Galo elimina Papão e vai à 3ª final

POR GERSON NOGUEIRA

O torcedor que compareceu à Curuzu, ontem à noite, mostrou grandeza desportiva ao reconhecer os méritos do Independente de Tucuruí, que perdeu para o PSC por 1 a 0, ficou em vantagem no placar agregado e se classificou à final do Campeonato Paraense.

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Foi um jogo tático e controlado por parte do Galo Elétrico, que em nenhum momento se abalou com a pressão que o Papão tentava impor. Apesar de todas as investidas em direção ao gol, o ataque do PSC poucas vezes ameaçou de verdade.

Durante o primeiro tempo, houve uma jogada mais criativa de Tiago Primão que levou perigo e um chute cruzado de Paulo Rangel, que o goleiro Redson desviou mandando a bola na trave.

A única estratégia da equipe de Léo Condé parecia ser o velho muricybol. Cruzamentos incessantes e repetitivos em direção à área do Independente, para cortes precisos de Dedé e Charles.

Não se viu uma triangulação inteligente ou uma busca de infiltração na área à base de fintas. Longe disso. O melhor jogador bicolor, Nicolas, ficou preso à marcação do Galo e não conseguiu criar jogadas relevantes. E, como se sabe, quando Nicolas não aparece no jogo o PSC não tem alternativas de ataque.

Mesmo pressionado, o Independente achou espaços para incomodar. Joãozinho perdeu boa chance e Renatinho bateu de longe, assustando o goleiro Mota. A sensação era de que o time dirigido por Charles Guerreiro tinha plena noção da incapacidade criativa dos donos da casa.

Marcos Antonio tentou alguns lançamentos, mas logo se deixou dominar por um nervosismo inexplicável, chegando ao ponto de dar uma tesoura voadora por trás no lateral Daelson. A jogada já estava paralisada, o que não anula a agressão. O árbitro Gustavo Ramos Melo deixou passar sem advertir o volante.

Ele seria finalmente premiado com o amarelo em outro lance duro no meio-campo, mas minutos depois deu outro safanão no mesmo Daelson e não recebeu o segundo cartão amarelo.

Depois do intervalo, já com Vinícius Leite no lugar de Leandro Lima, o Papão foi à frente na base do entusiasmo. Empurrado pelo torcedor, o time amiudou os cruzamentos sobre a área e o gol veio cedo, aos 6 minutos, após uma cobrança de falta que o goleiro Redson rebateu mal. Na confusão, Caíque tocou para as redes.

O gol poderia ter dado vida nova à equipe, mas o método do PSC não se modificou. As bolas continuaram sendo lançadas na área e a zaga do Galo ia afastando. Alan Calbergue substituiu a Marcos Antonio mas o ritmo não se alterou.

No Galo, Guerreiro tirou Joãozinho e botou Vinícius em campo. O time se manteve fechado, sem ser retrancado e buscava saídas em contragolpe. Aos 17’, Araújo cruzou na área e Dedé cabeceou no canto esquerdo. Mota salvou a lavoura espalmando para a defesa aliviar o lance.

Fazendinha substituiu a Araújo e o passe do Galo ganhou em precisão. Só não explorou melhor os espaços abertos na zaga do PSC porque Caça-Rato era peça improdutiva, tropeçando na bola e errando o tempo dos dribles.

O jogo foi se arrastando. Bruno Oliveira, improdutivo pela faixa direita, deu uma cotovelada em Vinícius junto à linha lateral, mas nenhum dos auxiliares do árbitro informou sobre a agressão.

Na última chance da partida, Vítor Oliveira cabeceou e a bola tocou no travessão. Não havia nenhum atacante para aproveitar o rebote e a zaga afastou a bola para longe da área.

No fim das contas, o placar agregado de 3 a 2 para o Independente foi inteiramente justo pela produção dos times nos 180 minutos. O time de Tucuruí vai disputar sua terceira decisão de campeonato estadual – a primeira foi em 2011, quando levantou o título, e a segunda em 2015, quando foi vice-campeão –, enquanto o PSC terá dois jogos com o Bragantino decidindo o 3º lugar e a vaga na Copa do Brasil.

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Jogos da decisão serão realizados no Mangueirão

O presidente do Inependente, Delei Santos, informou ontem na Curuzu que vai solicitar hoje à FPF que a primeira partida da final do Parazão seja realizada no estádio Jornalista Edgar Proença.

A justificativa técnica é a dificuldade de transporte devido ao acidente com a ponte da Alça Viária, em Moju. O motivo prático é a necessidade de garantir faturamento ao clube de Tucuruí, cujos jogos no Navegantão são deficitários.

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Sampaoli encurrala o Corinthians, mas cai nos penais

O Santos tomou conta do jogo, teve a posse de bola e obrigou o goleiro Cássio a defesas miraculosas. Ainda assim, o retranqueiro Carille acabou levando a melhor sobre o inventivo Sampaoli e vai disputar mais uma final do Paulista, com a vitória na cobrança de penalidades (7 a 6).

Foi um baile tático e de movimentação dos santistas sobre o time corintiano, que, em certos momentos, comportou-se um time acanhado diante de um grande esquadrão. O placar de 1 a 0 não foi suficiente para garantir a classificação e obrigou a série extra. O futebol, definitivamente, não preza por justiça.

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 09)

10 comentários em “Galo elimina Papão e vai à 3ª final

  1. O Independente se aproveitou melhor das oportunidades criadas no primeiro jogo e levou com méritos a vaga na decisão, e já adianto, não passará do vice campeonato, na minha opinião, não tem time para vencer do Remo que deverá conseguir duas vitórias tranquilas sobre o Galo Elétrico que só deu choque no Lobo que tem medo de água fria.

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  2. Incrível a ruindade do time do Paysandu. E olha que nem começou tão mal assim o campeonato. Resta saber se eram os outros que ainda não haviam ajustado suas linhas, ou se há algo entre o vestiário e as quatro linhas que desconhecemos e que explica tudo.
    E só não foi pior por conta da arbitragem, visivelmente condescendente com lances desleais de jogadores do Papão. Gerson citou o caso do Marcos Antônio e eu lembro o do Caíque, logo após receber o amarelo que sempre lhe cabe, deu um chute no jogador do Independente e merecia ir pra rua, mas o juiz preferiu ameaçar o Charles Guerreiro que reclamou; e o Bruno Oliveira, este sapecou um safanão no rosto do seu marcador e o rotundo soprador de apito fez vista grossa.
    Não estou afirmando que o Paysandu devesse terminar o jogo com oito, todavia, é flagrante que a omissão do árbitro contribuiu para as ocorrências seguintes, sendo as mesmas fatos indesmentíveis. Restou provado, mais uma vez, que a truculência e a ruindade andam sempre juntas.

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  3. A incapacidade criativa Bicolor.
    De fato a incapacidade não somente criativa, mas principalmente técnica do time a capital tem me preocupado bastante em relação ao que vem pela frente
    Não duvido de que o terceiro lugar acabe nas mãos do Tubarão pois o Lobinho mostrou que além de não saber dominar a bola na relva seca no molhado então…!!!!
    A carência de bons jogadores é um fato lastimável que vem se perpetuando ano após ano nos clubes paraenses, o abandono da base somado aos nossos diretores de braços dados a empresários de rapina acabam por contratar sucatas ou rejeitos de escolas distantes.
    De longe este está sendo o pior campeonato paraense dos últimos anos.
    Até os embates realizados entre os dois titãs não trouxeram as emoções de outrora. Os 3 x 0 do primeiro clássico não passou de ilusão!
    Há algo de podre no reino da “Chibelândia” e minhas previsões de anos anteriores sobre a situação do nosso futebol começam a se realizar a partir do momento em que para se disputar a Copa do Brasil de 2020 o Paysandú terá que conquistar o terceiro lugar deste pífio campeonato paraense.

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  4. Aprecio a imparcialidade de torcedores assim como os dois bicolores acima.
    Quanto ao Remo, se jogar como não jogou contra o Braga, corre grande risco de perder o campeonato.

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  5. Meu caro Valentim, se o sujeito coloca uma venda e guia-se pela crença é sinal que ele encontra-se bem representado pelo futebol deprimente ora jogado.
    Estabelecendo um diálogo respeitoso com o nosso querido Miguel, gostaria de lembrar que não apenas os ‘importados’ têm responsabilidade pelo mau futebol apresentado, os ditos da base também pouco acrescentam, vide o caso dos cruzamentos seguidos por trás das traves feitos pelo lateral-esquerdo. Digo que é uma orquestra de todo dissonante, pessimamente regida e a ofender a sensibilidade da plateia.
    Agora vem a Série C e Remo e Paysandu parecem despreparados para a competição. No início do ano, assisti jogos de alguns adversários e fiquei até otimista diante da ruindade apresentada.
    Agora, revendo alguns desses times constato que evoluíram e estão acima do nível dos nossos. O Juventude, que empatou com o Botafogo no Nilton Santos é bem superior ao que levou de 3×0 do rival Caxias há uns dois meses; o Volta Redonda joga um futebol vistoso e competitivo e o Boa, apesar dos 5×0 que levou do Galo, domingo último, fez um bom campeonato. Preocupante a situação, caso não apareça o milagre que se espera desesperadamente.

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  6. Até que enfim uma surpresa boa nesse campeonato insosso onde só dava RE-PA. Acredito que dos times do interior, só o IAC conseguiu chegar em uma terceira final, feito que nem o Águia de Marabá e nem o São Raimundo de Santarém em seus auges conseguiram. CR é favorito.

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  7. A julgar pelo cenário atual, caro Jorge Amorim, as perspectivas não são boas. Quero crer que as respectivas diretorias estão enxergando assim.

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  8. Será que a mudança do treinador não foi prejudicial ao PSC? Afinal, a justificativa da demissão do Brigatti até hoje não foi bem esclarecida. No clássico com o Remo, a queda do PSC foi notável em relação ao primeiro jogo.

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