Leão estreia com vitória, de virada, na Série C

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O Remo passou pela Jacuipense, por 2 a 1, de virada, na noite deste domingo, no estádio Valfredão, em Riachão do Jacuípe (BA), estreando na Série C do Brasileiro 2020. O time baiano abriu o placar logo aos 9 minutos do 1º tempo, em cabeceio de Eudair.

Com quatro volantes – Charles, Lucas, Julio Rusch, Gelson – e Gustavo Ermel como único atacante de ofício, o Remo tinha dificuldades de encaixar ataques e não conseguia igualar o marcador. Chegou a botar uma bola na trave no final do primeiro tempo.

O empate veio logo aos 2 minutos do segundo tempo. Lucas Siqueira bateu forte e venceu o goleiro Luan. A jogada surgiu de uma troca de passes junto à área da Jacuipense e o volante acertou um arremate forte, sem defesa.

O jogo era muito preso à marcação de meio-campo. Às proximidades da área, os times erravam muito. Com paciência, o Remo ficava tocando a bola à espera de uma chance para entrar na área.

Com marcação forte e três volantes atentos – Lucas, Charles e Rusch – o Remo procurava encurtar espaços e, com isso, não permitia que o time da casa avançasse.

Apesar dos cuidados defensivos do Remo, a Jacuipense teve chance de fazer o segundo gol. Levi chutou em direção à área e o árbitro apontou pênalti, aos 33 minutos. Eudair cobrou a penalidade, tentando aplicar a paradinha. O chute foi no canto direito, mas o goleiro Vinícius se esticou e agarrou.

Já nos acréscimos, com um a menos devido à expulsão de Marlon aos 44 minutos, o Remo chegou ao segundo gol em jogada individual do meia Eduardo Ramos. Ele recuperou a bola junto à lateral, invadiu a área, deixou dois marcadores para trás e disparou um chute cruzado e rasteiro, aos 49′, garantindo a estreia vitoriosa do Leão na Série C.

A frase do dia

“Genocida, Bolsonaro é principal responsável pela tragédia. Tem zero empatia pela dor alheia. Despreparado, nega a ciência. Pior presidente da História do Brasil, está no poder na mais grave crise sanitária em 100 anos e só fez agravar seus efeitos. Não acertou uma. Cometeu crimes”.

Kennedy Alencar, jornalista

Abrasco manifesta pesar e indignação pelos 100 mil brasileiros mortos por covid

O Brasil exibe hoje números de uma enorme tragédia humanitária:

  • 100 mil brasileiros mortos;
  • Entre as pessoas que perderam a vida, cerca de 200 são mulheres grávidas e puérperas, constituindo um recorde mundial de mortes nessa faixa da população;
  • Cerca de 3 milhões de infectados pelo novo coronavírus registrados;
  • Um número muito grande de pessoas com sequelas diversas decorrentes da covid-19;
  • Dois meses sem responsável titular nomeado no Ministério da Saúde;
  • Cinco meses sem um Plano de Emergência Nacional para o enfrentamento da pandemia.

O quadro acima é estarrecedor e traduz o descaso e o desprezo pela vida dos brasileiros por parte das autoridades máximas do país, particularmente do governo federal, que não levam em conta as orientações científicas e das organizações de saúde. A grande maioria dos brasileiros infectados e mortos encontra-se entre os segmentos mais pobres, que sempre tiveram acesso muito precário à saúde, à educação, ao saneamento básico e à moradia digna. E o Brasil continua a repetir, no cenário da pandemia, as políticas públicas que cavam o fosso da desigualdade e da injustiça no país.​
A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e as demais entidades que compõem a Frente Pela Vida manifestam o seu mais profundo pesar pelas vidas perdidas, muitas das quais evitáveis e que resultaram da inação e da irresponsabilidade para o enfrentamento da pandemia. “Sentimo-nos entristecidos pelo sofrimento incalculável dos milhões de brasileiros infectados pela covid-19 e de seus familiares. Os números trágicos acima colocados não são fruto do acaso ou de um destino inexorável; ao contrário, são frutos das escolhas insensíveis e das decisões negligentes dos governantes”.
“Prestamos nossa solidariedade aos profissionais da saúde e aos trabalhadores de serviços essenciais que, frequentemente em condições precárias e de risco, estão na linha de frente do enfrentamento da pandemia. Alertamos ao povo brasileiro que, tendo em vista a ausência de um plano nacional de enfrentamento desta pandemia, a sociedade brasileira sofrerá o agravamento da crise sanitária, social e econômica que hoje está posta, principalmente pelo fato de que a pandemia está se interiorizando e atingindo fortemente as populações vulnerabilizadas. É fundamental que a sociedade brasileira se una em defesa da vida, recusando-se a normalizar um flagelo que é evitável, buscando exercitar a solidariedade, sendo esta um dos pilares da construção de uma nação”, diz o comunicado da Abrasco.

Como nossos pais

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POR GERSON NOGUEIRA

Ser pai é uma bênção, uma glória que Deus pai concede. Tenho a sorte de ser filho e pai, o que permite entender melhor a natureza das coisas. Nasci pobre, sigo pobre, mas rico em experiências acumuladas, nababescas oportunidades de conhecimento.

Não reclamo; agradeço. Não sofro; festejo, todos os dias. Estar vivo é um prêmio para os que sofreram para crescer, amadurecer e procriar.

A imagem acima, do filme “Ladrões de Bicicleta”, de Vittorio De Sica, clássico do neo-realismo italiano, sempre me comove. Diz muito não exatamente do que vivi, mas do que vi ao longo de 62 anos de existência.

O pai, alvo da ira do sistema é envolvido em um caso de roubo, exprime no rosto vincado as agruras de um homem pobre sem expectativas. O filho, mesmo pequeno, já aprendendo a encarar o lado barra-pesada da vida. Milhares de nós, brasileiros, contemplam essa dura realidade.

O domingo é de comemoração pelo Dia dos Pais, uma data feliz. Meu coração vermelho e indomável não consegue deixar de ver injustiça até nesses momentos, que Deus me perdoe.

Parabéns a todos os pais. Viva ‘seu’ José Dias!

Entre a esperança e a realidade

POR GERSON NOGUEIRA

VAMOS REMO! :: Mulheres em Campo

O Remo estreia neste domingo na Série C sem ter um time pronto. No elenco, remanescentes do ano passado e sete reforços adquiridos recentemente, mas não há jeito de conseguir entrosamento em um mês de treinos e um par de jogos pelo Campeonato Estadual. Nas circunstâncias, não é justo impor cobranças ao técnico Mazola Jr.

Reina aquela expectativa otimista própria de toda estreia, amparada em esperanças sem base lógica. O fato é que ninguém pode cravar com segurança que o time está afiado e preparado para encarar o Brasileiro.

Não que isso seja impeditivo de uma vitória remista, hoje, em Riachão do Jacuípe, no interior baiano. Pelas características da Terceira Divisão, resultados inesperados acontecem principalmente pelo desconhecimento acerca de times emergentes, como a Jacuipense.  

Para sorte do Remo, o comandante diz conhecer bem o adversário. Semifinalista do certame baiano, a Jacuipense foi eliminada pelo Bahia. Para Mazola, o risco está na movimentação do time, que se fecha em duas linhas de marcação e ataca com três jogadores rápidos.

Talvez por receio de conceder espaço à Jacuipense, o Remo levou à Bahia sete volantes – Charles, Júlio Rusch, Lucas, Gelson, Pingo, Lailson e Xaves (sempre ele). Em compensação, a delegação conta com apenas dois atacantes, Gustavo Ermel e Zé Carlos.

É claro que os médios, como Mazola define os volantes, podem cumprir funções ofensivas e representar uma arma tática, confundindo a marcação, mas a lógica ensina que os caminhos para o gol passam pelos atacantes.

A carência de dianteiros já havia sido notada nas partidas pelo Parazão, mas o problema foi sanado com o aproveitamento de Ronald, Wallace e Giovane. Desta vez, todo o esforço ofensivo dependerá dos dois atacantes de ofício e da participação do camisa 10 Eduardo Ramos na transição.

Para o técnico, o oponente é difícil de ser batido: “É uma equipe joga junto há algum tempo. Vai nos criar um imenso problema se tiver espaço”. Talvez essa preocupação justifique o reforço da marcação no meio, com três volantes – Charles, Lucas e Rusch.

A lateral direita ficará com Jansen ou Pingo. Para o meio, caso haja necessidade de lançar alguém para colaborar com o ataque, Robinho e Packer são as opções. Fica a dúvida se, em meio a tantos marcadores, não seria o caso de levar um atacante reserva (Ronald ou Wallace).  

Volta-se ao ponto inicial da conversa. Peça por peça, o Remo tem capacidade de resolver o jogo – mesmo com a presença ameaçadora de Xaves no banco –, mas é improvável que os novos reforços, Marlon inclusive, estejam bem encaixados. Em momentos assim é melhor agarrar-se à velha máxima de que o futebol sempre pode surpreender.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda a atração, a partir das 22h, na RBATV. Participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, a estreia dos clubes paraenses na Série C e a expectativa para as partidas semifinais do Campeonato Estadual.

Jesus brilha como o atacante que Tite renegou na Copa

Alvo de críticas e desdém no Brasil, Gabriel Jesus renasceu na temporada, com boas participações no campeonato inglês e confirmou o excelente momento com a atuação de sexta-feira contra o Real Madrid pela Champions League. Foi o homem do jogo ou, nas palavras de Pep Guardiola, “o jogador que decidiu a eliminatória”.

Palavra de Guardiola tem poder e importância. Se não conquista aplausos da torcida brasileira, Jesus vem sabendo aproveitar todas as chances que as ausências de Sergio Agüero lhe permitem. Disciplinado e perseverante, parece ter conquistado também a simpatia dos companheiros, como foi possível perceber na vibração pelo gol que confirmou a vaga.

Aos que insistem em comparar o desempenho dele no City e na Seleção de Tite vale lembrar que Guardiola nunca se arvorou a dar ao atacante tarefas de marcação nas laterais, como o técnico do Brasil ousou fazer na Copa 2018, aniquilando com a imagem de Jesus junto à torcida.

Talvez agora, com o êxito de Jesus na Champions, Tite reveja seus conceitos. Melhor ainda se o City seguir avançando. Pega o Lyon nas quartas de final e, se passar, terá pela frente Bayern, Barcelona, Nápoli ou Chelsea nas semifinais. Desafios à altura de quem pretende ir longe.

Ativismo e consciência para enfrentar o racismo no futebol

As imagens do crime que vitimou o segurança negro George Floyd, asfixiado por um policial branco, desencadearam uma onda de protestos que abalou o mundo em maio. O combate ao racismo passou a ser pauta obrigatória de qualquer pessoa esclarecida.

O futebol não podia ficar indiferente, principalmente no Brasil, país marcado por repetidos casos de racismo. Jogadores do Remo e diretoria do PSC se uniram à mobilização antirracista nas últimas semanas.

Com o gesto característico do movimento “Vidas negras importam!”, jogadores do Remo ergueram os punhos instantes antes do jogo com o Tapajós, na quinta (6), para protestar contra insultos dirigidos ao volante Gelson na partida contra o Águia, domingo passado. Além do gesto, o time entrou com a faixa “Se você é racista, não seja remista!”.

O Papão, que havia repudiado com firmeza um caso de xenofobia no YouTube, solidarizou-se com Gelson nas redes, mostrando que a consciência social está acima de tudo.

Dados do Observatório da Discriminação Racial no Futebol indicam que, somente neste ano, 15 incidentes envolvendo preconceito e intolerância registrados no futebol brasileiro. É hora de mobilizar e reagir.

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 09)