Quem vai pagar por isso?

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Levaram 15 anos para reconhecer a inocência de José Genoíno. Entre seus amigos e seguidores, nunca houve qualquer dúvida sobre a grandeza, a integridade e a honestidade deste valoroso brasileiro. Da mesma forma, jamais nossa admiração se abalou. Seguimos fortes e confiantes porque sabemos que Genoíno sempre foi um combatente como nós.

PSC questiona utilização de atletas pelo Remo; FPF nega irregularidade no prazo de inscrição

Além de veloz, Tcharlles mostrou bom poder de finalização

Em entrevista à Rádio Clube do Pará, o presidente do Castanhal, Helinho Junior, descartou qualquer recurso contra o Remo pela escalação dos jogadores Tcharlles (foto) e Marlon, alvos de reclamação do Paysandu por suposta irregularidade no processo de regularização no campeonato. O dirigente explicou que estava ciente da situação dos atletas desde antes das semifinais. “Perdemos dentro de campo, temos que ter consciência disso. Vida que segue”, afirmou.

Na quinta-feira à noite, surgiu a notícia de que o PSC não aceitará a escalação dos jogadores pelo Remo nos jogos finais do Parazão. Alegação: ambos teriam sido inscritos no BID depois do prazo e a FPF teria alterado o regulamento. O imbróglio ameaça tumultuar a reta final da competição.

Em resposta, o diretor da FPF Paulo Romano esclareceu que não houve mudança intempestiva. A entidade antecipou para terça-feira (4) o jogo do PSC previsto para o dia seguinte, 5, pela 10ª rodada, após comunicação aos clubes. “Foi feito documento dando a segurança aos clubes para ter a terça-feira disponível para que jogadores pudessem ter nomes inscritos. Antecipando para a terça, quem tinha jogadores por serem inscritos teria a perda de um dia”, disse Romano à Rádio Clube.

Segundo ele, a alteração “não trouxe benefício para nenhum clube; pelo contrário, o único beneficiado foi quem jogou na terça (4) que foi o Paysandu” (que teve mais um dia de descanso e preparação para a estreia na Série C).

Romano observou também que foi feita consulta ao TJD e à STJD. “Em todo momento estão mudando datas de inscrições. A CBF publicou documento dando e aí vai brigar por causa de um dia porque foi antecipada uma rodada para beneficiar um filiado… desse jeito fica difícil fazer futebol”, acrescentou.

“Volto a dizer: o único beneficiado foi o Paysandu, que pediu para jogar na terça para ganhar um dia a mais pra se preparar para a estreia na Série C, e agora surge essa conversa que nem era mais pra existir no futebol”, concluiu.

O presidente do PSC, Ricardo Gluck Paul, negou que o clube tivesse pedido à FPF a antecipação de seu jogo e que a iniciativa foi da própria entidade. “A solicitação foi da federação para a gente. A diretoria da entidade ligou para o Paysandu, perguntando se faríamos alguma objeção de jogar na terça. E falamos que não que não tinha problema já que tínhamos jogado sábado e depois iriamos jogar na quarta. Respondemos que não haveria problema nenhum. Isso tudo indicas de informação oficiosa que eu tenho é que foi um pedido da televisão para que pudesse transmitir todos da rodada, eles não iam conseguir transmitir os cinco jogos da quarta-feira e colocaram as partidas do Paysandu e do Castanhal para jogar um dia antes. Então, quando o Paulo Romano fala que o Paysandu pediu para jogar para antecipar, isso não é verdade, foram eles que pediram”.

Nos bastidores, comenta-se que o PSC deverá entrar com protesto na Justiça Desportiva contestando a questão do prazo de inscrição de atletas, caso o Remo conquiste o título utilizando Tcharlles e Marlon nos jogos finais.

Ouvido pelo blog, o presidente do Remo disse que não iria se manifestar, visto que o clube cumpriu o prazo estabelecido pela FPF.

Compactação e agressividade

POR GERSON NOGUEIRA

Eduardo Ramos chegou a 35 gols pelo Remo, 6 na atual temporada

O Remo superou o Castanhal e chega à decisão do Campeonato Estadual habilitando-se a brigar pelo terceiro título consecutivo. A atuação de ontem foi a melhor do time desde a retomada. Sexta vitória em seis partidas, o desempenho foi quase perfeito taticamente, cumprindo à risca o modelo defendido pelo técnico Mazola Junior.

Contra um adversário desenhado para atacar o tempo todo, o sistema de defesa azulino funcionou bem, guarnecido pela linha móvel de volantes às vezes tão criticada, inclusive pelo escriba aqui.

Artur Oliveira, compensando a falha da primeira partida, quando barrou seus principais atacantes, botou força máxima desde o começo. Pecel, João Leonardo, Dioguinho e Fazendinha foram escalados e garantiram ao time um volume expressivo de jogo nos primeiros movimentos.

Aos poucos, essa troca de passes foi se revelando improdutiva e enganosa. O Remo marcava bem, não permitia que o Castanhal entrasse na área e dificultava arremates de média distância. Pecel teve espaço para bater em direção ao gol somente aos 44′. 

Sem pressa, acelerando a transição somente quando a situação permitia, o Remo tinha Djalma adiantado pela direita, Tcharlles mais centralizado e Eduardo Ramos flutuando, além de Gelson chegando como um terceiro avançado, dando bote e puxando contra-ataques.

Apesar de insistir, as ações ofensivas resultaram em poucas chances claras. Julio Rusch, o volante que mais se movimenta, mandou um chute forte da intermediária e quase marcou. No papel de pivô ou atacante de lado, Tcharlles apareceu com dois bons disparos da entrada da área.

Djalma teve boa participação ofensiva e defensiva no jogo

Depois do intervalo, o Castanhal se lançou ainda mais e abriu a guarda. O esquema de Mazola passou a funcionar no aspecto ofensivo. Depois de duas tentativas pelos lados, com Marlon e Djalma, o Leão ganhou um escanteio e na cobrança Pecel ergueu o braço e cometeu pênalti. Eduardo Ramos bateu e fez, aos 5 minutos.

A movimentação do Remo não se alterou e o time passou a ser mais compactado e agressivo, melhorando muito a cobertura da própria zaga, quase não incomodada pelo Castanhal. O meio recuperava a bola e saía rapidamente pelos lados, com Djalma ou Marlon, sempre apanhando a zaga castanhalense desarrumada.

Cirúrgico, o Remo matou o jogo aos 9 minutos. Eduardo Ramos recebeu livre na intermediária e tocou para Tcharlles, que bateu de curva à meia altura sem chances para o goleiro Paulo Henrique. A partir daí, veio a administração da vantagem, mas Ramos, Djalma e Giovane (que substituiu Tcharlles) ainda tiveram boas oportunidades.

Classificação tranquila e sinal de estabilidade do plano que Mazola projetou para o Remo, respeitando sempre a configuração 4-4-1-1.

Os melhores foram Tcharlles, que parece assumir definitivamente a titularidade; Eduardo Ramos, vivendo uma de suas melhores fases; Djalma, Lucas e Gelson. Fazendinha foi o mais produtivo do Castanhal. (Fotos: Samara Miranda/Ascom Remo)

O contestado Micael renasce jogando à moda antiga

Até a semana passada, o zagueiro Micael era o jogador mais cornetado do criticado setor defensivo do PSC na retomada do futebol no Pará. A todo instante se ouvia uma observação negativa, principalmente nas redes sociais, território cada vez mais livre para a veiculação de desaforos a torto e a direito. Contra o Paragominas, anteontem, ele se redimiu por inteiro.

Micael já sofria questionamentos antes mesmo da pandemia, mas pagou o pato pela mudança no posicionamento da defesa. Desde que o time voltou ao campeonato estadual, os zagueiros aparecem adiantados, tentando pressionar o adversário junto à linha de meio-campo.

Pelo pouco tempo de treinamento e a mais completa falta de adaptação ao sistema, o PSC sofreu bastante com a modificação. O ápice foi a derrota frente ao Paragominas, que marcou 3 a 2.

No segundo confronto da semifinal com o PFC, anteontem, o experiente zagueiro teve atuação impecável. Não permitiu em nenhum momento que o rápido ataque do Jacaré repetisse os estragos da semana passada.

Aos 38’ do 2º tempo, o atacante Debu entrou pela direita e cruzou recuado em direção a Fábio Paulista. A bola, antes de chegar ao atacante, foi interceptada por Micael, de carrinho, evitando ali o que poderia ser um gol fundamental na decisão, com potencial para levar à disputa de penalidades.

Por ora, o esquema implantado por Hélio dos Anjos não funcionou, mas na quarta-feira Micael mostrou que jogando na marcação à moda antiga é ainda um zagueiro útil ao sistema defensivo do Papão. Foi o mais regular jogador da equipe na vitória que garantiu presença na final.

Confusão com inscrição de atletas pode tumultuar Parazão

Enquanto se inicia a discussão quanto às datas da decisão do Parazão, entre Remo e PSC, um novo imbróglio ameaça a normalidade do processo. Surge a informação de que a diretoria bicolor pretende contestar a escalação de Tcharlles e Marlon pelo Remo nas finais alegando que teriam sido inscritos fora do prazo legal.

O regulamento diz que só podem disputar o Parazão atletas que saírem no BID até o último dia útil da 10ª rodada da fase classificatória. Eles saíram no BID na terça, dia 4 de agosto. A entidade fez um adendo assumindo a antecipação da rodada e fazendo um ajuste no regulamento.

O PSC chia com o respaldo de um documento que teve a assinatura de oito clubes reclamando da medida à FPF. Curiosamente, a reclamação não recebeu resposta da entidade. O assunto vai render ainda e deve tornar mais inflamada e catimbada a reta final do campeonato.  

Quanto aos jogos das finais, duas possibilidades: 27 e 30 de agosto ou nos domingos 30 de agosto e 6 de setembro. Esta segunda hipótese depende de aval da CBF para mudança na tabela da Série C.  

(Coluna publicada na edição do Bola nesta sexta-feira, 21)