Bebianno joga brasa no ventilador e diz que Bolsonaro tem “medo de respingo”

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Por Fábio Góis, no Congresso em Foco

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, disse que seu chefe Jair Bolsonaro (PSL) lhe tem dirigido ataques públicos porque está com “medo de receber algum respingo” da denúncia de que o partido de ambos, o PSL, desviou R$ 400 mil do fundo partidário para a campanha de uma “candidata laranja” em Pernambuco. Mais cedo, como este site mostrou, Bolsonaro desmentiu Bebianno e disse que não conversou com o auxiliar na última terça-feira (12), reiterando o que seu filho Carlos Bolsonaro postou ontem (quarta, 14) no Twitter.

Em entrevista à revista digital Crusoé, Bebianno resolveu se defender e aumentou o tom da discussão. Presidente interino do PSL durante as eleições, o agora ministro foi o responsável pelo caixa da campanha nacional e, nesta condição, partiu para o contra-ataque. “Não sou moleque, e o presidente sabe. O presidente está com medo de receber algum respingo”, fustigou.

Segundo a reportagem-entrevista assinada por Igor Gadelha, as declarações de Bebianno foram dadas na tarde desta quinta-feira (14) no caminho entre o hotel em que o ministro mora em Brasília e o Palácio do Planalto, onde despacha diariamente. Rumores sobre sua demissão crescem e, diante da crise crescente, Bolsonaro se limita a dizer que determinou investigação à Polícia Federal. “Se estiver envolvido, logicamente, e responsabilizado, lamentavelmente o destino não pode ser outro a não ser voltar às suas origens”, disse o presidente, em entrevista à TV Record. “Em nenhum momento conversei com ele”, reforçou Bolsonaro.

Na entrevista à Crusoé, Bebianno não abaixa a guarda e dirige provocação ao presidente. “Imagino que ele esteja com esse medo, com essa preocupação infundada. Alguém botou minhocas na cabeça dele em relação a esse assunto. Por que ele não tem essa preocupação em relação a Minas Gerais?”, questionou, referindo-se a outra acusação de fraude eleitoral – ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL) é suspeito de ter usado candidatas laranjas em benefício próprio em Minas Gerais, onde quatro candidatas do PSL em Minas receberam R$ 279 mil do comando nacional do partido por indicação do próprio Marcelo.

Ex-homem de confiança do presidente e, agora, protagonista da primeira grande crise no núcleo do governo, Bebianno diz ainda que não pode ser responsabilidade por possíveis fraudes eleitorais envolvendo uso de candidaturas laranjas. “Se tem alguma fraude, alguma coisa de errado, a primeira coisa que se pergunta é o seguinte: quem foi o beneficiado?”, indaga.

Ainda segundo a reportagem, ele chegou a estar praticamente decidido a pedir demissão na madrugada de ontem (quarta, 13) para hoje. Mas, durante todo o dia desta quinta-feira, foi demovido da ideia por aliados. “Meu foco agora é o trabalho, tentar reparar os possíveis estragos que possam ter existido”, declarou o secretário-geral.

No encerramento da entrevista, Bebbiano comenta a possibilidade de Bolsonaro demiti-lo e, como o próprio presidente disse, obrigá-lo a “voltar às origens”. “Todos nós voltaremos às nossas origens. As nossas origens estão no cemitério. Todos voltaremos às nossas origens. O presidente não morrerá presidente. Muitas pessoas que se elegeram agora – eu não quero citar nomes – também estão aí sob foco de investigações. Vamos ver, está certo? Eu sou homem. Não sou moleque”, completou Bebianno.

Confiança perdida

Advogado do presidente, Bebianno assumiu a presidência nacional do PSL durante a campanha eleitoral por ser considerado homem de confiança de Bolsonaro. Ao deixar o comando do partido, após a eleição, ganhou a Secretaria-Geral da Presidência, considerada uma pasta importante no governo. Segundo reportagem publicada no último domingo (10) pela Folha de S.Pauloele liberou R$ 400 mil de dinheiro público, do fundo partidário, para uma candidata que concorreu a uma vaga de deputada federal e teve apenas 274 votos.

De acordo com a Folha, Maria de Lourdes Paixão recebeu o terceiro maior montante entre os candidatos do PSL – mais do que o próprio Bolsonaro e a deputada Joice Hasselmann (SP), eleita com mais de 1 milhão de votos.

Após derrota, S. Paulo demite Jardine e anuncia retorno de Cuca

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São Paulo anunciou nesta quinta-feira, 14, a demissão do técnico André Jardine, um dia depois da eliminação para o Talleres, da Argentina, na segunda fase da Copa Libertadores. O diretor de futebol Raí concedeu entrevista coletiva e já anunciou o nome de seu substituto: Cuca, que, o entanto, não assumirá o posto imediatamente, pois se recupera de um problema no coração. Atual coordenador técnico, Vagner Mancini assumirá o posto de forma provisória. Jardine seguirá no clube em outro cargo.

“Cuca tem histórico no São Paulo e empatia, uma relação importante com a torcida. Tem histórico, formação de uma equipe vitoriosa” afirmou Raí, relembrando a passagem do técnico, em 2004. A expectativa é que Cuca assuma o São Paulo apenas em abril. “Ele gostaria de assumir agora, mas ainda não é o ideal para ele e para saúde dele. Vamos dar esse tempo”, afirmou Raí.

Tubarão avança e Leão desce a Serra

POR GERSON NOGUEIRA

Estreante na competição, o Bragantino foi a honrosa exceção da rodada da Copa do Brasil que envolveu ontem três representantes paraenses. O time treinado por Agnaldo de Jesus derrotou o ASA de Arapiraca, em Bragança, por 1 a 0, cumprindo com extrema correção seu papel de mandante.

A vitória histórica antecipou o Carnaval na Zona Bragantina ao cabo de um jogo duríssimo, no qual o Tubarão precisou ter paciência para esperar a hora certa para estabelecer vantagem contra um adversário que, previsivelmente, veio armado para segurar o empate que lhe favorecia.

O belo gol de Rafinha fez explodir a torcida no estádio Diogão e deu frente ao Bragantino para inverter as coisas e passar a controlar o jogo. Pelo relato de Jorge Anderson, que narrou a partida na Rádio Clube, as dificuldades de articulação no meio-campo foram superadas pelo esforço de marcação comandado por Ricardo Capanema à frente dos zagueiros.

Se o Bragantino fez sua parte, passando à próxima fase – terá o Aparecidense como adversário, em Bragança –, Remo e São Raimundo decepcionaram no desdobramento noturno da rodada.  O alvinegro santareno, que faz péssima campanha no Parazão, não resistiu ao Criciúma, que marcou 2 a 0 e venceu sem grande esforço.

Na cidade de Serra, região metropolitana de Vitória, capital capixaba, o Remo cumpriu um primeiro tempo bem ao gosto do técnico João Neto, marcando atrás e permitindo espaço ao adversário.

A estratégia dá certo em muitas ocasiões, mas pode se revelar traiçoeira quando o time é montado com características excessivamente defensivas. Foi o que ocorreu ontem. Com três homens incumbidos da marcação – Welton, Dedeco e Robson – o Remo criou uma linha à frente dos zagueiros, buscando controlar as tentativas do Serra.

No primeiro tempo, os 20 primeiros minutos foram de pressão do time da casa, com vários cruzamentos perigosos. Somente aos 21 minutos, com finalização de Gustavo Ramos, em jogada individual, o Remo finalmente mostrou que tinha pretensões de fazer gol. A bola resvalou na zaga e foi salva, de tapinha, pelo goleiro Walter.

O meio-campo do Remo pouco produzia, pois Etcheverría era o único encarregado da organização, mas recebia dupla marcação e poucas vezes conseguiu criar jogadas. Na frente, Mário Sérgio foi novamente uma figura nula, preso entre os zagueiros. Gustavo se movimentava, mas também sofria com o isolamento e a distância em relação à meia-cancha.

Curiosamente, o Remo contratou 21 jogadores, mas não teve até agora condições de montar um setor de meio-de-campo razoavelmente produtivo. Ontem, essa deficiência ficou novamente exposta.

Pior ainda foi o começo do segundo tempo. Robson, que já tinha cartão amarelo, cometeu outra falta violenta e foi expulso, logo a um minuto de partida. O prejuízo numérico afetou a configuração defensiva, que passou a ter apenas Welton e Dedeco no combate, e enfraqueceu ainda mais a saída de bola.

Lessinho e Rael, dois atacantes rápidos, que já tinham criado algumas dificuldades para a zaga azulina na etapa inicial, passaram a ter mais espaço para manobrar no campo de defesa do Remo.

Antes mesmo que a defesa pudesse se recompor, Rael marcou aos 4 minutos, tocando de cabeça depois de escanteio cobrado do lado direito do ataque. A partir daí, por cerca de 10 minutos, o Remo ficou inteiramente sem capacidade de reação, correndo até alguns riscos de sofrer o segundo gol.

Quando as oportunidades ficavam desenhadas, como aos 15’, o lance era desperdiçado. Gustavo cruzou e Djalma errou o cabeceio diante do gol escancarado. O Serra cedia espaços e o Remo, mesmo com um jogador a menos, lançava-se à frente, mas errava passes e comprometia a tentativa de reação.

O técnico Netão resolveu mexer no time e trocou Etcheverría por Henrique e Dedeco por Diogo Sodré, com quase nenhum resultado prático. O Remo precisava de qualidade no meio para que a bola chegasse em condições aos homens de ataque.

Mário Sérgio, titular absoluto na equipe azulina, até hoje não mostrou qualidades para se consolidar como atacante de área. Atrapalha-se com a marcação e é facilmente anulado. Gustavo era muito mais produtivo, mas acabou sacado para que David Batista entrasse no ataque.

O jogo aéreo passou a ser a prioridade, mas, estranhamente, poucas vezes o Remo conseguiu executar cruzamentos com bom aproveitamento. A melhor chance para empatar veio aos 41’, após falta sofrida por Henrique. Diogo Sodré se apresentou para bater e isolou a bola.

Em lance confuso, logo a seguir, Henrique recebeu livre na área, mas a jogada foi paralisada com marcação de impedimento. Não havia muito mais a fazer e o Serra festejou a vaga na segunda fase da Copa do Brasil, condição que o futebol capixaba não obtinha há 25 anos.

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Fiasco do S. Paulo expõe má fase do futebol brasileiro

Da mesma forma como o badalado Palmeiras de Felipão se deu mal diante de um apenas esforçado Boca Juniors no ano passado, a Libertadores revela outra vez as sérias mazelas do futebol brasileiro. Na chamada fase de grupos, o milionário São Paulo não conseguiu superar o modesto Talleres, de Córdoba, clube de segunda linha na Argentina.

Seja por arrogância, esnobismo ou mania de grandeza, o Brasil vai tropeçando em competições continentais e não consegue aprender com seus próprios erros.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 14)

Lição da demissão de Donata Meirelles da Vogue

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Por Gilberto Dimenstein, no Catraca Livre

Conheço há muitos anos o casal Nizan Guanaes e Donata Meirelles.
Apenas nos encontramos em situações literalmente sociais.
Sociais no melhor sentido: jantares ou almoços que promoviam educação e inclusão.
Ambos fazem parte da elite que ganha dinheiro, mas tem um olhar para o empoderamento comunitário.
Nunca ouvi deles – nem remotamente – qualquer frase que me parecesse preconceituosa ou racista.
Dias antes da polêmica festa, Nizan compartilhava o sonho de ajudar a bancar a vinda de Barack Obama para falar a movimentos negros na Bahia.
O nome de sua agência, aliás, é África.
O que ocorreu com Donata Meirelles, obrigada a pedir demissão da Vogue, serve como ensinamento.
As imagens de sua festa de aniversário passaram a sensação de uma visão preconceituosa dos negros, como se reproduzisse a escravidão.
Aquela cadeira estilo sinhá ao lado das negras serviçais ajudam a compor o cenário do apartheid.
Não era isso o que Donata queria passar.
Mas foi o que passou.
Na era das redes sociais – e Nizan sabe muito bem disso – os fatos e versões se misturam de um jeito acelerado e intenso, produzindo novos fatos a partir das interações que ganham vida própria.
Nizan é um leitor exímio do mapa dos ventos políticos, sociais e econômicos. Muita gente fecha a janela quando bate o vento. Ele transforma em força para movimentar um barco a vela.
Quando ele escreveu há muito tempo que Jair Bolsonaro iria vencer as eleições, eu e quase todos os jornalistas (para não dizer todos), pensamos: “pirou”.
Não: ele tinha percebido antes o caminho dos ventos.
A sociedade brasileira está atenta, nas redes sociais, a qualquer sinal que mostre preconceito ou pareça mostrar preconceito.
Era a festa em que estavam negros como Preta Gil.
Ou grandes amigos de negros como Caetano Veloso, cujo parceiro na vida é Gilberto Gil.
Mas a percepção que ficou: uma festa racista, numa cidade em que os negros são maioria, mas a elite é branca.
Justamente esse apartheid brasileiro, visível na Bahia, nos faz ver como normais coisas que já não são normais para muita gente.
O resultado concreto foi pedido de demissão de Donata para não prejudicar a revista que tanto amava
Daí se entende por que, no mesmo dia em que Donata pede demissão, uma das principais e mais festejadas notícias foi o fato de que a Maju será a primeira mulher negra a sentar na bancada no Jornal Nacional.
Esse é o caminho do vento.