Pesquisa confirma: protestos têm perfil tucano

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POR LUIZ MÜLLER, DO BLOG NOTA CRÍTICA

O Instituto Datafolha publicou hoje o perfil dos “manifestantes” que foram às ruas no último domingo, (15). Segundo os resultados, 82% dos entrevistados durante a passeata em São Paulo declararam-se eleitores de Aécio Neves (PSDB) no segundo turno das Eleições 2014. Além disso, quase 40% mencionou ter simpatia pelo PSDB.

O perfil elitista dos participantes ficou evidente conforme o levantamento, o que comprova as diversas críticas, principalmente nos meios de comunicação internacionais, de que os protestos reuniram pessoas “mais velhas, mais brancas e mais ricas” de que em 2013 (Jornal britânico The Guardian).

Mais de 41% dos entrevistados – quase a metade dos participantes – alegaram que recebem mais de 7.888,00 reais por mês.

Somente 14% dos que foram às ruas naquele dia ganham menos do que R$ 2.363,00.

Conforme crítica publicada ontem neste site, o Datafolha confirmou a tese de que foi a primeira vez em que participaram de uma manifestação política nas ruas.

Despolitização revela lado tosco da passeata

“PT trouxe 50 mil haitianos para votar em Dilma Rousseff em 2014”

POR MÁRIO MAGALHÃES

Se você acreditou no título com notícia falsa lá no alto do post, não está sozinho: de cada 100 participantes do protesto do domingo passado na avenida Paulista, 42 levaram a sério a informação delirante sobre a invasão do Brasil por cinco dezenas de milhares de haitianos.

Ninguém viu tanto haitiano por aqui em outubro, mas isso não impediu que os manifestantes pelo “fora, Dilma” achassem ser verdade que a presidente teve o reforço alienígena para conquistar novo mandato.

cartazes-no-prrotesto-de-12-de-abril-de-2015-1428869135748_956x500A pesquisa que constatou a credulidade no inexistente foi coordenada por Esther Solano, professora de Relações Internacionais da Unifesp, e pelo filósofo Pablo Ortellado, da USP. Entre outras questões, eles apresentavam frases para saber se os presentes as levavam a sério.

A notícia sobre o levantamento está na coluna de hoje da Mônica Bergamo.

É claro que a crença no absurdo está relacionada com a intolerância diante do que parece incrível, que outros não concordem com o que cada um pensa.

O mais impressionante é que os 42% retratam o surto de certas cabeças.

Sobre os outros 58%, aceitaram desfilar lado a lado com quem acredita na fantasia sobre os haitianos eleitores de Dilma.

Remo negocia Roni com o Cruzeiro

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O atacante Roni está sendo negociado pelo Remo com o Cruzeiro. Um pré-contrato já teria sido assinado. Valor da transação estaria em torno de R$ 1,2 milhão. A pedido da diretoria remista, o jogador ficará até o final do Parazão. Roni foi revelado nas divisões de base do clube. Segundo informações surgidas agora à tarde, o valor da transferência gira em torno de R$ 650 mil, mas a diretoria do Remo estaria sendo pressionada a fechar o acordo. Há dirigente interessado no negócio para recuperar dinheiro aplicado no clube.

Enquanto isso, o técnico Cacaio praticamente definiu o time para o jogo desta quarta-feira com o Atlético-PR pela Copa do Brasil. A equipe titular treinou na manhã desta terça-feira com a seguinte formação: Cézar Luz; Allax, Ciro Sena, Rafael Andrade (Yan) e Alex Ruan; Ameixa, Felipe Macena, Fabrício e Mateus Carioca; Bismark e Val Barreto. Levy, Ratinho e Rafael Paty, titulares contra o Paragominas, devem compor o banco de reservas. Dadá, Eduardo Ramos, Roni e Jadilson não viajam. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

O lado simpático da direita

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Na manifestação coxinha convocada pela Globo, no último domingo, irrompeu finalmente uma imagem menos revoltada da direita brasileira. Caminhando sem lenço nem documento na avenida Paulista, as destemidas moças acima faziam seu singelo protesto anti-PT com graça e picardia (opa). O blog, sempre atento às bandeiras de luta, não podia deixar de registrar esse momento de profundo ativismo político.

Veias abertas da América

POR GERSON NOGUEIRA

O Uruguai venceu o Brasil limpamente em 50. E cercou-se de algo que nenhuma droga pode dar: o entusiasmo. Em duas frases, o diagnóstico da Copa mais trágica de todas. Pertencem a um homem sábio, talvez um dos últimos sábios que passaram por esta nossa América Latina. Eduardo Galeano. Afirmou isso em entrevista ao repórter Elvídio Matos, da ESPN, ao analisar, 60 anos depois, a tragédia do Maracanazo.

unnamedSorridente e emocionado, disse mais: “Depois da final, Obdúlio saiu do hotel e foi a um boteco beber uma cervejinha, passear. Ficou então impressionado com as pessoas chorando nas ruas do Rio. O que fiz a eles? Uma gente tão boa e eu fiz com que elas sofressem tanto. O pior é que ele ouvia as pessoas falando ‘Foi Obdúlio, foi Obdúlio…’. Então, a fúria que tinha reservado para o jogo contra o Brasil se transformou em constrangimento, desolação e tristeza”.

Avaliações sensíveis de um poeta-jornalista preocupado com sentimentos, amoroso com as pessoas. Galeano foi um mestre das palavras. Esgrimia verbos com invulgar carinho. Ouvi-lo era prazeroso, pelo tom de voz sereno e grave. Falava um português quase perfeito, emoldurado pelo forte sotaque espanhol. Ler seus escritos era puro deleite, pela clareza das ideias e a profundidade do conteúdo.

Uruguaio de nascimento, Galeano era cidadão do mundo. É claro um homem tão preocupado com os outros só poderia sólida formação esquerdista. Fui apresentado a Galeano quando já era um repórter e tentava diariamente melhorar meu texto, lendo o que de fato valia a pena.

Li alguns artigos dele n’O Pasquim e, a partir daí, aprendi a cultivar o hábito de ler seus livros, começando pelo seminal “As Veias Abertas da América Latina” (editora Codecri), lançado em 1971 e que me fez abrir os olhos para a subserviência política do nosso maltratado rincão. Anos depois, Hugo Chávez daria o livro de presente a Barack Obama, instigando-o a entender as históricas mazelas que castigam o povo das Américas.

Emendei depois com “Futebol ao Sol e à Sombra”, insuperável tratado crítico sobre esse esporte que tanto amamos. Apesar da modulação às vezes sombria, o livro desnuda a paixão que Galeano nutria pelo futebol e que fui aprendendo a confirmar em artigos e entrevistas.

Como fã de futebol, ele era apaixonado pelo Brasil. Histórias sobre as escaramuças, lendas e rivalidades (como a de Flamengo e Vasco) mereceram sua atenção. Como na incrível história de Arubinha, o homem que teria enterrado um sapo no estádio de S. Januário e lançado uma praga de 12 anos sobre o time da Colina. Coincidência ou não, o Vasco só venceria de novo depois de 11 anos.

Perseguido e censurado por várias ditaduras ao longo da vida, Galeano trabalhou como redator chefe do jornal “Marcha”, dirigiu o jornal “Época” e publicações da Universidade do Uruguai, de 1964 a 1973. Exilado em Buenos Aires, onde criou a revista “Crise”. Em 1976, continuou o exílio em Barcelona. Só retornou ao Uruguai em 1985, depois de restaurada a democracia.

Seus escritos eram fragmentados, assemelhando-se em economia a haicais, quase sempre no formato da crônica livre. Como jornalista, fazia da realidade sua fonte maior de inspiração, com talento suficiente para fazer disso grande literatura, como em “Memória do Fogo” e “Os Filhos dos Dias”, seu último lançamento no Brasil, de 2012.

Modestamente, dedico a ele a coluna de hoje pelo respeito e admiração, e acima de tudo pela fonte de inspiração que representou para a minha carreira. Ter Galeano como modelo é quase pavulagem de um escriba nascido no interior do mato.

Pela paixão inarredável pelo futebol e as claras convicções esquerdistas, de preocupação com os mais pobres e oposição às injustiças do mundo, sempre me senti próximo desse grande uruguaio, que morreu ontem, aos 74 anos.

Para fechar, uma frase inesquecível dele: “Há um só lugar onde ontem e hoje se encontram e se reconhecem e se abraçam. Esse lugar é amanhã”. Cabra bom. Vai fazer falta.

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Escaramuças políticas ameaçam o Remo

Em campo, o Remo fez sua parte. Na cara e na coragem, conquistou a classificação jogando em Paragominas, local onde quase sempre fracassou nos últimos anos. Determinados, os jogadores superaram eventuais deficiências e garantiram a vitória.

Todo esse esforço pode ser sabotado pelas escaramuças políticas que movimentam os bastidores do clube. O presidente Pedro Minowa, que está no cargo há três meses, corre o risco de ser apeado do poder por força de denúncias encaminhadas ao Conselho Deliberativo.

É acusado de irregularidades administrativas, por ter supostamente assinado contratos lesivos ao clube sem a anuência de seus pares, nem a autorização do Condel. Minowa, em entrevista ao Bola de domingo, nega qualquer ilícito. Na matéria, voltou a falar da situação em que encontrou as finanças do clube – com apenas R$ 6,50 em caixa, segundo ele.

Entre as acusações e a defesa existem vários passos a serem dados, mas seria sensato que as muvucas políticas ficassem para mais tarde. O futebol, que determina o que é céu e o que é inferno no Remo, viverá uma semana decisiva.

Amanhã, o time vai a Curitiba brigar a classificação à próxima fase da Copa do Brasil contra o Atlético. Parada difícil, mas não impossível. No sábado, aí sim, um confronto de vida ou morte com o Papão pela semifinal da Copa Verde. Para ir à final, o Remo precisa vencer por 3 a 0 ou fazer 2 a 0 e disputar nos penais. Pedreira total.

Os dirigentes e grandes azulinos precisam entender que aualquer coisa que desvie o foco dessas missões em campo será extremamente negativa para o futuro do clube.

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Uma tradição que não se altera

A recorrente hegemonia do Flamengo no mundo das arbitragens voltou a se manifestar domingo no clássico com o Vasco. Pelo menos dois jogadores rubro-negros deveriam ter sido expulsos por agressão a vascaínos. O lance mais escandaloso foi o pontapé no rosto de um meio-campista cruzmaltino ainda no primeiro tempo do jogo. Árbitro, a muito custo, deu amarelo.

Não esquecendo que, no ano passado, o Fla conquistou o título carioca com um gol em claro impedimento na final contra o Vasco. Nem Eurico Miranda, do alto de toda sua alegada matreirice, foi capaz de impedir que seu time fosse novamente garfado diante do maior rival.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 14)