Anotações sobre o Círio ligeirinho

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POR JOSÉ FERNANDO PINA ASSIS

VAMO LÁ: a fé remove montanhas?!

Sou ateu (graças a Deus) e desde muito, quando meus pais envelheceram, acompanho todos os anos (na telinha) o desenrolar da maior manifestação de crença religiosa do ocidente.
Sigo especialmente seus aspectos etno-antropológicos e, ao cabo de leituras jornalísticas & leituras acadêmicas, penso imodestamente que entendo um pouco, o que move e o que controla a massa.
E esclareço:
MASSA – movida pelo medo, devoção, fé, entrega, culpa, dívida;
CLERO – move e usa a massa como um instrumento de poder;
ESTADO – sócio minoritário (já foi dono) na parceria com o Clero;

Feito isso, manifesto minha indignação em relação ao “vapt-vupt” em que vem se transformando o CÍRIO DE NAZARÉ, desde a chegada ao poder clerical de Dom Alberto Taveira Correia.
Em que pese o dinamismo técnico-burocrático-administrativo com o qual ele pessoalmente conduz a Cúria e a Arquidiocese (a que devemos elogiar) especialmente no tocante sua organização, penso que alguns itens do evento (de números gigantescos), precisam ser deixados ao cabo diligência próprias do rito popular.

FOGUETÓRIO: homenagem histórica dos estivadores, que por segurança poderia ser realizado em barcaças na Baía do Guajará; sua ausência tirou o brilho que meus ouvidos e olhos acostumados ao momento;
HORÁRIO: cuja saída, hoje é controlada pela Cúria, preocupada com a chegada no CAN; não importa o horário; Círio é dor, sofrimento, expiação; O pato ao tucupi e a maniçoba, podem sim ser degustados às 2, 3, 4 ou mais horas da tarde. A pequeno-burguesia que aguarde!
CORDA: cujo corte acelera e desordena a procissão, e que poderia ser evitado, caso se utilize corda sintética (não de sisal) como a utilizada em grandes obras de engenharia, indestrutível, sem instrumento adequado; custa mais caro mas seria comprada, e pronto!

PARABÉNS pela decisão de fazer a berlinda caminhar, não parando mais, diante das longas e farisaicas auto-homenagens em órgãos e empresas ao longo do trajeto da procissão.

O CÍRIO REPRODUZ E RENOVA UM MITO E DEVE SER MANTIDO FIEL AO QUE O ORIGINOU. TODO CUIDADO EM RELAÇÃO A ESSE DETALHE, AINDA SERÁ POUCO. 

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