As voltas que a bola dá

POR GERSON NOGUEIRA

Mais que uma caixinha de surpresas, o futebol virou uma gangorra sem fim. Em menos de duas semanas, Dado Cavalcanti e Cacaio, técnicos respectivamente de Papão e Leão, mudaram radicalmente de condição e prestígio na gangorra dos resultados de suas equipes.

No instante de maior glória, Dado era reverenciado pela profusão de gols que o time disparou sobre o pobre São Francisco, pelo Parazão. O resultado foi saudado com todos os superlativos possíveis. Com justa razão. Poucos times conseguem construir uma goleada de 9 a 0 em meio ao sonolento equilíbrio reinante no futebol brasileiro.

unnamed (64)Antes disso, Dado já colecionava louvores pela condução segura do Papão no returno do campeonato estadual, apesar de um sério tropeço diante do Parauapebas dentro da Curuzu. Seu retrospecto, porém, era amplamente favorável, sustentado pelas duas vitórias consecutivas sobre o maior rival, pelo Parazão e pela Copa Verde. E a triunfal apresentação contra os santarenos coroou a lua-de-mel com a torcida.

Veio então a segunda partida da semifinal da Copa Verde. A expectativa era da confirmação da passagem do Papão às finais. Quando a bola rolou, todas as projeções foram derrubadas pela bravura e determinação do time remista, que pareceu se multiplicar em campo.

A façanha azulina causou profunda decepção na torcida do Papão e em seus dirigentes. Dado iniciou ali o período mais instável de sua passagem pelo Papão.

Do outro lado, um cenário inteiramente oposto. O treino de ontem no Evandro Almeida confirma o bom astral que passou a dominar a cena remista. À frente de tudo, Cacaio, técnico contratado às pressas para tentar salvar a campanha do Remo no Parazão.

Logo na primeira entrevista, foi sincero: sabia que só havia sido chamado porque o Remo vive séria crise e não tinha como buscar opções mais caras lá fora. A constatação não diminuiu seu entusiasmo. Partiu para a reconstrução do ambiente, conflagrado pelo atraso de salários e a falta de confiança na diretoria.

Dois dias depois de assumir, conduziu o time a um empate injusto diante do Atlético-PR no Mangueirão. Pela movimentação e empenho, merecia vencer. Em seguida, ficou ao lado dos jogadores na declaração pública em que foi escancarada a precária situação financeira do clube.

O próximo compromisso foi contra o Paragominas. Ex-técnico do Jacaré, Cacaio pôs em prática o conhecimento sobre o adversário e motivou o time a buscar a vitória a qualquer custo. Deu certo.

Depois, foi a Curitiba e quase superou o Atlético. Empatou em 1 a 1, de novo merecendo a vitória. Perdeu nos penais, mas com o sentimento de dever cumprido. Era notório que o time havia crescido e se tornado mais competitivo sob seu comando. O triunfo no Re-Pa de sábado confirmou sobejamente as evidências.

Cacaio emerge como salvador da pátria. Dado enfrenta as críticas e resmungos pela derrota. Resta saber se a gangorra já se acomodou ou ainda irá balançar até o fim do Parazão e da Copa Verde. A conferir.

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Leão enfrenta uma nova batalha

Apenas 72 horas depois da batalha contra o Papão, o Remo volta a campo para uma nova decisão. Terá pela frente o Paragominas. Apesar de ligeiro favoritismo, a previsão é de um jogo duríssimo para os azulinos, com forte marcação e muita luta no meio-de-campo.

Enquanto o Paragominas elenca uma série de desfalques, Cacaio terá a volta de Eduardo Ramos. Só perdeu Dadá – e que perda! O volante foi o grande nome do clássico de sábado, marcando o gol mais bonito da rodada nacional – segundo enquete da ESPN Brasil, ontem à noite.

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Bota, Vasco e o fator Eurico

Dizem que Eurico Miranda foi mais decisivo na semifinal de domingo do que qualquer atacante do Vasco. Tudo em função do penal meio mandrake marcado assinalado contra o Flamengo. Com ajuda externa ou não, o Vasco está classificado para encarar o Botafogo nas finais.

O Alvinegro também se beneficiou de um lance irregular. No primeiro gol do clássico com o Fluminense, sábado, Rodrigo Pimpão estava adiantado ao receber a bola e cruzar para Bill marcar. Depois, o Glorioso empreenderia uma jornada dramática – como tudo que envolve o Fogão – para superar o Tricolor.

A decisão começa domingo e, pela primeira vez, há um perfeito equilíbrio entre os duelistas. Em campo. Fora, a sombra de Eurico segue a assombrar.

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Novo xerife da CBF vai peitar a Globo?

Marco Polo Del Nero, novo manda-chuva da CBF, está convicto de que pode derrubar um dos pontos mais controversos da relação da entidade com a Globo: o nefasto horário de 22h para jogos de meio de semana. Nenhuma TV aberta no mundo ocidental pratica horário tão inusitado, para beneficiar sua grade de programação e ferrar com a vida do torcedor de arquibancada.

Del Nero, com a pose de recém-empossado, garante que a Globo nunca impôs nada ao futebol paulista, que ele dirigia até pouco tempo atrás. Por essa razão, entende que o relacionamento permite que alterações de horário sejam discutidas. Ele pensa em reivindicar a adoção do horário de 21h30.

O problema será convencer a emissora dos Marinho a recuar mesmo que seja apenas em meia hora uma faixa que explora sozinha desde que o Campeonato Brasileiro foi criado nos moldes atuais.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 21)