Empresários ligados às empresas Globo, SBT, Estadão e Abril aparecem no Panama Papers

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DO COMUNIQUE-SE

A investigação Panama Papers identificou pelo menos 14 empresários e diretores de empresas de mídia brasileiras, seus parentes ou jornalistas que têm relação com offshores criadas pela firma panamenha de advocacia Mossack Fonseca. As informações são do blog do Fernando Rodrigues, do Uol.

Segundo o jornalista, todos os nomes da lista foram procurados e negam irregularidades, ou afirmaram estar em processo de regularização das offshores. Os documentos mostram o nome de uma neta de Roberto Marinho – fundador da Globo – e diretores e ex-diretores do Grupo Globo; a dona da TV Verdes Mares, Yolanda Vidal Queiroz; o apresentador Carlos Massa, o Ratinho, dono da Rede Massa de Televisão (afiliada do SBT no Paraná); um sócio do grupo Bloch, antigo dono da TV Manchete, Pedro Jack Kapeller; o ex-senador João Tenório, dono da TV Pajuçara, em Alagoas; e o sócio das TVs Studio Vale do Paraíba e Jaú, Antonio Droghetti Neto.

Do Grupo Estado, responsável pelo Estadão, os nomes ligados a offshores foram o executivo Ruy Mesquita Filho e o presidente do conselho de administração do Grupo Estado, Walter Fontana Filho. Além deles, consta nos papéis da Mossack Fonseca o jornalista que trabalha em revistas da Editora Abril, José Roberto Guzzo.

De acordo com a lei brasileira, qualquer cidadão pode ter empresa em paraíso fiscal. Porém, é necessário que a operação esteja registrada no imposto de renda do proprietário e, quando forem enviados recursos ao exterior, é obrigatório informar ao Banco Central sobre a operação, em casos que superem o equivalente a US$ 100 mil.

Para chegar aos nomes, Rodrigues fez checagem manual, na qual foram consideradas 617 empresas e pessoas. Foram verificados 346 jornalistas listados como finalistas do prêmio “Os mais admirados jornalistas brasileiros 2015” – na categoria “nacional” –, os acionistas dos 50 maiores jornais de 2014 listados no site ANJ e os diretores e acionistas das principais emissoras de TV e rádio.

Nomes nas offshores
Acionista e membro do conselho das TVs Studios Vale do Paraíba e TV Studios de Jaú, ambas do Grupo Silvio Santos, o empresário Antonio Luiz Droghetti Neto aparece como procurador da Gertie Services Corp., desde 2007. A offshore é a mais antiga e foi registrada pelo escritório brasileiro da Mossack, em nome de outros procuradores antes do executivo.

O empresário Carlos Roberto Massa, o Ratinho, aparece nos documentos como diretor da offshore Cambara Limited. A companhia foi criada pela Mossack Fonseca nas Ilhas Virgens Britânicas em novembro de 1999, após solicitação feita pelo Banco HSBC da Suíça. O documento mostra o apresentador como diretor da empresa, que foi desativada em 2004, data de seu último registro.

Diretor-geral da Rede Globo, Carlos Schroder é o único acionista da Denmark Holdings Incorporations. A empresa foi criada em 2010 nas Ilhas Virgens Britânicas. No registro da criação, o executivo informou como seu endereço a Rua Lopes Quintas, 303, no bairro do Jardim Botânico, zona sul do Rio de Janeiro, onde é justamente localizada a sede da Rede Globo. A offshore de Carlos Schroder está legalmente declarada. O diretor da emissora apresentou declarações da Denmark Holdings feitas à Receita e ao Banco Central.

A offshore Veurne Capital Inc., sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, tinha como diretores os executivos ligados à Rádio Globo S.A., Helena e Luiz Eduardo Velho da Silva Vasconcelos. Em fevereiro de 2006, quase todas as ações da empresa foram liquidadas e os valores transferidos para outras duas offshores: a Tripoli Holding Venture Limited e a Lucky Seven Venture Inc. Em junho do mesmo ano, a Veurne foi extinta. Os empreendimentos foram declarados à Receita Federal.

Ex-diretora-geral da TV Globo, Marluce Maria Dias da Silva comprou a Hopton International Corp. em 1998, por intermédio do escritório de advocacia uruguaio Posadas Posadas & Vecino. Poucos meses depois o escritório solicitou que ela fosse nomeada presidente da offshoresediada nas Bahamas até ser encerrada em dezembro de 2000.

Neta do fundador do Grupo Globo, Paula Marinho recebeu e pagou faturas relativas a três offshores mantidas pela Mossack Fonseca. As empresas foram criadas em 2005 e reativadas por Alexandre Chiappetta de Azevedo em 2009. Na época, os dois eram casados.

Os dois se separaram em outubro de 2015 e nenhum deles aparecem nos documentos como acionistas ou representantes de offshores. Segundo a descrição nos documentos, as três companhias foram criadas com o objetivo de serem acionistas em empresas brasileiras. Por meio de sua assessoria, Paula informou que “não tem nem nunca teve participação em nenhuma dessas empresas. O beneficiário era seu ex-marido Alexandre Chiappetta. Seu endereço foi apenas usado para o envio de faturas de manutenção das mesmas”.

Diretora do Grupo Globo, Rossana Fontenele Berto controla a offshore Howell Finance Ltd. junto com seu marido, Luiz Rogerio Berto. Ambos aparecem nos documentos da Mossack como procuradores da empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas.

Controladora do grupo cearense Edson Queiroz, responsável pela TV Verdes Mares (afiliada da Rede Globo em Fortaleza), Yolanda Vidal Queiroz aparece nos documentos da Mossack Fonseca como diretora da Engel Blue Corporation desde 1988. Seu nome permanece associado à companhia.

O usineiro João Evangelista da Costa Tenório, proprietário da TV Pajuçara, emissora sediada em Maceió e afiliada à Rede Record, e seu filho João Tenório Filho, aparecem nos arquivos como acionistas e beneficiários finais de duas offshores: a West Eight Corp., aberta na Flórida (EUA), e sua controladora, a Brickland Overseas Ltd., aberta nas Ilhas Virgens Britânicas. As duas empresas são controladas por diretores indicados pela Mossack Fonseca.

O jornalista José Roberto Guzzo, colunista da revista Veja e integrante do Conselho Editorial do Grupo Abril, aparece como beneficiário final da empresa panamenha Henshall Group S.A., ao lado de Roberto Andreoni Guzzo. Os registros datam todos de 2015.

Empresário e sobrinho do fundador das já extintas Revista e TV Manchete, Jack Kapeller assumiu a Iado Corporation em 1999, junto com quatro parentes. A offshore foi criada nas Ilhas Virgens Britânicas. Em 2000, os cinco são nomeados procuradores de outra empresa, a Zicon, fundada no mesmo paraíso fiscal. Atualmente as duas companhias estão inativas.

Ex-diretor do Jornal da Tarde, Ruy Mesquita Filho foi procurador da offshore Chapman Equities S.A., fundada em dezembro de 2013. A empresa se destina à administração de bens na Suíça, com ações emitidas ao portador. Além dele, o presidente do conselho de administração do Grupo Estado, Walter Fontana Filho, tem uma offshore: a Hartley Consulting Corporation, fundada em dezembro de 2002, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas.

A hora de Veiga

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POR GERSON NOGUEIRA

É quase consensual a avaliação de que o Remo padeceu muito neste primeiro semestre em função da equivocada escolha do técnico para o Campeonato Paraense. Iniciante, com apenas uma experiência em time profissional no currículo (bem-sucedida, por sinal), Leston Junior representou um atraso monumental no Remo. Não teve todos os reforços que solicitou e dos jogadores que indicou poucos vingaram.

Como era previsível, o time não deu liga e acabou ficando pelo caminho no Parazão numa de suas piores campanhas no futebol regional.

A contratação de Marcelo Veiga na reta final do certame estadual não conseguiu estancar a sangria. O Remo perdeu a chance do tricampeonato e, de quebra, foi eliminado da Copa Verde pelo maior rival.

Veiga, porém, saiu incólume. Não sofreu desgaste. O torcedor assimilou as perdas, entendendo que o novo técnico não tinha responsabilidade pelos resultados finais das duas competições. O rendimento da equipe, bem superior sob seu comando, garantiu sua aprovação perante a torcida.

É nessa condição que agora prepara o Remo para a disputa do Brasileiro da Série C. Trata-se da última competição da temporada para os azulinos e a única chance de se redimir dos insucessos nos torneios disputados.

Experiente, Veiga tem consciência dessa responsabilidade. Dentro das possibilidades do clube, conseguiu reunir jogadores de bom nível para posições carentes no elenco. O jogo-treino de domingo deixou claro que é possível emergir um novo Remo do grupo de atletas formado pelo treinador.

No Botafogo de Ribeirão Preto, seu último clube, Veiga montou um time operário, tecnicamente modesto e taticamente disciplinado. Mais transpiração do que inspiração. Sinaliza para a construção de uma equipe nesses moldes para a Série C.

Caso consiga arrumar a linha de zaga e as laterais, terá meio caminho andado para uma campanha exitosa.

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Novo revés inquieta a torcida bicolor

O torcedor é uma alma atormentada em tempo quase integral. Quando seu time vence, sente-se como um verdadeiro imperador sem fronteiras, tal o entusiasmo e a euforia. Por outro lado, quando advém uma derrota, o sofrimento se transforma em algo dolorido e magoado. O torcedor sente ganas de trucidar técnico e jogadores.

Mesmo quando seu time vem de dois títulos importantes, conquistados em curto espaço de tempo, nenhuma derrota é bem assimilada. A análise diz respeito às reações da torcida (ou parte dela) com a derrota de ontem na Copa do Brasil.

Escalado com a base que conquistou o Parazão e a Copa Verde, o Papão ontem foi um arremedo de time. Sem pegada ofensiva e errando muito defensivamente, o Papão caiu diante do Operário de Ponta Grossa, um time que cumpre começo de temporada muito ruim – foi rebaixado para a segunda divisão paranaense e acumula uma sequência de derrotas.

Ocorre que a Copa do Brasil é um torneio cheio de variáveis, no qual alguns times se agigantam mesmo quando não atravessam bom momento técnico. E na partida contra o Papão o que não faltou foi superação por parte dos paranaenses, que jogaram desde o final do primeiro tempo com um jogador a menos.

A repercussão negativa nas redes sociais remete ao começo do comentário. O torcedor, por mais feliz que esteja com as conquistas recentes, jamais admite perder. Pior ainda quando a derrota ocorre sem luta ou reação.

O Papão de ontem parecia desplugado. Jogou com a mesma apatia do confronto com o Gama na decisão da Copa Verde. Naquela ocasião, perdeu da mesma maneira, para um adversário que também jogava com 10 atletas.

O lado positivo é que acendeu de vez o sinal de alerta em relação à Série B. O empate do último sábado contra o Ceará já havia deixando um quê de preocupação pelo apagão da zaga no segundo tempo. Diante do Operário, a falha se repetiu e o ataque não teve ânimo e nem forças para reagir.

Ficou claro, ainda, que o time titular para os próximos confrontos deve sofrer alterações. Meio-de-campo e defesa, principalmente, carecem de sangue novo. Antes que seja tarde.

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Direto do blog

“Salto alto. Quando vi a capa do Bola, pensamento de evitar jogo da volta, que o outro time foi rebaixado no estadual, que ganhou dois títulos em quatro dias, 3 milhões pra subir etc e tal, já temia por algo assim. Menos, Papão, aterrissem!”.

Maurício Carneiro, bicolor preocupado com a caminhada na Copa do Brasil e Série B.

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Mais um veterano que se vai

Paulo Emílio, que aqui no Pará dirigiu Tuna e Remo, morreu anteontem, no Rio. Recordo dele como um dos primeiros técnicos estudiosos do futebol no país. Gostava de teorizar, fazia preleções caprichadas. Destacava-se dos demais treinadores, até pela formação acadêmica em Direito e Educação Física. Talvez por isso tenha tido um brilho relativamente pequeno na carreira. De certa maneira, estava à frente de seu tempo.

Seu grande momento, depois de treinar o Remo em 1974, foi o bicampeonato carioca com o Fluminense em 1975 e 1976. Passou pela Tuna e diversos clubes do Nordeste.

No Evandro Almeida, Paulo Emílio foi o comandante de um time que marcou época. Conquistou o campeonato estadual e tinha como grande astro o gigante Alcino.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 18)