O desafio azulino

91861c87-58e9-4305-af68-3be59f7ea0c5

POR GERSON NOGUEIRA

Marcelo Veiga diz ter na cabeça o time para enfrentar o ASA nesta segunda-feira, no Mangueirão. Não quis detalhar a escalação, mas avisou que há um titular imexível: Yuri, como segundo volante. Técnicos costumam fazer mistério quando não têm certeza do que irão fazer, mas, neste caso específico, a definição do homem que vai atuar perto dos armadores evidencia mais um truque estratégico que uma hesitação quanto a nomes.

Yuri foi um dos raros jogadores que se salvaram da derrocada azulina no Campeonato Paraense. Indicado por Leston Junior, o volante custou a se consolidar como titular, até porque quase ninguém conseguia se estabelecer no atrapalhado meio-campo remista.

Sob a direção de Veiga, Yuri se tornou peça importante, atuando improvisado na lateral direita e até aparecendo como meia-armador em algumas jogadas. Sempre se desincumbiu bem das tarefas que lhe foram delegadas. Talvez por isso tenha ganho agora uma chance de verdade para agarrar a titularidade.

Dono de bom passe e marcador persistente, Yuri pode ajudar a fazer uma transição mais tranquila, dando suporte a Eduardo Ramos e Allan Dias. Schmoller (ou Lucas) ficaria um pouco mais atrás, cuidando mais da proteção aos zagueiros.

Como o jogo deve ser de paciência, com o ASA entrando recuado, lutando pela chamada uma bola, caberá ao Remo desenvolver um sistema dinâmico na meia-cancha, revezando seus meias e buscando surpreender com Fernandinho pela direita e Ciro mais à esquerda.

A ausência de Edno, ainda não legalizado, tirou de Veiga a opção de encorpar as manobras ofensivas e roubou dos dirigentes um grande apelo junto ao torcedor. A estreia de Edno, principal reforço adquirido para a Série C, certamente iria assegurar um incremento substancial na venda de ingressos.

Sem Edno para se aproximar dos atacantes, Veiga mantém o formato usado contra o Cuiabá, apostando em mais velocidade na saída para o ataque. Seu grande problema continua a ser a limitação dos alas Murilo e Fabiano, um tão confuso e pouco agressivo quanto o outro.

Na linha de proteção aos zagueiros está a única dúvida do treinador: Michael Schmoller ou Lucas Garcia. O primeiro é mais forte na cobertura, mas Lucas tem mais velocidade e é mais eficiente no desarme. Deve vencer a queda de braço pela posição. Chicão corre por fora, embora tenha perdido espaço no processo de montagem da equipe.

Outro dilema a ser enfrentado por Veiga diz respeito à eficiência ofensiva do Remo. Apesar de jogar quase sempre com dois atacantes de ofício e dois meias de aproximação, o time desperdiça muitas oportunidades. Em média, são quatro chances claras perdidas por partida. Foi assim desde a reta final do Parazão e também na Copa Verde.

A semana foi pródiga em treinamentos de finalização, mas o técnico sabe que questões relacionadas com o aproveitamento ofensivo têm muitas vezes um componente emocional. Sob pressão, a maioria dos atacantes tende a fracassar no instante decisivo. Ciro, que teve começo de campeonato exuberante, sucumbiu às críticas e nunca mais foi o mesmo.

A Série C surge como derradeira oportunidade de reabilitação para o elenco azulino. Alguns devem mais, outros menos. Remanescentes da era Leston, atletas como Ciro, Ramos, Fernando Henrique e Yuri carregam um peso maior sobre as costas. Será sobre eles que se concentrarão os olhares da massa leonina, inclemente na avaliação de desempenho.

Por todos esses aspectos, será um jogo de afirmação de propósitos do Remo em relação ao sonho do acesso à Série B. Vencer é obrigação.

—————————————————–

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda o programa, que começa logo depois do Pânico, por volta de 00h20. Giuseppe Tommaso e este escriba de Baião compõem a bancada, ao lado de um convidado especial.

—————————————————-

Tempos de descompromisso e bola Pelé

Circula na internet um texto de autor desconhecido que descreve, com graça e picardia, os mandamentos básicos da boa pelada, aquela praticada com requintes de certa inocência. Na periferia das cidades e nos campinhos de terra batida do interior ainda é possível acompanhar a faina de boleiros que correm atrás da redonda sem qualquer preocupação maior, além do puro prazer imediato da comemoração entre amigos.

Está escrito lá no receituário que a escolha dos times obedece a um ritual sagrado: os melhores escolhem os demais jogadores e a humilhação fica para os últimos a serem mencionados, invariavelmente os pernas-de-pau do grupo.

Não há discussão também quanto ao critério de marcação de faltas. A bola só é parada em casos extremos, de dente quebrado ou perna esfolada. Sem árbitro oficial, as infrações sempre favorecem a quem se manifestar no grito ou pendem para o dono da bola.

Lembrei logo de Baião e dos campinhos carecas no sítio São Francisco, onde alguns candidatos a boleiros corriam religiosamente atrás de uma bola Pelé avermelhada, com direito a muitas caneladas e rapapés pelo caminho.

Como feliz dono de uma dessas bolas, gostosas de chutar e fáceis de dominar, eu estabelecia as regras de convivência entre times liderados por carniceiros, como o temível Oséas, um zagueiro ferrabrás que daria inveja em Junior Baiano.

Tempo de jogo, arremessos laterais, pênaltis e dúvidas mais agudas sempre eram entregues á análise do escriba que vos fala, respaldado pelo direito inalienável conferido pela propriedade da esfera.

Não havia videogame e a TV não massacrava com a repetição de lances fenomenais de boleiros estrangeiros. Fazíamos o que dava na telha, imaginando e tentando reproduzir as diabruras de Tostão, Rivelino, Jairzinho e outros bambas do nobre esporte bretão.

Éramos felizes e não sabíamos.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 29) 

Pacote antissocial de Temer estimula confronto

15243668

POR MÁRIO MAGALHÃES

Bola cantada, Michel Temer e Henrique Meirelles anunciaram o mais duro pacote antissocial do século 21.

Como previsto, o arrocho de Dilma Rousseff, comparado ao que o sucedeu, passará à história como arrochinho.

Mantendo o tom dessas duas semanas de governo, Temer vai com muita sede ao pote, sacrificando sobretudo os mais pobres.

Talvez seja só o aperitivo, a depender do que virá depois das eleições municipais.

O conteúdo social das medidas pode ser aferido no contraste entre os aplausos de entidades empresariais e a reação dos sindicatos de assalariados _ao menos os não pelegos.

O pacote ataca por todos os cantos, sem poupar frentes e vítimas.

À sua maneira, estimula confrontos, atiça conflitos, provoca quem perde com ele.

Arrochos dessa natureza pressupõem força.

Em 1964, o marechal Castello Branco implantou um implacável. Tinha a força dos tanques.

Há pouco, na Argentina, o presidente Mauricio Macri fez a mesma coisa. Ele tem a força política dos votos que o elegeram.

Temer não tem nem tanques nem teve votos.

Conta com um Congresso até aqui submisso e uma máquina de propaganda vigorosa.

Fala em “tranquilidade institucional”, depois de ter conspirado para depor a presidente constitucional.

Cerca-se de investigados e suspeitos de um sem-número de bandalheiras.

Quem apostou na lorota segundo a qual o afastamento de Dilma “pacificaria” o Brasil errou feio.

O clima permanece muito quente.

Outono e inverno só existem nos termômetros.

A cultura do estupro no Brasil

POR LEONARDO SAKAMOTO, em seu blog

Tão chocante quanto o estupro denunciado por uma jovem de 16 anos, que teria envolvido mais de 30 homens, no Rio de Janeiro, e tão chocante quanto os vídeos que mostram seus ferimentos e foram postados na internet, foi a reação de uma parcela da sociedade, que se divertiu nas redes sociais com eles e com a história. E a inação de uma outra parte, que culpou a própria vítima pelo ocorrido ou simplesmente caiu no autoengano de que essa história não nos diz respeito.

No mesmo dia em que o caso gerou indignação nas redes sociais, o novo ministro da Educação recebia o ator Alexandre Frota para discutir a educação (!!!) no Brasil. O mesmo Frota que, durante uma entrevista a um programa de TV, narrou um caso de violência sexual do qual foi protagonista contra uma mãe-de-santo, para deleite da plateia, que ria como se fosse uma piada. Acusado por organizações sociais de estupro e de apologia ao estupro, deu de ombros.Enquanto isso, o deputado federal Jair Bolsonaro sobe nas intenções de voto, principalmente entre as classes mais ricas. Tempos atrás, durante um debate com a também deputada federal Maria do Rosário, soltou uma das maiores ignomínias de sua carreira: “Jamais iria estuprar você, porque você não merece”. Ao dizer que ela não merecia ser estuprada, deixando claro que há mulheres que merecem, sabia que seu discurso receberia o apoio de uma quantidade considerável de pessoas.
Os 30 homens no Rio, Alexandre Frota, Jair Bolsonaro foram criticados e acusados por um grande número de pessoas, mas também defendidos e glorificados por outros tantos. Vivemos em uma sociedade que garante que o estupro continue a ser um instrumento violento de poder, de dominação, de humilhação. Uma sociedade na qual uma das maiores agressões ao corpo e à mente de outro ser humano é banalizada, menosprezada e tratada como piada. Uma sociedade em que mulheres ainda são consideradas objetos descartáveis à disposição dos homens.

Tanto que o governo desse país escolhe um ministério formado apenas por homens e não é obrigado a voltar atrás.

Quando mulheres são sistematicamente estupradas, não apenas seus corpos e almas são violentados. A dignidade de todas as mulheres é coletivamente agredida e negada. Porque falhamos profundamente como sociedade em garantir um dos direitos mais fundamentais. E se isso acontece junto a discursos que louvam ou relativizam esses estupros, podemos começar a nos questionar que tipo de povo somos nós.

Violência sexual não é monopólio de determinada classe social e nível de escolaridade. Quem espanca e violenta pode ter apertado o sinal de parada do ônibus ou roçado o banco de couro de um BMW. O que une os diferentes no Brasil, afinal de contas, não é o futebol, a religião ou a comida. É a violência de gênero. A cultura de estupro é um “privilégio” masculino, que vem sendo derrubado pelo feminismo ao longo do tempo, mas com dificuldade, porque encontra a resistência de homens pelo caminho.

Meninos e rapazes deveríamos nos conscientizar uns aos outros, desde cedo, para que não sejamos os monstrinhos formados em ambientes que fomentam o machismo, como família, igrejas, escolas e mídia.

Todos nós, homens, de esquerda, de direita, de centro, somos sim inimigos até que sejamos devidamente educados para o contrário. E, tendo em vista a formação que tivemos e a sociedade em que vivemos, que autoriza e chancela comportamentos inaceitáveis, é um longo caminho até que isso aconteça.

Dunga cheio de dúvidas para amistoso da Seleção

A Seleção Brasileira realizou na tarde deste sábado o último treino antes do amistoso contra o Panamá, partida que será disputada neste domingo, às 22h30 (de Brasília), no Dick’s Sporting Goods Park, o estádio do time de futebol do Colorado Rapids, localizado em Denver, nos Estados Unidos. O técnico Dunga comandou um trabalho tático com a equipe que deverá iniciar o duelo diante dos centro-americanos, mas ainda não confirmou a formação titular.

622_5ac39947-69b3-315a-818e-1cfa8fa92fc4

“Viemos de uma semana intensa de treinos, é preciso esperar qual será a reação dos jogadores, conversar como eles, para depois escalar o time”, explicou o treinador em entrevista coletiva concedida antes da atividade.

O que Dunga tem de certo é que o meia-atacante Rafinha Alcântara, do Barcelona, não irá sequer ao banco. Isso porque o jogador está com dores musculares e pode, inclusive, ser cortado da equipe nacional. O jovem palmeirense Gabriel Jesus poderá ser convocado caso o filho de Mazinho não se recupere a tempo de disputar a Copa América Centenário, nos Estados Unidos, entre os dias 3 e 26 de junho.

“Estamos fazendo o possível para manter o jogador no grupo para a Copa América. Mas, por enquanto, ele ainda não tem condições”, avaliou o comandante da seleção.

Daniel Alves, que disse conviver com uma lesão no pé há seis meses, é dúvida e deve iniciar o duelo no banco de reservas. Após o treino tático e de dois toques, um grupo de atletas ainda aprimorou finalizações.

O provável time titular para o amistoso contra o Panamá, apesar dos mistérios de Dunga, deverá ter Alisson; Fabinho (Daniel Alves), Gil, Miranda e Douglas Santos; Luiz Gustavo, Elias, Renato Augusto, Philippe Coutinho e Willian; Jonas. (Da ESPN)

O ex-carniceiro que virou lenda no Atlético

622_d8cb379f-efc8-3129-bec7-cf1cbd8822f0

POR THIAGO ARANTES, na ESPN

É possível assistir a um jogo inteiro do Atlético de Madri sem olhar para o campo.

Basta observar Diego Simeone durante 90 minutos. Terno preto, camisa preta, gravata preta. Uma explosão de emoções que rompe a escala cromática em qualquer jogo – gritos, gestos, chutes no ar, reclamações. Seja uma final ou um duelo de primeira rodada.

O técnico que ajudou o time a deixar o estigma de eterno perdedor para chegar à segunda final de Champions League em três anos é, aos olhos do mundo, um comandante que está no limite da loucura; e, às vezes, além dos limites do regulamento: como quando pediu que um gandula atirasse uma bola em campo contra o Málaga, ou quando deu um tapa no quarto árbitro, contra o Bayern de Munique.

Mas, no mundo impenetrável do vestiário, Simeone é diferente. Quem espera um técnico que grita e se descontrola, acaba se decepcionando. A conversa, sobretudo antes e durante os jogos, é quase sempre tática. “O papo dele antes do jogo é bastante tático. Fala de aspectos do adversário e de como neutralizar as armas do rival”, contou o zagueiro Miranda, em entrevista ao ESPN.com.br.

Um exemplo: em maio de 2014, o Atlético perdia por 1 a 0 para o Barcelona, no Camp Nou, e dava adeus ao título da Liga Espanhola, que parecia muito próximo. O que fez Simeone? Um escândalo? Nada disso. Na entrevista pós-jogo, o técnico revelou a conversa que teve com o time. “Eu disse que estávamos bem, que tínhamos terminado bem o primeiro tempo e que estávamos melhor que o Barcelona, e que se conseguíssemos fazer um gol, o jogo acabava”, revelou o argentino.

O jogo “acabava” por um motivo, que o próprio Simeone explicaria depois: o Atlético conseguiria levar a partida para seu território, transformar o jogo em uma batalha com as características daquelas que costuma ganhar. Puxar o rival para encaixá-lo nos conceitos que o treinador costuma aplicar com êxito.

622_82fbaac4-5a03-30f4-ab18-638a4da3a73c

Conceitos como defesa forte, contra-ataque e muito trabalho, de todos os jogadores, de todas as linhas. O Atlético não se importa em perder a posse de bola, mas jamais especula quando tem a pelota nos pés.

Esse jeito de jogar não é novo. Na verdade, ele emana da própria história do clube. E aí, entra outra grande vantagem de Simeone: conhecer a história do Atlético – ele foi peça-chave na conquista do único doblete da história do clube, há 20 anos.

“Ele voltou ao passado, recuperou a essência do time e a transformou em uma missão vital. E, quanto à genética e ao estilo, não teve dúvidas: defesa, contra-ataque, força de guerreiros e paixão. O Atlético, ao longo de sua história, teve e tem jogadores habilidosos, de grande classe e talento, mas a força do time nunca foi o futebol bonito, nem um balé geométrico, vistoso e ofensivo”, escreveu Rubén Uria, um dos jornalistas espanhóis que melhor sabe definir o espírito colchonero.

Convencer jogadores habilidosos a serem operários de um futebol esteticamente manco é outro mérito do argentino. E aí entram duas outras características que tornam possível o Atlético de Simeone – o carisma e o poder de convencimento do treinador. Se antes dos jogos, a conversa costuma ser predominantemente tática, no trabalho do dia-a-dia, aparece o Cholo mais motivador. Que, igualmente, impressiona seus comandados.

“Simeone é um líder. As conversas dele com o time impressionam. Ele te motiva de uma maneira, que você sai do vestiário querendo fazer o máximo possível para vencer”, disse Griezmann, o artilheiro do time na temporada, em entrevista à revista oficial da Champions League.

O zagueiro Diego Godín, peça imprescindível no time de Simeone e considerado por muitos e extensão do treinador no campo, é outro que se mostra fascinado com o que escuta do treinador.

“Ele sempre sabe o que dizer em cada momento, e isso é o mais difícil para um treinador. Ele sabe de que tipo de mensagem o time precisa. E nós acreditamos até a morte no que ele nos diz”, resumiu o defensor.

Um novo Brasil: 17º salário, 60 dias de férias, benefícios do berço ao caixão e muito mais

CjiKnTGWUAAKXly

Surge um novo Brasil e com ele o 17º salário, 60 dias de férias remuneradas, benefícios do berço ao caixão e muito mais! Você precisa acompanhar de perto estes projetos em andamento.

“Numa das gravações do delator Sérgio Machado, Renan Calheiros relata uma conversa com Dilma Rousseff onde a Presidenta se queixa que, em meio a uma enorme crise institucional, sem precedentes, o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, “só quer saber de aumento”.

E que este seria um dos motivos de, nas palavras de Renan, os ministros estarem “putos com ela”.

Uma matéria da Folha, discreta – o Estadão havia publicado antes, com a mesma discrição, mostra o que os ministros do STF querem.

Privilégios. A consolidação de vários que já existem, alguns novos e, sobretudo, a unificação de todos, nacionalmente, de modo a que toda a corporação os tenha.

Você precisa saber – A reportagem, de Graciliano Rocha, resume tudo no título: Projeto do STF cria auxílios do berço ao caixão para magistrados.

Boa parte dela está reproduzida na imagem, para facilitar a leitura.

Logo, claro, as benesses também serão estendidas ao Ministério Público.

Deixo a cada um o julgamento ético-moral de homens que, num país pobre e, agora, ardendo na crise, acham isso razoável para, como disse o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros, João Ricardo dos Santos Costa,”que a carreira de juiz tenha os atrativos necessários para atrair os melhores quadros”.

Melhores em que?”

Com informações de Fernando Brito do blog Tijolaço – Por que o STF “está puto com ela”? É só ler os privilégios que querem para os juízes

(Do Brasil.online)

A chance de recomeçar

bf14677b-a7d4-4e6a-8257-c479952d233a

POR GERSON NOGUEIRA

Não há time grande no mundo que não sofra pressão. Naturalmente, ela vem, em dose cavalar, quando a maré é desfavorável. Mesmo depois de conquistar duas competições importantes no começo da temporada – Campeonato Paraense e Copa Verde -, o Papão não está imune às cobranças de sua exigente torcida. E reclamação de torcedor é a que mais repercute e inquieta elenco e comissão técnica.

Os maus resultados iniciais no Brasileiro da Série B levaram à situação atual, embora o ponto que mais causou preocupação foi o fraco rendimento técnico da equipe nas partidas contra Ceará, Oeste e Tupi.

Há em favor do técnico Dado Cavalcanti a extensa lista de jogadores lesionados ou em recuperação. Alguns são titulares ou candidatos a isso, situação que cria embaraços para a formatação do time e atrapalha também o processo de rodízio de atletas que a Série B impõe.

As duas conquistas da temporada ainda reverberam e tiveram importante papel atenuador do começo de crise provocado pela goleada em Juiz de Fora, na terça-feira.

Em outras circunstâncias, o torcedor estaria furibundo e pedindo à diretoria cabeça de treinador e dispensa de jogadores. Com as duas taças na galeria alviceleste, a prosa tem sido outra, mas essa trégua tem prazo de validade – e Dado e seus comandados sabem disso muito bem.

O confronto de hoje à noite com o Luverdense tem tudo para ser o momento da virada na competição. Com 5 pontos ganhos, o time mato-grossense ocupa a sétima posição no campeonato. Não fez grandes investimentos, mas situa-se naquele pelotão dos medianos que podem surpreender.

Em condições normais, o Papão mantém a condição de favorito, pois tem elenco para brigar muito além da incômoda 18ª colocação atual. Além disso, terá o calor de sua torcida, mesmo que esta demonstre estar ressabiada com a campanha. O jogo no estádio da Curuzu deve ter bom público e significa pressão maior sobre o visitante – caso o anfitrião se comporte adequadamente.

Sem Leandro Cearense e Betinho, vetados ontem pelo departamento médico, Dado deve utilizar Fabinho e Alexandro lá na frente, tendo Wanderson como opção para o decorrer da partida. No meio-de-campo, Celsinho segue como o principal articulador. Ele e Rafael Costa serão mantidos, mas é evidente que precisarão render mais do que mostraram até agora.

Uma boa notícia é a confirmação de Lucas como titular. Artilheiro do time na competição, tem se constituído no destaque solitário do Papão, mesmo ocupando uma função mais conservadora e tendo atuado em apenas duas partidas, contra Ceará e Tupi.

—————————————————

Futebol feminino sob tiroteio

Quando parecia que o futebol feminino conseguiria finalmente pegar embalo, com a entrada em cena da dupla Re-Pa, eis que uma querela ameaça seriamente os rumos do campeonato da modalidade. O Remo, amparado no Regulamento Geral das Competições, impetrou ontem à tarde mandado de garantia contra ato da Federação Paraense de Futebol, que modificou o local do clássico entre Leão e Papão, previsto para domingo.

O Remo alega que a FPF, através de sua diretoria técnica, alterou o local sem cumprir o prazo estabelecido pelo artigo 13 do referido RGC, que estabelece prazo mínimo de 10 dias para qualquer modificação na tabela.

O imbróglio começou com a transferência da partida para Santa Izabel e, posteriormente, para Castanhal. Remistas questionam a mudança de última hora.

Ao mesmo tempo, o Pinheirense questiona a situação de atletas que estão defendendo o Papão. A alegação é de que as jogadoras continuariam vinculadas ao clube.

Diante desse tiroteio todo, fica a sensação de que o campeonato dificilmente chegará a bom termo. A não ser que as normas se ajustem e o bom senso prevaleça. Ainda há tempo.

(Coluna publicada no Bola deste sábado, 28)