Delação premiada “não vale” no caso dos trens do PSDB, diz o STF

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Do site Jota, especializado em cobertura do Judiciário , agora à tarde, em reportagem de Luiz Orlando Carneiro:

“Com o “voto de Minerva” do ministro Luiz Fux, a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal arquivou, nesta terça-feira (10/2), o inquérito (INQ 3.815) relativo ao suposto esquema de formação de cartel em licitações do sistema do metrô de São Paulo, entre 1998 e 2008 (Caso Alstom-Simens).

O inquérito “subiu” ao STF porque tinha, entre os indiciados, o ex-deputado federal e atual suplente de senador José Aníbal (PSDB-SP) e o deputado Rodrigo Garcia (DEM-SP), no exercício do mandato.

No dia 25 de novembro último, o ministro Fux pedira vista dos autos, quando se verificou o empate de dois votos a dois (as turmas do STF têm cinco membros) no julgamento da questão de ordem levantada pelo relator do processo, ministro Marco Aurélio, sobre a continuidade das investigações que envolveram os dois políticos.

Os ministros Luís Roberto Barroso e Rosa Weber tinham votado pelo prosseguimento do inquérito, por entenderem ser cabível a promoção de novas diligências, já que – embora frágeis – havia indícios de ligação dos parlamentares com os “fatos narrados”. Além disso, consideraram haver “interesse público” no prosseguimento da apuração.”

A base das acusações era a “delação premiada” do ex-diretor  da divisão de transporte da  Siemens, Everton Rheinheimer. Em depoimento à Polícia Federal,Rheinheimer declarou que parlamentares recebiam propinas de multinacionais, entre eles os dois com foro privilegiado.

Como Rheinheimer não tinha conta no exterior, não era condenado da Justiça e não acusou ninguém do PT o que ele diz não é tão crível quanto, é claro, o que diz o “bandido profissional” (palavras de seu juiz “particular” Sérgio Moro) Alberto Youssef.

O relatório de Fux diz que, apesar da citação feita pelo ex-diretor da multinacional alemã, não havia menção direta aos parlamentares do PSDB e do DEM. E, então, “matou no peito” e desempatou a votação, extinguindo o processo. (Por Fernando Rodrigues, no Tijolaço) 

O golpe dos cleptocratas e dos plutocratas

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POR JEAN WYLLYS, no DCM

“Chega de brincadeira com a democracia”. Diz a manchete em letras garrafais do Correio Brasilense. Essa mesma expressão aparece num dos destaques da capa de O Globo. Em ambos, há uma charge que mostra o advogado geral da União, José Eduardo Cardozo, manipulando Waldir Maranhão como se este fosse uma marionete.

Tirando o Correio Brasiliense, todos os demais jornais “nacionais” reproduzem a mesma manchete: uma espécie de alívio por Renan Calheiros levar adiante o golpe parlamentar contra a democracia disfarçado de processo de impeachment – ontem os sabujos dessa imprensa estavam desesperados em seus perfis nas redes sociais e em comentários em telejornais com a decisão de Maranhão de anular a sessão que votou o impeachment na Câmara!

A “coincidência” nas manchetes dos jornais e mesmo nas charges do Correio Brasiliense e de O Globo mostram que não há diversidade nem contraditório na imprensa brasileira. Os jornais parecem editados pelas mesmas pessoas. A impressão é que os editores e/ou diretores de redação se falam para combinar a narrativa.

E essa narrativa busca de todo jeito e com todos os malabarismos argumentativos e desonestidade intelectual justificar o golpe contra a democracia e pintar os picaretas favoráveis ao impeachment de Dilma – começando por Anastasia, praticante de mais pedaladas fiscais, quando governador de Minas Gerais, que a própria presidenta, e terminando por Michel Temer, citado em delação à Polícia Federal como receptor de propina em esquema de corrupção – como “estadistas sérios e probos”.

Ora, quem acredita na narrativa desse imprensa? Nem ela mesma! Ela sabe que está tão somente tentando manipular a classe média e os pobres; tentando convencer a classe média e os pobres de que é “legal, justo e ético” uma camarilha de corruptos derrubar um governo eleito democraticamente e tomar de assalto a presidência da República sob os olhos convenientemente cegos da Justiça.

Mas vamos nos concentrar na manchete do Correio Brasiliense. Esta chega a ser um deboche com todos nós, né? Afinal esta é a frase que todos os que tramaram e levaram a cabo esse golpe institucional contra a jovem democracia brasileira – os plutocratas e cleptocratas do PSDB, do Democratas, das facções do PMDB, dos partidos de aluguel que abrigam o baixíssimo clero da política, da FIESP e demais entidades patronais, dos grupelhos fascistas que atuam nas redes sociais e dessa imprensa abjeta – esta é a frase que todos eles deveriam ouvir de todos nós que defendemos a democracia e as regras do jogo democrático: “CHEGA DE BRINCADEIRA COM A DEMOCRACIA!”

Os golpistas querem inverter os papéis e convencer os incautos, os ingênuos, os desinformados, os mal-informados e os analfabetos políticos de que eles são os “mocinhos” dessa história. Os vilões sempre usam desse artifício em qualquer ficção. Mas, no filme ou na novela, é o disfarce que releva o bandido (nesse caso, bandidos)!

No golpe de 1964, os golpistas convenceram a classe média de que eram os mocinhos (basta pesquisar os jornais da época, os mesmos jornais!) e depois se revelaram corruptos, hipócritas, egoístas, censores, perseguidores, torturadores sádicos (até de crianças!) e assassinos, numa ditadura que durou mais de duas décadas.

Hoje está difícil para os golpistas convencerem toda a classe média e os pobres de que são os “mocinhos”. A internet e, consequentemente, a imprensa e a comunidade política internacionais não estão dando trégua aos bandidos. E será assim doravante.

O golpe contra a democracia pode até triunfar, mas triunfará como tal, como um golpe de cleptocratas e plutocratas que não sabem viver em regimes democráticos e que desejam se apropriar das riquezas do país e fazer do Estado um mantenedor de privilégios e não direitos!

Deixaremos isso claro e não nos submeteremos calados a um governo ilegítimo! Para nos calar, os golpistas terão que recorrer, de novo e aos olhos do mundo, à censura, à tortura e ao assassinato!

Publicado originalmente no Facebook.