O golpe dos cleptocratas e dos plutocratas

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POR JEAN WYLLYS, no DCM

“Chega de brincadeira com a democracia”. Diz a manchete em letras garrafais do Correio Brasilense. Essa mesma expressão aparece num dos destaques da capa de O Globo. Em ambos, há uma charge que mostra o advogado geral da União, José Eduardo Cardozo, manipulando Waldir Maranhão como se este fosse uma marionete.

Tirando o Correio Brasiliense, todos os demais jornais “nacionais” reproduzem a mesma manchete: uma espécie de alívio por Renan Calheiros levar adiante o golpe parlamentar contra a democracia disfarçado de processo de impeachment – ontem os sabujos dessa imprensa estavam desesperados em seus perfis nas redes sociais e em comentários em telejornais com a decisão de Maranhão de anular a sessão que votou o impeachment na Câmara!

A “coincidência” nas manchetes dos jornais e mesmo nas charges do Correio Brasiliense e de O Globo mostram que não há diversidade nem contraditório na imprensa brasileira. Os jornais parecem editados pelas mesmas pessoas. A impressão é que os editores e/ou diretores de redação se falam para combinar a narrativa.

E essa narrativa busca de todo jeito e com todos os malabarismos argumentativos e desonestidade intelectual justificar o golpe contra a democracia e pintar os picaretas favoráveis ao impeachment de Dilma – começando por Anastasia, praticante de mais pedaladas fiscais, quando governador de Minas Gerais, que a própria presidenta, e terminando por Michel Temer, citado em delação à Polícia Federal como receptor de propina em esquema de corrupção – como “estadistas sérios e probos”.

Ora, quem acredita na narrativa desse imprensa? Nem ela mesma! Ela sabe que está tão somente tentando manipular a classe média e os pobres; tentando convencer a classe média e os pobres de que é “legal, justo e ético” uma camarilha de corruptos derrubar um governo eleito democraticamente e tomar de assalto a presidência da República sob os olhos convenientemente cegos da Justiça.

Mas vamos nos concentrar na manchete do Correio Brasiliense. Esta chega a ser um deboche com todos nós, né? Afinal esta é a frase que todos os que tramaram e levaram a cabo esse golpe institucional contra a jovem democracia brasileira – os plutocratas e cleptocratas do PSDB, do Democratas, das facções do PMDB, dos partidos de aluguel que abrigam o baixíssimo clero da política, da FIESP e demais entidades patronais, dos grupelhos fascistas que atuam nas redes sociais e dessa imprensa abjeta – esta é a frase que todos eles deveriam ouvir de todos nós que defendemos a democracia e as regras do jogo democrático: “CHEGA DE BRINCADEIRA COM A DEMOCRACIA!”

Os golpistas querem inverter os papéis e convencer os incautos, os ingênuos, os desinformados, os mal-informados e os analfabetos políticos de que eles são os “mocinhos” dessa história. Os vilões sempre usam desse artifício em qualquer ficção. Mas, no filme ou na novela, é o disfarce que releva o bandido (nesse caso, bandidos)!

No golpe de 1964, os golpistas convenceram a classe média de que eram os mocinhos (basta pesquisar os jornais da época, os mesmos jornais!) e depois se revelaram corruptos, hipócritas, egoístas, censores, perseguidores, torturadores sádicos (até de crianças!) e assassinos, numa ditadura que durou mais de duas décadas.

Hoje está difícil para os golpistas convencerem toda a classe média e os pobres de que são os “mocinhos”. A internet e, consequentemente, a imprensa e a comunidade política internacionais não estão dando trégua aos bandidos. E será assim doravante.

O golpe contra a democracia pode até triunfar, mas triunfará como tal, como um golpe de cleptocratas e plutocratas que não sabem viver em regimes democráticos e que desejam se apropriar das riquezas do país e fazer do Estado um mantenedor de privilégios e não direitos!

Deixaremos isso claro e não nos submeteremos calados a um governo ilegítimo! Para nos calar, os golpistas terão que recorrer, de novo e aos olhos do mundo, à censura, à tortura e ao assassinato!

Publicado originalmente no Facebook.

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