Sem regalias, ex-chefão da CBF limpa chão de cela nos EUA

size_960_16_9_marin-cbf11

Acostumado com o conforto do seu apartamento de 600 metros quadrados nos Jardins, zona nobre de São Paulo, e com hotéis luxuosos, o ex-presidente da CBF José Maria Marin tem convivido com uma realidade bem diferente na penitenciária federal de Allenwood, nos Estados Unidos.

Transferido em outubro da Metropolitan Detention Center, cadeia no Brooklyn, em Nova York, onde passou dez meses, para o presídio de segurança baixa localizado em uma pequena cidade no interior do estado da Pensilvânia, o ex-cartola passou a ter acesso a serviços como biblioteca e programas educativos, mas continua submetido a uma rígida rotina imposta pelos agentes do sistema prisional norte-americano.

Aos 86 anos, Marin ganhou o direito de deixar a Metropolitan Detention Center – chamada por advogados de “depósito humano” por causa da condições dadas os presos – devido principalmente à idade avançada e por não oferecer risco de fuga. Isso, no entanto, não significa que em Allenwood ele tenha privilégios.

O Estado conversou com pessoas próximas a Marin e teve acesso a documentos que detalham não só como o brasileiro tem passado os últimos quatro meses, mas a lista de deveres e obrigações dele dentro da cadeia.

Condenado a quatro anos de prisão pelos crimes de organização criminosa, fraude bancária e lavagem de dinheiro cometidos no período em que presidiu a CBF, de 2012 a 2015, Marin teria recebido U$ 6,5 milhões (R$ 23,7 milhões pelo câmbio atual) de propina para assinar contratos de direitos comerciais da Copa Libertadores, Copa do Brasil e Copa América. Ele nega.

Em Allenwood, Marin acorda todas os dias às 5h da manhã, quando os agentes penitenciários passam nas celas para fazer a contagem dos presos. A partir das 6h, o café da manhã começa a ser servido. Quem não acordar no horário estipulado ou não deixar a cela “de forma organizada” está sujeito a medidas disciplinares.

A cama tem de estar arrumada com lençol, cobertor e travesseiro até 7h30, no máximo. Às 10h, o ex-presidente da CBF tem de ficar “quieto” e em pé dentro da cela, para uma nova contagem dos presos. Às 10h45, vai para o almoço. Às 16h, mais uma vez Marin tem de estar em pé na cela para outra conferência de detentos. Na sequência, vem o jantar.

Dentro do refeitório, as regras são rígidas. As mesas não podem ser reservadas, por exemplo, colocando casacos ou roupas nas cadeiras.

A acomodação é por ordem de chegada. Na fila do bandejão, o preso não pode se servir em nenhuma hipótese e tem de esperar que os funcionários do presídio coloquem a comida no seu prato. Depois de sair do refeitório, o detento não poderá entrar novamente no espaço “por qualquer motivo”. Também é proibido retirar frutas ou qualquer item do restaurante.

Marin é obrigado a usar o tempo todo um cartão preso a um cordão em volta do pescoço com seus dados de identificação. Só pode tirar o crachá quando estiver dentro da cela. O seu número de inscrição no sistema prisional norte-americano é 86356-053.

Outra obrigação é o uso de uniforme com uma importante observação: a camisa deve ficar dentro da calça, exceto quando Marin estiver no ginásio ou no pátio. Mas, por causa do inverno rigoroso que tem castigado Allenwood, com temperaturas entre -15ºC e -20ºC, o ginásio e a sala de musculação só devem reabrir em maio, quando não estiver mais tão frio.

A previsão é de que Marin fique ao menos mais dois anos e meio em Allenwood e ganhe a liberdade em junho de 2021, quando terá 89 anos – seu aniversário é no dia 6 de maio. Nos Estados Unidos, não existe progressão da pena para os regimes semiaberto e aberto para cidadãos estrangeiros não residentes.

Assim, a expectativa dos advogados de defesa de Marin é reduzir a pena por bom comportamento e também porque o ex-cartola ficou 13 meses detido (na Suíça e em Nova York) antes do anúncio da sua sentença, em agosto do ano passado.

Não entra nesta conta o período de mais de um ano em que o brasileiro cumpriu prisão domiciliar em seu apartamento localizado na 5.ª Avenida, no arranha-céu Trump Tower, numa das regiões mais valorizadas de Nova York. Durante esse período, ele podia sair até sete vezes por semana de casa, desde que permanecesse dentro de um raio de até duas milhas (o equivalente a 3,2 quilômetros) de seu apartamento e usasse tornozeleira eletrônica.

Na prisão de Allenwood, cabe a Marin manter a sua cela com “um alto nível de saneamento”, “limpa e ordenada”. Isso significa varrer o chão todos os dias e esvaziar a lata de lixo. As celas no presídio são padrão, com uma escrivaninha e um armário. Todos os pertences pessoais de Marin tem de ficar guardados nas gavetas.

Não é permitido nenhum item pendurado nas paredes ou no teto. Quem montar prateleiras dentro do armário, adicionando ganchos, por exemplo, ou mudar a decoração da cela é punido.

O dia de Marin em Allenwood termina às 22h. Novamente o ex-presidente da CBF tem de ficar “quieto” e em pé dentro da cela para a última contagem antes de dormir. Às 5h do dia seguinte, a rotina recomeça infalivelmente.

Pensão de R$ 20 mil

Mesmo preso nos Estados Unidos, o ex-presidente da CBF José Maria Marin recebe pensão vitalícia do Estado de São Paulo no valor de R$ 20.257,80 por mês – com os descontos e impostos, sobraram líquidos para o ex-dirigente R$ 14.914,56 no mês de dezembro.

O valor refere-se à pensão parlamentar da extinta carteira previdenciária dos deputados paulistas. Marin foi deputado estadual por dois mandatos, de 1971 a 1979. Também foi governador do Estado por dez meses, entre 1982 e 1983.

O ex-presidente da CBF contribuiu por 16 anos, de 1971 a 1987. Ele recebe a pensão há quase 32 anos, desde o dia 16 de março de 1987. O valor da pensão é reajustado na mesma proporção dos deputados estaduais em mandato. Em 2012, por exemplo, Marin recebia R$ 16.033,00 por mês.

Ao ser condenado à prisão em agosto do ano passado pela Corte Federal do Brooklyn, nos Estados Unidos, o ex-cartola teve US$ 3,35 milhões (R$ 12,2 milhões na cotação atual) confiscados e foi multado em US$ 1,2 milhão (cerca de R$ 4,3 milhões).

Marin ainda foi condenado em novembro a devolver US$ 137.532,60 (R$ 500 mil) para a Conmebol e a Fifa. Desse montante, US$ 118 mil (R$ 430,8 mil) são referentes à entidade sul-americano e US$ 19.532,60 (R$ 71,2 mil) à Fifa.

Para conseguir arcar com todas as despesas e pagar advogados no Brasil e nos EUA, Marin tem vendido bens adquiridos no período em que presidiu a CBF, como uma mansão no Jardim Europa comprada por R$ 13,5 milhões em 2014 e passada para frente três anos depois por R$ 11,5 milhões. (Do Estadão)

Governo militariza universidades federais

640x480-49b6390556b162da7923c3bd6408deaf

Mais do que simplesmente o comando da Universidades Federais, o que não atinge a troca direta de reitorias, o governo Bolsonaro nomeou militares do exército e de outras forças para comandar a educação presencial e a distância superior no país. Ficarão, inclusive, responsáveis pelo financiamento estudantil e hospitais universitários.

A nomeação de militares para a educação visa militarizar as Universidades Federais como forma de manter o controle de verbas e o combate a movimentos estudantis. Pela mesma motivação, haverá alteração no conteúdo e revisão nos modelos históricos empregados pela academia, no ensino superior, principalmente, relativos o período militar e no estudo da sociologia marxista.

Como apurado, foram nomeados ao menos cinco militares paras as pastas que tratam de temas centrais da educação superior que ainda não foram publicados no Diário Oficial da União. São eles:

O coronel Robson Santos da Silva, especialista em ensino a distância e ex-diretor da Abed (Associação Brasileira de Ensino a Distância), foi nomeado assessor especial do ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez. Ele é bacharel em ciências militares pela Aman (Academia Militar das Agulhas Negras), onde também estudou o presidente Jair Bolsonaro.

O posto de diretor de política regulatória da Seres (Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior) ficará a cargo do tenente-coronel Marcos Heleno Guerson de Oliveira Junior, que também se formou na Aman.

Dentro da Seres, secretaria que coordena processos burocráticos de regulação do ensino superior, Oliveira Junior auxiliará na implementação de políticas públicas, no aprimoramento das leis que regulam a o ensino privado e na elaboração de referenciais de qualidade para a educação a distância.

Da aeronáutica, o coronel-aviador Ricardo Wagner Roquetti foi nomeado diretor de programa da secretaria-executiva. Uma fonte ouvida pelo UOL sob condição de anonimato afirmou que Roquetti é considerado um dos nomes mais fortes dentro do MEC e deve ter, com o cargo, poder similar ou até mais forte do que o ministro Vélez.

Roquetti, que foi pró-reitor adjunto do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), trabalhou na equipe de transição do governo. Ele teria indicado o nome do engenheiro Anderson Ribeiro Correia para a presidência da Capes, principal agência de fomento à pesquisa do país.

Correia, que não tem patente militar, era reitor do ITA até o início deste ano. Ele também foi o orientador da dissertação de mestrado defendida por Roquetti na Unifa (Universidade da Força Aérea) em 2010.

Ainda na secretaria-executiva do MEC, o oficial da reserva não remunerada da Marinha Eduardo Miranda Freire de Melo foi nomeado secretário-executivo adjunto. Em 2017, ele se tornou franqueado da Faculdade Inspirar em Brasília. Em seu currículo, Melo diz ainda ser diretor de um colégio particular de Curitiba.

Já o coronel da reserva remunerada dos bombeiros Luiz Tadeu Vilela Blumm foi nomeado diretor de gestão de fundos e benefícios do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação).

Blumm, outro ex-integrante da equipe de transição do governo, irá coordenar o financiamento estudantil oferecido pelo Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) e o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), que repassa recursos para as redes públicas de ensino municipais e estaduais.

Ainda há a expectativa pelas nomeações do coronel da reserva Sebastião Vitalino da Silva para a coordenação-geral de materiais didáticos da SEB (Secretaria de Educação Básica), principal cargo responsável pela seleção dos livros didáticos comprados e distribuídos pelo governo, e do general Oswaldo de Jesus Ferreira para a presidência da Ebserh, responsável pelo gerenciamento dos hospitais universitários federais de todo o país. (Do UOL)

Técnico avalia que o Remo administrou o jogo e explica barração de Etcheverría

1589597071

Depois da difícil vitória sobre o Tapajós, no domingo, o técnico João Neto afirmou que o Remo produziu um jogo controlado no segundo tempo, apesar da forte pressão exercida pelo time santareno e do perigo representado pelas bolas aéreas. Neto avaliou que seus comandados souberam administrar o resultado.

“Fizemos um jogo controlado. Não tivemos uma boa participação na parte ofensiva, ainda tivemos alguns problemas, mas conseguimos controlar a partida, fazer o gol e depois a manutenção do resultado”.

Para Netão, o ponto negativo foi novamente o setor ofensivo, sem observar que o meio-campo não fez nenhuma jogada criativa, o que prejudicou a atuação do ataque. “Na questão defensiva a gente não teve muito sofrimento. Conseguiu controlar. Em alguns momentos fizemos falta na entrada da área e teve a bola parada, mas em termos de confronto, teve uma defesa do Vinícius no primeiro tempo. A questão que a gente tem que pontuar é na parte ofensiva. No jogo passado a gente vez num ambiente fora de tanta torcida. Então a gente começa a conhecer o grupo, da forma que cada um vai se comportar diante da torcida e vários elementos que compõem o jogo”, disse Netão.

O Remo volta a campo no próximo sábado contra o Independente Tucuruí, no estádio Navegantão. A reapresentação dos remistas aconteceu já na manhã desta segunda-feira, na piscina da sede social.

Sobre a questionada barração de Etcheverría, meia que foi a principal contratação do Remo para a temporada, o técnico argumenta que tem jogadores em estágio técnico superior. “Na verdade, é um jogador que vem trabalhando forte, mas no momento a gente está, pelo modelo de jogo que a gente tem como ideia principal, com atletas que estão conseguindo, hoje, fazer melhor. Sabemos que temos um jogo sábado que vem com o Independente temos que entender o momento certo de colocar o atleta, até de fazer o revezamento de acordo com a necessidade. Pode ser que futuro já tenha o Echeverría para a torcida ver”.

Independente x Remo confirmado para Tucuruí

O Independente confirmou, nesta segunda-feira, que o jogo contra o Remo será realizado no próximo sábado, no estádio Navegantão, em Tucuruí, às 17h. A decisão é um recuo em relação à ideia de realizar a partida no estádio Mangueirão. O clube alegava a necessidade de reformas no Navegantão para justificar a transferência de local.

“Como eu descobri o plano de dominação evangélico – e larguei a igreja”

29-01-19-damares-1548778248

POR TÚLIO GUSTAVO – The Intercept_Brasil

Em meados de 2007, converti-me ao cristianismo, bastante influenciado por uma família de empresários, donos de alguns bazares no 3º Distrito de Duque de Caxias, no Rio, onde moro até hoje, para quem trabalhei no final da adolescência e início da vida adulta, e que depois viriam a se tornar bons amigos. Eu tinha 17 anos e muitas dúvidas existenciais. As clássicas perguntas “por que estamos aqui”?, “para onde vamos?” dominavam os meus pensamentos. Em termos práticos, também não sabia o que fazer profissionalmente.

Depois da entrada na igreja evangélica, a minha mudança de hábitos foi muito rápida. Fui movido por aquele fanatismo típico dos que encontram algo pelo qual são arrebatados. Até quis abandonar tudo para me tornar missionário. Mas minha mãe me dissuadiu da ideia – hoje, penso, ainda bem.

Em poucos meses, eu já havia decidido passar pelo batismo e estava absolutamente integrado à pequena congregação de denominação batista renovada, que era filial de uma igreja matriz localizada no bairro da Taquara, também em Duque de Caxias. Logo nos primeiros meses já havia lido toda a Bíblia e dedicava quase todo o meu tempo à releitura dela e de livros cristãos, bem como a ouvir gravações de sermões de pregadores famosos e a participar das atividades da igreja.

Sempre fui muito influenciado pelos artistas e pastores de ministérios famosos de Minas Gerais. Eu me identificava muito com a abordagem e interpretações dos textos bíblicos, principalmente do pastor Gustavo Bessa (marido da cantora Ana Paula Valadão), que tem uma habilidade fantástica de contextualizar às passagens bíblicas com a época em que foram escritas, e extrair delas uma mensagem com foco no amor de Deus. Na música, era fã de Antônio Cirilo, Ricardo Robortella, do Diante do Trono e dos cantores que saíram de lá para fazer carreira solo, como Nívea Soares, André Valadão, Mariana Valadão.

Há cerca de dez anos, saí numa caravana de amigos rumo ao X Congresso Internacional de Louvor e Adoração do Diante do Trono, realizado na Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte, onde, atualmente, a ministra Damares Alves exerce o seu sacerdócio.

E foi lá que descobri que, dois meses depois, mais precisamente em junho de 2009, aconteceria um outro evento, o Congresso Nacional dos 7 Montes, que tinha por objetivo reunir cristãos e lideranças de todos os lugares do Brasil para convocar uma grande mobilização em prol da necessidade de a Igreja ir além das suas quatro paredes para conquistar espaços para o Reino de Deus – o que eles chamaram de “7 montes da sociedade”, a saber: 1) artes e entretenimento, 2) mídia e comunicação, 3) governo e política, 4) economia e negócios, 5) educação e ciência, 6) família, 7) igreja e religião.

O tema me pareceu muito interessante, e eu queria muito participar daquele evento também, mas a grana era curta demais e eu não poderia voltar a Minas dois meses depois. Mas o propósito para o qual as lideranças de diversos cantos do mundo se reuniram em Lagoinha estava num livro lançado naquele mesmo ano chamado “SE7E MONTES”, do apóstolo Fernando Guillen, que coordenou o evento.

O livro de Guillen é um manual que procura justificar e contextualizar o projeto de poder das igrejas evangélicas se utilizando de textos do Antigo Testamento, que, segundo o autor, revelariam um modelo ideal de sociedade pretendido por Deus, além de conter estratégias de atuação e oração para que a igreja conquiste cada um dos “7 montes”.

Importante ressaltar que esse movimento das igrejas evangélicas, principalmente as neopentecostais, tem origem em uma interpretação bíblica que alguns teólogos chamam de Teologia do Domínio. Segundo essa teoria, a igreja teria recebido as promessas divinas direcionadas ao povo de Israel no Antigo Testamento, que envolvem fartura, domínio e governo de territórios e lugares de destaque na Terra. Seria o modo de refletir aqui o que seria o Reino dos Céus prometido para os que creem no Cristo.

Daí, por exemplo, o grande avanço das campanhas por prosperidade financeira nas igrejas, principalmente vistos na Igreja Universal do Reino de Deus e nas neopentecostais, e a ascensão da bancada evangélica no Congresso e seu engajamento em relação aos valores e costumes na sociedade. Vale lembrar que esse tipo visão ganhou muito destaque às vésperas das eleições do ano passado, quando Edir Macedo lançou o livro “Plano de Poder”, cujo foco era o mesmo: mobilizar os evangélicos para que a igreja governe o Brasil no sentido literal da palavra.

Estima-se que os evangélicos já sejam mais de 40 milhões de brasileiros e que, em 10 anos, a maior parte da população fará parte do grupo que reúne ao menos uma vez por semana para serem orientados por seus líderes. Desse modo, não se pode ingenuamente acreditar que obras como essas do Edir Macedo e do Fernando Guillen sejam apenas consideradas literatura religiosa. Pelo contrário, elas revelam a existência de um projeto de poder político-religioso em curso – que está sendo bem-sucedido.

A IGREJA EM CÉLULAS

Eu comecei a me dar conta disso alguns anos depois, quando a primeira igreja da qual fui membro iniciou uma transição para um modelo litúrgico e de evangelismo chamado MDA, sigla para Modelo de Discipulado Apostólico. Esse modelo é muito parecido ao que fazem as empresas de marketing multinível, conhecidas popularmente por pirâmide. De acordo com ele, a igreja deve ser dividida em pequenos grupos, chamados células, contendo cada uma um líder, que reúne seus liderados semanalmente na casa de um deles, para ensiná-los de acordo com um roteiro pré-estabelecido e, assim, formar novos líderes para que surjam novas células a partir dali.

Texto-evangelicos-1548358604

Não é nenhuma novidade que ocorram reuniões de cristãos em suas casas. Sempre existiram cultos em lares na história da igreja evangélicas. A novidade é que o MDA – e modelos semelhantes como o G12, o Governo dos 12 – monta essa estrutura de evangelismo baseada numa necessidade de produção de resultados, sujeição de seus membros a rígidas regras de hierarquia e disciplina. Além disso, todos os líderes têm de participar de um retiro espiritual chamado Encontro com Deus.

No retiro, são realizadas técnicas com forte apelo emocional com estímulos ao arrependimento, perdão, “quebra de maldições”, prosperidade, libertação, cura interior e, ao final, quando todos estão absolutamente sensibilizados e comovidos, apresenta-se a visão MDA como o modelo de igreja a ser seguido.

Ninguém que participa tem autorização para revelar aos outros o que acontece no encontro. O que funciona, na verdade, como uma baita propaganda – quem participa apenas espalha para os outros que o que acontece nos retiros “é tremendo”, o que só desperta curiosidade. Assim, quando a transição já se afunilava demais e eu era um dos poucos que resistia à ideia, acabei topando participar. Ainda que de forma indireta, existia uma pressão para que todos participassem. Se eu não fizesse, chegaria o momento no qual eu não poderia estar mais nas atividades de púlpito (cantar e pregar), que eram coisas que eu amava fazer.

De fato, pode ser uma experiência que impressione a quem se deixa envolver emocionalmente. No início do evento, existe um ritual de silêncio, que motiva uma certa introspecção e evita a troca de opiniões que possam distrair os participantes. O que é uma sacada inteligentíssima, principalmente para segurar os crentes mais “cascudos”, que estão sempre desconfiados. O evento se resume a palestras com forte apelo emocional, para no final te dizer: “viu como tudo isso foi legal? É a visão MDA que a gente tem que seguir e espalhar pra todo mundo!”

Por convicções pessoais, nunca acreditei que fosse aquele o jeito certo de fazer as coisas na igreja. Era tudo muito roteirizado e com muitas táticas que me faziam sentir estar vendendo alguma coisa ao invés de estar pregando a fé. Incomodava-me muito, principalmente, a rigorosa hierarquia criada entre discípulos e discipuladores. Resisti o quanto pude mas, por ser um membro influente na congregação, tendo acesso aos bastidores e a ministrar no púlpito, além de amigo de muita gente, larguei a igreja para evitar um mal-estar maior. Parei de ir aos cultos. Voltei à vida normal.

Mas antes de sair, lembro como fosse hoje o que disse aos pastores: “eu tenho certeza que isso vai ‘funcionar’. É uma excelente ferramenta de marketing e foi feito pra dar certo. Mas eu não acho que seja isso que Jesus queira que façamos”.

Tentei depois fazer parte de outra denominação mais tradicional, mas o rigor nos costumes, como o jeito de vestir e o excessivo conservadorismo do ponto de vista das estruturas sociais, em constante conflito com a minha visão e posicionamento político, foi me deixando cada vez mais distante, até que se tornou insuportável ouvir alguns discursos sem que aquilo me fizesse mal, ainda que também tivesse sido muito bem recebido por lá.

Como eu previa, as igrejas que se utilizam desses modelos de “discipulado” vêm crescendo cada vez mais, como é o caso da própria Igreja Batista da Lagoinha, e aumentado seu espectro de influência em diversos setores da sociedade. Somando os avanços desse movimento ao grande poder dos canais de comunicação religiosos, não há outro caminho senão considerar como verdadeiros atos políticos as manifestações de Damares, Macedos, e Felicianos e Malafaias.

OS MONTES DA SOCIEDADE

As afirmações da nova ministra “Não é a política que vai mudar esta nação, é a igreja” e “É o momento de a Igreja governar”, extraídas de sermões religiosos nos anos de 2013 e 2016 – período em que já atuava como assessora parlamentar –  estão se tornando realidade. Sem contar o papel decisivo do voto evangélico nas últimas eleições, no monte do governo e política. Em 2016, o PRB, partido dominado por membros da Universal, elegeu 105 prefeitos, incluindo Marcelo Crivella para a prefeitura do Rio.

No monte da mídia e comunicação, a igreja já exerce influência desde as concessões das rádios gospel que foram fundamentais para levar (e manter) no poder nomes como o de Anthony Garotinho, Eduardo Cunha e Arolde de Oliveira. Um estudo da Ancine constatou que 21% da programação da TV Aberta no Brasil em 2016 era de conteúdo religioso.

Quando Damares diz que, no governo Bolsonaro, “meninas seriam chamadas de princesas e meninos de príncipes”, e que “meninas vestiriam rosa e meninos azul”, como metáforas para ilustrar seu posicionamento avesso ao que chama de ideologia de gênero, estamos diante, na verdade, de uma demonstração da intenção de dominar o que eles chamam no livro de monte das artes e do entretenimento.

Conforme esclarecido pelo apóstolo Fernando Guillen, este monte diz respeito a tudo que envolve

“Música, artes, esportes, pintura, escultura, dança, fotografia literatura, poesia, dramatização, teatro, filmes, roupas e vestuário, design, cores, vídeo games, ou seja, tudo o que expressa a criatividade e beleza de Deus, que é usado pela sociedade para celebrar, entreter ou para desfrutar a vida”.

Trata-se, portanto, de uma evidente intenção de adequar elementos culturais de uma sociedade ao que entende por princípios cristãos. Veja a crescente produção de novelas e filmes voltados ao público gospel, e exemplos como as Nights Gospel voltado para jovens, e Cultos à Fantasia para servir de contraponto ao Dia das Bruxas.

A princípio, não é nenhum problema que determinado segmento social se comporte, se vista ou se entretenha conforme o que aprecia ou acredita. É até bem normal que as coisas sejam dessa forma. O problema é querer que essa forma de ser seja a única válida e universal e lançar mão de censura a manifestações artísticas que não se enquadram nas regras cristãs como tem sido feito com o carnaval no Rio de Janeiro, com o corte de subvenções das escolas de samba, e medidas que cerceiam as liberdades individuais e não reconhecem o direitos das minorias.

No âmbito da família, que inclusive integra o nome da pasta ocupada pela ministra, a visão do livro é a de que existe certa hierarquia conjugal entre homem e mulher que seria instituída por Deus:

“Mulheres emergirão no ministério, um poderoso exército de mulheres que entendam a importância de respeitar a ordem sacerdotal do varão, serão levantadas com muita ousadia e poder.” (pág. 131)

Não se sabe ainda o tipo de políticas públicas que se pretende com a criação desse Ministério da Família, mas é importante notar que a ministra Damares já disse que “mulher nasceu pra ser mãe”, e que se preocupa com a ausência da mulher na casa, além de fazer questão de afirmar que é “feminina e não feminista”.

No que tange à ciência e educação, sem entrar no mérito das especulações que rondam o novo governo, imbuídas de anticientificismo e avessas ao debate crítico em sala de aula, o livro do apóstolo Fernando Guillen aborda o tema da seguinte forma:

“A educação, próxima da religião cristã, é um elemento indispensável das instituições republicanas, a base sobre a qual os governos livres devem se apoiar. O Estado deve se apoiar na base da religião, e deve preservar esta base, ou ele mesmo irá ruir. Mas o suporte que a religião dá ao Estado irá obviamente terminar no momento em que a religião perder seu alcance na mente do povo. O próprio fato de que o Estado precisa da religião como um suporte para a sua própria autoridade exige que alguns meios para o ensino da religião sejam empregados. O melhor que se pode fazer é desistir das instruções de que a religião não deve ser ensinada em suas escolas.” (pág. 175)

Note como o discurso no livro é alinhado com as declarações de Damares quando ela diz que a igreja teria perdido espaço nas escolas quando “deixou” que a teoria da evolução entrasse sem questionar a ciência. Assim, travestidos de uma luta contra uma inexistente doutrinação marxista nas escolas, os interesses por trás do programa Escola sem Partido, com amplo apoio da ala conservadora da sociedade, o que inclui os evangélicos, têm o cunho de eliminar o debate crítico e progressista, baseado em crenças humanísticas das salas de aula, e podem abrir espaço para implantação de métodos de ensino baseados numa cosmovisão cristã, e significar um danoso retrocesso científico a longo prazo.

O FATOR MELQUISEDEQUE

Note também que ao mesmo tempo que Jair Bolsonaro defende a “integração dos índios à sociedade” – como se os índios precisassem se adequar ao homem urbano e não fossem gente –, de rever a demarcação das terras indígenas e de enfraquecimento da Funai, a nova ministra dos Direitos Humanos demonstra uma grande preocupação em alcançar esses povos indígenas e resgatar os que precisam de ajuda.

Mas que ajuda é essa?

Ao final de seu discurso de posse, Damares, que no início se autointitulou “terrivelmente cristã”, fez referência ao “Grande Tupã”, uma demonstração que pareceu ser de tolerância à cultura dos povos indígenas. Mas não se engane. Curiosamente, foi exatamente essa, a de fazer alusão ao Deus Cristão. uma das ferramentas dos primeiros jesuítas na catequização dos índios.

Essa é uma estratégia de evangelização que missionários cristãos chamam de “Fator Melquisedeque”. Baseada numa tese desenvolvida por Don Richardson, num famoso livro que leva o mesmo nome, acredita-se que Deus tenha preparado todos os povos para receberem o evangelho através de uma revelação geral que serviria de base para receber a revelação especial que é a do cristianismo.

O exemplo bíblico que embasa a tese é extraído de uma passagem no livro de Atos dos Apóstolos 17.22-23, onde o apóstolo Paulo prega aos gregos em Atenas que cultuavam em um altar que era dedicado a um “deus desconhecido”. Na passagem, Paulo se aproveita da expectativa dos atenienses em saber quem era o “deus desconhecido” e lhes apresenta o evangelho de Jesus Cristo.

As boas intenções de Damares para com os indígenas precisam ser observadas com muito cuidado – sob a roupagem de trabalho humanitário, explorando o tema do infanticídio de crianças indígenas, que gera comoção pública, a agenda do novo governo pode estar abrindo espaço para um novo movimento de catequização de indígenas em pleno século 21.

O NEOPENTECOSTALISMO CULTURAL

Essa é uma estratégia de evangelização que missionários cristãos chamam de “Fator Melquisedeque”. Baseada numa tese desenvolvida por Don Richardson, num famoso livro que leva o mesmo nome, acredita-se que Deus tenha preparado todos os povos para receberem o evangelho através de uma revelação geral que serviria de base para receber a revelação especial que é a do cristianismo.

O exemplo bíblico que embasa a tese é extraído de uma passagem no livro de Atos dos Apóstolos 17.22-23, onde o apóstolo Paulo prega aos gregos em Atenas que cultuavam em um altar que era dedicado a um “deus desconhecido”. Na passagem, Paulo se aproveita da expectativa dos atenienses em saber quem era o “deus desconhecido” e lhes apresenta o evangelho de Jesus Cristo.

As boas intenções de Damares para com os indígenas precisam ser observadas com muito cuidado – sob a roupagem de trabalho humanitário, explorando o tema do infanticídio de crianças indígenas, que gera comoção pública, a agenda do novo governo pode estar abrindo espaço para um novo movimento de catequização de indígenas em pleno século 21.

Novo presidente do Senado é investigado por fraudes

Bsz0hSKK

Eleito no último sábado (2) na disputa mais acirrada da história do Senado, o novo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por fraude na prestação de contas nas eleições 2014 (em que o parlamentar, então deputado federal por três mandatos, obteve uma cadeira de senador pela primeira vez) e uso de documentos falsos para justificar aquela prestação de contas. Como tratam do mesmo contexto, ambas as investigações foram juntadas em um só procedimento no Supremo.

Se Alcolumbre for denunciado pela Procuradoria-geral da República e, eventualmente, se tornar réu, pode ficar impossibilitado de assumir interinamente a Presidência. Essa mesma situação foi vivida, em 2016, pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL). Naquela ocasião a Corte decidiu que o emedebista, na condição de réu, poderia continuar exercendo o comando do Senado, mas estava impedido de substituir o Presidente durante suas ausências. Pela Constituição, o presidente do Senado é o terceiro nesta fila, atrás do Vice-presidente e do presidente da Câmara.

Procurada pelo Congresso em Foco, a assessoria de Alcolumbre a prestação de contas alvo da investigação “foi aprovada pelo TRE do Amapá e o MDB [partido de Gilvam Borges, que foi derrotado pelo parlamentar do DEM naquelas eleições] recorreu”. A assessoria afirma ainda que o congressista “está convicto de que, ao final das apurações, restarão todas as alegações esclarecidas e devidamente dirimidas”.

Plano nacional de segurança dá à Polícia licença para matar

O ministro Sérgio Moro, da Justiça e Segurança Pública, apresenta na manhã desta segunda-feira, 4, a governadores e secretários estaduais de segurança de todo o país, a proposta de projeto de lei que muda os códigos Penal e de Execução Penal. O titular da pasta incluiu uma das bandeiras do presidente Jair Bolsonaro, a possibilidade de redução ou mesmo isenção de pena de policiais que causarem morte durante sua atividade.

De acordo com o texto, a proposta permite ao juiz reduzir a pena até a metade ou deixar de aplicá-la se o excesso for decorrente de escusável medo, surpresa ou violenta emoção. As circunstâncias serão avaliadas e, se for o caso, o acusado ficará isento de pena.

A nova redação que o texto propõe no Código Penal para o chamado “excludente de ilicitude” permite que o policial que age para prevenir agressão ou risco de agressão a reféns seja considerado como se atuando em legítima defesa.

Segundo a legislação atual, o policial deve esperar uma ameaça concreta ou o início do crime para então reagir. Moro entende que a proposta pretende diminuir a sensação de insegurança durante atuação policial.

Filme sobre a “cura gay” tem lançamento cancelado no Brasil

Por Pedro Vieira

O drama Boy Erased: Uma Verdade Anulada, que critica a “cura gay”, teve seu lançamento cancelado pela Universal Pictures no Brasil. O drama estava agendado para chegar aos cinemas no último dia 31 de janeiro, algo que não ocorreu.

Por conta desse fato, o ator Kevin McHale, conhecido por Glee, usou as redes sociais para afirmar que o filme está sofrendo censura. O artista citou diretamente o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro.

“Meus caros brasileiros, o filme foi banido no Brasil. Seu presidente está censurando conteúdo LGBT+. Banir um filme sobre os perigos da terapia de conversão é perigoso! Bolsonaro é uma ameaça às vidas LGBTQ+. Eu te amo, Brasil, e vou lutar com vocês”, afirmou o ator no Instagram.

O escritor Garrard Conley, autor do livro que inspirou o longa, seguiu a mesma linha, mesmo que não tenha citado o presidente brasileiro. “Boy Erased censurado no Brasil. Eu senti que isso iria acontecer e é muito triste que esse tipo de coisa esteja acontecendo em um país maravilhoso”, destacou o autor no Twitter.

20190203174127416591u

Na mesma rede social, na noite de domingo (3), Jair Bolsonaro respondeu o ator Kevin McHale. O político garante não ter envolvimento com o cancelamento do filme no Brasil. “Fui informado de que um ator americano está me acusando de censurar seu filme no Brasil. Mentira! Tenho mais o que fazer. Boa noite a todos”, declarou o mandatário brasileiro.

Por enquanto, a Universal, que distribuiria o filme no país, não se pronunciou. O site B9 afirma que o estúdio cancelou o lançamento por razões comerciais. O investimento com divulgação não traria o resultado desejado pela empresa.

Boy Erased mostra a história de um rapaz homossexual, interpretado por Lucas Hedges (Três Anúncios para um Crime, Manchester à Beira-Mar), que é mandado para a chamada “cura gay” por seus pais pastores, vividos por Nicole Kidman e Russell Crowe. O filme é uma adaptação da biografia de Gerrard Conley, que assumiu ser homossexual aos 19 anos e foi forçado por seu pai a passar por um procedimento que buscava a cura gay.

A direção do drama ficou por conta de Joel Edgerton.

Remo vence levando sufoco

remo1x0tapajos-2

POR GERSON NOGUEIRA

A vitória foi muito festejada pela torcida, mas o Remo correu muitos perigos no 2º tempo, período em que o Tapajós apertou em busca do empate e foi superior em campo. O triunfo valeu pela objetividade dos azulinos na primeira etapa e o golaço do estreante Geovane, que aproveitou rebote para encaixar um chute perfeito de fora da área.

Com Diogo Sodré de segundo volante, o Remo entrou disposto a ajustar o setor que não funcionou no jogo em Santarém. O time controlava a posse de bola, tocava para os lados e tentava passes curtos para se aproximar da área, mas não aprofundava jogadas.

O destaque era Henrique, que empolgava a torcida com muita movimentação e dribles. Apesar disso, o Remo se atrapalhava nas tentativas de aproximação e não chutava. A primeira tentativa só aconteceu aos 12 minutos, em chute de Diogo Sodré.

A insistência com bolas aéreas denotava as dificuldades de criação. Samuel, Wallacer e Sodré não conseguiam abastecer os atacantes e isso ia impacientando o torcedor. A jogada mais lúcida ocorreu aos 22’, quando Henrique deu passe a Mário Sérgio, que errou ao desviar do goleiro alvo.

O Boto só se assanhou aos 32’. Léo Feitosa chutou forte, mas Vinícius defendeu bem. Aí o Remo foi à frente e abriu o placar em lance que teve Mário Sérgio fazendo o pivô para o belo arremate do lateral Geovane. A bola entrou no ângulo esquerdo, sem chances para Jader.

remo1x0tapajos

Para o 2º tempo, o técnico Flávio Barros colocou o ex-azulino Sílvio no lado esquerdo, a fim de explorar os avanços em velocidade. Deu certo. A pressão aumentou, incomodando a zaga do Remo. Com meio-campo e laterais apoiando, o Tapajós passou a tomar todas as iniciativas.

O Remo chegava só de vez em quando, expondo a carência de talento no meio. Sem ser agredido, o Tapajós ia se animando. Avançava sempre e rondava a área, embora sem acertar o gol.

A lesão sofrida por Samuel deu a Netão nova chance de corrigir as coisas na meia-cancha, mas ele optou por Welton para reforçar a marcação, sem corrigir o isolamento do ataque. Logo em seguida, precisou trocar seu melhor dianteiro, Henrique, por David Batista.

A perda de Henrique deixou o Remo sem força pelos lados. O Tapajós seguia pressionando e o Remo se encolhia. A melhor chance veio aos 18’: após cabeceio de Batista, Jader teve que defender com os pés.

Entre tentar o segundo gol ou garantir a vantagem mínima, o Remo optou por cozinhar o galo. Com isso, ia permitindo o crescimento do Tapajós, principalmente no jogo aéreo.

Sodré foi então substituído por Gustavo Ramos. Com um atacante mais rápido, Batista melhorou e criou duas situações agudas. A melhoria ofensiva melhorou o humor da galera e inibiu os avanços do Tapajós.

Aos 43’, uma bola mal recuada pela zaga chegou a Mário Sérgio, que tocou para Batista na área. Jader se antecipou e o centroavante tocou errado perdendo o gol. Na última arrancada do Tapajós, Sílvio cruzou e a bola tocou no braço de Geovane junto à linha da grande área.

O placar final não expressou o esforço ofensivo do Tapajós no 2º tempo. O Remo saiu comemorando a campanha 100%, mas deixou a certeza de que o problema no centro da equipe precisa ser resolvido com urgência.

Jansen, Henrique e Geovane foram os melhores do lado remista. Jader, Fabinho e Paulo Curuá se destacaram no Tapajós. (Fotos: Ascom Remo)

————————————————————————————

Bragantino e Águia entram na disputa

Águia e Bragantino conseguiram finalmente quebrar o jejum no Estadual, superando a Paragominas e São Raimundo, respectivamente. Os resultados reabrem possibilidades de classificação para os dois times.

O fato é que os representantes santarenos decepcionam na competição. Além do pífio desempenho do São Raimundo, lanterna do grupo A2, o São Francisco segue sem pontuar e o Tapajós é penúltimo do A2, com 3 pontos.

De maneira geral, a dupla Re-Pa não parece correr grandes riscos de percalços neste começo de torneio, tamanha a vantagem técnica sobre os concorrentes, mesmo apresentando sérios problemas de ajustes.

———————————————————————————-

Ganso e a nova chance de renascimento

Caso se entregue com afinco ao jogo coletivo e deixe de lado o enfado que virou marca registrada desde 2012, depois da passagem pela Seleção, Paulo Henrique Ganso pode vir a ser o grande exemplo de renascimento de carreira no futebol brasileiro das últimas décadas.

Sob o comando de Fernando Diniz, técnico que vem se notabilizando por ideias interessantes nem sempre bem executadas, o meia-armador paraense tem nova oportunidade de reencontrar o futebol que o projetou naquele Santos de 2008 e apagar os fiascos recentes no Sevilha e no Amiens.

A conferir.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 04)