Na China, mil anos atrás, as mulheres já jogavam futebol

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Por Lola García-Ajofrín, do El País

Xangai – As arquibancadas vibraram no Rose Bowl da Califórnia durante a final da Copa do Mundo de 1999. Dois gigantes se enfrentaram: os Estados Unidos e a China. Após a segunda prorrogação, o placar continuou com um desesperado 0 a 0, que teve de ser desempatado nos pênaltis. A número 6 dos Estados Unidos concedeu a vitória a sua equipe marcando com o pé esquerdo. Depois do gol, a 6 ria e chorava, tirou a camisa e acenava como um lenço de vaqueiro, se jogou de joelhos na grama e continuou pulando entre os abraços de toda a equipe. A imagem da 6 com um top preto e sem camisa chamou a atenção da imprensa, apesar de muitos outros jogadores terem comemorado suas vitórias com a camisa na mão. Era Brandi Chastain, uma mulher. E essa foi a terceira Copa do Mundo de Futebol Feminino da história. A primeira foi realizada em 1991, na China.

Doze equipes participaram da primeira Copa do Mundo de Futebol Feminino da FIFA, as norte-americanas conquistaram a taça, e já a ergueram três vezes (1991, 1999 e 2015). A Noruega teve sucesso em 1995. A Alemanha em 2003 e 2007 e o Japão, em 2011. A jogadora chinesa Qingxia Shui se contundiu pouco antes do histórico jogo. “Foi algo inesperado, antes da primeira partida, e perdi a oportunidade de participar da Copa do Mundo. É uma tristeza que vou carregar comigo por toda a vida”, lembra a chinesa, agora com 51 anos de idade.

Até o ano passado Qingxia Shui era treinadora do Xangai: “O mercado, os torcedores e patrocinadores estão muito mais preocupados, e as condições e o tratamento são muito superiores no futebol masculino, embora tenhamos dedicado uma vida inteira a este esporte”. Nascida em Xangai, onde reside, Shui jogou na equipe da cidade e na seleção chinesa entre 1984 e 2001. Fã de Messi, seu maior orgulho é a conquista do vice-campeonato dos Jogos Olímpicos de Atlanta pela equipe chinesa.

Ela é um elo de uma corrente que começou há mil anos na China, de acordo com pinturas que mostram mulheres brincando com uma bola. Várias delas, como a do artista Su Hanchen, do século XII, em que quatro figuras femininas aparecem chutando uma bola colorida, mostram que na China, há um milênio, as mulheres jogavam futebol.

Apesar de que na Europa a origem do futebol seja atribuída à Inglaterra, diferentes culturas do planeta, em diferentes épocas, tiveram sua versão de um esporte em que uma bola era tocada com o pé. Os astecas e maias praticavam o jogo há mais de 3.500 anos como um esporte sagrado. O historiador e geógrafo grego Heródoto de Halicarnasso descreve em Históriasque no reino de Lydia (onde hoje ficam as províncias turcas de Izmir e Manisa), em torno do século V a.C, jogava-se bola ” para contornar a fome” e “passavam um dia inteiro jogando para não pensar em comer”. Em Roma, era praticado o Harpastum com uma pequena bola e grande dose de violência. Também com violência, na Grécia Antiga havia o Episkyros, em que duas equipes rivais competiam pela bola, num esquema mais parecido com o do futebol americano. Há documentos que provam que no Japão, pelo menos desde o século VII, se jogava o Kemari, que consistia em tocar a bola com qualquer parte do corpo exceto braços e mãos, uma modalidade que tinha como referência um esporte chinês, o cuju (tsu ‘chu) –– de acordo com a FIFA, essa é a origem do futebol que conhecemos.

cuju, praticado há pelo menos 2.300 anos na China, era um esporte muito parecido com o futebol. A primeira referência data do século III, explicam na revista do Instituto Confúcio. Era jogado em um campo retangular, com uma trave de gol no centro do campo, que “consistia de uma rede apoiada em varas de bambu”, lembra a FIFA. Os participantes tinham de chutar uma bola de pelo recheada de penas para marcar um gol.

Duas equipes com 12 a 16 jogadores se enfrentavam. Havia duas maneiras de jogar cuju: o Zhu Qiu, praticado em eventos da corte para celebrar fatos importantes, como o aniversário do imperador, e o Bai Da, que era semelhante, mas sem um gol, e que durante a dinastia Tang (618). – 907), desfrutava de grande popularidade, especialmente entre as mulheres.

Em 2004, o ex-presidente da FIFA Joseph S. Blatter —que deixou a presidência em meio a um escândalo de corrupção— reconheceu oficialmente que a China é o berço do futebol. Especificamente, a localidade de Linzi, na província de Shandong, conforme publicou em julho daquele ano o jornal China Daily.

O anúncio oficial deveria ter sido feito um ano antes, durante a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2003, que iria ser organizada pela China, mas foi realizada nos Estados Unidos por causa de um surto de SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave). Desde 2015, a cidade chinesa de Linzi abriga o Museu Nacional do Futebol, em que uma placa alerta o visitante: “A confirmação do local original do futebol”.

A Copa do Mundo de futebol masculino deste ano acabou e já começa a contagem regressiva para outra, a Copa do Mundo de Futebol Feminino da FIFA 2019, que será realizada pelo atual campeão mundial de futebol masculino: a França. Será entre 7 de junho e 7 de julho, em nove cidades francesas. Entre as 20 primeiras do ranking de seleções femininas da FIFA, encabeçadas pelos EUA, Alemanha e França, quatro são asiáticas: Japão (6), Coreia do Norte (10), Coreia do Sul (15) e China (17). A Espanha está se aproximando das 10 principais, na 12ª posição da lista, com 1911 pontos e a 25 pontos da Coreia do Norte. A veterana jogadora chinesa de futebol Qingxia Shui gostaria que fosse dada “a mesma atenção e recursos nesta Copa do Mundo” que recebem seus colegas das equipes masculinas.

A esquerda e Bolsonaro

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Por Daniel Trevisan Samways*

Nos últimos dias, boa parte das análises políticas se concentrou na participação de Bolsonaro no programa Roda Viva, da TV Cultura, e suas costumeiras imbecilidades. Gostaria de centrar em um aspecto de uma parcela da esquerda brasileira: o discurso de que Bolsonaro cresce por conta de uma suposta publicidade do campo progressista, que, na tentativa de denunciá-lo, acabaria por promovê-lo. Tal interpretação, dada por alguns analistas que admiro e respeito, parte do pressuposto que Bolsonaro não seria conhecido e não teria tantos admiradores se não fosse pela atuação combativa de grupos que tentam fazer uma crítica às suas posturas preconceituosas e fascistas.

O problema desse argumento está em negar que uma parcela significativa de nossa sociedade namora com o conservadorismo e, se fosse preciso, casaria com o fascismo para evitar a ascensão de parcelas da sociedade ou a concessão de direitos para grupos discriminados e marginalizados historicamente. Essa parcela, acreditem, não é pequena. Talvez seja esse grupo o responsável pelo crescimento de Bolsonaro e não aqueles que o denunciam. Compreender o crescimento de Bolsonaro exige paciência, mas também o rechaço a simplificações, normalmente rasas, de quem acredita que o problema está na esquerda e não no lado de lá.

O aumento da popularidade de Bolsonaro se relaciona com um contexto internacional de negação da política e o surgimento de outsiders, movimento crescente nos últimos anos, mas também com uma poderosa crise econômica, que veio acompanhada da retirada de direitos, o encarecimento do custo de vida e sua consequente precarização. Partidos e grupos de extrema direita pipocam mundo afora e os exemplos não são poucos. Em comum, esses grupos buscam “dialogar” com a população e apresentar candidatos vendidos como externos ao mundo político tradicional, a encarnação real do antipolítico. Trazem também a figura de uma ameaça, de algo que pode colocar famílias, valores ou toda a nação em risco. Em um cenário de crise, de desemprego crescente e da falta de lideranças políticas, esses grupos têm nadado de braçada. Crise e o sentimento de ameaça serão sempre um prato cheio para líderes autoritários. Ou candidatos a tal posto.

Bolsonaro é fruto de tudo isso que nos assola nos últimos anos e que vem martelando nas consciências de milhões de brasileiros. Seu discurso já abriu mão de algo factível para se preocupar muito mais com a forma. Os seguidores de Bolsonaro se empolgam com a maneira agressiva com que se porta, com sua capacidade de atacar, de demonstrar uma suposta força e de não ter medo daquilo que chama de “politicamente correto”. Mas não foi o MBL um dos precursores desse tipo de estratégia? Bolsonaro bebe em várias fontes, seja na insatisfação de brasileiros com a crise, seja no antipetismo patrocinado por uma direita liberal que sempre se vendeu como “ilustrada”. Foi essa direita que puxou manifestações contra programas sociais – vistos como o avanço da esquerda -, as cotas, o Mais Médicos, ProUni, Minha Casa Minha Vida, a PEC das Domésticas. Foi ela quem abraçou com unhas e dentes o discurso em prol de uma moralização da política, mesmo que rasgando a Constituição, patrocinando o projeto golpista, vendido como um impeachment legal, tocado por juristas das plumas tucanas e um ex-petista. Foram aqueles que hoje se vendem como uma opção “de centro” que se jogaram com toda força no desmonte da legislação trabalhista, vista como empecilho ao crescimento econômico. Foi essa turma mequetrefe, dos Jardins, da Zona Sul, do Leblon, que resolveu colocar fogo no país esperando que em meio às cinzas surgisse alguém limpo, cheirando hidratante francês, para terminar o desmonte total do Estado brasileiro e entregar o que resta de nossas riquezas, nos colocando mais uma vez na posição de colonizados. Faltou combinar com os russos. Ou com os bolsominions.

Talvez devamos nos questionar como foi possível a volta de todo esse entulho autoritário. Como a defesa da tortura, do racismo, do machismo e do preconceito, com a pregação aberta da violência, podem colocar um sujeito em primeiro lugar nas pesquisas sem Lula? Como alguém que é incapaz de apresentar meia linha sobre política econômica que não seja a palavra “liberalização” pode ser visto como “mito”? O quanto erramos como sociedade para que uma parte significativa da população, a mesma que sofre com cortes de direitos e que depende de serviços públicos, pode depositar todas suas fichas em um projeto de ditador que promete vender tudo quanto for possível e acabar com o restante das garantias  e programas aos mais pobres, tudo em nome de uma entidade fictícia chamada mercado? As respostas são difíceis. A única certeza é que não nos resta outra alternativa a não ser a luta e o enfrentamento. Não podemos nos calar em um cenário com um candidato que defende pautas extremamente autoritárias e contra tudo que entendemos por Direitos Humanos. Mas é preciso, e isso fica para um outro texto, mobilizar todo o campo progressista para essa dura empreitada, com propostas e projetos que melhorem a vida do cidadão comum dentro de uma perspectiva democrática e plural. Existe uma parcela enorme da sociedade esperando por isso.

(*) Daniel Trevisan Samways é doutor em História e professor do Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM)

STJD suspende Vacaria e obriga Remo a pedir efeito suspensivo

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Os volantes Geandro e Vacaria (foto) e o preparador de goleiros Juninho foram julgados e punidos pelo STJD, na tarde desta quinta-feira. Geandro, que já cumpriu suspensão de um jogo, está livre para atuar contra o Salgueiro (SP), segunda-feira (06), pois sua pena foi de apenas uma partida por ter sido expulso contra o Santa Cruz (PE).

Os casos de Vacaria e Juninho foram mais graves e cada um recebeu punição de três partidas. O advogado Osvaldo Sestário, que representa o Remo no STJD, ficou de ingressar com pedido de efeito suspensivo para Vacaria nesta sexta-feira.

A pena imposta ao volante foi considera excessivamente rigorosa, visto que o preparador Juninho, que chegou a espetar o quarto árbitro com uma caneta, também pegou gancho de três jogos.

Acordo com Facebook dá ao EI transmissão da Champions na TV e na rede social

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A Liga dos Campeões terá uma novidade para a próxima temporada. Com a vitória de Esporte Interativo e Facebook sobre a Globo, os telespectadores que estavam acostumados a ver os jogos em TV aberta terão de recorrer ao computador. Segundo apurou o UOL Esporte, uma parceria entre os dois grupos foi o que permitiu a compra dos direitos de transmissão para o próximo triênio. Serão três opções para acompanhar os jogos, todas elas diretamente relacionadas ao Esporte Interativo.

Os duelos passarão nos dois canais do Esporte Interativo na TV fechada, no pacote do EI Plus na internet e na fanpage da emissora no Facebook, esse último modelo gratuito para todas as pessoas. Para que a concorrência do Facebook não derrube as vendas do EI Plus, o grupo Turner apostará nas partidas simultâneas em seu pacote online. Será uma variedade maior de jogos do que será possível de ver na televisão e na rede social.

Os direitos de transmissão, que até agora não foram oficializados, foram divulgados em primeira mão pelo blog blog do Rodrigo Mattos. Para derrubar o domínio da Globo na TV aberta, que já vinha desde a temporada 2009/2010, EI e Facebook entraram juntos na negociação.

Como a negociação não foi oficializada até o momento, Esporte Interativo e Facebook não comentam o assunto e sequer confirmam o acordo ou admitem serem os vencedores da licitação. Na próxima semana, a ESPN terá um jogo de Liga dos Campeões, mas o acordo é apenas para um duelo da terceira fase de playoffs do torneio. (Do UOL)

Nas asas da criatividade

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POR GERSON NOGUEIRA

A evolução de Papão e Leão nas últimas rodadas dos campeonatos que disputam, Séries B e C, respectivamente, está diretamente associada à destacada participação de dois meias de ligação que extrapolam as exigências e limites habituais da função.

Além de assumirem a responsabilidade pelas tarefas mais criativas de suas equipes, Pedro Carmona e Rodriguinho participam ativamente de ações ofensivas, transformando-se em verdadeiros atacantes se o andamento da partida permitir.

As semelhanças dos papéis também encontram eco na trajetória de ambos no futebol paraense. Rodriguinho chegou ao Remo depois de Carmona, mas teve praticamente a mesma quantidade de partidas, pois ficou fora do time titular durante muito tempo.

Chamou atenção da torcida, durante a gestão de Givanildo Oliveira, pelo golaço de fora da área marcado em Re-Pa valendo pela fase decisiva do Campeonato Paraense. Entrou naquele jogo, deu sua contribuição ao título estadual e depois não voltou mais.

Na Série C, seguiu no ostracismo e ia deixar o clube quando Artur Oliveira resolveu resgatá-lo para integrar um quinteto ao lado de Dudu, Brasília, Rafael Bastos e Everton. A chance foi bem aproveitada e o Remo pela primeira vez na temporada passou a tratar a bola com criatividade e zelo.

De estilo técnico, Rodriguinho caiu como luva na nova composição de meia-cancha. Pela regularidade e importância tática, acabaria herdando o papel de organizador com as saídas de Artur, Everton e Rafael.

Sua movimentação a partir do meio é o ponto de equilíbrio do novo Remo estruturado por João Neto. Sem ele, o time fica previsível, apelando para o chutão e a ligação direta. Além disso, Rodriguinho é especialista em arremates de fora da área, cobrando faltas com grande perícia.

Por seu turno, Carmona não conseguiu ajudar o Papão na luta pelo tri estadual, mas deu inestimável colaboração na Copa Verde, fazendo o gol que garantiu o título diante do Atlético-ES, no Mangueirão.

Castigado por lesões crônicas e com dificuldades para adquirir condições plenas de jogo, andou desfalcando a equipe no começo da Série B. Chegou a sair apupado no jogo contra o S. Bento após jogar por apenas 20 minutos.

Seu resgate ocorreria pelas mãos de Guilherme Alves. Por coincidência, as quatro rodadas sob o comando do novo técnico marcaram também o renascimento de Carmona, que atuou muitíssimo bem contra o Oeste, em Barueri, participando do lance do primeiro gol.

Manteve o nível contra Guarani e foi um dos melhores frente ao Figueirense, cobrando faltas e organizando e até fazendo um gol de cabeça, como um aplicado centroavante. Voltou a atuar bem contra o Atlético-GO, em Goiânia, apesar do revés.

A rigor, pela primeira vez, Carmona é visto como titular incontestável no PSC, ao contrário do que ocorria na era Dado Cavalcanti, quando carregou a pecha de jogador “bichado” e era tido como descartável.

A esses dois armadores reabilitados, de estilo meio à moda antiga, cultores do esmero no chute e no passe, que não usam 10 nas costas, a dupla Re-Pa deve a atual fase positiva, que rendeu quatro vitórias nos últimos dez dias. O futebol às vezes nos premia com o improvável.

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As sombrias perspectivas da eleição azulina

Os bastidores fervilham no Remo com vistas à eleição presidencial no final do ano. O time ainda luta para se manter na Série C e já é possível observar pré-candidatos se lançando à rinha. Certas articulações juntam o não tão novo ao obsoleto absoluto, a falta de inspiração à ausência de competência, deixando entrever perspectivas sombrias para o clube.

Impressiona nesta fase de apresentação de nomes a carência de jovens lideranças, confirmando que a parvoíce e a pesporrência continuam a ditar as regras no desinteressante e previsível processo eleitoral azulino.

Até mesmo o veteraníssimo atual presidente alimenta pretensões de continuísmo, em total dissonância com os novos tempos e as exigências das estruturas profissionalizadas do esporte. Nem sombra de atualização ou reciclagem. Nada de inovação ou modernidade. Nenhum sinal de grandeza em nome da instituição.

É como se o Remo, potência popular por excelência, fosse mera capitania hereditária, joguete nas mãos de senhores ungidos por desígnios dos céus. Até quando os jovens (refiro-me à idade mental) leoninos irão esperar para tomar as rédeas da agremiação?

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 03)

PSB, Lula e Ciro: o jogo avança e a mídia se desespera

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Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador

Colunistas ligados ao PSDB uivam de raiva: o lulismo está vivo! Abaixo, uma tentativa de entender o quadro eleitoral, depois que Lula/PT deram um xeque em Ciro.

A velha mídia, aliada a Alckmin e ao PSDB, passou as últimas 24 horas tentando vender a ideia de que Lula e PT são malvados e terríveis, ao isolar politicamente Ciro Gomes na sucessão presidencial. O PT obteve uma aliança “de fato” com o PSB – que era cobiçado pelo PDT para uma aliança formal com Ciro. Sim, foi uma derrota imensa para o candidato pedetista. Mas alto lá!

No capa do site UOL, mantido pela multimilionária família Frias, os petistas são acusados por um colunista de “truculência”; outro comentarista pago pelos Frias diz que Lula “esquarteja” Ciro.

Hum, que eu saiba essa gente não tem qualquer afinidade com Ciro ou a centro-esquerda. O barato deles é banco e PSDB. Cumprem o papel de um flamenguista dando palpite nas contratações do Vasco. São parte da máquina de propaganda de Alckmin. De todo jeito, não percebem que, com ódio desmedido e exagerado, só reforçam o poder do líder que esperavam (a essa altura) ver destruído e deprimido numa cela de Curititba.

Se você é de esquerda – e tem simpatias por Ciro/PDT, Lula/PT, Manuela/PCdoB ou Boulos/PSOL – não precisa entrar nessa narrativa criada pela direita. Mesmo que considere um erro o movimento feito pelo PT, ou uma pena que Ciro não consiga se viabilizar. Vamos aos fatos.

1 – Ciro tentou construir sua candidatura na centro-esquerda, ocupando algum lugar entre PT e PSDB no espectro político. Acabou espremido dos dois lados. Alckmin tirou-lhe o Centrão. E agora o PT impede Ciro, sim, de contar com o PSB. Reparemos que ninguém acusou Rodrigo Maia (DEM) de truculento ou esquartejador, ao fingir que levaria o Centrão até Ciro, para depois depositar as legendas fisiológicas no colo dos tucanos. Maia foi apresentado como “habilidoso” e “pragmático”. Lula, não. É um maquiavélico malvado. Sei.

Acusar o PT por construir seu espaço (de forma até heróica, numa conjuntura absolutamente adversa) é tão desonesto quanto cobrar de Ciro uma fidelidade absoluta a Lula. Os dois, legitimamente, tentam erguer suas candidaturas. Nessa composição, Lula preso tem sido mais feliz do que Ciro solto. Mas os dois estão no mesmo campo. Os adversários tentam cavar entre eles uma vala de mágoas instransponível. Vejamos se o povo vai entrar nessa.

2 – O movimento de atrair o PSB facilita a vida de governadores “socialistas” no Nordeste, e une anda mais o lulismo naquela região, abrindo caminho para o candidato petista que vier a ocupar a vaga de Lula na urna, em outubro. É do Nordeste que virão os votos decisivos pra levar esse candidato ao segundo turno. De outro lado, o movimento cria também ruídos ruins com a militância petista, ao tirar de campo a candidatura ao governo de Pernambuco de Marília Arraes (construída de baixo pra cima, no PT local), e priorizar o acordo pelo alto com o PSB pernambucano. Isso é um fato, e a médio prazo enfraquece o PT. Mas o jogo é pesado, e maior.

3 – Parece-me que, nos próximos dias, Ciro dará o troco. Duvido que ele caminhe docilmente para uma aliança com o PT, aceitando a vaga de vice na chapa de centro-esquerda. Não é o perfil dele. E não haverá, portanto, outro movimento possível para o PDT que não seja um acerto com Marina Silva.

Ciro e Marina, juntos, podem criar um terceiro campo, efetivo, na campanha. Em 2014, isso já aconteceu com a chapa Eduardo/Marina. Resta saber se o discurso desenvolvimentista de Ciro poderá ser soldado às pretensões de uma Marina cada vez mais nas mãos dos banqueiros.

Em 2014, os 15% ou 20% de uma aliança desse naipe não seriam suficientes para levar a chapa ao segundo turno. Em 2018, com 15% Ciro/Marina poderiam causar estragos tanto ao lulismo como ao candidato puro sangue dos bancos – Geraldo Alckmin.

4 – Os analistas que comparavam essa eleição de 2018 com a de 1989 parecem ter quebrado a cara. Não teremos a pulverização absoluta daquela disputa. Na prática, teremos: Alckmin/Centrão (com bom tempo na TV, mas carregando o peso do governo Temer nas costas); PT/Lula (com menos tempo na TV, mas ainda a carregar a herança dos anos de bonança do lulismo); Bolsonaro (com quase nada na TV, mas com o discurso anti-sistema a tiracolo), Marina/Ciro (juntos, poderiam dessa vez construir uma terceira via, num país tão cansado de polarizações); e Alvaro Dias/Lava-Jato (o senador mostra uma resiliência surpreendente para captar votos, sobretudo no sul do país, com um discurso moralista).

5 – Não me alinho entre os que consideram Bolsonaro já derrotado. O fato de estar isolado, e com poucos segundos na TV, não significa fraqueza pra ele. Ao contrário, ajuda a compor o discurso de “contra tudo que está aí”. Bolsonaro, para se diferenciar de Alckmin, tenderá a aprofundar o discurso extremista. E esse discurso hoje pode ser suficiente para lhe dar entre 15% e 20% dos votos, levando o candidato fascista ao segundo turno. O pior que podemos fazer é tratar com desdém ou ironia essa candidatura. Ela está aí porque representa uma porção significativa de brasileiros. De outro lado, quanto mais forte e coeso for o eleitorado de Bolsonaro no primeiro turno, mais difícil será para ele sair do isolamento na segunda volta da eleição.

6 – Pela lógica e pelos números das pesquisas, parece claro que um candidato petistarecolha pelo menos metade dos votos de Lula, no caso de este ser mesmo barrado pela Justiça do golpe; isso daria a este candidato cerca de 15% dos votos, de saída, permitindo a ida ao segundo turno. Parece-me que Jacques Wagner (e não Haddad) teria mais chance de ser o depositário desses votos, porque é no Nordeste que o lulismo tem sua maior fortaleza.

7 – Alckmin pode ter imensas dificuldades (apesar da força na TV), se Bolsonaro resistir na extrema-direita (minha aposta é de que resistirá), e se Álvaro Dias mantiver a candidatura lavajatista, impedindo o PSDB de avançar no eleitorado conservador do sul.

8 – Tudo indica que chegaremos a outubro com quatro candidaturas disputando duas vagas ao segundo turno, todas elas na casa de 10% a 20% dos votos: Bolsonaro, Lula/PT, Marina/Ciro e Alckmin. Os dois primeiros têm eleitorados mais consolidados. O tucano é o que terá mais dificuldades (pela herança temerista). E Ciro/Marina só terão chance se estiverem juntos.

9 – Álvaro Dias é uma incógnita, e o PSDB terá que decifrar essa esfinge, para não ser devorado de forma surpreendente.  O PCdoB, pela lógica, pode compor a chapa com o PT. Mas não fará isso apenas na base da sedução e dos compromissos históricos. Manuela vice pode ser um caminho. Mas não descartemos a possibilidade de ela se manter na disputa até o fim, se a legenda detectar que o PT age com arrogância na negociação.

10 – No geral, teremos um país dividido como sempre. Nordeste e Norte mais fechados com o lulismo. Sul e São Paulo radicalmente contra a centro-esquerda. Rio e Minas decidirão a eleição, e dessa vez o lulismo está mais frágil nessas duas unidades da federação. Mesmo que perca nos dois estados, o PT precisa colher (entre cariocas e mineiros) ao menos metade dos votos para sua candidatura nacional, para ter chances eleitorais.

11 – Minha aposta hoje é de que Lula não será candidato, mas a direita pagará um preço altíssimo por desmoralizar o sistema eleitoral, impedindo o líder de estar na urna; se a direita vencer, o próximo governo será fraco e marcado pelo signo da ilegitimdade.

12 – Essa eleição é marcada pelo signo do “anti-sistema”. Nesse clima, ganham força Bolsonaro e aquele que representar o líder injustiçado pelo sistema (Lula).

13 – O quadro é extremamente volátil, mas se fosse apostar diria (na contramão do que afirmam os analistas da mídia velha) que a maior probabilidade é de um segundo turno com Bolsonaro e um candidato do PT. As colunas desesperadas de Merval, implorando que Lula reveja sua estratégia, mostram que a direita “liberal” sabe das dificuldades imensas que enfrentará. As colunas também desesperadas dos garotos dos Frias, que uivam de raiva diante da operação vitoriosa do PT junto ao PSB, indicam o mesmo. O lulismo está vivo. E forte. Mais forte, no entanto, é o caos e o desmonte da política.

Jair Ventura e Zé Ricardo na mira do Fogão

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Após a demissão do técnico Marcos Paquetá, o Botafogo decidiu que o auxiliar Bruno Lazaroni ficará na função até que um novo nome seja anunciado e não há pressa para que isso aconteça. A diretoria não quer cometer erros e trabalha com quatro nomes: Jair Ventura, Zé Ricardo, Fabiano Soares e Fernando Diniz.

A primeira opção é Jair Ventura, demitido recentemente do Santos. Em uma primeira sondagem, o treinador declinou, pois teme ficar com a imagem ligada somente ao clube, porém, ele é visto como solução por conhecer bem parte do elenco e ter o respeito dos jogadores, além de saber todos os problemas e dificuldades do clube. O próprio presidente Nelson Mufarrej trata de conversar com ele, contando ainda com a ajuda do pai do treinador, Jairzinho, o Furacão da Copa do Mundo de 1970.

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O segundo na lista é Zé Ricardo, que foi procurado logo depois da saída de Alberto Valentim. Na época, o ex-treinador de Flamengo Vasco não aceitou pois esperava um convite do futebol árabe e não queria ficar ligado ao futebol carioca. As negociações são comandadas pelo gerente Anderson Barros, amigo de Zé Ricardo.

Outros dois nomes estão em compasso de espera. Um deles é Fabiano Soares, que dirigiu o Atlético-PR no ano passado e que já jogou no Botafogo na década passada. Por fim, o alvinegro ainda trabalha com a possibilidade de apresentar uma proposta para Fernando Diniz, outro que deixou o clube paranaense. O estilo de jogo do treinador, muito técnico, porém, desagrada a alguns dirigentes.

O elenco do Botafogo participou de um treino regenerativo nesta manhã de quinta-feira, ainda no Paraguai, onde o time foi derrotado pelo Nacional por 2 a 1, pela rodada de ida da segunda fase da Copa Sul-Americana. O próximo compromisso é contra o Santos, no domingo, às 16h (de Brasília), no Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, pela 17ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Paquetá – Após ser demitido pela diretoria, Marcos Paquetá não concedeu entrevista aos jornalistas. Antes mesmo do anúncio de sua saída tinha pedido para não falar na coletiva após a derrota para o Nacional. Por meio de nota oficial, o treinador se desculpou com o torcedor e citou problemas financeiros para explicar o mau desempenho. (Da Gazeta Esportiva)