Hélio valoriza empate do Papão: time evoluiu na hora certa na competição

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O Paissandu ficou por 60 minutos no G4 da chave B da Série C, enquanto vencia o Juventude em Caxias-RS por 1 a 0. Sofreu o empate e voltou à quinta colocação, logo atrás do Remo. Na entrevista pós-jogo, o técnico Hélio dos Anjos procurou valorizar o desempenho do time, que teve várias oportunidades para definir a partida quando o placar lhe era favorável.

Pelas circunstâncias seria um gosto amargo se não jogássemos bem. Acho que podemos até lamentar, mas jogamos contra a equipe mais equilibrada de toda a competição, também acompanho a outra chave. Nós que criamos a facilidade do jogo, estivemos bem. Chateado pela perda de dois pontos, mas feliz por tudo aquilo que a equipe vem produzindo na reta de chegada da competição”, afirmou Hélio.

Com o empate de 1 a 1 ontem o PSC chegou a sete jogos sem derrota. Em duas partidas seguidas fora de casa, acumulou quatro pontos. Para o treinador, o time cresceu, não é mais facilmente derrotado e está mais forte na reta final da fase de classificação.

“Tivemos quatro chances nítidas de gol quando estava 1 a 0, fecharia o caixão do Juventude, que fez uma jogada perfeita e entrou. Temos alguns detalhes para melhorar, mas jogamos os últimos dois jogos sem jogadores importantes, como o Leandro e o Tiago. O grupo está encorpando, jogando muito bem. Ontem perdi um lateral (Diego Matos), sentiu. O Collaço entrou, experiente, um jogo pro estilo dele”, disse.

Para as próximas rodadas, Hélio dos Anjos projeta duas vitórias nos confrontos consecutivos que terá em Belém, contra Volta Redonda, na segunda-feira (22) e diante do Boa Esporte, no dia 29.

“Sabemos que é muito difícil, mas temos que fazer os seis pontos. Isso será definitivo. Fazendo os seis pontos em casa, criamos muita condição de classificação. Todos estavam jogando seguidamente em casa e agora vamos ter essa oportunidade. Agora é contar com o apoio dos nossos torcedores. O Paissandu tem torcida e isso pesa em uma hora dessa”, concluiu.

Quando “pessoas de bem” dão as mãos a ditadores sanguinários

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Por Jamil Chade

Ao chegar ao prédio da ONU pela manhã, fui surpreendido por um comentário de um velho amigo que estava trabalhando na segurança da sede e que controla quem tem direito de entrar ao local: “só abro para o filho do presidente do Brasil”. Num tom de brincadeira, o segurança apenas anteciparia o que outros diplomatas estrangeiros logo me diriam com um tom de sarcasmo. “Que bom que ele fala inglês. Será que ele tuíta também em inglês?”, disse uma delas, rindo.

Amplamente ridicularizado na imprensa internacional nesta manhã – que chegou a dizer que já temos a nossa Ivanka (Le Monde) – e de se transformar em notícia pelos motivos errados, o governo brasileiro teve a habilidade ímpar nas últimas semanas não apenas de esvaziar de credibilidade sua imagem pelo mundo. Mas de colocar o país como alvo de uma preocupação internacional. Parte dessa tendência ocorre por conta de decisões pouco republicanas por parte de Bolsonaro, como a de nomear seu filho para a embaixada nos EUA.

Na ONU, apenas ditadores como Saddam Hussein ou Gaddafi nomearam seus parentes para cargos semelhantes. E, em muitas ocasiões, o objetivo era o de aproveitar que a sede da ONU estava na Suíça para também fazer uma ponte com os bancos locais. Mas não foi apenas uma reação superficial de surpresa diante de um nepotismo claro. O que causou preocupação internacional foi o fato de o escolhido para ser embaixador ser o representante na região latino-americana de Steve Bannon em seu Movement, um caminho ultraconservador, racista e, acima de tudo, anti-globalista.

Uma representante de um governo acostumado a lidar com a Casa Branca fez uma ressalva: “Washington não respeita lacaios”.

Novos Amigos

A procura de ongs ultraconservadoras por se aliar ao Brasil também se transformou em motivo de surpresa nos corredores da ONU. Num recente episódio, um representante de uma ong que denuncia o “lobby gay” no mundo foi visto conversando com a delegação brasileira. Rapidamente, diplomatas latino-americanos pegaram seus celulares para fazer fotos daquele momento inusitado e, claro, compartilhar a imagem. Uma piada? Sim. Mas logo acompanhado por uma enorme preocupação sobre o que tal aproximação poderia querer dizer.

Dias depois, o Brasil decidiu participar de um evento patrocinado pela ong ultraconservadora ADF International. Para além das alianças e simbolismos, a realidade é que são os fundamentos da nova política externa que chacoalharam com a forma que o resto do mundo passou a enxergar o Brasil. De uma situação de chacota, o governo brasileiro agora passou a ser, de fato, motivo de apreensão. O temor é de que, ao tomar posturas simpáticas a governos autoritários, o Itamaraty esteja simplesmente ajudando a desmontar o consenso que existe no Ocidente sobre o valor dos direitos humanos e de liberdades.

Por seu peso, há quem tema que o Brasil consiga arrastar consigo outros votos, outros países, a uma direção de questionamento até mesmo de conceitos que pareciam sólidos no direitos internacional. Quando um país pequeno ignora documentos internacionais que servem de marco para os direitos humanos como a Declaração de Pequim dos Direitos das Mulheres de 1995, ninguém se preocupa. Mas quando o Brasil da sinais de que está em uma cruzada para minar o sistema de leis e conceitos, um impacto sísmico é sentido.

Nos últimos dias, sob a justificativa de defender os valores da família, o governo Bolsonaro na prática abandonou o grupo de países ocidentais para se aliar a propostas estapafúrdias dos sauditas, paquistaneses, afegãos e outros islâmicos ao tentar limitar direitos das mulheres na ONU. Países que diariamente violam os direitos de “pessoas de bem”. Países que matam quem pensa diferente. Países que querem, entre outras coisas, a destruição de Israel, uma referência aos grupos evangélicos no Brasil.

Curiosamente, a sempre vocal embaixadora na ONU, Maria Nazareth Farani Azevedo, ficou muda. Não explicou em nenhum momento as decisões do Itamaraty sobre a família diante dos demais países. Vergonha, falta de instrução da capital ou decisão deliberada de não prestar contas? Será que as pessoas de bem não mereceriam saber o motivo da guinada por parte do governo? Afinal, o chanceler insiste que a nossa nova política externa tem como base a vontade popular.

Na quinta-feira, um embaixador latino-americano de grande influência na região desabafou: “precisamos do Brasil do lado certo da história. Que piada é essa de defender a visão saudita dos direitos humanos?!?” Entre os diplomatas estrangeiros, a tese é de que os votos brasileiros por resoluções ultraconservadoras sejam cuidadosamente calculados para que o país tenha o apoio de ditaduras e mesmo da Rússia para temas de seu interesse ou candidaturas para cargos internacionais.

Mas, se esse for o caso, a pergunta que deve ser feita é simples: onde estão os princípios desse governo de “pessoas de bem”? Vendem suas filhas em troca de apoio político?

Orloff

As decisões foram além. Numa resolução proposta pelos europeus e que pedia que as 27 mil mortes nas Filipinas de Duterte fossem investigadas, o Brasil se absteve e não apoiou a ideia de um inquérito internacional. Rapidamente, a postura foi interpretada como um temor do governo Bolsonaro de que seja, em alguns meses, o próximo a ser alvo de uma investigação internacional por sua “guerra contra a violência”.

“É o efeito Orloff”, ironizou um observador na ONU. Em suas promessas de campanha para um cargo de mais três anos no Conselho de Direitos Humanos da ONU, o governo Bolsonaro abandonou todas as referências aos direitos dos grupos LGBT, assim como omitiu a homofobia ou qualquer combate à tortura.

Entre os diplomatas brasileiros pelo mundo, o sentimento de muitos é de enorme constrangimento. Vários deles estão satisfeitos por estarem tão distantes do poder que sequer são lembrados. Outros, começaram a contar os dias até as próximas eleições, enquanto alguns buscam remoções, se apresentam para empregos fora da diplomacia e até pedem um período de afastamento. Dezenas deles em grandes capitais pelo mundo emergente e rico ainda tentam, de forma republicana, influenciar os rumos da política externa, fazendo sugestões corajosas. Outros, simplesmente prendem a respiração, esperando aguentar mais três anos e meio.

Mas a cada golpe, sabem que a distância para que recuperem a credibilidade fica ainda maior. Pior: temem pelas instruções que receberão no dia seguinte. Aliado aos piores regimes do mundo em direitos humanos, parceiro de governos que questionam as mudanças climáticas, incapaz de desenhar a fronteira entre religião e estado laico, o Brasil não é apenas ridicularizado. Hoje, é também alvo de enorme preocupação internacional.

A culpa é da D. Antônia

APOSENTADORIA

José Sarney: R$ 109.892,00 

Michel Temer: R$ 68.985,00  

FHC: R$ 67.450,00

Joaquim Barbosa: R$ 46.320,00

Elizeu Padilha: R$ 32.467,00

Álvaro Dias: R$ 29.481,00  

Dona Antônia: R$ 965,00

Moral da história: D. Antônia está acabando com o Brasil. 

Uma despedida, um recomeço

Adilson, 32 anos, volante do Atlético-MG, anunciou aposentadoria ontem. Ele sofre de problema cardiológico, não podendo continuar a atuar profissionalmente. Emocionado, ele foi confortado pelos jogadores do elenco e recebeu um abraço carinhoso de Patrick.

Um pouco de Gramsci

Por Luiz Carlos Azedo, no Correio Braziliense

Parafraseando o dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha, autor de A Grande Família e Rasga Coração, a propósito do pessedismo (a manha política das velhas raposas liberais do antigo PSD), um pouco de Gramsci também não faz mal a ninguém. Mesmo que desperte a ira da patrulha ideológica contrária ao chamado “marxismo cultural”. Na verdade, o republicanismo laico e o primado da política em relação à fé são fundamentos de Nicolau Maquiável, que escreveu O Príncipe em 1513. A obra seminal da política moderna, publicada postumamente em 1532, promoveu a ultrapassagem do Estado teológico medieval. Antecede Karl Marx e seus discípulos.

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Entretanto, o filósofo marxista italiano pode nos ajudar a entender o que está acontecendo a partir do colapso do presidencialismo de coalizão. A expressão foi usada a primeira vez há mais de 30 anos, no título de um artigo acadêmico do cientista político Sérgio Abranches, para explicar o funcionamento do presidencialismo brasileiro num ambiente de fragmentação partidária. Para governar, o presidente da República precisa costurar uma ampla maioria, frequentemente contraditória em relação ao programa do partido no poder, com grande potencial de conflitos ideológicos e políticos. O maior dilema institucional seria o aprisionamento do presidente da República pelas forças hegemônicas do Congresso, no vácuo de uma Constituição de viés antiparlamentarista.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, para justificar suas alianças, recomendava aos amigos lerem Um estadista no Império, de Joaquim Nabuco, um tratado sobre a política de conciliação do Marquês de Paraná, que garantiu estabilidade política a D. Pedro II durante seu reinado. Em 1853, para formar o gabinete do Conselho de Ministros, o mineiro Honório Hermeto Carneiro Leão buscou conciliar as ações políticas dos dois partidos do Império, o Conservador e o Liberal, em torno de interesses comuns. Com isso, conseguiu conter as insatisfações liberais e isolar os republicanos. O ponto de encontro era a aproximação dos liberais que também defendiam os interesses latifundiários escravistas como os conservadores, todos embalados pelo avanço das lavouras de café. O maior crítico desse modelo foi Capistrano de Abreu, para quem política de conciliação era um “termo honesto e decente para qualificar a prostituição política de uma época.”

Grande política

A gênese dessa política foi um discurso do conselheiro Nabuco de Araújo, intitulado a “Ponte de Ouro”, no qual anunciou a estratégia dos conservadores que haviam sido derrotados pelos liberais nas eleições: se manteriam em oposição nas províncias, mas apoiaram a aliança imperial com os liberais no Conselho de Ministros. A conciliação política marcou o apogeu do período Imperial, financiado pelos recursos financeiros advindos da exportação do café. Mas a Guerra do Paraguai (1864-1870) e as ações pela abolição da escravidão levariam à criação do Partido Republicano por setores liberais abolicionistas, em 1870. Entretanto, a partir do Senado, mesmo assim, se tornou uma cultura política que atravessou a República Velha e a Segunda República, renascendo das cinzas depois da redemocratização do país, em 1985.

Ao contrário do que muitos imaginavam, o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não fez uma ruptura com a política de conciliação, apenas inverteu as posições, para isolar o PSDB e o antigo PFL, eixos do presidencialismo de coalizão no governo FHC. Em seu lugar, Lula pôs o MDB e os partidos do Centrão, administrando as tensões entre esses aliados e suas bases petistas nos estados, muitas vezes em oposição, como no Maranhão. O patrimonialismo e o fisiologismo das velhas e novas oligarquias políticas não somente sobreviveram como adquiriram uma nova escala de organização sistêmica. O resultado todo mundo conhece: o modelo entrou em colapso no governo Dilma Rousseff e, nesse vácuo, Jair Bolsonaro se tornou alternativa de poder e venceu as eleições à Presidência. Também houve grande renovação na composição do Congresso.

Como Gramsci volta à prosa? Na separação entre a “grande” e a “pequena” políticas. Uma das características do presidencialismo de coalizão era o monopólio da “grande política” pelo Executivo, legando ao Congresso a “pequena política”. Para o filósofo italiano, Maquiavel examinou sobretudo as questões de grande política, compreendida como “as questões ligadas à fundação de novos Estados, à luta pela destruição, pela defesa, pela conservação de determinadas estruturas orgânicas econômico-sociais”. A pequena abarca “as questões parciais e cotidianas que se apresentam no interior de uma estrutura; estabelecida em decorrência de lutas pela predominância entre as diversas frações de uma mesma classe política”.

Ao liquidar o presidencialismo de coalizão e promover uma ruptura com a política de conciliação, Bolsonaro parece inverter esses papéis, dando exagerada atenção à pequena política, inclusive no terreno diplomático. Ao contrário, o Congresso, que havia perdido o papel de mediador dos conflitos da sociedade, resgata esse protagonismo, parece tomar gosto pela situação e se assenhora cada vez mais da grande política, como é o caso agora da reforma da Previdência.