Farsa cada vez mais evidente

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O professor e escritor Jessé de Souza, autor dos livros A Elite do Atraso e A Ralé Brasileira, escreveu uma carta ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso político há quase nove meses. No texto, Souza, que é um estudioso da desigualdade social no Brasil, reconhece o legado de Lula no combate à miséria e na busca por uma distribuição de renda mais igualitária.

“Em uma sociedade doente e cruel como a nossa, dominada pelo ódio covarde aos pobres, o senhor é a luz nas trevas. O senhor é o líder popular mais importante dos 500 anos de história deste país e o único que se preocupou com os mais pobres e os mais marginalizados”, escreveu.

Souza destacou ainda que a perseguição judicial a Lula está cada vez mais clara e se materializa na parcialidade do agora ex-juiz Sérgio Moro. “A força moral do inimigo construída por mentiras já está caindo. A farsa de Sérgio Moro está cada vez mais evidente. Só um tolo não percebe isso”, afirmou a Lula. Leia a íntegra:

Carta de Jesse de Souza ao Presidente Lula

Nos bastidores do rock

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Joni Mitchell, voz de clássicos como “Big Yellow Taxi” e “Both Sides Now”, considerada uma das maiores cantoras, compositoras e instrumentistas vivas, ostenta aos 75 anos um legado de 50 anos em atividade: foram 19 álbuns de estúdio lançados, sendo o mais recente deles, “Shine”, de 2007. De sua vasta obra, vale destacar “Blue”, seu quarto disco, lançado em 1971 com dez canções, grande parte delas escritas durante uma viagem pela Europa. Para o “New York Times”, este é um dos 25 álbuns que representaram “um ponto de virada para a música do século 20”.

Para a “Rolling Stone”, é o segundo melhor disco feminino de todos os tempos, atrás apenas de uma gravação histórica de Aretha Franklin. Em 1999, entrou no Grammy Hall of Fame, reservado para álbuns de “significância histórica e qualitativa”. “Blue” envelheceu muito bem, e hoje ainda soa único.

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As letras descritivas de Mitchell, suas melodias alongadas e seus agudos surpreendentes ainda são artigo raro de se encontrar no cenário musical. Mitchell é gigante no violão, tirando dele harmonias e melodias inesperadas. No piano, influências clássicas se misturam com o jazz. Desses experimentos técnicos nascem as emoções complicadas, e ainda assim mundanas, de “Blue”.

O álbum reflete o fim do relacionamento da cantora canadense com Graham Nash. Sobre ele, Mitchell escreve tanto a doce “My Old Man” (“Não precisamos de um papel no cartório/ Para nos manter juntos e verdadeiros”) quanto a melancólica “River” (“Eu fiz meu bebê chorar/ Ele tentou muito me ajudar/ Ele me acalmava, sabe”), que conta como ela própria terminou o romance. “Blue” também é sobre o nascimento de outra paixão.

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Mitchell teve um breve e arrasador caso com James Taylor, e escreve no disco sobre as alegrias do novo amor (“Tudo o que quero que o nosso amor faça/ É trazer o melhor em mim e em você”, diz em “All I Want”) e as complicações do temperamento explosivo do amado e seu vício em heroína – a faixa-título, “Blue”, faz referência a “seringas, armas e ervas” que “preenchem o espaço embaixo da pele”.

Nas entrelinhas ainda é possível detectar um discurso maior: “Blue” fala também sobre a morte da contracultura. Embora Mitchell nunca tenha se aliado ao movimento hippie, como artista, ela sentiu que o fim desta era produziu uma geração de jovens sem esperanças.

 

Mitchell criou, especialmente com “Blue”, o culto à cantora-compositora. Se os ícones femininos de décadas anteriores eram mais reconhecidos como intérpretes, ela abriu caminho para Carole King, Patti Smith, Tracy Chapman e companhia. Em reflexos modernos, é possível encontrar seu estilo confessional em artistas tão diferentes como Fiona Apple, Taylor Swift e KT Tunstall.

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Direto do Twitter

“Temos hoje uma República de Assassinos. Um presidente que defende a tortura envolvido com milicianos, um Congresso dominado pela bancada da bala, um Judiciário empenhado em levar à morte um ex-presidente condenado sem provas, um empresariado que deseja a morte do trabalhador.”

Palmério Dória

Ministro libera investigação contra o filho de Bolsonaro

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O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou as sinalizações que havia dado e arquivou o pedido do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) para suspender as investigações envolvendo movimentações financeiras de seu ex-assessor na Assembleia Legislativa Fabrício Queiroz. Marco Aurélio sequer julgou o pedido. As apurações prosseguem, portanto, com o Ministério Público do Rio de Janeiro.

O ministro já havia indicado que não aceitaria o pedido de Flávio por entender que as investigações não têm relação com o mandato no Congresso e, por isso, não estão sob abrigo do foro privilegiado. No último dia 17, atendendo a solicitação do senador eleito, o ministro Luiz Fux determinou a suspensão de qualquer apuração até que Marco Aurélio, sorteado relator do caso, voltasse do recesso e decidisse sobre o pedido.

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou como atípica uma movimentação financeira de R$ 1,2 milhão feita por Queiroz no período de um ano. Ele recebeu sistematicamente repasses de oito funcionários lotados no gabinete de Flávio Bolsonaro. A principal suspeita é de que assessores repassavam para Queiroz parte de seus salários.

A prática, chamada de rachadinha, é comum entre parlamentares e já resultou na abertura de diversos processos em todas as esferas do Legislativo. Mas ainda não foi aberto um processo criminal contra Queiroz nem contra o filho do presidente Jair Bolsonaro.

O ex-assessor, suas filhas e mulher e o senador faltaram a depoimentos marcados pelo Ministério Público. O MP-RJ diz que tem elementos para prosseguir com as investigações mesmo sem ouvir a família Queiroz e indicou que pedirá a quebra dos sigilos bancário e fiscal do ex-policial militar que trabalhou no gabinete do filho do presidente na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. (Do Congresso em Foco)

A sentença eterna

“Cuide bem de suas lembranças, pois não poderá revivê-las”. 

Bob Dylan