Médico que atendeu Vavá: a Lei é para todos?

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Por Jorge Abissanra

(Morre Vavá, meu paciente e coincidentemente irmão de Lula)

Nesses últimos dias tive um paciente ilustre, seu Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão de Lula. O atendia no SUS, senhor sempre simpático, com vestes simples, humilde e acompanhado sempre de sua adorável filha Andreia.

Ele nunca me disse que era irmão do ex-presidente mas todos obviamente sabíamos.

Já muito debilitado pela doença avançada, sem uma das pernas amputadas pela câncer, Vavá parecia dar de ombros pela situação que o acometia.

Sempre tinha um sorriso no rosto e um olhar alegre pra transmitir.

Fui talvez umas das primeiras pessoas a saber de seu falecimento e na hora me veio uma pergunta. E agora? Será que vão deixar Lula vir vê-lo?

Não sabia como funcionava a legislação brasileira sobre o tema. Pois bem, fui atrás e descobri que só em 2018 185 mil presos saíram pra ir a enterro de parentes no Brasil. Isso mesmo, 185 mil.

Como havia sido convidado pelo família, fui ao velório em respeito a meu paciente e sua filha e lá vi tamanha consternação de seu famoso irmão não estar presente.

Me fica uma dúvida. Independente de minha opinião política sobre Lula e independente da de qualquer um, fiz meu papel de médico com o maior carinho, profissionalismo e dedicação possível.

Não será que deveria também ser esse o papel do judiciário? Se 185 mil custodiados no último ano puderam participar de homenagens aos seus entes falecidos por que não Lula?

Me amedronta quando a justiça parece não fazer justiça e soa como se estivesse fazendo vingança. Como médico e defensor da vida não podia deixar de fazer esse relato.

A Lei é pra todos.

Trivial variado da Bolsolândia

“Em qualquer país medianamente civilizado e democrático, as declarações de hoje seriam suficientes para exoneração do ministro da Educação. Não bastou insultar um homem do bem, como o professor Boff, mas na sua crise de verborreia absurda ele insultou frontalmente à todos nós brasileiros”Miguel Nicolélis, neurocientista

“Você viu o telejornalismo da Globo dedicar um segundo que fosse no quadro “O Brasil que eu quero” ao perigo das barragens que atingem milhões de brasileiros? Claro que não. O quadro era apenas para estigmatizar a política e eleger os seus bandidos de estimação”. Palmério Dória

“O cara publica um comunicado oficial do Ministério, cheio de erros ortográficos e ideologia barata de Whatsapp, e tem coragem de dar uma resposta grosseira e idiota ao Leonardo Boff. Vivemos a ideologia da ignorância da Nova Era…”. Bob Jack

Novo presidente da OAB é crítico do fascismo judicial

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O advogado Felipe Santa Cruz foi eleito o novo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), quase por aclamação. A votação ocorreu em sessão do Colégio Eleitoral da instituição na noite de quinta-feira, 31. A chapa recebeu 80, dos 81 votos, um deles foi em branco. A chapa encabeçada por Felipe chegou a ter registro impugnado por coletivos de advogadas que questionaram a falta de participação feminina na diretoria da Ordem. A impugnação, no entanto, foi julgada improcedente.

O site Migalhas dá mais detalhes: “ao analisar o recurso das advogadas na tarde desta quinta-feira, 31, o Conselho Federal manteve a decisão entendendo que a vigência de norma que determina presença mínima de 30% de cada sexo na diretoria do Conselho se dá apenas a partir do pleito de 2021. Neste sentido, segundo o relator, conselheiro José Maciel, não há motivo legal para a impugnação da chapa candidata à diretoria do CFOAB.”

Conheça a nova diretoria:

Presidente: Felipe de Santa Cruz (OAB/RJ 95.573 e OAB/DF 38.672)

Vice-Presidente: Luiz Viana Queiroz (OAB/BA 8.487 e OAB/DF 55.653)

Secretário-Geral: José Alberto Ribeiro Simonetti Cabral (OAB/AM 3.725 e OAB/DF 45.240);

Secretário-Geral Adjunto: Ary Raghiant Neto (OAB/MS 5.449 e OAB/PR 93.589)

Diretor-Tesoureiro: José Augusto Araújo de Noronha (OAB/PR 23.044 e OAB/SC 19.955).

Ministro da Educação diz que turista brasileiro é ladrão e “canibal”

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Por Gilberto Dimenstein, no Catraca Livre

O ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, em entrevista à revista Veja, queria mostrar a importância de implantar aulas de educação moral e cívica nas escolas.
O brasileiro precisa saber, disse, que “há uma lei interior em todos nós”. Na sua justificativa, ele comentou como se comportariam os brasileiros em viagem pelo Exterior.

“É necessário lembrar que existem contextos sociais diferentes e que as leis dos outros devem ser respeitadas. O brasileiro viajando é um canibal. Rouba coisas dos hotéis, rouba o assento salva-vidas do avião; ele acha que sai de casa e pode carregar tudo.
Esse é o tipo de coisa que tem de ser revertido na escola”.

Nesta semana, o ministro provocou mais duas polêmicas. O Ministério da Educação divulgou uma nota acusando o jornalista Ancelmo Góis, do jornal O Globo, de “ser treinado em marxismo e leninismo” pelo Partido Comunista Soviético

A nota afirma que o ministro  Ricardo Vélez  não aceita  “adotar métodos de manipulação da informação, desaparecimento de pessoas e de objetos que eram próprios de organizações como a KGB”, o serviço secreto da antiga União Soviética.

Motivo: não gostaram de uma nota de Góis mostrando que o MEC estavam tirando do ar vídeos considerados de esquerda. Um texto que estava correto, diga-se, como comprovou depois a Folha de S.Paulo.

Outra polêmica foi com o teólogo Leonardo Boff. Vélez mandou Boff voltar para a Coreia do Norte, “que é o único lugar em que esse marxismo-leninismo de botequim ainda é consumido”, escreveu.

Boff respondeu que o ministro não é conservador, mas sim “atrasado, no dizer de Sérgio Buarque de Holanda. Nossos alunos/as não merecem esse castigo”.

Farsa cada vez mais evidente

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O professor e escritor Jessé de Souza, autor dos livros A Elite do Atraso e A Ralé Brasileira, escreveu uma carta ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso político há quase nove meses. No texto, Souza, que é um estudioso da desigualdade social no Brasil, reconhece o legado de Lula no combate à miséria e na busca por uma distribuição de renda mais igualitária.

“Em uma sociedade doente e cruel como a nossa, dominada pelo ódio covarde aos pobres, o senhor é a luz nas trevas. O senhor é o líder popular mais importante dos 500 anos de história deste país e o único que se preocupou com os mais pobres e os mais marginalizados”, escreveu.

Souza destacou ainda que a perseguição judicial a Lula está cada vez mais clara e se materializa na parcialidade do agora ex-juiz Sérgio Moro. “A força moral do inimigo construída por mentiras já está caindo. A farsa de Sérgio Moro está cada vez mais evidente. Só um tolo não percebe isso”, afirmou a Lula. Leia a íntegra:

Carta de Jesse de Souza ao Presidente Lula

Nos bastidores do rock

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Joni Mitchell, voz de clássicos como “Big Yellow Taxi” e “Both Sides Now”, considerada uma das maiores cantoras, compositoras e instrumentistas vivas, ostenta aos 75 anos um legado de 50 anos em atividade: foram 19 álbuns de estúdio lançados, sendo o mais recente deles, “Shine”, de 2007. De sua vasta obra, vale destacar “Blue”, seu quarto disco, lançado em 1971 com dez canções, grande parte delas escritas durante uma viagem pela Europa. Para o “New York Times”, este é um dos 25 álbuns que representaram “um ponto de virada para a música do século 20”.

Para a “Rolling Stone”, é o segundo melhor disco feminino de todos os tempos, atrás apenas de uma gravação histórica de Aretha Franklin. Em 1999, entrou no Grammy Hall of Fame, reservado para álbuns de “significância histórica e qualitativa”. “Blue” envelheceu muito bem, e hoje ainda soa único.

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As letras descritivas de Mitchell, suas melodias alongadas e seus agudos surpreendentes ainda são artigo raro de se encontrar no cenário musical. Mitchell é gigante no violão, tirando dele harmonias e melodias inesperadas. No piano, influências clássicas se misturam com o jazz. Desses experimentos técnicos nascem as emoções complicadas, e ainda assim mundanas, de “Blue”.

O álbum reflete o fim do relacionamento da cantora canadense com Graham Nash. Sobre ele, Mitchell escreve tanto a doce “My Old Man” (“Não precisamos de um papel no cartório/ Para nos manter juntos e verdadeiros”) quanto a melancólica “River” (“Eu fiz meu bebê chorar/ Ele tentou muito me ajudar/ Ele me acalmava, sabe”), que conta como ela própria terminou o romance. “Blue” também é sobre o nascimento de outra paixão.

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Mitchell teve um breve e arrasador caso com James Taylor, e escreve no disco sobre as alegrias do novo amor (“Tudo o que quero que o nosso amor faça/ É trazer o melhor em mim e em você”, diz em “All I Want”) e as complicações do temperamento explosivo do amado e seu vício em heroína – a faixa-título, “Blue”, faz referência a “seringas, armas e ervas” que “preenchem o espaço embaixo da pele”.

Nas entrelinhas ainda é possível detectar um discurso maior: “Blue” fala também sobre a morte da contracultura. Embora Mitchell nunca tenha se aliado ao movimento hippie, como artista, ela sentiu que o fim desta era produziu uma geração de jovens sem esperanças.

 

Mitchell criou, especialmente com “Blue”, o culto à cantora-compositora. Se os ícones femininos de décadas anteriores eram mais reconhecidos como intérpretes, ela abriu caminho para Carole King, Patti Smith, Tracy Chapman e companhia. Em reflexos modernos, é possível encontrar seu estilo confessional em artistas tão diferentes como Fiona Apple, Taylor Swift e KT Tunstall.

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Ministro libera investigação contra o filho de Bolsonaro

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O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou as sinalizações que havia dado e arquivou o pedido do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) para suspender as investigações envolvendo movimentações financeiras de seu ex-assessor na Assembleia Legislativa Fabrício Queiroz. Marco Aurélio sequer julgou o pedido. As apurações prosseguem, portanto, com o Ministério Público do Rio de Janeiro.

O ministro já havia indicado que não aceitaria o pedido de Flávio por entender que as investigações não têm relação com o mandato no Congresso e, por isso, não estão sob abrigo do foro privilegiado. No último dia 17, atendendo a solicitação do senador eleito, o ministro Luiz Fux determinou a suspensão de qualquer apuração até que Marco Aurélio, sorteado relator do caso, voltasse do recesso e decidisse sobre o pedido.

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou como atípica uma movimentação financeira de R$ 1,2 milhão feita por Queiroz no período de um ano. Ele recebeu sistematicamente repasses de oito funcionários lotados no gabinete de Flávio Bolsonaro. A principal suspeita é de que assessores repassavam para Queiroz parte de seus salários.

A prática, chamada de rachadinha, é comum entre parlamentares e já resultou na abertura de diversos processos em todas as esferas do Legislativo. Mas ainda não foi aberto um processo criminal contra Queiroz nem contra o filho do presidente Jair Bolsonaro.

O ex-assessor, suas filhas e mulher e o senador faltaram a depoimentos marcados pelo Ministério Público. O MP-RJ diz que tem elementos para prosseguir com as investigações mesmo sem ouvir a família Queiroz e indicou que pedirá a quebra dos sigilos bancário e fiscal do ex-policial militar que trabalhou no gabinete do filho do presidente na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. (Do Congresso em Foco)