O ex-carniceiro que virou lenda no Atlético

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POR THIAGO ARANTES, na ESPN

É possível assistir a um jogo inteiro do Atlético de Madri sem olhar para o campo.

Basta observar Diego Simeone durante 90 minutos. Terno preto, camisa preta, gravata preta. Uma explosão de emoções que rompe a escala cromática em qualquer jogo – gritos, gestos, chutes no ar, reclamações. Seja uma final ou um duelo de primeira rodada.

O técnico que ajudou o time a deixar o estigma de eterno perdedor para chegar à segunda final de Champions League em três anos é, aos olhos do mundo, um comandante que está no limite da loucura; e, às vezes, além dos limites do regulamento: como quando pediu que um gandula atirasse uma bola em campo contra o Málaga, ou quando deu um tapa no quarto árbitro, contra o Bayern de Munique.

Mas, no mundo impenetrável do vestiário, Simeone é diferente. Quem espera um técnico que grita e se descontrola, acaba se decepcionando. A conversa, sobretudo antes e durante os jogos, é quase sempre tática. “O papo dele antes do jogo é bastante tático. Fala de aspectos do adversário e de como neutralizar as armas do rival”, contou o zagueiro Miranda, em entrevista ao ESPN.com.br.

Um exemplo: em maio de 2014, o Atlético perdia por 1 a 0 para o Barcelona, no Camp Nou, e dava adeus ao título da Liga Espanhola, que parecia muito próximo. O que fez Simeone? Um escândalo? Nada disso. Na entrevista pós-jogo, o técnico revelou a conversa que teve com o time. “Eu disse que estávamos bem, que tínhamos terminado bem o primeiro tempo e que estávamos melhor que o Barcelona, e que se conseguíssemos fazer um gol, o jogo acabava”, revelou o argentino.

O jogo “acabava” por um motivo, que o próprio Simeone explicaria depois: o Atlético conseguiria levar a partida para seu território, transformar o jogo em uma batalha com as características daquelas que costuma ganhar. Puxar o rival para encaixá-lo nos conceitos que o treinador costuma aplicar com êxito.

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Conceitos como defesa forte, contra-ataque e muito trabalho, de todos os jogadores, de todas as linhas. O Atlético não se importa em perder a posse de bola, mas jamais especula quando tem a pelota nos pés.

Esse jeito de jogar não é novo. Na verdade, ele emana da própria história do clube. E aí, entra outra grande vantagem de Simeone: conhecer a história do Atlético – ele foi peça-chave na conquista do único doblete da história do clube, há 20 anos.

“Ele voltou ao passado, recuperou a essência do time e a transformou em uma missão vital. E, quanto à genética e ao estilo, não teve dúvidas: defesa, contra-ataque, força de guerreiros e paixão. O Atlético, ao longo de sua história, teve e tem jogadores habilidosos, de grande classe e talento, mas a força do time nunca foi o futebol bonito, nem um balé geométrico, vistoso e ofensivo”, escreveu Rubén Uria, um dos jornalistas espanhóis que melhor sabe definir o espírito colchonero.

Convencer jogadores habilidosos a serem operários de um futebol esteticamente manco é outro mérito do argentino. E aí entram duas outras características que tornam possível o Atlético de Simeone – o carisma e o poder de convencimento do treinador. Se antes dos jogos, a conversa costuma ser predominantemente tática, no trabalho do dia-a-dia, aparece o Cholo mais motivador. Que, igualmente, impressiona seus comandados.

“Simeone é um líder. As conversas dele com o time impressionam. Ele te motiva de uma maneira, que você sai do vestiário querendo fazer o máximo possível para vencer”, disse Griezmann, o artilheiro do time na temporada, em entrevista à revista oficial da Champions League.

O zagueiro Diego Godín, peça imprescindível no time de Simeone e considerado por muitos e extensão do treinador no campo, é outro que se mostra fascinado com o que escuta do treinador.

“Ele sempre sabe o que dizer em cada momento, e isso é o mais difícil para um treinador. Ele sabe de que tipo de mensagem o time precisa. E nós acreditamos até a morte no que ele nos diz”, resumiu o defensor.

19 comentários em “O ex-carniceiro que virou lenda no Atlético

  1. ESCALAÇÕES:

    PAYSANDU: Emerson. Roniery, Gualberto, Pablo e João Lucas. A. Recife, Lucas. Celsinho, Rafael Costa e Fabinho Alves. Alexandro

    Técnico: Dado Cavalcante

    Banco: Marcão, Edson Ratinho, Domingues, F. Lombardi, Jhonnatan, R. Capanema, Raí, Paulinho, Rodrigo Andrade, Rafael Luz, Wanderson e Leandro Carvalho.

    LUVERDENSE: Gabriel Leite. Raul Prata, Luiz Otávio, Everton e Régis. Muralha, Ricardo, Jean Patrick, Hugo e Douglas Baggio. Alfredo

    Técnico: Junior Rocha

    Banco: Tomazella, Walace, Rafael, Vitinho, Kazu, Sérgio Mota, Erik, Marlon e Da Mata

    ARBITRAGEM:

    Árbitro: Renan Roberto de Souza-PB

    Aux.1: Kildenn Tadeu Morais de Lucena-PB
    Aux.2: Marcio Freire Lopes-PB

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  2. Boa noite, caro Cláudio e demais amigos.

    Não gostei da escalação. Dado teria de tirar Augusto Recife e um dos dois meias do time. Teimosia do Dado.

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  3. 12 min – Goooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooollllllllllllllllllllll éééééééééééé´do Luverdenseeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee Jeaaaaaaaaaaaaaan Patrickkkkkkkkkkkkkkkkkkkk…1 x 0

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  4. Um buraco no meio de campo. Paysandu tem a posse de bola, como sempre, mas não finaliza com eficiência. Deixar o Capanema no banco não foi uma boa ideia. Recife vem muito mal.

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