Mês: agosto 2018
Rock na madrugada – Alabama Shakes, Hold On
Real anuncia contratação de Courtois

Thibaut Courtois já é jogador do Real Madrid. O clube merengue anunciou nesta quarta-feira a contratação do guardião belga, com um contrato válido por seis temporadas. Segundo informa o Real Madrid, Courtois será apresentado já esta quinta-feira.
De acordo com o jornal “As”, a transferência foi feita por um montante em torno de 35 milhões de euros, um valor abaixo do preço de mercado, mas que é explicado pelo fato de Courtois estar no último ano de contrato no Chelsea.
Courtois tem 26 anos e representou o Chelsea nas últimas quatro épocas. Regressa a Espanha, onde defendeu o Atlético de Madrid entre 2011 e 2014, depois de surgir no futebol belga como jogador do Genk.
Capa do Bola – quarta-feira, 08

Japão usará reconhecimento facial pela 1ª vez na segurança das Olimpíadas

O Japão anunciou que utilizará um sistema de reconhecimento facial durante os Jogos Olímpicos de 2020. O sistema será usado para o controle da segurança na Vila Olímpica, monitorando atletas, equipes, voluntários e imprensa num total de 40 locais.
Segundo o Comitê Organizador de Tóquio, os registros faciais de todos os profissionais credenciados para as Olimpíadas serão armazenados em uma grande base de dados e utilizados nas checagens dentro dos locais listados. Porém, a empresa responsável pelo reconhecimento facial, a NEC Corporation, não explicou quais medidas de segurança serão tomadas para proteger as informações dessas pessoas.
Os scanners verificarão o cartão de identificação e farão a comparação entre a imagem em arquivo com a pessoa na vida real. O mesmo sistema também será utilizado nos Jogos Paralímpicos. “Ao introduzir o sistema de reconhecimento facial, nós esperamos alcançar altos níveis de segurança, eficiência e tranquilidade”, disse Tsuyoshi Iwashita, diretor executivo de segurança de Tóquio 2020.
O objetivo de Tóquio é preparar o palco para uma implementação mais ampla dessa tecnologia em futuros jogos. Além de garantir um evento mais seguro, o sistema de reconhecimento facial diminui as burocracias na hora da identificação por documentos, reduzindo filas, por exemplo. (Com informações da B9)
Santo em apuros?

Rumores sobre uma possível delação contra o candidato à presidência pelo PSDB, Geraldo Alckmin (PSDB) agitaram o mercado financeiro no fim da tarde desta terça-feira (07). No entanto, a informação foi omitida ou camuflada pelos principais veículos de mídia, como foi o caso da revista Veja.
A revista da Editora Abril escolheu a segunda opção. Por volta de 18h, o site de Veja estampava: Bolsa cai após boato de delação premiada contra presidenciável. A delação seria de Laurence Casagrande Lourenço, ex-presidente da Dersa e ex-secretário de governo.
Não é a primeira delação implicando o candidato tucano. Paulo Vieira de Souza, mais conhecido como Paulo Preto, está negociando delação sobre propinas em obras do Rodoanel. O Ministério Público encontrou indícios de movimentações de Paulo Preto em contas na Suíça envolvendo um montante de R$ 121 milhões.
O Ibovespa, principal índice ações da bolsa brasileira, que operava estável, passou a cair e fechou em baixa de 0,87%, a 80.346,53 pontos. O dólar, que estava caindo, terminou a terça com alta de 0,93%, cotado a 3,767 reais.
Enquanto isso, no tabuleiro eleitoral…

Até quando o discurso escravista terá espaço em nossa sociedade?

Por Miguel Martins, na CartaCapital
Ao se tornar vice de Jair Bolsonaro, do PSL, o general da reserva Hamilton Mourão deu mostras de que não será um contraponto ao cabeça de chapa, mas um reforço à sua visão de mundo baseada em um preconceituoso senso comum.
Logo após ser oficializado, o militar de alta patente, que deixou a ativa no ano passado, apontou para os povos originais e os afrodescendentes, uma das obsessões do presidenciável, abertamente contra cotas raciais e os quilombolas e favorável ao fim da demarcação de terras indígenas.
Em um evento na Câmara de Indústria e Comércio de Caxias do Sul, o vice de Bolsonaro recém-escolhido buscou explicações pseudo-históricas há muito tempo reafirmadas na sociedade e combatidas pela pesquisa séria. Segundo ele, temos três heranças principais: a do “privilégio”, trazida pelos ibéricos; da “indolência”, que vem da cultura indígena; e da “malandragem”, “oriunda do africano”. “Então esse é o nosso caldinho cultural. Infelizmente gostamos de mártires, líderes populistas e macunaímas.”
O discurso de Mourão sobre o que chama de características “psicossociais” é apenas uma forma de inverter o peso da escravidão sobre nossa formação histórica: os culpados por nosso “complexo de vira-lata” são os povos escravizados, e não os seus algozes.
A estigmatização de “indolência” dos índios e de “malandragem” dos negros só serve a quem não busca compreender de onde partem essas classificações rasas: da própria estrutura escravista que os capturaram.
Convencionou-se no senso comum “culpar” os índios por não terem se adequado ao modelo produtivo da Coroa portuguesa, como se não fossem aptos ao esforço físco, embora tantos tenham sido submetidos ao cativeiro no período colonial. O argumento já foi reproduzido em diversas salas de aula: o tráfico negreiro teria sido necessário pela suposta incapacidade dos índios em realizar trabalhos forçados.
Há motivos claros para a aposta da Coroa portuguesa e dos proprietários de terras no Brasil no comércio de cativos da África que nada têm a ver com a suposta predisposição genética dos índios à tal da “indolência”. Em seu fundamental O Trato dos Viventes, o historiador Luiz Felipe de Alencastro enumera alguns deles.
Em primeiro lugar, havia uma irregularidade no transporte marítimo, como lembra o historiador: a navegação à vela norte-sul ao longo da costa brasileira era mais trabalhosa que a rota leste-oeste, rumo aos portos africanos. “Não havia nenhuma rede mercantil apta a empreitar, de maneira regular e em larga escala, as vendas de índios de um capitania a outra”.
A escravidão indígena, portanto, não prosperou em grande medida por motivos geográficos, dada a dificuldade de se navegar ao longo da costa brasileira. Era mais fácil garantir uma rede de cativos africanos, pois as rotas marítimas eram muito mais rápidas.
Claro que há motivos religiosos, como a intervenção de clérigos contra a escravização dos povos originais da América, mas economicamente a escravidão negra era mais atraente para o colonizador: possuía uma rota rápida, gerava ganhos tributários para Coroa ao formar uma rede conectada à venda do açúcar, além de não sofrer oposição de jesuítas.
Se há algo genético no drama indígena, ele é responsabilidade dos colonizadores. A interação com povos da Europa e da África ajudou a dizimar uma população de milhões de índios, que hoje é de cerca de 800 mil. “A reduzida diversidade genética dos índios da América do Sul, comprovada pelos polimorfismos de proteínas e estudos de DNA, pode ter concorrido para criar uma menor capacidade de sua resistência à invasão de células patogênicas”, escreve Alencastro.
Já o conceito de malandragem ganhou força principalmente após a escravidão e tem grande relação com uma desobediência civil resultante de um Estado que não se esforçou para integrar os negros libertos à sociedade.
Quando Machado de Assis passou a analisar o povo carioca por sua pouca participação política, seu descompromisso e sua ironia frente às instituições, iniciava ali a construção de um estereótipo de malandro carioca. João do Rio e Lima Barreto também buscaram retratar esse estilo de vida e ajudaram a fabricar o mito do malandro, que já foi criticado de certa forma por Sérgio Buarque de Holanda ao analisar o “homem cordial” brasileiro, e romantizado por seu filho Chico, autor de “Homenagem ao Malandro”.
Apenas o preconceito pode atribuir a malandragem a uma característica étnica. Pode ser política, social, principalmente cultural, mas jamais biológica. Os pais de Lima Barreto, nos ensina Lilia Schwarcz em sua monumental biografia sobre o autor, sofreram com as estigmatizações comuns aos negros libertos da época: a mãe morreu de tuberculose, o pai foi declarado louco, como seria anos depois o próprio autor.
“Como a tuberculose e a loucura eram entendidas como males hereditários, signos de degeneração e associadas aos setores afrodescendentes, essas experiências familiares pareciam ratificar o pensamento determinista”, escreve Schwarcz.
Ao falar da “malandragem” como algo típico dos africanos, Mourão lembra o racismo científico que atribuía doenças e a insanidade aos negros brasileiros. Mas é a escravidão, ou suas consequências, que levaram tais estigmas a se tornarem tão arraigados no senso comum. A “indolência” do índio e as estigmatizações de negros como “loucos”, “doentes” ou “malandros” é apenas o velho discurso escravista que se perpetua. Infelizmente, ele tem até uma chapa presidencial como porta-voz.
*Além de jornalista, Miguel Martins é graduado em história pela UnB
Enquanto isso…

Guilherme, envergonhado com a goleada, promete “muitas mudanças” no time

A vexatória derrota frente à Ponte Preta vai acarretar mudanças no Paissandu para os próximos jogos. Foi a promessa do técnico Guilherme Alves após o jogo. Dizendo-se envergonhado com a goleada de 4 a 0, afirmou que nenhuma posição será poupada de uma análise mais criteriosa.
“Eu nunca senti tanta vergonha num campo de futebol. Não só como parte de uma comissão técnica, seja como auxiliar ou treinador, mas como atleta também. Foi o dia que eu mais me envergonhei dentro de um campo de futebol. Disse a eles (jogadores) que uma derrota como essa não me importa o placar, mas como foi. Algumas coisas que aconteceram dentro do campo têm que acarretar mudanças. Seja de um lado ou seja de outro. Se não houver essa mudança de um lado, e eles sabem que eu cumpro o que prometo, vão haver muitas mudanças. Muitas”, declaro o técnico, não poupando os jogadores pelo mau passo.
Dos 14 jogadores utilizados na partida, somente o lateral-esquerdo Diego escapou das críticas de Guilherme Alves:
“E digo a vocês que, impressionantemente, o único jogador que não sentiu emocionalmente foi o Diego, um lateral de 20 anos. Foi o único que procurou jogar, que marcou, que se dedicou para não tomar o quinto gol. Foi por conta dele que não tomamos o quinto. Emocionalmente, para mim, foi o único atleta que não sentiu, não se omitiu. Os demais foram emocionalmente muito abaixo. Foi horroroso. É inadmissível perder da maneira que perdemos”.
Ao passar toda a responsabilidade pelo fiasco aos jogadores, Guilherme periga estar cavando a própria cova.