O morto-vivo e o vivo muito vivo

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Por Fernando Brito, no Tijolaço

O “comandante”  falou e vai levar os louros de ser quem, de fato, tem algum comando sobre a tropa dos caminhoneiros. A entrevista de jair Bolsonaro à Folha, não por acaso, coincide com a desmobilização, progressiva, do movimento de bloqueio das estradas.

Não foi dada antes, quando poderia ser uma contribuição ao desarmamento de espírito, apenas quando já se esgarçava a disposição de muitos em continuarem nos acostamentos.

Não foi dada depois, como simples  comentário ou opinião. Bolsonaro “ocupou território”  no vazio de autoridade de um politicamente falecido presidente de um moribundo governo.

De agora em diante, está exonerado da responsabilidade pelos transtornos à população.

A partir de amanhã, a “culpa” será toda dos petroleiros em greve, embora eles não tenham nada a ver com as filas, o alface que falta ou os preços que aumentam no mercado.

O governo? Ninguém liga mais.

Os partidos? Ah, umas quadrilhas.

Nem mesmo os altos oficiais do Exército: ou aderem à retórica autoritária de seus radicais ou vêem o um capitãozeco ir devorando sua autoridade. O Judiciário e o Ministério Público, afinal, conseguiram transformar este país em terra de ninguém.

Sobre a qual marcha, impávido, o centurião, pronto a atravessar o Rubicão, o famoso rio romano ao qual se proibia qualquer general de atravessar acompanhado de suas tropas.

O retorno do Rei ao Baenão

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POR GERSON NOGUEIRA

Artur Oliveira não era a primeira e nem a segunda opção da diretoria do Remo para substituir o demissionário Givanildo Oliveira. Talvez não fosse nem mesmo a terceira, mas acabou escolhido por um critério razoavelmente compreensível: a necessidade de dar uma sacudida motivacional no grupo de jogadores.

O momento da competição, a 11 rodadas do final da fase classificatória, exige decisões rápidas. Atenta a esse critério, a diretoria de Futebol buscou alternativas. Tentou diretamente alguns nomes – Antonio Carlos Zago, Lisca e Martelotte – e sondou outros, que nem chegaram a ser divulgados.

Diante do insucesso da prospecção no mercado, pela ausência de acordo entre a proposta do Remo e a expectativa dos profissionais consultados, surgiu novamente o nome de Artur. Antes, por ocasião da saída de Ney da Matta, ele já havia sido lembrado, mas não houve unanimidade dentro do grupo que cuida do futebol azulino.

Ídolo azulino, citado em todas as seleções de todos os tempos dos melhores jogadores do Remo, Artur sempre se manteve próximo ao clube e aos seus torcedores. Nos últimos tempos, treinando o Bragantino, chegou a ver um ligeiro estremecimento por conta da comemoração do técnico após vitória sobre o time remista no estádio Diogão.

Setores da própria torcida reagiram aos gestos de Artur, que chegou a subir junto ao alambrado para festejar com a torcida bragantina. Esse amuo envolveu também setores da diretoria e reapareceu nas conversas dos últimos dois dias, acabando por ser superado pelo bom senso.

A escolha é a mais sensata sob vários pontos de vista. O Remo não tem caixa para importar técnico com rodagem nacional e nome badalado. Givanildo Oliveira veio por conta de coincidências extremamente favoráveis.

Além disso, a Série C não é uma competição atraente para técnicos mais experientes, que receiam descer na escala de valorização do mercado. Givanildo topou porque não tem mais nada a provar. Sua história fala por ele.

Além do aspecto financeiro, a contratação de um técnico de fora da realidade regional implicaria em reiniciar todo o trabalho da atual diretoria naquilo que se pode definir como “projeto Série C”.

Artur chega na condição de conhecedor dos humores e da cultura do próprio Remo, clube que o projetou como jogador e onde também teve suas primeiras experiências como técnico. Sabe como a torcida se comporta e tem um canal de voz natural junto às diversas camadas de azulinos.

Relaciona-se bem com a velha guarda do clube, é admirado por todos no Evandro Almeida e só precisará ter a habilidade necessária para não ferir suscetibilidades, normais em qualquer clube de massa.

A maior colaboração que Artur pode dar ao Remo a essa altura é a da motivação, virtude que carrega como segunda pele. Foi assim que conseguiu os melhores feitos de sua vida profissional, com destaque para o terceiro lugar obtido com o Bragantino no Parazão 2018.

Sabe garimpar talentos e valorizar qualidades. Fala a linguagem dos boleiros e o idioma dos vestiários. Acima de tudo, porém, conhece a fundo as minudências do futebol e aprendeu a montar times de acordo com as características existentes no elenco.

Pode dar o choque motivacional que o Remo precisava para recuperar impulso e buscar a classificação à próxima etapa da Série C.

Uma boa aposta. Mais que isso: a melhor possível neste momento.

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Trivial variado do blog campeão

“Problema do Remo foi essa não substituição da principal válvula de escape do time que era o Felipe Marques, agravado por uma incrível baixa produtividade de Jayme e do Elielton, que têm velocidade mas parece que a parte mental para saber o que fazer com a bola no pé está bem prejudicada. Elielton é o típico jogador de 2º tempo que pega zaga cansada e corre feito um maluco para ganhar um pênalti ou acertar um chute ao gol, mas Jayme tem me surpreendido negativamente por não ser sombra do jogador importante que foi ano passado, quando tinha chute, velocidade e raciocínio para fazer jogadas que hoje não consegue. Isac, por mais que tenha perdido um caminhão de gols ao longo do campeonato, é o menos culpado por simplesmente a bola não chegar, a ponto de ter que se deslocar para a intermediária e laterais do campo para tentar participar de alguma jogada. Givanildo foi teimoso com a manutenção de pelo menos 2 dos 3 atacantes sem mudar a estrutura, já que o Remo do Parazão sabia sofrer, jogando nos contra-ataques, mas a falta de competência lá na frente faz com que a nossa zaga e nossos volantes fiquem sobrecarregados tamanha é a facilidade com que o time adversário chega e pressiona, principalmente nos jogos fora de casa”. Victor Palheta

“Excelente notícia. Até que enfim um técnico que conhece bem o Clube do Remo. Por mim ele já seria técnico desde quando saiu o Ney da Matta, espero que ele mude esse esquema ridículo de 4-3-3 que só funcionava quando tínhamos o Felipe Marques e adote o tradicional 4-4-2”. Robson Alves

“Penso que o técnico é parcialmente culpado, por insistir no esquema 4-3-3 e pela manutenção do Isac no time. Contudo, a falta de qualidade técnica é um problema considerável… No fim, o técnico é quem pagou a conta, embora eu ache que nem o Pep Guardiola conseguiria botar esse meu time nos eixos”. Nelson Albuquerque

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 29)

O homem que sabia demais

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Por Raymundo Gomes, no DCM

Durante mais de uma década, nenhum homem tinha mais conhecimento sobre o jogo sujo da luta pelos direitos comerciais de torneios da CBF, da Conmebol e da FIFA. Com sua morte, vão para o túmulo segredos muito incômodos para a Globo.

Felizmente, cinco anos antes de morrer, J. Hawilla resolveu falar. Capturado pelo FBI, já sofrendo do câncer que o matou, o empresário contou bastante coisa – infelizmente, não tudo.

A Globo fez uma competente operação de “controle de danos”, dando destaque a alguns pontos da confissão e não a outros. Ficaram várias pontas soltas, porém, à espera de algum procurador com vontade de puxá-las.

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Em novembro passado, o portal R7 (da Record) divulgou grampos e documentos da Justiça americana que descrevem em detalhes os esquemas de propina em troca de direitos de transmissão, envolvendo cartolas, intermediários como Hawilla e emissoras de televisão.

Como o esquema funciona é bem sabido. Os cartolas detêm um produto altamente rentável – competições como a Copa do Mundo, a Copa América, a Copa do Brasil etc.

As emissoras lutam pela compra desses direitos. As emissoras com mais cacife podem perfeitamente molhar a mão desses cartolas, para assegurar o monopólio. Quem sai perdendo é o consumidor, pois a livre concorrência fica prejudicada.

Quando a Record publicou as denúncias, a Globo se defendeu de maneira débil, jogando debaixo do ônibus seu ex-diretorMarcelo Campos Pinto.

Disse que, se houve propina em troca de direitos, não foi com anuência da empresa: “O Grupo Globo afirma veementemente que não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina. Esclarece que após mais de dois anos de investigação não é parte nos processos que correm na Justiça americana. Em suas amplas investigações internas, apurou que jamais realizou pagamentos que não os previstos nos contratos.

Como dizia Paulo Nogueira, quem acredita nisso, acredita em tudo.

A perigosa miragem de uma solução militar para a crise do Brasil

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Por Juan Arias, no El País

Embora não exista o perigo de querer solucionar a crise política e social do Brasil com a intervenção militar, negada pelo exército, é verdade que essa tentação começa a aparecer em alguns círculos como uma perigosa miragem capaz de condicionar as próximas eleições presidenciais. Acabamos de ver isso no momento mais agudo da greve dos caminhoneiros, na qual se ouviram vivas ao ditador chileno Pinochet e apelos por um governo militar.

Qualquer brasileiro medianamente informado sobre a história deveria, no entanto, saber que, com todos os seus defeitos, ninguém ainda encontrou uma fórmula melhor do que a democracia para que uma sociedade viva em harmonia no tocante a suas liberdades e direitos. Custa-me, por isso, imaginar que um intelectual ou artista, qualquer que seja sua tendência política, possa apostar nos militares para tirar o país da crise, porque se sabe que nenhuma solução autoritária produz bem-estar, convivência e respeito às diferenças. E, no entanto, essas mesmas pessoas que consideramos iluminadas e formadoras de opinião parecem cair na armadilha de apoiar ou alimentar movimentos populares de protesto que, ainda que possam parecer uma forma legítima de pressionar o poder e defender os direitos dos trabalhadores, podem se transformar em um bumerangue em momentos históricos de confusão ideológica como o que o Brasil está vivendo.

A história ensina que, em muitas experiências de cunho fascista, não poucos intelectuais e artistas acabaram colaborando explícita ou implicitamente sob pretexto de defender os oprimidos. A miragem das soluções totalitárias contra as arbitrariedades dos governantes das democracias acabou apoiando totalitarismos e regimes militares que chegaram ao poder não com o voto, mas pela imposição das armas. Já tivemos isso na Alemanha de Hitler, na Itália de Mussolini e na Espanha de Franco, para falar apenas da Europa.

No momento em que escrevo esta coluna ainda não é possível fazer um balanço do que representou, politicamente, a greve dos caminhoneiros no Brasil, à qual parece querer seguir a dos petroleiros e, quem sabe, também a de outras categorias que poderiam sair às ruas “contra tudo e contra todos”, que é a fórmula mais perigosa para impedir uma solução dialogada que faça justiça aos abusos que podem ter sido o estopim das manifestações.

Quem viveu e sofreu por muitos anos um regime totalitário sabe que, com todas as suas limitações, a democracia ainda é a única possibilidade para que um povo possa conviver com o melhor de seus valores. Quem, por exemplo, hoje pode gritar nas estradas contra o governo para defender o que considera seus direitos, ignora que não poderia fazê-lo sob nenhum regime totalitário sem pôr em perigo sua própria vida.

Na política, na família ou em qualquer relacionamento humano, nada é capaz de substituir o diálogo se não se quiser viver no inferno da incomunicabilidade.

Nunca a força imposta pelas armas fez a Humanidade crescer no melhor que possui, como sua possibilidade de viver em liberdade sem a tirania dos muros, nem os de Berlim nem os do México, emblema, ambos, dos crimes contra a liberdade e a convivência democrática.

Vox Populi: com 39% das intenções de voto, Lula vence no primeiro turno

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No cenário estimulado, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, Lula alcançou 39% das intenções de voto contra 30% das soma dos adversários, mostra pesquisa CUT/Vox Populi, realizada entre os dias 19 a 23 de maio e divulgada nesta segunda-feira (28).

O diretor do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra, chama a atenção para o desempenho dos candidatos ligados a Michel Temer. “Apesar do proselitismo de parte da imprensa brasileira, eles patinam em índices muito baixos. Entre eles, o que mais chama a atenção é o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB-SP), que está aquém do que alcançaram outros candidatos tucanos no passado”.

“Parece que a opinião pública não perdoa o comportamento do partido de 2014 para cá”, diz Coimbra.

Na pesquisa estimulada, o segundo colocado, com praticamente um terço das intenções de voto de Lula, está o deputado Jair Bolsonaro (PSL), com 12%; seguido de Marina Silva (Rede), com 6%; Ciro Gomes (PDT), com 4%; Geraldo Alckmin (PSDB), com 3% e Álvaro Dias (Podemos), com 2%.

Henrique Meirelles (MDB-GO), Manuela D’Ávila (PC do B) e João Amoedo (Novo-RJ) têm cada um 1% das intenções de votos. Já Flávio Rocha (PRB-RN), Guilherme Boulos (Psol-SP), João Vicente Goulart (PPL), Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Paulo Rabelo de Castro (PSC) não pontuaram. O percentual dos que não vão votar em ninguém, brancos e nulos totalizou 21% e não sabem ou não responderam, 9%.

No Nordeste, Lula tem 56% das intenções de votos, contra 7% de Bolsonaro e Ciro, que empatam na Região; Marina tem 6% e Alckmin apenas 1%. Os demais não pontuaram. No Sul, 31% dos entrevistados votariam em Lula, 18% em Bolsonaro e 10% em Álvaro Dias; Marina e Ciro empatam, com 4% cada e Alckmin aumenta para 2%, empatando com João Amoedo. Meirelles, Manuela e outros têm 1%.

No cenário espontâneo, Lula também está bem na frente dos demais candidatos.

O ex-presidente tem 34% das intenções de votos, Bolsonaro surge em segundo lugar, com 10%; Ciro e Alckmin voltam a empatar, com 3% cada; Marina e Joaquim Barbosa, que desistiu da candidatura, surgem com 2% cada; e Álvaro Dias, com 1%. E 5% dos entrevistados disseram que vão votar em outros, 25% ninguém, brancos e nulos, e 16% não sabem ou não responderam.

Nas simulações de segundo turno, Lula venceria todos os adversários com larga vantagem. Venceria Marina com 45% contra 14% da candidata da Rede; Já contra Alckmin e Bolsonaro, Lula alcançaria 47% dos votos contra 11% e 16%, respectivamente.

A pesquisa CUT/Vox Populi foi realizada com brasileiros de mais de 16 anos, residentes em áreas urbanas e rurais, de todos os estados e do Distrito Federal, em capitais, regiões metropolitanas e no interior, de todos os estratos socioeconômicos. Foram ouvidas 2.000, em entrevistas feitas em 121 municípios. Estratificação por cotas de sexo, idade, escolaridade e renda.

A margem de erro é de 2,2 %, estimada em um intervalo de confiança de 95%.

Rei Artur é o novo técnico do Leão

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Artur Oliveira, o Rei Artur, é o novo técnico do Clube do Remo e já vai dirigir o time na partida de domingo contra o Salgueiro, no estádio Jornalista Edgar Proença. A reunião que definiu a contratação aconteceu na tarde desta segunda-feira, depois que a diretoria azulina descartou outros nomes. Artur jogou pelo Remo e é um ídolo da torcida remista, incluído em todas as seleções de melhores jogadores do Leão em todos os tempos. Como técnico, dirigiu o Remo em duas oportunidades.

Cotado para assumir o Remo desde a saída de Ney da Matta, Artur fez um trabalho muito elogiado no comando do Bragantino no Campeonato Paraense deste ano. O time interiorano terminou em terceiro lugar, classificado para a Série D e Copa do Brasil. Artur deve ser apresentado oficialmente pela diretoria nesta terça-feira.

Artur Duarte de Oliveira é natural do Acre e tem 48 anos. Como jogador, defendeu o Remo em 1991, 1992 e 2004. Jogou pelo Boavista e Porto (Portugal), Vitória e Botafogo, Depois de encerrar a carreira, começou a trabalhar como técnico. Dirigiu o Remo em 2007 e 2008.