Em busca da retomada

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POR GERSON NOGUEIRA

Sem Tiago Luís e Leandro Lima, o PSC tenta hoje em Tombos retomar a pegada vitoriosa exibida no Re-Pa. Os desfalques forçaram mudanças no esquema habitual e Hélio dos Anjos divide-se entre os cuidados com a marcação e pretensões de contra-ataque.

Elielton, Nicolas e Vinícius Leite estão cotados para a linha de frente, o que deve proporcionar mais leveza e troca de passes nas tentativas ofensivas. O Tombense não é um time defensivamente forte, mostra problemas de cobertura e o Papão tem possibilidades de explorar isso.

A grande mexida se localiza no meio-de-campo, onde Tiago Primão retorna à função de articulador, tendo os volantes Uchoa e Léo Baiano (estreante) na cobertura. A entrada de Léo Baiano mostra que Hélio não está muito satisfeito com os volantes do elenco. Baiano foi uma indicação direta dele e já ganha a primeira oportunidade três dias depois de sua chegada.

Wesley Pacheco, que só teve chances entrando no segundo tempo, é outro que pode vir a ser lançado na partida, caso a opção seja por um jogo mais de aproximação e investidas pelos lados.

Em sétimo lugar na tabela de classificação, com 12 pontos, o Tombense tem a terceira pior defesa do grupo B, com 12 gols sofridos, mas exibe um ataque que marcou o dobro (10) de gols do Papão. Dois pontos atrás dos bicolores, o time mineiro tenta reagir na competição depois de um começo ruim.

Está claro para quem acompanha a campanha do PSC que o grande problema da equipe está no meio e no ataque, anêmico a ponto de ser o pior de toda a Série C. Hélio tem esse tremendo quebra-cabeça para resolver, testando jogadores e improvisando, como fez com Tiago Luís centralizado no Re-Pa. Como não contará hoje com o seu principal meia ofensivo, vai partir para a saída rápida pelos lados para explorar as subidas do time da casa.

Pode dar certo.

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Uma Copa América valorizada pelas surpresas

Das gozações na internet festejando a ausência de Neymar e o sarro em cima dos hermanos, o clássico Brasil e Argentina de anteontem reviveu o lado mais gostoso da rivalidade. Refiro-me ao chororô (justificado) deles pelos penais não revisados pelo VAR, às cenas típicas de Sucupira, como a inusitada meia volta olímpica presidencial, e às bobagens de Gabriel Jesus tentando dar uma resposta pós-vitória em Casagrande.

A Seleção fez o seu melhor jogo desde as Eliminatórias, o VAR se mostrou silente e o pressionado Tite não tem rigorosamente do que se queixar, pois, além da arbitragem débil do equatoriano, o time argentino entrou em modo desespero ainda no final do primeiro tempo.

Daniel Alves, que costuma perder fôlego no segundo tempo, jogou como um menino. Correu, marcou e armou magistralmente, como no lance inspirado do primeiro gol quando chapelou um adversário, entortou outro e botar um passe cara-torta nos pés de Firmino para o passe em direção à Gabriel Jesus.

O segundo gol foi consequência natural da barafunda tática argentina, confusão que destoou da grande atuação de Lionel Messi e do esforço de Agüero. Curiosamente, os argentinos chutaram 13 vezes a gol e o Brasil foi tão econômico quanto cirúrgico: de três chutes certos, dois entraram.

Além das surpreendentes performances de Dani Alves e Jesus, que há tempos não mostravam bola, Tite segue muito bem na foto com os deuses da bola. Ontem à noite, a outra semifinal definiu o adversário dos sonhos: o Peru de Guerrero.

A equipe dirigida por Ricardo Gareca mostrou-se renovada em relação à goleada sofrida perante o Brasil e dominou o Chile, bicampeão da competição. Marcou dois gols no primeiro tempo e não relaxou. Marcação forte, concentração máxima, movimentos bem ordenados, anulando os principais valores do adversário, Vidal e Sanchez.

O espírito de competição carimbou cada jogada peruana. Contou com a segurança do goleiro Gallese, que pegou no final um pênalti de Vargas em cavadinha e foi peça destacada em campo. Estratégia e execução de plano tático em altíssimo nível, com atuação coroada por um golaço de Guerrero nos instantes finais.

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Carajás campeão e Desportiva, de novo, prejudicada

O que acontece com o Campeonato Paraense Sub-17, que terminou ontem com a conquista do Carajás (que goleou o Remo por 5 a 2), é algo que desafia a lógica e o bom senso. O TJD não acatou um último recurso apresentado pela Desportiva e, com isso, o clube permaneceu impedido de disputar a semifinal contra o Remo. Estranhamente, o presidente da corte não considerou a reivindicação e puniu o reclamante porque não havia pago a taxa correspondente, fato que poderia ter sido relevado.

Fico a imaginar a frustração dos garotos, responsáveis por uma trajetória impecável, espelhada na melhor campanha de todas as equipes disputantes. Desde a polêmica em torno do remanejamento dos jogos para o Mangueirão, por decisão da FPF, a Desportiva já se considerava prejudicada.

Há, lá atrás, a questão envolvendo um recurso da Desportiva durante a Segundinha de acesso ao Campeonato Paraense. Parece a má vontade começou ali. Sob todos os pontos de vista, são fatos que põem em dúvida o verdadeiro sentido de Justiça.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 04)

Um comentário em “Em busca da retomada

  1. A boa atuação do Brasil tem a ver com a falta de identidade argentina, uma equipe tão mexida que já não se sabe mais qual receita está sendo realizada. Repare que, quando o Brasil fez o primeiro gol, a Argentina adiantou a marcação e foi aí que os três melhores jogadores do time Daniel Alves, Tiago Silva e Artur passaram a trocar passes e driblar aquela marcação, sendo estranho que Scaloni não tenha percebido como o ex-gremista conseguia passar do meio à frente desmontando a pressão.
    Messi melhorou muito, mas Aguero continuou com cara de tédio, parece Firmino, este também louco pra entrar de férias. Coutinho alternou bons e maus momentos, porém segue sem tempo das jogadas; já Gabriel Jesus, em que pese ter melhorado no auxílio à marcação, demonstra pouco cacoete em atacar pela direita, tanto que fez o gol pelo meio e sua melhor jogada, do segundo gol, pela meia esquerda, mais um sintoma da necessidade das trocas de posições que o Brasil perdeu.
    Como já havia ocorrido com David Neres, Ewerton Cebolinha também foi vítima de eventual obediência ortodoxa à orientação tática, deixando de procurar o jogo e sendo presa fácil. Enfim, Tite vai conseguindo seu objetivo, todavia, é nítido que o futebol praticado ainda está muito precário, dando pinta que causará muitos problemas nas eliminatórias.
    Quanto ao Papão, como não tenho acompanhado, acho positiva a ausência de medalhões que mais parecem ex atletas em atividade. Se vai dar certo, são outros quinhentos mil réis.
    No caso da FPF, fica cada vez mais claro que se os clubes não acabarem com essa cafetina do nosso futebol, ela venderá o cabaré e deixará esses clubes sem entretenimento. A Tuna já foi punida.

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