A frase do dia

“Deltan é a quintessência da hipocrisia brasileira (estou sendo polido). Nega aos investigados as garantias do devido processo legal, mas adora invocá-las em seu próprio benefício. Até ontem considerava o STF “leniente” com a corrupção. E agora, qual será a sua opinião?”.

Rafael Valim, professor e advogado

DiCaprio volta a criticar Bolsonaro pela alta de queimadas na Amazônia

O ator Leonardo DiCaprio voltou a criticar o presidente Jair Bolsonaro nesta terça-feira (18) devido ao aumento de número de queimadas na Amazônia neste ano. Dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) citados pelo ator mostram alta de 28% nas ocorrências em julho deste ano em relação ao memso mês do ano passado.

DiCaprio escreveu que Bolsonaro está “sob pressão internacional para conter os incêndios”, mas duvidou de sua gravidade no passado. E ainda mencionou que o presidente brasileiro acusou, então, oponentes e comunidades indígenas como responsáveis pelos focos de fogo.

O ator escreveu ainda haver preocupação crescente de que, com a pandemia do novo coronavírus, o tema não esteja recebendo “atenção suficiente”. DiCaprio, que em seu perfil se define também como ambientalista, usou reportagem do jornal inglês “The Guardian” como fonte para sua publicação.

STF condena deputado bolsonarista por vídeo com fake news sobre Jean Wyllys

Transcrito do Diário do Centro do Mundo

Em sessão por videoconferência nesta terça-feira, 18, a 1ª turma do STF condenou o deputado Eder Mauro em difamação por divulgar vídeo editado do também deputado à época Jean Wyllys. O vídeo dava a entender que Wyllys teria afirmado que “uma pessoa negra e pobre é potencialmente perigosa”.

Jean Wyllys acusou Eder Mauro de ter publicado em sua página no Facebook trecho cortado de um discurso seu no Congresso que, ao criticar as Forças Armadas, afirmou que “há imaginário impregnado, sobretudo nos agentes de segurança, de que pessoa negra e pobre é potencialmente perigosa”.

Em 2017, a 1ª turma do STF, por unanimidade, decidiu pelo recebimento da queixa-crime. Para o relator, ministro Luiz Fux, o ato de edição, corte ou montagem, tem por objetivo guiar o espectador, razão pela qual o seu emprego, quando voltado a difamar a honra de terceiros, configurou o dolo da prática, em tese, criminosa.

Em sessão desta terça-feira, a defesa de Jean Wyllys, sustentada pelo advogado Antonio Rodrigo Machado, ressaltou a “era das fake news” e afirmou acreditar num julgamento de braços dados com a liberdade, direitos e garantias fundamentais e proteção “de quem sofreu ataques desproporcionais”.

O MPF se manifestou pela condenação do deputado Eder Mauro pela prática do crime de difamação, acrescido das causas especiais de aumento de pena do CP.

Conteúdo fradulento

Em seu voto, o ministro Luiz Fux observou que os novos recursos digitais podem ser usados para o bem e o mal. Para S. Exa., no caso, há uma hipótese de que se utiliza a inteligência digital para cometer delitos. Para S. Exa., dependendo do contexto e do texto da mensagem, é perfeitamente possível cometer um dos delitos contra a honra de maior característica que é a difamação. “Essas notícias ‘viralizam’ em segundos”, alertou.

Fux destacou que a imunidade parlamentar não se aplica na hipótese pois trata-se de um delito de incompatibilizar o parlamentar querelante diante a uma comunidade que o apoiara nas eleições pelo seu empenho na defesa dos afrodescendentes. Para Fux, a edição do vídeo colocou Jean Wyllys em uma situação de extrema vulnerabilidade.

“A veiculação dolosa de vídeo com conteúdo fraudulento para fins difamatórios, conferido ampla divulgação por rede social e conteúdo sabidamente falso, não encontra abrigo na nobre garantia constitucional do art. 53.”

O ministro ressaltou que o conteúdo do vídeo sofreu vários cortes e passou a revelar conotação racista e preconceituosa, totalmente contrária ao sentido original.

“O fato do vídeo veicular trechos da fala do deputado autor é elemento especioso empregado para conferir verossimilhança ao conteúdo, elemento mínimo de verdade necessário para impedir o público de duvidar da postagem e acreditar na mentira resultante da edição.”

S. Exa. ainda destacou que a criminalização da veiculação de conteúdo com finalidade difamatória caluniosa ou injuriosa, não colide com o direito fundamental à liberdade de expressão. Observou, ainda, que a defesa de Eder transferiu para terceiros a responsabilidade pela edição e publicação do vídeo em seu perfil, mas o réu afirmou em interrogatório que visualizou a publicação.

“Provou-se no próprio interrogatório judicial a plena consciência do réu de que o vídeo divulgado em seu perfil, com centena de milhares de visualizações, atribuída a Jean Wyllys ideias opostas a que se identifica a plataforma política do parlamentar.”

Assim, a turma julgou procedente a queixa-crime condenando o deputado Eder Mauro pelo crime de difamação. A pena privativa de liberdade foi substituída pelo pagamento de 30 salários mínimos e multa no montante de 36 dias-multa, no valor de um salário mínimo cada, vencido em parte o ministro Marco Aurélio.

A revisora, ministra Rosa Weber, bem como os ministros Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso e Marco Aurélio, acompanharam o relator.

PSG vence RB Leipzig e vai à final da Champions pela primeira vez

Neymar e Marquinhos comemoram primeiro gol do PSG sobre o RB Leipzig em semifinal da Champions - David Ramos/Getty Images

O atual elenco do Paris Saint-Germain fez história na tarde de hoje (18), ao vencer o RB Leipzig por 3 a 0, pelas semifinais da Liga dos Campeões da Europa, e conseguir levar o time francês à final da principal competição europeia de forma inédita. A antiga melhor campanha da equipe francesa no torneio, tinha sido uma semifinal, na temporada 1994/95, há 25 anos — naquela ocasião o PSG foi eliminado pelo Milan.

Os gols da partida foram marcados por Marquinhos, aos 13 minutos do primeiro, após cruzamento de Dí Maria, e o próprio argentino marcou o segundo, após assistência de letra, de Neymar, aos 42 minutos da primeira etapa; Bernat definiu o placar, com um gol de cabeça, aos 11 minutos da etapa final.

Agora, o time do craque brasileiro espera o vencedor do confronto da outra semifinal entre Lyon e Bayern de Munique, que acontece amanhã (19), às 16h (de Brasília), no estádio de Alvalade. A final da Champions será realizada no domingo (23), também às 16h, no estádio da Luz.

Para o PSG, a conquista da Liga dos Campeões seria a cereja do bolo para a temporada que teve amplo domínio em território nacional. O time dirigido pelo alemão Thomas Tuchel conquistou todos os títulos que disputou na França: o Campeonato Francês, a Copa da Liga Francesa e a Copa da França.

O direito ao drible

Por Marco Sirangelo (*)

Boateng celebra 5 anos do drible de Messi: "Algo para rir"

Há quase cinco anos, o Barcelona convidou a Roma para o Troféu Joan Gamper, partida amistosa realizada no Camp Nou e que marca o início da temporada para o gigante catalão. Logo após o jogo, Messi colocou em seu Instagram uma foto trocando camisa com Francesco Totti que, traduzindo para termos mais atuais, quebrou a internet. Além da reunião entre dois craques históricos, também chamou atenção o material que o argentino vestia por baixo de seu uniforme – algo semelhante a um sutiã, gerando comentários imaturos e dúvidas sobre a escolha de uma vestimenta pouco convencional.

Hoje em dia sabemos que o tal sutiã é, na verdade, necessário para coletar os dados de desempenho de todos os atletas envolvidos não somente em uma partida, mas em treinos e atividades físicas. Mesmo no Brasil, são poucos os times de elite que não possuem contrato com alguma empresa de coleta e monitoramento de dados, utilizados tanto para análise de desempenho interna, quanto para estudo de adversários ou prospecção de novos jogadores no mercado. A demanda de torcedores por esses serviços também cresce, seja para uso em aplicativos de aposta, fantasy gaming ou mesmo para a busca pela ampliação do conhecimento sobre o jogo.

Mas o mundo dos mapas de calor e de métricas estatísticas já conhecidas, principalmente os índices xG (gols esperados) e NPG/90 (gols por jogo, desconsiderando pênaltis), deve passar por problemas futuros. De acordo com artigo de David Ornstein de 26 de julho para o The Athletic, mais de 400 atletas das principais ligas do Reino Unido (incluindo Premier League, Championship e a primeira divisão escocesa) se preparam para tomar medidas legais contra as empresas responsáveis pela coleta e análise de dados de suas performances.

A iniciativa, chamada de projeto Red Card, focará em restituir os atletas pelo uso de seus dados nos últimos seis anos. Assim como a discussão sobre o uso de imagem dos atletas modificou a estrutura de remuneração dos jogadores de futebol nos anos 1990, a nova discussão sobre direitos de dados de performance também pode transformar a relação dos atletas com seus empregadores, mesmo que os clubes, ao menos nesse princípio, não estejam diretamente envolvidos no processo.

André Feher, associado especializado em esportes da CSMV Advogados, analisou o tema e opinou sobre as possíveis ramificações que isso pode causar no cenário brasileiro abaixo:

“Podemos dizer que é uma temática que, além de controversa, é revolucionária não só no futebol, mas em diversos setores da indústria esportiva. Inicialmente, é importante esclarecermos que os direitos de imagem são personalíssimos e individuais, protegidos pelo artigo 5º da Constituição Federal e pelo artigo 1º do Código Civil, sendo certo que, para a sua exploração por terceiros, seja por empresas privadas ou associações (forma de constituição da maioria dos clubes de futebol), deve ser tratado e previsto mediante a figura jurídica do licenciamento da imagem pelo indivíduo, prevendo todas as formas do seu uso, seja do nome, da imagem, da voz, da caricatura, entre outras formas de caracterização da imagem, quando da sua exploração.

Nesse sentido, se pensarmos que os dados de performance extraídos dos atletas são características inclusas nos direitos personalíssimos dos indivíduos, incluídos no rol de direitos fundamentais, o que ao meu ver é perfeitamente aplicável, certo é que essa discussão será calorosa nos próximos anos, principalmente, se os dados de performance forem considerados com esse mesmo viés. Sem dúvidas, se assim o for, passaremos a seguir um caminho muito parecido em relação aos direitos de imagem.

De qualquer forma, os dados de performance extraídos dos atletas, ainda que não possua uma consolidação jurídica sobre o tema, parece ser um ponto bastante relevante para os clubes se preocuparem, a ser realizado mediante a previsão dessa atividade nos contratos de imagem dos atletas na sua relação com os clubes, para fins de evitar quaisquer questionamentos neste sentido.”

Inseridos em um contexto de certa insegurança jurídica, os clubes brasileiros, constantemente envolvidos em ações trabalhistas envolvendo atrasos no pagamento de direitos de imagem de seus jogadores, podem encontrar no uso de dados estatísticos outro problema futuro. Esperamos, no entanto, que isso não seja motivo para que avanços tecnológicos continuem encontrando resistência em nosso futebol.

*Por Marco Sirangelo – Head de conteúdo e educação na OutField Consulting

Vencer ou sofrer, eis a questão

POR GERSON NOGUEIRA

Remo 2x1 Ferroviário-CE (Lucas Siqueira e Tcharlles)

O Remo vive um momento auspicioso na retomada do futebol. Fez cinco jogos, venceu os cinco. Quase nenhum outro time brasileiro tem esse cartel para exibir. Comissão técnica e jogadores justificadamente colhem os louros dessa campanha até aqui impecável.

A rigor, ninguém poderia criticar o Leão de Mazola Junior. Está fazendo o que 90% da torcida apreciam incondicionalmente: conquistando vitórias. Mais que isso. São vitórias que garantem a liderança nos dois campeonatos disputados. Passou à frente pela primeira vez no Parazão, com 26 pontos ganhos, e lidera o grupo A da Série C, com 6 pontos.

Não é garantia de triunfo certo no final das disputas, mas representa passos importantes na caminhada. Ainda assim há quem reclame e critique. Povo insensível, chato. Coisas do futebol, que encanta, emociona e divide opiniões como quase nenhum outro tema desimportante.

A crítica se dirige à maneira de jogar. Mazola desenha a equipe com duas linhas de quatro. Uma fica à frente do goleiro Vinícius, com Jansen, Mimica, Fredson e Marlon (Mandai). A outra guarnece a zaga: Charles, Julio Rusch, Gelson e Lucas Siqueira. Só depois disso vem o ataque, com dois jogadores, com Eduardo Ramos e Zé Carlos.

Em quatro dos cinco jogos, o time roeu uma pupunha para alcançar o triunfo. Foi assim com o Águia, na reestreia, quando virou o marcador a partir dos 36 minutos do 2º tempo. Contra o Castanhal, vitória parecia fácil, mas o final foi angustiante. Frente à Jacuipense, vitória arrancada aos 49’ do 2º tempo. E, domingo, outro embate tenso.

A proposta óbvia é: defender primeiro, atacar só bem depois. O propósito de defender aqui é levado às últimas consequências. Contra o Ferroviário-CE, domingo, o time deu um ataque a gol nos primeiros 45 minutos. Levou um sufoco para conter as triangulações e boas finalizações do visitante.

Só na etapa final, com um homem a menos, o esquema permitiu aventuras ofensivas, em tese quando já deveria estar apenas resguardando o empate. Quis o destino que, de uma tacada só, o técnico Mazola  substituísse o improdutivo Zé Carlos por Djalma reposicionando a meia-cancha.

Djalma, que vivia no banco de reservas, aproveitou a oportunidade. Entrou como um dínamo, cobrindo a ala direita e aparecendo no ataque para escapadas até às proximidades da área. Sua movimentação beneficiou Gelson, que corre melhor pela faixa direita, e deixou Lucas mais à vontade pela esquerda, além de liberar Eduardo Ramos para ser atacante.

A entrada do estreante Tcharlles deu ao ataque uma lufada de ar revigorante. O time ganhou alguém que sabe controlar a bola, prender o jogo e arremeter em direção ao gol adversário.

Com um a menos, o Remo ganhou o jogo com essa mexida pontual e de consequências múltiplas. Em Jacuípe (BA), na estreia, o time também terminou com um a menos e jogando melhor. Seria a sina do novo Leão? Não se sabe. A questão é que, quando a bola rola, o torcedor se cerca de remédios para o coração, ciente dos sustos que estão por vir.

A vitória vem no final, mas sofrer é desconfortável, incompatível com a alegria buscada no jogo. O Remo de Mazola supera adversários, mas precisa encontrar um jeito de não maltratar os corações azulinos.

Boatos sacodem o Japiim, mas a crise já foi debelada

O Castanhal faz uma campanha bonita no Parazão. Classificou-se às semifinais com extrema competência e méritos. Alcançou a meta de garantir vaga na Série D 2021 e tem um dos ataques mais positivos da competição. Tudo isso deveria ser motivo de festa e alegria. Só que não.

Nos últimos dias, depois da derrota para o Remo na primeira semifinal, o trabalho do técnico Artur Oliveira passou a ser alvo de questionamentos. Tudo porque o treinador optou por uma escalação diferente da habitual, barrando o artilheiro Pecel (8 gols no campeonato), o meia Dioguinho e o lateral Léo Rosa. A derrota confirmou o erro de estratégia.

Para piorar as coisas, Pecel e o técnico Artur bateram boca à beira do gramado, à vista de todos, escancarando diferenças. Depois da partida, Artur observou que o atacante não voltou bem após a paralisação do futebol paraense e de um rápido giro pelo Boavista (RJ).

Pecel, por seu turno, replicou que o técnico “parece diferente”, após as novas contratações efetuadas pelo clube. Ficou no ar um quê de discórdia envolvendo justamente as duas peças mais importantes de toda a caminhada, o comandante e o goleador.

Ontem, um boato malicioso indicava a possível saída de Artur. Felizmente, no final da tarde, veio a informação de que os dois litigantes fumaram o cachimbo da paz e o ambiente respira paz. O Japiim não pode abrir mão de ambos na luta por uma virada no confronto de quinta-feira.

Erros atormentam Papão, cuja zaga ainda não achou o rumo

Não há sinal de providências quanto a novas contratações no PSC. O grupo segue o mesmo do início da retomada, mesmo com visíveis problemas atormentando a equipe desde a primeira apresentação, contra o Paragominas, na 9ª rodada do Parazão. A vitória foi elástica (4 a 0), mas o futebol aquém das possibilidades do time.

Os jogos seguintes confirmaram a tendência declinante. Vitória (4 a 1) sobre o Itupiranga, igualmente enganosa, pois o time interiorano foi superior na metade do confronto. Depois, na semifinal, a derrota para o Paragominas explicitou as deficiências acumuladas.

No Brasileiro, um empate e uma derrota. Nenhuma argumentação utilizada até agora responde aos questionamentos da torcida, que vive angústias em duas frentes – o Estadual e a Série C.

Algo precisa mudar, talvez não quanto a nomes, mas basicamente quanto a posicionamento. A defesa marcando alto é uma invenção que não funcionou e a insistência pode ter consequências drásticas.

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 18)