https://www.youtube.com/watch?v=AtW4Ndxo-x8
POR GERSON NOGUEIRA
A final entre um clube do interior e um grande da capital não era a aposta mais óbvia para o Campeonato Paraense. Pelo comportamento inicial das equipes, com liderança tranquila da dupla Re-Pa nas duas chaves, tudo apontava para uma decisão nos moldes tradicionais, colocando frente a frente os velhos rivais. Méritos para o Independente, que contrariou a lógica e escreveu um novo script para a decisão do Estadual.
Nem bem a poeira baixou em torno da eliminação do PSC das finais do Parazão, eis que outro interiorano irrompe com toda força, fazendo história na Copa do Brasil. Em sua estreia no torneio nacional, o Bragantino derrotou a Aparecidense (GO) por 3 a 2, no Mangueirão, em confronto que teve um final eletrizante, e garantiu classificação para a terceira fase da Copa BR.
Depois de um começo muito travado, com marcação forte no meio-campo, o Braga foi saindo do campo de defesa, abrindo espaços no campo adversário através de jogadas puxadas por Marco Goiano e Lukinha.
A desenvoltura dos homens de meio-campo foi determinante para que o Bragantino assumisse o controle da partida antes da metade do primeiro tempo. Foi Lukinha o autor do gol de abertura, aos 35 minutos, tocando para as redes depois que o goleiro Wallace espalmou chute de Mauro Ajuruteua.
Com muitas chegadas pelos lados do campo, com Bruno Limão e Esquerdinha, o Bragantino teve uma produção que poderia ter garantido mais gols e uma condução mais tranquila do jogo.
Apesar da movimentação mais intensa do Tubarão, a Aparecidense não se entregou. Seguiu buscando o empate através de contra-ataques sempre direcionados a Aleilson e ao veterano Nonato.
Foi pelos pés de um paraense que o time goiano chegou ao empate, logo a um minuto de partida no 2º tempo. O lateral Rayro, ex-Águia, aproveitou uma bola rebatida pela zaga do Bragantino e mandou um chute alto, sem defesa para Axel.
Sem se perturbar, atacando sempre pelos lados, o Bragantino acabou chegando ao segundo gol. Após cruzamento de Paulo de Tárcio, a bola desviou no braço de Filipe e o árbitro marcou o pênalti. Marco Goiano, o mais produtivo jogador do Tubarão, cobrou e desempatou o placar.
Fidélis teve grande chance três minutos depois, entrando na área e batendo forte, mas a bola foi afastada pela defesa. Quando o Braga parecia dominar o jogo, eis que Rayro aparece outra vez para mudar os planos. Disparou da entrada um chute forte, no canto, empatando o jogo.
A expulsão do lateral Rafael Cruz, aos 25’, deu novo ânimo ao Bragantino. Logo em seguida, Marco Goiano quase marcou, chutando rente à trave. Aos 39’, Samuel Cândido trocou Fidélis por Tony Love, a fim de buscar o terceiro gol e evitar a disputa nos penais.
O esforço valeu a pena. Aos 40’, Bruno Limão cruzou rasante na área, a zaga cortou errado e a bola foi nos pés de Marco Goiano, que só tocou para o fundo do barbante. Já sem Rayro, também expulso de campo, Moisés ainda teve grande chance para a Aparecidense, mas levantou a bola nas mãos do goleiro Axel.
Um jogo de ingredientes emocionantes, com um público pequeno (pouco mais de 6 mil espectadores) mas animado. O Bragantino embolsa com a classificação mais R$ 1,45 milhão, totalizando R$ 2,6 milhões até agora. Caso vença o Vila Nova-GO na próxima etapa, ganhará mais R$ 1,9 milhão. Nunca um clube do interior do Pará faturou tanto e chegou tão longe na Copa do Brasil.
——————————————————————————————
Magic Johnson, uma despedida em tom ruidoso
Um gigante pediu para sair de cena e, como seria natural, o anúncio abalou os alicerces do melhor basquete profissional do mundo. Magic Johnson deu uma entrevista na terça-feira à noite anunciando sua renúncia ao cargo de presidente das operações de basquete do Los Angeles Lakers, deixando a NBA em polvorosa.
A má campanha do Lakers na temporada vinha desgastando Magic, responsável por contratações e escolhas, mas não foi suficiente para causar estragos em sua imagem. Os desdobramentos de sua renúncia provam isso.
Alheio aos seus críticos como executivo da franquia, Magic afirmou calmamente que deixava o cargo para voltar a ser ele mesmo, procurando ajudar atletas com conselhos (citou Serena Williams) e se reincorporando aos assuntos de sua comunidade. Passou sinceridade.
O Lakers, porém, convive com uma realidade bem complicada. Apesar de ter em seu time o melhor jogador da atualidade, LeBron James, não conseguiu acertar o passo ao longo da temporada, situação em boa parte atribuída internamente ao próprio Magic.
Com 37 vitórias e 45 derrotas no período 2018-2019, a equipe de LA vai buscar meios de se reconstruir para a próxima edição da liga, talvez até sem LeBron em quadra.
Chama atenção no gesto de Magic o desprendimento e o desapego a um cargo milionário. Só os realmente grandes são capazes de gestos surpreendentes e corajosos. Sabendo que seu trabalho era minado nas esferas administrativas do Lakers, ele preferiu pedir o boné comunicando em rede nacional, antes de avisar a dona da franquia, Jeanie Buss.
(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 11)
Parabéns ao Braga, o melhor time do Pará na atualidade.
CurtirCurtir
As surpresas da Copa do Brasil são o charme dessa competição. O Águia de Marabá já derrotou o Fluminense, o São Raimundo de Santarém já derrotou o Botafogo, o Asa de Alagoas já eliminou o Palmeiras, o Criciúma (1991), o Paulista (2005), o Juventude (1999) e o Santo André (2004) já foram campeões vencendo times grandes na final, o Coritiba já foi finalista em duas edições seguidas e por aí vai.
CurtirCurtir
As surpresas sobrevivem até a quarta rodada. Só.
CurtirCurtir