POR GERSON NOGUEIRA
Deu gosto ver anteontem à noite, no jogo entre Vila Nova e Vasco, no Serra Dourada, os ex-bicolores Billy e Pikachu em ação, ratificando a velha máxima de que o futebol do Pará produz garotos bons de bola, apesar de todas as mazelas das divisões de base dos principais clubes.
A própria presença de Billy no alvirrubro goiano é, na prática, a confirmação dos descaminhos que rondam os jovens valores paraenses. Ao lado do irmão Brian, despontou na base do Papão há cinco anos, mas poucas vezes foi efetivado como titular.
Quando teve oportunidades foi pelas mãos de Lecheva, mas não se firmou. De repente, aparece como titular do meio-campo do Vila Nova, por indicação do técnico Mazola Junior. Curiosamente, não teve grandes chances quando Mazola treinou o Papão em 2014.
Pikachu, ao contrário, sempre dispôs de todo espaço e apoio na Curuzu, transformando-se num dos raros exemplos de revelação que rendeu frutos ao clube como atleta profissional. Saiu do Papão como ídolo da torcida e com as portas abertas.
Outro atleta remanescente dessa fornada, o polivalente Djalma, amarga um inferno astral que já se prolonga por quase três temporadas. Chegou a ser escalado por Vagner Benazzi na Série B, mas sempre era aproveitado para cobrir lacunas no time.
A improvisação virou um estigma para o meio-campista, cuja fase mais interessante foi como parceiro de Pikachu caindo pelo corredor direito do time bicolor. Nenhum outro jogador tinha tanta afinidade técnica com Pikachu e o entrosamento de ambos fazia crer na valorização de Djalma.
Como o futebol tem caminhos insondáveis, alguns jogadores sofrem e se intimidam sob o comando de técnicos desconhecidos. Parece ter sido o caso de Djalma, que teve um período de exílio em Alagoas e voltou neste ano à Curuzu.
Apesar do apoio unânime dos torcedores, Djalma está novamente fora dos planos do técnico de plantão. Marcelo Chamusca já deixou claro que o volante versátil não está entre os escolhidos para integrar o elenco do primeiro semestre.
Não teve chances nem no Campeonato Estadual, campo de experiência para as competições mais importantes. Ficou treinando à parte enquanto jogadores vindos de longe – como Wesley, Ayrton, Rainer, Sobralense – ganham espaço. A comparação é válida, pois o futebol de Djalma não é inferior ao de nenhum dos citados, a não ser que tenha desaprendido a jogar.
Algo muito sério talvez esteja acometendo o ex-titular da meia-cancha e do lado direito do time. Só isso justifica tamanho desprezo pelo seu futebol ofensivo e eficiente, tanto na proteção quanto no apoio.
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Dois craques que enchem o Pará de orgulho
Peço licença ao distinto leitorado para tecer merecidas loas a um duo paraense de refinado talento em suas respectivas áreas de atividade. Ambos estão fazendo por merecer aplausos e salamaleques sem conta.
Em primeiro lugar, destaco os 45 anos do programa “Feira do Som”, levado ao ar ininterruptamente todos os dias da semana na Rádio Cultura pelo botafoguense e beatlemaníaco Edgar Augusto Proença. Berço da melhor música paraense, o programa é um oásis para quem aprecia um som de primeira linha.
Edyr Augusto, seu irmão rubro-negro, viveu nesta semana a consagração de lançar seu último livro, “Pssica”, na Sorbonne de Paris, para uma plateia seleta de professores, estudantes e intelectuais. Discorreu também sobre outras de suas obras para um público já acostumado à sua prosa marcadamente moderna e irreverente, com fortes tintas papachibés.
Fiz questão de fazer o registro na coluna porque sou de um tempo em que o sucesso merecido ainda comovia e emocionava.
(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 03)
Amigo Gerson,
Billy sempre se mostrou um bom valor, jogador que sabia marcar e sair jogando. Sua melhor passagem foi nas mãos de Lecheva, quando teve algumas chances (depois foram minguando). Parece-me que o problema de Billy foi disciplinar, ainda que nada justifique a pouca paciência, quando comparada com os jogadores de fora, que temos (aqui incluo todos nós mesmo) com os jogadores locais…
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Por sinal, ele ainda teve algumas chances com Mazola, mas Billy não teve disciplina e paciência (lembro das reclamações sobre falta em treino).
Marola, em certa entrevista, destacou a qualidade de Billy e disse querer ver aquele jogador que jogou muito contra o Sport.
Para o azar de Billy, os titulares na era Mazola eram Zé Antônio e Capanema… Zé Antônio não era melhor que Billy, mas era o da confiança, já Capanema era titular absoluto.
A queda final foi a demissão do irmão… Billy ficou afetado com a saída de Bryan do PSC (palavras do Dinho na época)… Daí por diante seu futebol minguou no PSC.
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Parabéns aos dois papas chibé… Conquista pessoal, mas que está ligada à nossas raízes.
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Billy ficou quase um ano na titularidade do Papão, quando surgiu em um time que tinha Paulo Rafael; Pikachu; Thiago Costa, Pablo e Brayan; Neto; Billy; Djalma; Bartola; Leleu, entre outros da base. Perdeu a posição pra si mesmo, quando caiu de produção e ninguém lamentou sua ausência, daí duvidar que venha ser titular no Vila Nova, aliás, pra mim é novidade que tenha jogado. Já havia visto alguns jogos do time goiano este ano sem a presença do ex-volante bicolor.
O mesmo vale para Djalma, cuja descaracterização da sua condição de meia é responsabilidade do Mazola Jr., mas acabou contando com a omissão do próprio Djalma, alheio ao risco da perda da identidade.
Atualmente, é descabido compará-lo a Wesley e Airton, dois jogadores que a torcida do Paysandu vê com muita simpatia, no caso do segundo, independente de seu bom currículo no cenário nacional.
Penso, ainda, ser inoportuna a acusação de desprestígio à base, exatamente no momento em que a dupla Re-Pa tem em seu elenco vários jogadores com essa origem e com uma perspectiva de dar mais certo do que alguns dos citados como injustiçados.
PS- Outro dia, comentando a respeito do não aproveitamento do Djalma, Antônio Oliveira e eu conjecturamos a respeito da liberação do jogador bicolor pro Remo com um adendo de minha parte, vendo a possibilidade de um troca-troca. Falei do Djalma por um centro-avante que vive no estaleiro ao que Janderson, torcedor remista, tomou como se fosse o Val Barreto. Não era. Hoje, lendo a coluna do Cláudio Guimarães, lembrei do nome: João Vitor. Seria, penso eu, uma boa troca.
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Wesley não é bem visto por mim.
Pelo
menos não por mim.
O Jogador, até o momento, mostrou-se apenas mediano.
Penso que com Jonhatan jogando o que sabe e Rodrigo Andrade mantendo essa regularidade, Wesley deva ir pro banco, pois não tem bom passe e não tem a pegada do Capanema.
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De minha parte, mantenho a opinião de que o futebol do Djalma teria ampla utilidade no Clube do Remo. E não apenas pelas dificuldades financeiras atuais do Mais Querido, mas também por achar que tendo oportunidade, poderá desenvolver todo um potencial do qual acho que seja possuidor.
Quanto ao Billy, recordo do bom futebol que jogava, da temporada de titularidade que teve no rival, dele ter sido relegado, e das notícias de que tal ocorrera devido à insubmissões que teria cometido, as quais teriam refletido inclusive no seu desempenho como profissional de futebol. Este último aspecto, vale admitir, não posso asseverar. Mas, independentemente do motivo, o fato é que o jogador foi exibindo um futebol cada vez mais minguado até não ser mais aproveitado.
Para fechar, registro que nada obstante me inscreva dentre aqueles que considera que a dupla Re/Pa subaproveita as crias de casa/revelações, não considero que a só origem regional preencha os requisitos necessários ao aproveitamento do jogador. Também não considero que a ausência de grife importada importa no automático descarte do produto regional.
Deveras, o Pikachu não precisou agregar ao seu nome qualquer outra designação importada para assumir, além da titularidade, a condição de protagonista no rival. Não! Bastou um grande futebol e uma postura compatível com sua condição de atleta. Além, é claro, d’alguém interessado e dedicado a cuidar de seus interesses no mercado.
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Me Tire o Tubo
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É um direito seu pensar assim, amigo Cláudio, mas esta é minha opinião. Sabemos que não é admirador de atletas e técnicos regionais, mas respeito pontos de vista diferentes.
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Exatamente isso, Antônio. Ou o cabra joga ou não. E aí o torcedor quer lá saber a origem. Também não sou fã do Wesley, mas vejo ao meu redor os torcedores com cara de satisfeitos, tanto que o parceiro Celira pede socorro ao “se”, pra arranjar um lugar pro Jonnathan e tirar o forasteiro.
SQN. O torcedor está furibundo exatamente com o ex-remista, aliás, com os ex-remistas Jonnathan e Cearense, este parece tomado de súbito narcisimo que o levou a dar excessivo valor ao porte físico, sacrificando o atlético, daí ter perdido toda a mobilidade.
Pra fechar, gostaria de exaltar a forma exuberante do Rodrigo Andrade e augurar que dure o tempo da dos lendários Beto e Quarenta, o que fatalmente exigirá que abandone o campeonato de novos do Pará Clube, assim como seja mantida sobre os ombros a cabeça do Leandro Carvalho, duas apostas regionais que atualmente inspiram muita confiança no torcedor bicolor. Ou não, Celira?
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Imagine, amigo Gerson… Intenção foi mais descontrair..Hoje é sexta…rs
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Aí concordo Jorge, Leandro Carvalho é um jogador com muito potencial. Ainda que precise se esmerar na parte de comportamento (segundo se conta nos bastidores), já Rodrigo é um atleta com potencial para ir muito longe. Pode ser o famoso volante moderno que tanto queremos no futebol brasileiro… Treino, treino é treino… Isso o fará melhor.
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