PSC x Remo (comentários on-line)

Copa Verde 2015 – Semifinal

Paissandu x Remo – estádio Jornalista Edgar Proença, 18h30

Rádio Clube _ IBOPE_ Segunda a Sexta _ Tabloide

Na Rádio Clube, Valmir Rodrigues narra; Rui Guimarães comenta. Reportagens – Paulo Caxiado, Dinho Menezes. 

De olho no óleo

POR JANIO DE FREITAS, NA FOLHA DE SP

Há 60 anos, ‘O Petróleo é Nosso’ foi mais do que uma campanha, foi uma batalha. Olha aí o século 20 de volta

A pressão para que seja retirada da Petrobras a exclusividade como operadora dos poços no pré-sal começa a aumentar e, em breve, deverá ser muito forte. Interesses estrangeiros e brasileiros convergem nesse sentido, excitados pela simultânea comprovação de êxito na exploração do pré-sal e enfraquecimento da empresa, com perda de força política e de apoio público. Mas o objetivo final da ofensiva é que a Petrobras deixe de ter participação societária (mínima de 30%) nas concessionárias dos poços por ela operados.

Como o repórter Pedro Soares já relatou na Folha, a Petrobras está extraindo muito mais do que os 15 mil barris diários por poço, previstos nos estudos de 2010. A média da produção diária é de 25 mil barris em cada um dos 17 poços nos campos Lula e Sapinhoá, na Bacia de Santos (de São Paulo ao Espírito Santos). Perto de 70% mais.

wikitucanoNão é à toa que, se a Petrobras perde a confiança de brasileiros, ganha a da China, que a meio da semana concedeu-lhe US$ 3,5 bilhões em empréstimo com as estimulantes condições do seu Banco de Desenvolvimento.

O senador José Serra já apresentou um projeto para retirada da exclusividade operativa da Petrobras nos poços. Justifica-o como meio de apressar a recuperação da empresa e de aumentar a produção de petróleo do pré-sal, que, a seu ver, a estatal não tem condições de fazer: “Se a exploração ficar dependente da Petrobras, não avançará”.

A justificativa não se entende bem com a realidade comprovada. Mas Serra invoca ainda a queda do preço internacional do petróleo como fator dificultante para os custos e investimentos necessários às operações e ao aumento da produção pela Petrobras. Mesmo como defensor do fim da exclusividade, Jorge Camargo, ex-diretor da estatal e presidente do privado Instituto Brasileiro do Petróleo, disse a Pedro Soares que “a queda do [preço do] petróleo também ajuda a reduzir o custo dos investimentos no setor, pois os preços de serviços e equipamentos seguem a cotação do óleo”. E aquele aumento da produtividade em quase 70% resulta na redução do custo, para a empresa, de cada barril extraído.

O tema pré-sal suscita mais do que aparenta. As condições que reservaram para a Petrobras posições privilegiadas não vieram só das fórmulas de técnicos. Militares identificaram no pré-sal fatores estratégicos a serem guarnecidos por limitações na concessão das jazidas e no domínio de sua exploração. A concepção de plena autoridade sobre o pré-sal levou, inclusive, ao caríssimo projeto da base que a Marinha constrói em Itaguaí e à compra/construção do submarino nuclear e outros.

Há 60 anos e alguns mais, “O Petróleo é Nosso” foi mais do que uma campanha, foi uma batalha. Olha aí o século 20 de volta.

Em ritmo de decisão

POR GERSON NOGUEIRA

Será o terceiro Re-Pa da temporada. O primeiro, amistoso, terminou empatado. O segundo, pelo Parazão, teve domínio amplo do Papão. Desta vez, o jogo adquire caráter decisivo e registra a entrada em cena de um novo personagem, o técnico Cacaio, substituto de Zé Teodoro no Remo.

A rigor, os fatores que determinaram a superioridade alviceleste no domingo passado continuam todos de pé. O grande trunfo de Dado Cavalcanti é a qualidade e a variedade de seu elenco. Dispõe até de jogadores em excesso para algumas posições.

unnamed (57)Além disso, apesar de ter começado a trabalhar há pouco mais de um mês, Dado já conseguiu formatar um time-base, que procura manter mesmo quando não satisfaz as expectativas. O técnico implantou um formato, que tem sido corretamente respeitado.

Nos primeiros jogos, houve uma natural instabilidade. O time alternou bons e maus momentos. Goleou o Nacional na Curuzu. Derrotou o Castanhal com dificuldades. Empatou com Águia Negra e Nacional. Perdeu para o Independente, mas venceu o clássico e passou com tranquilidade pelo Águia Negra.

A impressão é de que a fase mais problemática já foi superada e o time começa a ter mais confiança em suas próprias forças, assimilando plenamente as orientações do treinador. As duas últimas apresentações refletem isso.

Do lado remista, cujos aperreios vão além das questões de campo, Cacaio teve pouquíssimo tempo para operar transformações. Ainda assim, depois de apenas dois treinos, deu à equipe um dinamismo que ainda não havia aparecido na temporada.

Contra o Atlético-PR, na quinta-feira, o Remo foi rápido, objetivo e compacto na maior parte do tempo. Até mesmo as deficiências acabaram disfarçadas pelo esforço geral da tropa. Óbvio que o lado emocional teve papel preponderante no rendimento do grupo.

A chegada de Cacaio reabriu as portas da esperança para todos no elenco. Quem andava encostado e sem chances nos tempos de Zé Teodoro voltou a ser lembrado. Casos de Ratinho, Ilaílson e até Roni.

A transfiguração foi saudada com entusiasmo pelo torcedor azulino, saudoso da velha raça e do comprometimento dos jogadores. Mas, se a atuação contra o Furacão foi empolgante, o grande teste ficou para hoje.

Como primeiro confronto da semifinal da Copa Verde, o jogo tende a ser cauteloso e preso ao meio-de-campo, mas o entusiasmo trazido por Cacaio ao Remo pode incendiar o clássico. Caso isso se confirme, todos saem ganhando, principalmente aqueles que apreciam emoção e desassombro.

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Paixão globalizada e sem fronteiras

Fenômeno provocado pela globalização do esporte e alimentado pela transmissão massiva de jogos europeus para o Brasil, um grupo de brasileiros fãs do Chelsea fizeram viagem até Londres para reverenciar o time de coração.

Empolgadíssimos com a visita a Stamford Bridge, às vésperas de acompanhar em ação ao vivo Diego Costa e seus companheiros, os brasileiros despertavam curiosidade dos londrinos pelo inusitado da cena.

O inglês macarrônico dos cânticos entoados pelo grupo não diminuía a verdade do sentimento clubístico típico destes novos tempos. Detalhe importante: nenhum dos que ali estavam alimenta a menor predileção por clubes nacionais.

Todos nasceram a milhares de léguas da terra da Rainha, mas a paixão é genuína. Prova maior de que o amor por um clube de futebol independe de fronteiras geográficas. Nem a distância é capaz de frear o fanatismo.

Costumo ver com preocupação nas redes sociais um movimento contra os chamados “mistos”, torcedores que dividem o coração entre clubes de outros Estados – em geral, de Rio e São Paulo – e agremiações locais.

Não consigo ver sentido, nem razão lógica, nesse tipo de patrulhamento. Paixão é território que ninguém controla. Torcer por um clube vem das origens de cada um, sua formação e/ou afinidades pessoais.

Como impedir alguém de devotar afeto a mais de uma bandeira, sabendo-se que os clubes da terra estão ausentes das disputas mais importantes – Série A, Libertadores, Mundial de Clubes? Chega a ser uma demonstração de desinteligência tentar reprimir essas manifestações.

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E o “pofexô” virou mártir

Vanderlei Luxemburgo, que já ensaiou uma frustrada candidatura a senador, está surfando na onda da indignação e aproveitando o tosco e autoritário posicionamento da Federação de Futebol do Rio de Janeiro para deitar e rolar no noticiário.

Marqueteiro como sempre, o técnico do Flamengo chegou a usar um esparadrapo como mordaça na última entrevista, a fim de denunciar a punição que sofreu por emitir críticas aos absurdos atos da entidade.

É claro que Luxemburgo tem toda razão. A censura é algo abominável e incompatível com a vida democrática.

A lamentar que, além das medidas retrógradas, a federação do Rio tenha conseguido a questionável façanha de transformar Luxemburgo em mártir da liberdade de expressão.

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Bola na Torre

O clássico Re-Pa que abre a semifinal da Copa Verde é o principal tema em análise e debate no programa desta noite, sob a mediação de Guilherme Guerreiro. Começa logo depois do Pânico, por volta de 00h15. Giuseppe Tommaso, Valmir Rodrigues e este escriba de Baião integram a bancada.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 05)

Há 30 anos, Tuna campeã da Taça de Prata

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Ha 30 anos, a Tuna conquistava a Taça de Prata, derrotando o Goitacaz (RJ) por 3 a 2, no estádio Jornalista Edgar Proença. O jogo foi realizado no dia 4 de abril de 1985. Luís Carlos, Gaúcho Lima e Paulo Guilherme marcaram no primeiro tempo. Na etapa final, Ronaldo fez o terceiro da Lusa e Sousa descontou para o Goitacaz. A Tuna jogou com a seguinte formação: Ocimar; Quaresma, Ronaldo, Paulo Guilherme e Mário; Edgar, Ondino e Queirós; Tiago (Puma), Paulo César e Luís Carlos. Técnico: José Dutra dos Santos. Público de 12.819 pagantes. Árbitro: Nei Andrade Nunes Maia (BA).

Sem a tentação de inventar

POR GERSON NOGUEIRA

O futebol costuma ter caminhos tortuosos e pode mudar de direção de repente, quando menos se espera, dependendo às vezes de um simples gesto ou mudança de posição. O Remo, que atravessa um período de inferno astral desde que caiu diante do maior rival no clássico do returno, ensaia uma recuperação.

As coisas começaram a mudar com a troca de treinador. O clube abriu mão do currículo mais reluzente de Zé Teodoro pela expertise regional de Cacaio. O novo técnico assumiu na terça-feira e realizou dois treinos com o elenco. Fez pequenas mudanças na escalação e conseguiu extrair do time uma boa atuação diante do Atlético-PR na quinta-feira.

unnamed (66)Não chegou a ser um desempenho espetacular ou brilhante. Foi, sim, uma evolução em comparação com o que vinha sendo mostrado no campeonato estadual. É preciso entender que o Remo se notabilizou por hesitar diante de adversários de porte médio – Parauapebas, Independente, Tapajós e São Francisco.

Ao longo de três meses, Zé Teodoro não chegou nem perto de dar entrosamento e estabilidade ao time. Trocou constantemente as peças, sem achar uma escalação definitiva. Sob seu comando, o ataque sempre foi uma incógnita. Ora, escalava Flávio Caça-Rato e Roni. Ora, usava Val Barreto e Bismarck. Sem se definir por nenhuma das duplas.

Cacaio foi direto e claro. Contra o Furacão, resgatou Roni para o time titular e prestigiou Val Barreto, principal atacante do elenco. A opção se mostrou correta, apesar das dificuldades na definição de jogadas. No segundo tempo, experimentou Bismarck e Rafael Paty. Os problemas se repetiram, evidenciando a necessidade de mais treinamento e apuro nas finalizações.

Setor que dá dinâmica ao jogo, o meio-de-campo foi o compartimento mais alterado pelo novo comandante. Prestigiou a dupla de volantes Alberto e Ilaílson, obtendo deste o melhor rendimento desde que chegou ao Evandro Almeida. Alberto, ao contrário, errou muitos passes e em muitos momentos emperrou o avanço nas saídas para o ataque.

Na criação, fez a mudança mais ousada. Deu oportunidade ao esquecido Ratinho, que reapareceu bem ao lado de Eduardo Ramos. Ainda fora de ritmo, Ratinho colaborou decisivamente para que Ramos tivesse mais liberdade e, acima de tudo, não ficasse esgotado pela sobrecarga de tarefas, como nos tempos de Zé Teodoro.

O desenho encontrado por Cacaio pode não ser o caminho da glória, mas é de longe a melhor alternativa para aproveitamento dos jogadores que o Remo tem. Sob seu comando, um jogador pouco produtivo (principalmente pelos problemas físicos) como Caça-Rato jamais teria chance de aproveitamento. Talvez por isso mesmo, além das demandas salariais, o próprio atleta preferiu ir embora.

O Remo de Cacaio é mais guerreiro e solidário, por isso valoriza a aproximação entre os setores. Essa nova postura ficou patente diante de um adversário de qualidade como o Atlético-PR. Em nenhum momento, os zagueiros Ciro e Igor João ficaram a descoberto, como ocorreu no Re-Pa.

Os laterais passaram a ter papel mais bem claro na arrumação do time. Jadilson foi liberado para apoiar, contando sempre com a firme cobertura de Ilaílson. Na direita, Dadá teve mais problemas em consequência da própria improvisação e da lentidão de Alberto para dar suporte quando o lateral subia ao ataque.

Ficou claro logo na estreia que Cacaio não está disposto a invencionices, nem experiências desnecessárias. Vai aproveitar os jogadores que mostrarem mais aplicação e comprometimento. É um bom critério.

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O fenômeno corintiano

O Corinthians é de novo o time mais badalado do país. Com méritos. Está invicto há vários jogos e esbanja vigor e organização tática. Lidera seu grupo na Libertadores, pintando como um dos favoritos ao título continental. Não por acaso, seu técnico é cultuado quase como gênio pela imprensa paulista.

Em seu já conhecido estilo teatral de dar entrevistas, Tite capricha na teorização, mas não descuida do preparo tático de sua equipe. Conseguiu em pouquíssimo tempo fazer com que seus jogadores incorporem uma disciplina tática incomum em boleiros brasileiros.

Lembra bastante aquele Corinthians que ele mesmo conduziu ao título do Mundial Interclubes contra o Chelsea. Todos jogam com ou sem a bola, participando intensamente das manobras de preparação e ataque. Chega a se dar ao luxo de escalar o meia-armador Danilo como centroavante, com sucesso. Sinal mais do que emblemático de que a engrenagem está azeitada.

O mais interessante dessa fase vitoriosa do Corinthians, mesmo que não se aprecie o estilo pragmático de Tite, é que pode finalmente estimular os demais técnicos do país a saírem das fórmulas fáceis e previsíveis, que fazem dos torneios e campeonatos nacionais um desfile de mesmices.

Mesmo que o Corinthians não consiga manter por muito tempo a vantagem sobre os concorrentes diretos, a contribuição que Tite vem dando é digna de aplausos, principalmente neste período pós-Copa. É o primeiro técnico a mostrar na prática que o futebol do Brasil precisa de criatividade tática para fugir ao lugar-comum dos cruzamentos sobre a área e à eterna dependência dos contra-ataques.

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Perguntinha incômoda

Por que não há panelaço no Brasil quando na favela um menino de 10 anos é morto a tiros pela Polícia na favela?

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste sábado, 04)

Grandes times da história

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O Milan de 2004-2005, com Dida no gol, Cafu na lateral, Maldini e Costacurta na zaga; Kaká, Seedorf e Pirlo no meio e Shevchenko e Inzaghi na frente.