Gelson e Lucas cresceu muito na saída de bola. A dinâmica que o Djalma tem, e que nós esperávamos dele, também aconteceu. E as entradas do Tcharles e do Lailson foram importantíssimas para mantermos o volume de jogo e termos uma saída mais rápida pelo lado direito também, pois só estávamos tendo pelo lado esquerdo”, avaliou Mazola na entrevista pós-jogo.

Com valentia e intensidade

POR GERSON NOGUEIRA

Remo x Ferroviário

O primeiro tempo do Remo deixou o torcedor angustiado. O time não saía de seu campo, deu um chute (torto) ao gol de Nicolas e sofreu bastante, com várias tentativas do time cearense junto e dentro da área. Para piorar, o volante Charles foi excluído aos 38 minutos, por falta violenta, deixando a situação ainda mais complicada.

Tudo tinha a ver com a falta de jogadas que ligassem o meio ao ataque. O Remo era envolvido na troca de passes do Ferroviário, cujo camisa 10, Wellington Rato, fazia com que a equipe tivesse avanços rápidos quando entrava na intermediária azulina.

Rato quase marcou em dois arremates de fora da área, bem defendidos pelo goleiro Vinícius. Houve ainda um cabeceio de Dudu Mandai contra o patrimônio que passou tirando tinta do poste direito remista.

Em meio a isso, Zé Carlos não conseguia nem pegar na bola e o atacante mais ativo foi Eduardo Ramos, mas diante do domínio cearense no meio-campo o camisa 10 do Remo tinha que recuar até sua intermediária para prestar ajuda aos volantes.

Apesar de tantos volantes – Gelson, Julio, Lucas e Charles – não havia gente suficiente para marcar as triangulações adversárias. Quando Charles foi expulso, entrou Djalma, desdobrando-se entre meio e ala direita.

E foi aí que o Remo começou a mudar, pois Djalma sabe se movimentar e a bola começou a chegar a Ramos. Com isso, o time conseguiu aliviar a pressão que havia sobre a defesa.

Essa nova configuração, com mais velocidade e aproveitamento correto do setor de marcação, apoiada nas intervenções de Gelson pela direita, impulsionou o Remo para ocupar o campo inimigo na segunda etapa. A atitude emocional também mudou, para melhor. De acuado o time passou a imprensar o adversário em seu campo.

O primeiro gol acabou nascendo da variação de jogadas, confundindo a marcação e fazendo aparecer falhas na defensiva do Ferroviário. Fredson desviou para as redes após falta cobrada por Ramos.

O próprio ER faria o segundo gol aparando de cabeça um cruzamento rasante de Lucas, que passou por toda a linha de defesa cearense. Logo depois viria o gol do Ferroviário (de pênalti) e a partida ficou dramática.

Curiosamente, em função da intensidade imposta, o Remo conseguiu segurar a pressão mesmo com um homem a menos. Os jogadores pareciam se multiplicar, dando conta de conter os avanços do Ferroviário.

A vitória garantiu a liderança isolada do grupo A, mas não pode esconder os muitos problemas mostrados pela equipe. Não há alternativa para a transição com Eduardo Ramos preso à marcação e os laterais sofrem porque não têm com quem trocar passes na frente. Zé Carlos, lento e pesado, é um homem a menos, pois é facilmente anulado.

Criou-se também uma situação repetitiva: pressionado o tempo todo porque deixa a bola com o adversário, o time chega cansado ao campo inimigo, facilitando os desarmes. Aí, perde a bola e a luta recomeça outra vez.

A entrada de Djalma pode servir como ponto de partida para um novo modelo de jogo, com um volante que saiba chegar ao ataque. Fez mais do que Julio Rusch, que tentou avançar e não conseguiu. O triunfo e a liderança podem permitir os ajustes necessários, fazendo com que o time não sofra tanto quando enfrenta adversários bem organizados.

Papão tropeça em erros e cai diante do Tigre goiano

Foi previsível a esquematização do PSC, sábado, em Goiânia, contra o Vila Nova. Repetiu a mesma tentativa canhestra de adiantar marcação na hora errada, o que resultou em prejuízo irrecuperável. O primeiro gol do Vila Nova, marcado por Lucas Silva logo no começa da partida, nasceu de uma jogada típica do mundo peladeiro.

Os jogadores do Papão foram todos para a área adversária na cobrança de um escanteio, sem que ninguém ficasse guarnecendo a marcação na linha de meio-campo. A bola foi rebatida, Lucas recebeu passe e foi avançando até a área e tocou na saída de Gabriel Leite. O gol mais fácil do mundo.

Depois disso, o time tentou se organizar e Bruno Collaço e Nicolas até criaram boas situações, a ponto do atacante desfrutar de duas situações preciosas para marcar. Na primeira, bateu por cima do gol. Logo em seguida, entrou na área e bateu para o goleiro abafar.

Grandes chances que não se repetiriam mais, principalmente depois que Tony foi expulso num lance bobo, metendo a mão na cara de um adversário bem na frente do árbitro. Como já tinha amarelo, foi expulso.

O técnico Hélio dos Anjos atribuiu à expulsão de Tony, aos 30 minutos do primeiro tempo, a responsabilidade pela derrota. Não é bem assim.

A perda do lateral reduziu a força pelo lado direito, mas a equipe podia ter buscado as jogadas em velocidade para superar a lentidão da zaga goiana. Ocorre que na etapa final um ataque do Vila pela esquerda fez brotar o Caíque atabalhoado. Ao dar o bote para o desarme, derrubou o atacante na área. O pênalti, batido por Henan, liquidou a fatura.

As tentativas nos minutos finais, na base do chuveirinho, não levaram a nada. Faltou ao PSC variação mínima de jogadas, como a troca de passes pelo meio para tentar furar a marcação inimiga, e mais intensidade – justamente a palavra que o técnico Hélio dos Anjos mais utiliza. 

Troféu C13 terá uma festa de premiação diferente

A votação dos melhores do Parazão entra na reta final para a premiação do Troféu Camisa 13 edição nº 28. Reconhecimento, valorização, emoção e democracia na escolha dos melhores do certame estadual. São marcas do prêmio que mobiliza as torcidas e estimula os jogadores.

Desta vez, em função da pandemia, a celebração será diferente. Na noite de 4 de setembro, um programa especial será exibido na RBATV. Será à distância, mas não faltará a emoção.

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 17)