O lado difícil e justo da história

POR FERNANDO DRUMMOND

Há noites que duram anos. Há dias que duram séculos. Esta foi uma noite e este será um dia. Escolhi o lado difícil da história, escolhi o lado ‘justo’ da história. Poderei dizer a meus futuros filhos e netos que a primeira mulher Presidenta do Brasil foi usurpada do poder por seres humanos traidores, vendidos, sem palavra e sem honra. Sob a tutela de Deputados com contas na Suíça, ex-Presidente da República desviando dinheiro para bancar, no exterior, amante e filho, Senadores traficantes de drogas, Senador que possui trabalho escravo em seus latifúndios, fanáticos religiosos e tantos outros. Esta mesma mulher, que aguentou, por três anos, a prisão, tortura física, moral e sexual, aguenta, de pé, a mesma tortura, com a devida proporção. Houve erros? Sim. Houve alianças espúrias? Sim, em nome de uma frágil governabilidade.

Aliás, poderia enumerar uma série de equívocos, mas não foram eles os responsáveis por tirar Dilma Vana Rousseff do poder. Foram seus acertos. Quando Lula foi eleito em 2002, a Casa Grande apostou em quatro anos de fracasso, estampado no medo de Regina Duarte, a namoradinha do Brasil. Os governos de Lula foram os melhores da história de nosso país, fazendo sua sucessora duas vezes. Ah, isso é inadmissível para a elite. Como um analfabeto, torneiro mecânico, pode chegar tão longe e ser o brasileiro com maior títulos Doutor Honoris Causa?

Enfim, a Casa Grande não suportou ver o povo pobre ocupar a vaga de seus filhotes nas universidades federais, que, em tempo, nos últimos treze anos foram criadas mais do que nos quinhentos e dois anos anteriores. A Casa Grande não admitiu que empregadas domésticas (um termo lamentável) tivessem mais direitos, pois ficou mais caro “tê-las”. Para eles, é um absurdo, um outro ser humano ter mais direitos trabalhistas. A Casa Grande não suportou o fato de ver 40% a mais de negros adentrar o portão principal das universidades. Aeroporto ter virado rodoviária. A Casa Grande tremeu com a alta do dólar, atrapalhando seus passeios anuais para Miami. Tantos e tantos outros exemplos que só mostram que a Casa Grande precisa tirar esta mulher do poder, afinal eles precisam da Senzala para que nunca deixem de ser a Casa Grande.

Fernando Drummond

Papão vai pagar prêmio de R$ 3 milhões pelo acesso

A diretoria do Paissandu anunciou na tarde desta quinta-feira a premiação para o acesso à Série A. Elenco e comissão técnica dividirão a quantia de R$ 3 milhões em caso de êxito na campanha do clube na Série B deste ano. O acordo foi firmado em reunião realizada pela diretoria, à frente o presidente Alberto Maia, com o elenco de jogadores e a comissão técnica.

O Brasil não anoitecerá

A madrugada de 11 para 12 de maio de 2016 virou com a impressão de ter sido mais enevoada do que as outras deste outono. Ao determinar o afastamento da presidenta da República legitimamente eleita Dilma Rousseff por meio do golpe de um processo apodrecido de impeachment, o Senado Federal aprofunda a ferida aberta na democracia nacional já no fim das eleições presidenciais de 2014, quando perdedores decidiram, à força, sair vencedores da disputa das urnas. É o movimento para remover, sob quaisquer condições, um projeto popular e progressista de desenvolvimento que passou a priorizar as camadas historicamente excluídas das políticas públicas nacionais.

As sombras que começaram a se forjar no início de 2015, com as primeiras manifestações que trouxeram o discurso da defesa da ditadura militar, transformaram-se em uma jornada sem precedentes da intolerância e do autoritarismo desde o fim do regime, em 1985. Cresceram com a progressão de um pedido absurdo de impedimento presidencial sem os devidos crimes de responsabilidade que a lei exige. Atingem dimensão preocupante neste momento em que o golpe conseguiu a retirada da presidenta por até 180 dias e permite ao vice-presidente Michel Temer assumir sorrateiramente a cadeira presidencial como um vulto esgueirando-se para onde não foi convidado.

Enganam-se, no entanto, aqueles que imaginam que os movimentos populares e democráticos da sociedade brasileira assistirão com passividade ao teatro detestável de conspiradores e saqueadores da ordem democrática. A União Nacional dos Estudantes, representante dos milhões de universitários e universitárias do país e uma das mais antigas instituições da vida pública nacional anuncia que não reconhecerá o governo de Michel Temer. Em cumprimento estrito da Constituição Federal de 1988, conquistada após a morte de tantos que lutaram contra o regime de exceção que a precedeu, a UNE tem o dever de reportar-se como presidenta da República somente àquela que é de fato a presidenta da República: Dilma Vana Rousseff.

Ainda que o golpe busque repetir a história de 1964, retirando os tanques e metralhadoras de seu roteiro e incluindo togas e gravatas, não conseguirá acuar a voz das ruas. Nos últimos meses, cresceu no país a articulação inédita de movimentos organizados de trabalhadores, juventude, camponeses, lutadores por moradia, mulheres, negros, LGBT, coletivos de cultura e comunicação de todas as partes que formam a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo. A coalizão democrática dessas forças engendrou a semente de um núcleo poderosíssimo de resistência ao golpe, com força imensamente superior à dos movimentos que tentaram resistir à ditadura iniciada em 1964.

Não haverá, portanto, um minuto sequer de trégua concedido aos inimigos do povo. Estaremos nas ruas, nas universidades, nas redes sociais, em todos os espaços alcançáveis em que possamos deixar a denúncia da grave lesão sofrida pelo país. Foi com esse espírito que crescemos e nos multiplicamos nos últimos anos, com manifestações que ultrapassaram a marca dos milhões de brasileiros, com atos públicos de norte a sul, acampamentos de resistência, ocupações, comitês universitários, atividades culturais, ações estratégicas de comunicação e a gestação espontânea de milhares de núcleos de defesa da democracia, a maior parte formada pela juventude.

Não pensem os golpistas que o Palácio do Planalto os pertence. A UNE, que teve muitos de seus militantes torturados e mortos na luta democrática desta nação, não concede a Michel Temer, Eduardo Cunha, Aécio Neves e outros trapaceiros o direito de rasgar a carta magna das leis nacionais sobre seus corpos. Não passarão. Podem tentar fingir, para o conjunto da sociedade, que estão do lado certo, mas terão que disputar essa versão com a nossa militância na praça pública. Não tememos, tampouco, que neste processo tentem nos prender ou nos matar, pois, como o diz o ditado, se o fizerem, voltaremos em milhões. Somos hoje jovens de todas as origens, estudantes filhos das famílias ricas ou da periferia que chegaram à universidade por meio do avanço dos programas sociais, do Prouni e do Fies, da reserva de vagas, da expansão do ensino superior. Representamos a transformação de um país que não aceitará retrocessos.

A noite de 11 para 12 de maio não será como a de primeiro de abril de 1964. Não deixaremos o Brasil submergir frente a sua própria soberania. Não estaremos imóveis, não nos calaremos, reuniremos a força, a motivação, a sensibilidade, a determinação e a criatividade que foram capazes de nos fazer vencer em momentos bem mais dramáticos do que este na história brasileira. Preparem-se golpistas. Aqui está presente o movimento estudantil. O Brasil não anoitecerá mais uma vez.

União Nacional dos Estudantes
12 de maio de 2016

Leão terá que pagar R$ 600 mil a Leandrão

Como se já não enfrentasse problemas de ordem financeira, em decorrência da eliminação no Campeonato Paraense e na Copa Verde, o Remo se vê às voltas com outra notícia ruim no âmbito trabalhista: o atacante Leandrão, que passou uma chuva no Baenão sem deixar saudades (marcou 2 gols em 13 partidas disputadas), ganhou uma causa no valor de R$ 600 mil na Justiça do Trabalho. Contratado na gestão de Zeca Pirão, em 2014, juntamente com mais seis veteranos, o jogador tinha direito a receber R$ 30 mil em função de acordo na Justiça com os dirigentes. Como o acerto não foi honrado, a dívida se avolumou e subiu para R$ 600 mil.

Ao ser cientificado da cobrança do débito, o presidente André Cavalcante informou que irá recorrer e mostrou-se indignado com o desleixo dos ex-dirigentes do clube. Cavalcante prometeu lutar para tentar evitar mais essa sangria às finanças azulinas. O presidente vem negociando com os jogadores que não interessam ao clube para o Brasileiro, tendo o cuidado de não concretizar acordos que o clube não possa sustentar depois. Todos os contratos dos novos jogadores, assim como dos dispensados, têm sido submetidos ao crivo pessoal de Cavalcante, que é advogado e auxilia o departamento jurídico nessas questões. (Com informações do Bola)

Liberalismo volta ao Brasil da única maneira possível: na mão grande

BilleFHC

POR TADEU PORTO, no blog O Cafezinho

Foram meses complicados em 2014, setembro e outubro, que me dediquei incansavelmente à campanha de reeleição da presidenta eleita Dilma Rousseff. Gastei até onde pude minhas camisas vermelhas – como a minha preferida com Lula e Dilma na frente “Os 10 anos que mudaram o Brasil” – me lambuzei de protetor solar para panfletar nas ruas das cidades que frequento, levei minhas pernas ao limite do doce cansaço e gastei saliva e digitais para defender uma política nacionalista que levasse o país à grandeza que ele merece, no debate presencial e virtual.

A democracia tem disputas abertas e regulamentadas, como são os pleitos de dois em dois anos, as quais não se pode abrir mão de maneira alguma. São partes de uma engrenagem legal, construída para dar estabilidade política ao debate inerente das decisões coletivas, se cada civil quiser ser representado da maneira que lhe convém, viveríamos o caos.

Algo semelhante com nossos dois últimos anos.

A vitória da esquerda em 2014 veio, mas não demorou muito para a ficha cair e se constatar, dias após (precisamente com Cunha ganhando a presidência da câmara e a mídia comemorando), que a direita não tinha construído a atmosfera das eleições passadas para perder: uma operação policial tendenciosa, com delações vazadas e arquitetadas (como o “eles sabiam de tudo”) a mídia trabalhando noite e dia para destruir um projeto popular não poderia ter sido em vão.

A elite brasileira chegou ao seu limite na divisões de tempo e espaço: ver os pobres frequentar áreas VIPs e ter que criar camarotes exclusivos; conviver com os restaurantes lotados e ter que inventar a comida gourmet (mais cara porque tem uma folha de hortelã em cima) para tentar restringir o público; aguentar os shoppings lotados, assistir peles negras desfilarem marcas de roupas internacionais e partilhar o salão de beleza com aquele cabelo de “pixaim”, foi demais pra burguesia.

O projeto bolivariano e popular teria que sair na marra, custe o que custar.

Nem que valha a própria democracia, afinal, assim está sendo o processo de retirada do partido que mais representou o povo brasileiro em sua totalidade [liberdade aqui para usar o gerúndio, sei que é feio mas pra mim a luta ainda não acabou com a admissibilidade] para a volta de um projeto que quebrou o país três vezes e entregou nossas riquezas a preço relativo de banana – o valor absoluto deve ser calculado somando-se a privataria – e jogou para debaixo do tapete tons de corrupção.

A liberdade econômica e a eficiência do Estado significam, conotativamente, entregar de mão beijada o capital, bens e serviços nacionais para oligopólios e monopólios privados que terão muito mais facilidade de concentrar renda, já que terão as ferramentas para dominar uma república mais fraca (bem mais fácil de chantagear) e não tem que dar satisfações à população nem mesmo mediante a venda dos produtos, com preços dominados por um cartel plutocrático.

A brasileira e o brasileiro conhecem, na prática, muito bem as políticas liberais: FHC virou as costas para os mais pobres, fez a periferia desejar o pão que o diabo amassou (era melhor isso do que morrer de fome) e governou para uma aristocracia vira-lata e entreguista que não serviu nem mesmo para fazer uma revolução francesa [burguesa] tupiniquim.

Foi a liberdade tucana que não deixou uma infraestrutura básica de energia (o apagão que o diga); trouxe o caos do tripé manco (não conseguiram cumprir nem a política deles mesmos); promoveu o sufocamento da classe produtiva com um mega pacote de arrocho salarial e retirada de direitos; abandonou a educação de maneira criminosa e que, sobretudo, negligenciou a miséria e as mortes de fome que circulavam pelo país.

Foi a técnica, os notáveis e a eficiência que, por exemplo, sucateou a Petrobrás a ponto de conseguir afundar uma plataforma inteira de petróleo em 2001 deixando de produzir barris importantes para nação durante anos e, sobretudo, tirando a vida de onze petroleiros, como se existisse uma guerra literal contra o trabalhador (será que o exército na refinaria em 1995 foi um presságio?).

E, claro, tamanho desastre nunca voltaria pela porta de frente. É por isso que, apesar dos erros consideráveis do PT todos esses anos, o projeto liberal não consegue sentar na cadeira de presidente. Ainda arde nas lembranças do povo brasileiro o sofrimento passado, o que dificulta a aceitação – pelo crivo da democracia direta – de qualquer proposta privatista, como o documento “uma ponte [de volta] para o futuro”.

Todavia, a imoralidade não tem o menor pudor de trabalhar na margem das regras para afanar o voto de mais de 54 milhões de cidadãos e cidadãs, consequentemente, Dilma cede lugar temporário a Temer – com o nacionalismo levando uma rasteira do entreguismo – pela via mais perversa da ética: da traição, do obscurantismo e da demagogia.

Os deputados e senadores que votaram “sim”, não aguentariam três rodadas de discussões dialéticas sem mostrarem o lado fascistas que ataca as políticas de inclusões sociais e não aceita os avanços populares do país. Por isso, foi na tribuna da retórica que o golpe foi dado: um monólogo político sem o contraponto justo das massas que deveriam, numa democracia, ditar os rumos da política nacional.

O golpe de Estado, a ruptura institucional democrática e o rasgar da constituição deram  ao liberalismo seu ar da graça de volta a terras verde e amarelas, encarnado no que há de mais retrógrado na nossa política. Pronto para sugar, mais uma vez, o sangue e o suor dos negros, mulheres, gays, índios, pobres e trabalhadores como se fôssemos pilhas energéticas da matrix da plutocracia.

Assim, simples assim, um governo roubado na mão invisível grande.

*Tadeu Porto [twitter: @tadeuporto] é Diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF)

Não há razão para rir quando quem perde é o Brasil

meninosarria

(Foto de Reginaldo Manente que emocionou o país após derrota na Copa da Espanha, em 1982)

POR CYNARA MENEZES, no blog Socialista Morena

Hoje é um dia triste para o Brasil. Mesmo quem hoje está rindo, soltando fogos, ainda vai se dar conta disso –a não ser que seja cúmplice ou tenha a ganhar pessoalmente com o governo ilegítimo que hoje se instala, esperamos que interinamente.

Não há como o país ficar melhor quando o que moveu os vencedores provisórios dessa disputa foram os sentimentos mais baixos:

– o ódio

– o egoísmo

– a ganância

– o desprezo pela democracia e pelas urnas

– a cobiça

– a irresponsabilidade

– o preconceito de classe e de origem

– o racismo

– a homofobia

– o rancor

– o machismo e a misoginia

– a vingança

– a traição

– a corrupção (sim, do lado dos que lutaram contra a corrupção estão os maiores corruptos brasileiros)

– o desamor pelo Brasil

– a truculência

– a falta de empatia com os mais pobres e necessitados

– a burrice

Por que a burrice? Porque a escolha por este caminho é, acima de tudo, burra. Havia outras saídas para a crise, como a convocação de eleições gerais. Mas a elite brasileira, apoiada por cidadãos manipulados ou mal-intencionados, e com o suporte da mídia porca que temos, sempre disponível em caso de ameaça à democracia, decidiu pelo golpe. A História mostrará, como em 1964, quem estava do lado da verdade e da Justiça.

Escolhi para ilustrar este post a foto de Reginaldo Manente que marcou o começo de minha adolescência, quando o Brasil foi derrotado pela Itália na Copa do Mundo da Espanha, no estádio de Sarriá, em 1982. Esta imagem saiu na capa do extinto Jornal da Tarde e emocionou milhões de brasileiros. Como esta campanha contra a presidenta Dilma foi simbolizada por pessoas usando a camiseta da CBF, me parece perfeita para o momento. Em breve, acredito, muitos dos que usaram o verde e amarelo da seleção estarão assim, como estamos hoje.

Um triste dia para ser brasileiro, este. Desejo muita força à presidenta Dilma, uma mulher honesta, digna, guerreira. E vítima de uma das maiores injustiças de que se tem notícia. Mas não se enganem: não foi Dilma quem perdeu hoje, foi o Brasil. E não há razão para rir quando o nosso país é derrotado.