Nos bastidores do rock

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Joni Mitchell, voz de clássicos como “Big Yellow Taxi” e “Both Sides Now”, considerada uma das maiores cantoras, compositoras e instrumentistas vivas, ostenta aos 75 anos um legado de 50 anos em atividade: foram 19 álbuns de estúdio lançados, sendo o mais recente deles, “Shine”, de 2007. De sua vasta obra, vale destacar “Blue”, seu quarto disco, lançado em 1971 com dez canções, grande parte delas escritas durante uma viagem pela Europa. Para o “New York Times”, este é um dos 25 álbuns que representaram “um ponto de virada para a música do século 20”.

Para a “Rolling Stone”, é o segundo melhor disco feminino de todos os tempos, atrás apenas de uma gravação histórica de Aretha Franklin. Em 1999, entrou no Grammy Hall of Fame, reservado para álbuns de “significância histórica e qualitativa”. “Blue” envelheceu muito bem, e hoje ainda soa único.

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As letras descritivas de Mitchell, suas melodias alongadas e seus agudos surpreendentes ainda são artigo raro de se encontrar no cenário musical. Mitchell é gigante no violão, tirando dele harmonias e melodias inesperadas. No piano, influências clássicas se misturam com o jazz. Desses experimentos técnicos nascem as emoções complicadas, e ainda assim mundanas, de “Blue”.

O álbum reflete o fim do relacionamento da cantora canadense com Graham Nash. Sobre ele, Mitchell escreve tanto a doce “My Old Man” (“Não precisamos de um papel no cartório/ Para nos manter juntos e verdadeiros”) quanto a melancólica “River” (“Eu fiz meu bebê chorar/ Ele tentou muito me ajudar/ Ele me acalmava, sabe”), que conta como ela própria terminou o romance. “Blue” também é sobre o nascimento de outra paixão.

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Mitchell teve um breve e arrasador caso com James Taylor, e escreve no disco sobre as alegrias do novo amor (“Tudo o que quero que o nosso amor faça/ É trazer o melhor em mim e em você”, diz em “All I Want”) e as complicações do temperamento explosivo do amado e seu vício em heroína – a faixa-título, “Blue”, faz referência a “seringas, armas e ervas” que “preenchem o espaço embaixo da pele”.

Nas entrelinhas ainda é possível detectar um discurso maior: “Blue” fala também sobre a morte da contracultura. Embora Mitchell nunca tenha se aliado ao movimento hippie, como artista, ela sentiu que o fim desta era produziu uma geração de jovens sem esperanças.

 

Mitchell criou, especialmente com “Blue”, o culto à cantora-compositora. Se os ícones femininos de décadas anteriores eram mais reconhecidos como intérpretes, ela abriu caminho para Carole King, Patti Smith, Tracy Chapman e companhia. Em reflexos modernos, é possível encontrar seu estilo confessional em artistas tão diferentes como Fiona Apple, Taylor Swift e KT Tunstall.

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