
A menina negra que era levada pelo pai ao estádio Olímpico, em Porto Alegre, vibrava com as vitórias do Grêmio na década de 1990, período em que o clube levantou uma sucessão de taças. Os títulos não são as únicas lembranças das idas ao campo de futebol.
“Temos que parar com isso. Essa palavra carrega um conceito universal da infâmia para ofender uma pessoa negra”, diz Nestor Hein, diretor jurídico do Grêmio. “Mesmo que digam que não é racista, abolir o termo significa respeito a novos tempos, a novas demandas da sociedade.”
O dirigente se reuniu com as torcidas organizadas do clube e informou que elas deveriam proibir entre os seus integrantes o uso da palavra em cantos e gritos de guerra. “Se essa questão persistir, vai haver punição, suspensão e terão até que desocupar o lugar em que ficam [na Arena]. Vamos punir severamente.”
Os antepassados dessa escória vieram para o Brasil como mendigos, fugindo da fome e da violência, somente com suas tralhas e suas trouxas. Foram bem recebidos aqui e muitos fizeram fortuna ou viraram remediados. Mas, agora, a prole deles se acha superior aos demais brasileiros que destoam da imagem enganadora com que se veem em seus espelhos.
CurtirCurtir