O morto-vivo e o vivo muito vivo

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Por Fernando Brito, no Tijolaço

O “comandante”  falou e vai levar os louros de ser quem, de fato, tem algum comando sobre a tropa dos caminhoneiros. A entrevista de jair Bolsonaro à Folha, não por acaso, coincide com a desmobilização, progressiva, do movimento de bloqueio das estradas.

Não foi dada antes, quando poderia ser uma contribuição ao desarmamento de espírito, apenas quando já se esgarçava a disposição de muitos em continuarem nos acostamentos.

Não foi dada depois, como simples  comentário ou opinião. Bolsonaro “ocupou território”  no vazio de autoridade de um politicamente falecido presidente de um moribundo governo.

De agora em diante, está exonerado da responsabilidade pelos transtornos à população.

A partir de amanhã, a “culpa” será toda dos petroleiros em greve, embora eles não tenham nada a ver com as filas, o alface que falta ou os preços que aumentam no mercado.

O governo? Ninguém liga mais.

Os partidos? Ah, umas quadrilhas.

Nem mesmo os altos oficiais do Exército: ou aderem à retórica autoritária de seus radicais ou vêem o um capitãozeco ir devorando sua autoridade. O Judiciário e o Ministério Público, afinal, conseguiram transformar este país em terra de ninguém.

Sobre a qual marcha, impávido, o centurião, pronto a atravessar o Rubicão, o famoso rio romano ao qual se proibia qualquer general de atravessar acompanhado de suas tropas.

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