A discussão equivocada da maioridade

POR ALFREDO SIRKIS, EM O GLOBO

Virou um debate viciado. A questão não é reduzir ou não a maioridade penal de uma maneira geral. A questão é como lidar com uma pequena minoria de criminosos menores de idade, violentos e extremamente perigosos — com uma propensão a matar maior do que a de criminosos mais experientes — que, não obstante haverem cometido seguidos crimes violentos, voltam rapidamente às ruas em virtude do ordenamento jurídico vigente.

Os vociferantes tanto “de esquerda” quanto “de direita” se equivocam nessa discussão. Uns precisam entender que a população não aceita mais a rapidez com que esses jovens assassinos voltam às ruas para matar de novo e tornam-se peças bem manipuladas pelas quadrilhas que têm seus contingentes “de menor” para todo crime.

Os outros precisam atentar para o resultado final, a médio prazo, de passar o conjunto de jovens infratores brasileiros entre 16 e 18 anos para os presídios normais.

A maior parte dos delitos dos menores não envolve violência, há um número desproporcional por comércio de drogas. Simplesmente aumentarão nossa já elevada população carcerária e as chances dos novos “de maior” saírem dessas universidades do crime, que são nossas penitenciárias, muito mais violentos e perigosos.

O foco deve ser no tratamento a ser dado aos menores que tenham cometido crimes violentos e constituam ameaça grave à sociedade, fazendo-os cumprir, ainda que em estabelecimento à parte, um tempo condizente com a violência do crime que cometeram e não permitindo mais essa rápida volta às ruas. Há projetos nesse sentido no Congresso.

O presente movimento pela diminuição geral da maioridade capitaneando pelo lobby conservador-religioso-policialesco obedece mais a propósitos políticos do que a uma estratégia de segurança bem pensada.

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Não consegue entender os vários ingredientes necessários a uma redução daqueles delitos violentos que mais atingem e preocupam a população (roubo, latrocínio, homicídio doloso) e a relação entre sua explosão nas últimas décadas e a política proibicionista de drogas, que alimenta a logística e o poderio econômico da bandidagem armada e suas mazelas associadas, incluída aí a corrupção policial via “arrego” e outras.

Quanto à velha esquerda, essa continua presa ao mito do “bandido vítima da sociedade” e não consegue explicar como, depois de 20 anos de políticas sociais, que reduziram de fato a pobreza, acabam coincidindo com um forte aumento da violência em escala nacional.

Insiste num discurso que, tristemente, a divorcia da ampla maioria da população trabalhadora exasperada com a leniência para com o crime violento expresso na facilidade que têm os “de menor” mais violentos em retornar às ruas e os mecanismos de “progressão de pena”, que permitem a autores de crimes bárbaros saírem da prisão em quatro, cinco anos.

Vamos continuar sendo o país do faz de conta: sem uma política minimamente inteligente e realista de segurança, à mercê da demagogia de uns e da irresponsabilidade de outros e com um ordenamento jurídico que não combate eficazmente a criminalidade violenta mas, ao mesmo tempo, abarrota as prisões de pessoas que não representam ameaça maior à sociedade.

A questão no Brasil não é encarcerar mais — é preciso, pelo contrário, ampliar as penas alternativas — mas conseguir concentrar na criminalidade violenta abrindo mão de duas fantasias ideologicamente distintas mas igualmente nocivas: a do “bandido vítima da sociedade” e a da polícia e das prisões abarrotadas que, mais dia menos dia, acabarão com as drogas. Em ambas, a realidade está ao reverso.

(*) Alfredo Sirkis é jornalista e escritor. 

Globo: quem te viu, quem te vê…

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A Rede Globo está comemorando 50 anos de existência e aproveitando para fazer uma revisão de sua atuação jornalística ao longo dessas cinco décadas. Nos especiais mostrados até agora, a emissora procura se mostrar como vítima da censura durante a ditadura. Uma rápida pesquisa nos arquivos permite ver (como na foto acima) o nível da censura a que a emissora de Roberto Marinho era submetida durante os governos militares.

Sempre com muita emoção

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POR GERSON NOGUEIRA

O Remo venceu, repetiu a atuação valente do clássico com o Papão, entusiasmou o torcedor em muitos momentos e, mais importante, e se garantiu na decisão do returno do Parazão. Mas, apesar disso tudo, passou por alguns riscos perfeitamente evitáveis no final do confronto com o Paragominas.

O sufoco dos últimos minutos não condiz com o time que mandou no jogo, tomou sempre a iniciativa e perdeu (só no primeiro tempo) quatro chances claras, além do golaço marcado por Eduardo Ramos. Ratinho, Alex Ruan, Bismarck e Paty erraram no arremate final e o jogo foi ficando difícil à medida que o tempo passava.

Na verdade, o Remo se deixou levar pela tensão natural do começo da partida, talvez sentindo a expectativa da torcida e a necessidade de confirmar a boa fase. Seria normal que isso durante 10 ou 15 minutos, mas isso perdurou por quase todo o primeiro tempo.

Somente quando Eduardo Ramos se aproximou da área, ajustou o arremate e acertou o canto direito do gol de Maicky Douglas é que o Remo parece ter finalmente botado os nervos no lugar.

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Enquanto o gol não saía, o Paragominas teve alguns lampejos que poderiam ter mudado a história da partida. Aos 11 minutos, um cruzamento alto de Rogério Rios fez com que Fabiano errasse o soco, deixando Bruno Maranhão livre para cabecear. A bola passou perto da trave vazia.

unnamedAleílson teve dois momentos de brilho e no mais agudo, aos 17, mandou a bola muito perto do travessão de Fabiano. Foi só o que o ataque do Paragominas produziu nos 45 minutos iniciais. Destaque mesmo teve o goleiro Maicky Douglas, sempre bem colocado nas bolas aéreas, o volante Cristiano Gaúcho e os laterais Vítor e Rogério Rios.

Com esses jogadores bem posicionados, Charles Guerreiro manteve o Paragominas bem resguardado atrás, embora sem abraçar uma retranca radical. O Remo, graças à iniciativa de Eduardo Ramos, se manteve sempre rondando a área, apesar do bloqueio montado pelo visitante.

Alex Ruan voltou a aparecer bem, migrando para o meio quando o corredor lateral estava congestionado. Criou boas situações, tabelando com Ratinho e Ramos. Parece ter voltado a acreditar na capacidade de driblar e atacar, como quando surgiu no sub-20.

Na proteção à defesa, Ilaílson e Ameixa se portavam muitíssimo bem, desarmando e apoiando. Ameixa, principalmente, mostrou desembaraço para fazer até lançamentos longos, acertando todos. Foi o grande destaque individual do jogo já no primeiro tempo, confirmando isso na etapa final.

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Com a vantagem no marcador, o Remo retornou para o segundo tempo com a mesma distribuição em campo, embora Bismarck se adiantasse um pouco mais. E foi ele que deu a primeira estocada, logo a 1 minuto, cruzando rasante. Paty chegou alguns segundos atrasados.

Aos 15 minutos, Val Barreto substituiu Paty e logo em seguida Felipe Macena entrou no lugar de Ratinho. O ataque ganhou força, mas curiosamente Barreto foi jogar pelo lado esquerdo, deixando o meio para Eduardo Ramos manobrar. A partir daí, o Remo passou a depender mais dos avanços da dupla Levy e Bismarck pela direita.

Apesar de avanços insistentes de Bismarck, muito acionado, o Remo perdeu referência na briga de área com os zagueiros Cristovão e Douglas. Quase aos 30, Eduardo Ramos quase acertou falta na gaveta direita de Maicky Douglas. Bola passou rente ao travessão.

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Dos 35 em diante, Charles fez mudanças no Paragominas e reforçou sua ofensiva, com Beá e Uander junto com Aleílson. Criou três grandes chances. A primeira em cabeceio de Beá, defendido por Fabiano. E as duas seguintes em lances de Aleílson que provocaram arrepios na torcida remista.

Quando o jogo terminou, a torcida gritava em uníssono “Eu acredito, eu acredito…”. O Remo cumpriu o prometido, avançado à decisão do segundo turno. Mais que isso: confirmou a mudança de postura, atacando com vontade e defendendo com gana. A identificação do torcedor com esse novo time é cada vez maior. Confiança de parte a parte.

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Papão e Pebas: promessa de grande duelo

O Papão entra em campo hoje à noite pressionado. A derrota (e eliminação) na Copa Verde ainda está viva na cabeça do torcedor, que espera a reabilitação e a classificação à final do returno. O que mais se ouve, nas ruas e nas redes sociais, é que o time tem agora a obrigação de ganhar o Parazão.

Nem tudo é tão simples assim. Para alcançar esse objetivo, o Papão tem que esquecer da frustração da queda na Copa Verde e superar um adversário encardido, que tem uma das melhores defesas do campeonato, além de ostentar a melhor pontuação geral.

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O Parauapebas, apesar de desfalques no meio e na defesa, é um adversário temível. Bem estruturado por Léo Goiano, já venceu Leão e Papão dentro de Belém e mostra uma solidez defensiva de impressionar.

A partida marca o retorno ao time titular do Papão de peças fundamentais, como Pikachu e Jonathan. Só eles, porém, não serão suficientes para garantir um triunfo. É necessário que a equipe volte a jogar bem, utilizando seus recursos mais óbvios, como a rapidez na saída para o ataque e a capacidade de definição de Bruno Veiga.

(Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

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Roni desaparece e vira notícia

O atacante Roni dominou o noticiário do feriado de Tiradentes. Não se apresentou para jogar contra o Paragominas e abriu uma série de indagações sobre sua atitude e o seu futuro. Primeiro, sua assessoria informou que teria viajado a Magalhães Barata para resolver problemas familiares. A diretoria do Remo mandou checar e descobriu que ele estava em Belém, ao lado de seu empresário.

Começou então uma conversa fugidia de parte a parte, cercada dos mais diferentes e desencontrados boatos. Até o final desta edição, já se falava que ele teria sido negociado com o Cruzeiro (conforme o blog informou na terça-feira, 14 de abril). Outros asseveram que ele estaria com um pé na Curuzu, embora tenha contrato até 2017 com o Remo.

Ninguém sabe ao certo o que houve, mas é possível avaliar que um garoto de 21 anos tem pouquíssima maturidade e sangue frio para escapar à sanha de raposas felpudas que costumam aparecer nessas ocasiões.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 22)