Tubarão avança e Leão desce a Serra

POR GERSON NOGUEIRA

Estreante na competição, o Bragantino foi a honrosa exceção da rodada da Copa do Brasil que envolveu ontem três representantes paraenses. O time treinado por Agnaldo de Jesus derrotou o ASA de Arapiraca, em Bragança, por 1 a 0, cumprindo com extrema correção seu papel de mandante.

A vitória histórica antecipou o Carnaval na Zona Bragantina ao cabo de um jogo duríssimo, no qual o Tubarão precisou ter paciência para esperar a hora certa para estabelecer vantagem contra um adversário que, previsivelmente, veio armado para segurar o empate que lhe favorecia.

O belo gol de Rafinha fez explodir a torcida no estádio Diogão e deu frente ao Bragantino para inverter as coisas e passar a controlar o jogo. Pelo relato de Jorge Anderson, que narrou a partida na Rádio Clube, as dificuldades de articulação no meio-campo foram superadas pelo esforço de marcação comandado por Ricardo Capanema à frente dos zagueiros.

Se o Bragantino fez sua parte, passando à próxima fase – terá o Aparecidense como adversário, em Bragança –, Remo e São Raimundo decepcionaram no desdobramento noturno da rodada.  O alvinegro santareno, que faz péssima campanha no Parazão, não resistiu ao Criciúma, que marcou 2 a 0 e venceu sem grande esforço.

Na cidade de Serra, região metropolitana de Vitória, capital capixaba, o Remo cumpriu um primeiro tempo bem ao gosto do técnico João Neto, marcando atrás e permitindo espaço ao adversário.

A estratégia dá certo em muitas ocasiões, mas pode se revelar traiçoeira quando o time é montado com características excessivamente defensivas. Foi o que ocorreu ontem. Com três homens incumbidos da marcação – Welton, Dedeco e Robson – o Remo criou uma linha à frente dos zagueiros, buscando controlar as tentativas do Serra.

No primeiro tempo, os 20 primeiros minutos foram de pressão do time da casa, com vários cruzamentos perigosos. Somente aos 21 minutos, com finalização de Gustavo Ramos, em jogada individual, o Remo finalmente mostrou que tinha pretensões de fazer gol. A bola resvalou na zaga e foi salva, de tapinha, pelo goleiro Walter.

O meio-campo do Remo pouco produzia, pois Etcheverría era o único encarregado da organização, mas recebia dupla marcação e poucas vezes conseguiu criar jogadas. Na frente, Mário Sérgio foi novamente uma figura nula, preso entre os zagueiros. Gustavo se movimentava, mas também sofria com o isolamento e a distância em relação à meia-cancha.

Curiosamente, o Remo contratou 21 jogadores, mas não teve até agora condições de montar um setor de meio-de-campo razoavelmente produtivo. Ontem, essa deficiência ficou novamente exposta.

Pior ainda foi o começo do segundo tempo. Robson, que já tinha cartão amarelo, cometeu outra falta violenta e foi expulso, logo a um minuto de partida. O prejuízo numérico afetou a configuração defensiva, que passou a ter apenas Welton e Dedeco no combate, e enfraqueceu ainda mais a saída de bola.

Lessinho e Rael, dois atacantes rápidos, que já tinham criado algumas dificuldades para a zaga azulina na etapa inicial, passaram a ter mais espaço para manobrar no campo de defesa do Remo.

Antes mesmo que a defesa pudesse se recompor, Rael marcou aos 4 minutos, tocando de cabeça depois de escanteio cobrado do lado direito do ataque. A partir daí, por cerca de 10 minutos, o Remo ficou inteiramente sem capacidade de reação, correndo até alguns riscos de sofrer o segundo gol.

Quando as oportunidades ficavam desenhadas, como aos 15’, o lance era desperdiçado. Gustavo cruzou e Djalma errou o cabeceio diante do gol escancarado. O Serra cedia espaços e o Remo, mesmo com um jogador a menos, lançava-se à frente, mas errava passes e comprometia a tentativa de reação.

O técnico Netão resolveu mexer no time e trocou Etcheverría por Henrique e Dedeco por Diogo Sodré, com quase nenhum resultado prático. O Remo precisava de qualidade no meio para que a bola chegasse em condições aos homens de ataque.

Mário Sérgio, titular absoluto na equipe azulina, até hoje não mostrou qualidades para se consolidar como atacante de área. Atrapalha-se com a marcação e é facilmente anulado. Gustavo era muito mais produtivo, mas acabou sacado para que David Batista entrasse no ataque.

O jogo aéreo passou a ser a prioridade, mas, estranhamente, poucas vezes o Remo conseguiu executar cruzamentos com bom aproveitamento. A melhor chance para empatar veio aos 41’, após falta sofrida por Henrique. Diogo Sodré se apresentou para bater e isolou a bola.

Em lance confuso, logo a seguir, Henrique recebeu livre na área, mas a jogada foi paralisada com marcação de impedimento. Não havia muito mais a fazer e o Serra festejou a vaga na segunda fase da Copa do Brasil, condição que o futebol capixaba não obtinha há 25 anos.

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Fiasco do S. Paulo expõe má fase do futebol brasileiro

Da mesma forma como o badalado Palmeiras de Felipão se deu mal diante de um apenas esforçado Boca Juniors no ano passado, a Libertadores revela outra vez as sérias mazelas do futebol brasileiro. Na chamada fase de grupos, o milionário São Paulo não conseguiu superar o modesto Talleres, de Córdoba, clube de segunda linha na Argentina.

Seja por arrogância, esnobismo ou mania de grandeza, o Brasil vai tropeçando em competições continentais e não consegue aprender com seus próprios erros.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 14)

Rock na madrugada – Lenny Kravitz, Are You Gonna Go My Way

Lição da demissão de Donata Meirelles da Vogue

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Por Gilberto Dimenstein, no Catraca Livre

Conheço há muitos anos o casal Nizan Guanaes e Donata Meirelles.
Apenas nos encontramos em situações literalmente sociais.
Sociais no melhor sentido: jantares ou almoços que promoviam educação e inclusão.
Ambos fazem parte da elite que ganha dinheiro, mas tem um olhar para o empoderamento comunitário.
Nunca ouvi deles – nem remotamente – qualquer frase que me parecesse preconceituosa ou racista.
Dias antes da polêmica festa, Nizan compartilhava o sonho de ajudar a bancar a vinda de Barack Obama para falar a movimentos negros na Bahia.
O nome de sua agência, aliás, é África.
O que ocorreu com Donata Meirelles, obrigada a pedir demissão da Vogue, serve como ensinamento.
As imagens de sua festa de aniversário passaram a sensação de uma visão preconceituosa dos negros, como se reproduzisse a escravidão.
Aquela cadeira estilo sinhá ao lado das negras serviçais ajudam a compor o cenário do apartheid.
Não era isso o que Donata queria passar.
Mas foi o que passou.
Na era das redes sociais – e Nizan sabe muito bem disso – os fatos e versões se misturam de um jeito acelerado e intenso, produzindo novos fatos a partir das interações que ganham vida própria.
Nizan é um leitor exímio do mapa dos ventos políticos, sociais e econômicos. Muita gente fecha a janela quando bate o vento. Ele transforma em força para movimentar um barco a vela.
Quando ele escreveu há muito tempo que Jair Bolsonaro iria vencer as eleições, eu e quase todos os jornalistas (para não dizer todos), pensamos: “pirou”.
Não: ele tinha percebido antes o caminho dos ventos.
A sociedade brasileira está atenta, nas redes sociais, a qualquer sinal que mostre preconceito ou pareça mostrar preconceito.
Era a festa em que estavam negros como Preta Gil.
Ou grandes amigos de negros como Caetano Veloso, cujo parceiro na vida é Gilberto Gil.
Mas a percepção que ficou: uma festa racista, numa cidade em que os negros são maioria, mas a elite é branca.
Justamente esse apartheid brasileiro, visível na Bahia, nos faz ver como normais coisas que já não são normais para muita gente.
O resultado concreto foi pedido de demissão de Donata para não prejudicar a revista que tanto amava
Daí se entende por que, no mesmo dia em que Donata pede demissão, uma das principais e mais festejadas notícias foi o fato de que a Maju será a primeira mulher negra a sentar na bancada no Jornal Nacional.
Esse é o caminho do vento.

Trivial variado da Bozolândia

“Impressão minha ou governo Bolsonaro não consegue começar? No executivo desentendimentos, brigas e ministros escolhendo SUAS prioridades. No legislativo parecem crianças deslumbradas tentando aprender a falar. Fazem oposição sem saber a que: Kit gay? E no partido: laranjas!”. Rogério Correia

“Agora na Record o presidente Jair Bolsonaro também desmentiu Gustavo Bebiano, ministro-chefe da Secretaria de Governo. Mais cedo foi Carlos, o filho. Bebiano sai machucado e desmoralizado para conduzir o governo. Pode ser a próxima baixa na gestão Bolsonaro”. George Marques

“Não deu 40 dias e eles batem cabeça, se xingam, se desentendem. Os filhos pitbulls parecem mandar mais do que o pai. O Festival de besteiras que assola o país terá muitas e muitas edições durante estes terríveis 4 anos”. José Trajano

“Tratamento de quimioterapia é só para quem tem câncer né ?!”. Roberta Luchsinger

“Trocar ‘antibióticos’ por ‘quimioterapia’ numa frase. Quem nunca? Se você falar bem rápido, quase dá pra confundir as duas palavras. A língua portuguesa e a cabeça da Eliane Cantanhêde são duas caixinhas de surpresas”. Paulo RJ

“Bolsonaro apareceu envelhecido e doente na entrevista da Record. Fritou Bebianno, disse que Mourão erra no relacionamento com a imprensa e que amanhã bate martelo sobre a previdência. A voz mal saia, a pele acinzentada. Não adianta ser o presidente. A vida se impõe como ela quer”. Amanda Audi

Vasco é o primeiro finalista da Taça GB

https://www.youtube.com/watch?v=L78b7G_b4po

Leão faz sua 28ª participação na Copa do Brasil

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Atrás de Atlético-MG e Vitória-BA , ocupando a terceira colocação do top 10 de participações na 31ª edição da Copa do Brasil, com 28 campanhas, o Remo enfrenta o Serra-ES, às 19h30 (horário de Belém), em Serra, com a vantagem de poder obter a classificação com um empate.

Com boa presença no Campeonato Estadual, o Remo vive um começo de temporada bem superior ao de seu adversário. O Serra está na sétima posição do Campeonato Capixaba, com uma vitória e dois derrotas.

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Os números do sistema defensivo azulino são expressivos. O time não sofreu nenhum gol em três jogos no Parazão. Se a zaga conseguir se manter invicta, garante a classificação do Leão hoje. O time azulino para a estreia na Copa do Brasil com Vinícius; Geovane, Mimica, Vacaria e Tiago Félix; Robson, Diogo Sodré, Dedeco e Etcheverría; Gustavo Ramos e Mário Sérgio.

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Sem vencer dentro de casa, o Serra-ES está definido para enfrentar o Remo. O time está escalado pelo técnico Cleiton Marcelino, que aposta fichas no atacante Lessinho, principal arma da equipe para quebrar um tabu de mais de 20 anos: nenhum time capixaba avançou a segunda fase da Copa do Brasil.

O Serra-ES vai a campo com Walter; Gilmar Baiano, Lacraia, Ricardo Oliveira e Peu; Caetano, Maicon, Joelson e Emilio; Rael e Lessinho.

BRAGANTINO SE CLASSIFICA

Com um gol de Rafinha, o Bragantino derrotou o ASA de Arapiraca na tarde desta quarta-feira, no estádio Diogão em Bragança. Na segunda fase da Copa do Brasil, ainda como mandante, o Bragantino receberá o Aparecidense, em Bragança.

Junior Amorim é o novo técnico do São Francisco

O São Francisco anunciou oficialmente a contratação de Júnior Amorim como novo técnico da equipe profissional. A diretoria azulina iniciou as conversas com o técnico na noite de terça-feira (12), após a derrota para o Paragominas, por 5 a 4, e a demissão de Osvaldo Monte Alegre. A chegada de Amorim a Santarém ainda não foi confirmada, mas o técnico deve começar os trabalhos a partir desta quinta-feira.

O Leão Azul santareno tem o clássico contra o São Raimundo no domingo (17), pela quinta rodada do Parazão, no estádio Barbalhão. O São Francisco é o atual lanterna da chave A1 da competição estadual, com apenas um ponto em quatro jogos.

Nos bastidores do rock

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O baterista Nick Mason respondeu a uma curiosa pergunta feita durante entrevista ao KSHE 95, com transcrição do Ultimate Guitar. Na ocasião, o músico foi questionado o que seria preciso para o guitarrista David Gilmour e o baixista Roger Waters, que integravam o Pink Floyd com Mason, voltarem a ser pelo menos amigáveis um com o outro.

A resposta de Mason também foi curiosa. “Provavelmente, algo como uma noite em um pub, de verdade. Não sei. Há um enorme senso de diferenças ali. Particularmente, acho que é sobre o que Roger pensa ser importante na música em geral”, afirmou.

Apesar da “proposta”, Nick não se mostrou muito motivado com a ideia de trégua entre os dois. “Nunca se sabe. Às vezes, pessoas podem ficar brigando pelo resto de suas vidas. Às vezes, só é necessário um momento para trazer de volta”, disse.

O entrevistador, então, comentou ter lido em entrevistas de Nick Mason que Roger Waters tem mais respeito por compositores do que por cantores e guitarristas, como David Gilmour. Sendo assim, outra pergunta foi emendada: não seriam necessárias mais noites em um pub? “Sim, provavelmente”, respondeu o baterista. “Provavelmente levaria uma semana”, completou.

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Outra entrevista

Em depoimento anterior, à Rolling Stone, Nick Mason descreveu a briga entre os ex-colegas como “decepcionante”. “É muito estranho esse impasse continuar, na minha opinião. Acho que o problema é que Roger não respeita David. Ele acha que compor é tudo e que tocar guitarra e cantar são coisas que… eu não diria que são coisas que qualquer um pode fazer, mas que, para ele, tudo deve ser julgado na composição e não na interpretação”, afirmou, na ocasião.

O baterista pontuou que a decisão de David Gilmour em seguir com o Pink Floyd a partir de 1985, após a saída de Roger Waters, ainda causa discórdia entre eles. “Acho que é estranho para Roger, que ele tenha cometido uma espécie de erro na forma em que ele saiu da banda, supondo que, sem ele, deixaria de existir. É uma irritação constante que ele ainda esteja voltando a isso. Acho muito decepcionante que esses senhores idosos ainda estejam em conflito”, completou ele, na ocasião, antes de revelar que também gostaria que os dois fizessem as pazes.

Sem alvará, Flamengo suspende concentração em CT e irá para hotel

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Sem alvará de funcionamento e demais documentos necessários para a regularização do CT Ninho do Urubu, o Flamengo suspendeu por tempo indeterminado a concentração do time profissional no hotel do centro de treinamento. Para o Fla-Flu de quinta-feira (14), às 20h30 (de Brasília), no Maracanã, o elenco dormirá em um hotel da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro.

A medida é um dos compromissos do Flamengo com os órgãos fiscalizadores e o Ministério Público. Ficou definido que nenhuma pernoite será realizada no Ninho do Urubu até que a situação seja regularizada. As categorias de base, inclusive, não estão em atividade desde o incêndio que matou dez jovens no alojamento.

Na próxima sexta-feira (15), uma reunião será realizada no Ministério Público para que a questão seja discutida. O laudo das vistorias será apresentado e exigências debatidas com o Flamengo, que precisará apresentar uma série de documentos. Caso contrário, o CT poderá ser interditado. Algumas mudanças no local deverão ser realizadas por conta da análise dos órgãos competentes. O clube firmou compromisso em atender o que for solicitado.

A frase do dia

“A Casa Jurídica brasileira mantém preso um estadista e colocou um imbecil no poder.”

Jornal alemão Deutsche Welle

Rock na madrugada – Grandaddy, He’s Simple, He’s Dumb, He’s the Pilot