O retorno do Rei ao Baenão

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POR GERSON NOGUEIRA

Artur Oliveira não era a primeira e nem a segunda opção da diretoria do Remo para substituir o demissionário Givanildo Oliveira. Talvez não fosse nem mesmo a terceira, mas acabou escolhido por um critério razoavelmente compreensível: a necessidade de dar uma sacudida motivacional no grupo de jogadores.

O momento da competição, a 11 rodadas do final da fase classificatória, exige decisões rápidas. Atenta a esse critério, a diretoria de Futebol buscou alternativas. Tentou diretamente alguns nomes – Antonio Carlos Zago, Lisca e Martelotte – e sondou outros, que nem chegaram a ser divulgados.

Diante do insucesso da prospecção no mercado, pela ausência de acordo entre a proposta do Remo e a expectativa dos profissionais consultados, surgiu novamente o nome de Artur. Antes, por ocasião da saída de Ney da Matta, ele já havia sido lembrado, mas não houve unanimidade dentro do grupo que cuida do futebol azulino.

Ídolo azulino, citado em todas as seleções de todos os tempos dos melhores jogadores do Remo, Artur sempre se manteve próximo ao clube e aos seus torcedores. Nos últimos tempos, treinando o Bragantino, chegou a ver um ligeiro estremecimento por conta da comemoração do técnico após vitória sobre o time remista no estádio Diogão.

Setores da própria torcida reagiram aos gestos de Artur, que chegou a subir junto ao alambrado para festejar com a torcida bragantina. Esse amuo envolveu também setores da diretoria e reapareceu nas conversas dos últimos dois dias, acabando por ser superado pelo bom senso.

A escolha é a mais sensata sob vários pontos de vista. O Remo não tem caixa para importar técnico com rodagem nacional e nome badalado. Givanildo Oliveira veio por conta de coincidências extremamente favoráveis.

Além disso, a Série C não é uma competição atraente para técnicos mais experientes, que receiam descer na escala de valorização do mercado. Givanildo topou porque não tem mais nada a provar. Sua história fala por ele.

Além do aspecto financeiro, a contratação de um técnico de fora da realidade regional implicaria em reiniciar todo o trabalho da atual diretoria naquilo que se pode definir como “projeto Série C”.

Artur chega na condição de conhecedor dos humores e da cultura do próprio Remo, clube que o projetou como jogador e onde também teve suas primeiras experiências como técnico. Sabe como a torcida se comporta e tem um canal de voz natural junto às diversas camadas de azulinos.

Relaciona-se bem com a velha guarda do clube, é admirado por todos no Evandro Almeida e só precisará ter a habilidade necessária para não ferir suscetibilidades, normais em qualquer clube de massa.

A maior colaboração que Artur pode dar ao Remo a essa altura é a da motivação, virtude que carrega como segunda pele. Foi assim que conseguiu os melhores feitos de sua vida profissional, com destaque para o terceiro lugar obtido com o Bragantino no Parazão 2018.

Sabe garimpar talentos e valorizar qualidades. Fala a linguagem dos boleiros e o idioma dos vestiários. Acima de tudo, porém, conhece a fundo as minudências do futebol e aprendeu a montar times de acordo com as características existentes no elenco.

Pode dar o choque motivacional que o Remo precisava para recuperar impulso e buscar a classificação à próxima etapa da Série C.

Uma boa aposta. Mais que isso: a melhor possível neste momento.

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Trivial variado do blog campeão

“Problema do Remo foi essa não substituição da principal válvula de escape do time que era o Felipe Marques, agravado por uma incrível baixa produtividade de Jayme e do Elielton, que têm velocidade mas parece que a parte mental para saber o que fazer com a bola no pé está bem prejudicada. Elielton é o típico jogador de 2º tempo que pega zaga cansada e corre feito um maluco para ganhar um pênalti ou acertar um chute ao gol, mas Jayme tem me surpreendido negativamente por não ser sombra do jogador importante que foi ano passado, quando tinha chute, velocidade e raciocínio para fazer jogadas que hoje não consegue. Isac, por mais que tenha perdido um caminhão de gols ao longo do campeonato, é o menos culpado por simplesmente a bola não chegar, a ponto de ter que se deslocar para a intermediária e laterais do campo para tentar participar de alguma jogada. Givanildo foi teimoso com a manutenção de pelo menos 2 dos 3 atacantes sem mudar a estrutura, já que o Remo do Parazão sabia sofrer, jogando nos contra-ataques, mas a falta de competência lá na frente faz com que a nossa zaga e nossos volantes fiquem sobrecarregados tamanha é a facilidade com que o time adversário chega e pressiona, principalmente nos jogos fora de casa”. Victor Palheta

“Excelente notícia. Até que enfim um técnico que conhece bem o Clube do Remo. Por mim ele já seria técnico desde quando saiu o Ney da Matta, espero que ele mude esse esquema ridículo de 4-3-3 que só funcionava quando tínhamos o Felipe Marques e adote o tradicional 4-4-2”. Robson Alves

“Penso que o técnico é parcialmente culpado, por insistir no esquema 4-3-3 e pela manutenção do Isac no time. Contudo, a falta de qualidade técnica é um problema considerável… No fim, o técnico é quem pagou a conta, embora eu ache que nem o Pep Guardiola conseguiria botar esse meu time nos eixos”. Nelson Albuquerque

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 29)

5 comentários em “O retorno do Rei ao Baenão

  1. Assisti boa parte de BrasilxLondrina, sábado último, depois que fui enxotado da final da Liga dos Campeões pelo Karius. Constatei, então, a boa atuação do Felipe Marques, talvez o único a se safar do time paranaense. Até gol de escanteio o ex-azulino esteve perto de fazer.
    Quanto ao Arthur, de quem guardo boas lembranças dos tempos de papos e peladas lá no ‘Manelão’, desconfio que era desejo de alguns cartolas desde quando o Remo empatou com o Santa Cruz.
    O diabo é o estilo assimilado e dissimulado das velhas raposas da ARENA. Anunciam o que não vão contratar apenas pra causar impacto na hora de divulgar o nome do eleito há muito. Nesse ritmo, dia chegará que vai aparecer um diretor dizendo, estávamos entre Pepe Guardiola, José Mourinho, Jurgen Klopp, Diego Simeone e Sinomar Neves, optamos pelo último. Não dá. A torcida não merece.

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