POR GERSON NOGUEIRA

O Remo dá um tempo hoje (8) nos compromissos da Série A para se dedicar ao desafio de salvar a campanha na Copa Norte. Joga, às 20h, contra o Amazonas, no estádio Mangueirão. A tarefa não é simples: para seguir com chances de classificação à próxima fase, tem que vencer e torcer por resultados favoráveis.

Em competições regionais, o Remo encara um pequeno jejum de vitórias. A coisa piora quando se olha para a Copa Norte, competição que voltou ao calendário neste ano. A última vitória azulina no torneio foi em 2002 – venceu o Moto Club por 2 a 1.

Na Copa Norte atual, soma apenas um ponto em duas partidas. Perdeu para o Porto Velho, fora de casa, por 2 a 1, e empatou com o Monte Roraima, no Baenão, em 1 a 1. É alto o risco de uma eliminação prematura: precisa vencer seus três compromissos para tentar ficar com uma vaga.  

O compartilhamento de torneios diferentes tem sido insatisfatório para o Remo na temporada. Quando se dividiu entre o Campeonato Paraense e a Série A, acabou perdendo o certame estadual para o maior rival.

Como a Série A é prioridade absoluta, o técnico Léo Condé deve escalar uma formação alternativa para o confronto com a Onça Pintada. É provável que o meio-campo tenha a volta de Patrick de Paula, ao lado de Zé Welison e David Braga. O ataque que iniciou a partida em Porto Velho pode ser repetido, com Nico Ferreira, Gabriel Poveda e Rafael Monti.

Em caso de um tropeço, o Remo fica praticamente eliminado. Nas próximas rodadas, enfrentará o Águia em Marabá e encerra a primeira fase recebendo o Galvez, no Baenão. Ao mesmo tempo, a partida desta noite funciona como um treino para o jogo com o Vasco, no sábado. (Foto: Samara Miranda/Ascom CR)

E o Papão ganha um novo artilheiro

A atuação de Juninho contra o Volta Redonda era discreta até o começo do 2º tempo. Pouco acionado no ataque, não tinha participado de nenhuma jogada marcante. Bastou, porém, a bola chegar e ele mostrou a que veio. Deu o passe para o gol de Caio Mello, anulado erradamente pela arbitragem, aos 22 minutos. Depois, veio o lance consagrador: aos 27 minutos, Edilson foi à linha de fundo e deu passe recuado para o centroavante definir, chapando a bola para as redes.

Em questão de instantes, o jogador que não era visto como uma aposta imediata no Papão se tornou alvo de elogios pela presença de área e capacidade de finalização. Mais uma prova da tênue diferença entre os conceitos de glória e fracasso no futebol.

Aos 21 anos, Juninho foi a última contratação do Papão antes do início do Brasileiro da Série C. Chegou credenciado pelo cartel de sete gols em 14 partidas na temporada. Avalizado pelo técnico Júnior Rocha, o atacante passou antes pelo Mirassol, Cascavel e Avaí.

Na estreia fora de casa, substituindo o artilheiro Ítalo Carvalho, Juninho confirmou algumas das características que motivaram sua contratação. É participativo, não se limitando às jogadas dentro da área, e gosta de estar sempre colocado próximo ao gol adversário.

Ao invés de esperar um cruzamento alto, como a maioria dos centroavantes prefere fazer, Juninho se posicionou distante alguns metros dos zagueiros adversários, a fim de ter tempo e espaço para concluir a jogada caso o passe chegasse – e chegou, oportunizando o gol do Papão.

Para o próximo jogo, domingo, contra o Brusque, o PSC deve ter o retorno do titular Ítalo, mas Juninho conseguiu deixar sua marca logo na estreia.

Data ideal para refletir sobre novas e velhas lutas

Sem pretender submeter os amigos leitores deste espaço a mais um papo chato sobre a nobreza da profissão jornalística, agradeço aqui as saudações recebidas ontem (7) pelo transcurso do Dia do Jornalista. Existe uma meia dúzia de datas em homenagem aos jornalistas no Brasil. Meus amigos mais chegados sabem o que penso de verdade dessa farra de tributos.

Lá no fundo, o que importa mesmo é que estes momentos permitem refletir sobre o tempo dedicado a este ofício, tão digno quanto maltratado, muitas das vezes pelos próprios jornalistas. Teimoso, estou nessa há 49 luas, sem vergar. Ano que vem, se Deus Pai permitir, fecho meio século de presença quase diária no batente – e (acredito) do lado certo do front.

A grana que ergue e destrói coisas belas

O zagueiro equatoriano Arboleda ganhava R$ 1 milhão por mês no São Paulo. Um belo salário em qualquer atividade. Quando desapareceu há uma semana, teria ficado com apenas R$ 12 mil na conta bancária. Ninguém explica as razões, mas surgem especulações diversas envolvendo até o envolvimento com o narcotráfico.

No Morumbi desde 2017, o defensor conquistou alguns títulos importantes, mas protagonizou incontáveis polêmicas no extracampo – entre elas, dívidas e processos que corriam na Justiça até meses atrás.

É uma realidade que a NFL, poderosa liga de futebol americano, conhece bem: 78% dos jogadores quebram em até dois anos de aposentadoria. Na NBA, liga de basquete mais importante e rica do mundo, 60% dos atletas perdem tudo em cinco anos.

Com base em inúmeros exemplos, o futebol brasileiro não é lá muito diferente. Conclusão: o problema nunca foi salário.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 08)

Deixe uma resposta

Quote of the week

"People ask me what I do in the winter when there's no baseball. I'll tell you what I do. I stare out the window and wait for spring."

~ Rogers Hornsby

Designed with WordPress

Descubra mais sobre Blog do Gerson Nogueira

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading