Com 50 anos de casa, Carsughi é demitido

carsughi

VAGNER MAGALHÃES – DO UOL, EM SÃO PAULO

O comentarista esportivo Claudio Carsughi, 82, foi demitido nesta segunda-feira da rádio Jovem Pan de São Paulo, após mais de 50 anos de casa. Carsughi trabalhou na rádio em dois períodos: entre 1957 e 1960 e entre 1963 até hoje. Entre 1960 e 1963 esteve na rádio Bandeirantes.

“A rádio está passando por uma mudança de perfil. Ela assumiu uma postura de direita, que nunca tinha tido. Sempre se ouvia os dois lados. Hoje tem uma posição frontalmente contrária ao PT, à Dilma, ao Lula. Talvez com isso espere o retorno publicitário com empresas do mesmo perfil”, disse o comentarista.

Segundo Carsughi, a demissão foi anunciada por Wanderley Nogueira, diretor de esportes da rádio. “Foi uma conversa franca. Ele me disse que estava muito chateado, sem jeito para dar a notícia, mas que o Tutinha (neto de Paulo Machado de Carvalho) tinha decidido demitir-me. São contingências da vida. Falam em redução de custos. Mas isso é relativo. Eu não tinha um ordenado nababesco. Para o orçamento da rádio não deve fazer muita diferença”, diz ele.

Carsughi admite que nos últimos anos, a equipe esportiva, base da rádio ao lado do noticiário geral, vinha perdendo espaço. “Deixamos de fazer a Fórmula 1. As nossas equipes raramente se fazem presentes nos estádios. Quando estão, só aqui em São Paulo. Mesmo assim, muitas vezes vai só um repórter, para não pagar o técnico (de som)”, diz.

Ele afirma que a rádio passa por uma mudança de conceito e que Tuta, filho de Paulo Machado de Carvalho, largou a emissora na mão dos filhos. “É um ambiente diferente. O caminho é outro. Com o Tuta, nosso acordo era selado em um aperto de mão. Hoje é um processo muito mais burocrático. Jamais teria sido mandado embora se ele estivesse no comando da rádio”.

Carsughi lembra que quando deixou a Jovem Pan para ir para a Bandeirantes, em 1960, voltou um profissional bem mais completo. “Fui chamado de volta para ganhar o triplo”, diz ele. Pela Jovem Pan, cobriu cinco Copas do Mundo consecutivas, entre 1970 e 1986. Em 1990, lembra que foi por sua conta, já que o Mundial foi disputado na Itália, sua terra natal.

Confirmado: campanha é dos barões da velha mídia

PP-Paulista-Manifestacao-20150412-10 (1)

POR LUCIANO MARTINS COSTA, NO OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA

Os jornais de segunda-feira (13/4) absorvem cautelosamente a frustração com o menor impacto das manifestações de domingo, projetando novos lances dos grupos que se organizaram nas redes sociais e se corporificaram nas ruas. As redações registram desentendimentos entre líderes do movimento, concentrando as fichas em apenas dois deles, mas não conseguem dissimular o fato de que os protestos eram uma grande aposta da própria imprensa hegemônica.

Os jornais de sábado haviam divulgado com destaque declarações do presidente do PSDB, senador Aécio Neves, e uma nota oficial do partido, apoiando irrestritamente as manifestações do dia seguinte. Desde a sexta-feira (10/4), os três diários de circulação nacional vinham publicando chamamentos explícitos para estimular a adesão aos protestos, procurando selecionar os grupos e isolar os aloprados que ainda pregam o golpe militar e ações violentas. Não fica bem ser visto em tal companhia.

Não havia qualquer dúvida, portanto, de que a manifestação programada para manter acesa a crise política passava a ser um ato partidário sob a bandeira do PSDB, com patrocínio indiscutível da mídia tradicional.

A “pesquisa” Datafolha publicada na manhã de domingo mostrava que a queda de popularidade da presidente Dilma Rousseff havia estabilizado, o que pode ser creditado à nomeação do vice-presidente Michel Temer como negociador com o Congresso e à maior visibilidade das medidas econômicas recentes, tratadas com superficialidade pela imprensa.

Na mesma edição da consulta, o Datafolha havia inserido uma pergunta maliciosa: “Considerando tudo que se sabe até o momento a respeito da Operação Lava Jato, o Congresso deveria abrir processo de impeachment para afastar a presidente Dilma da Presidência?”

A resposta majoritária (63%) a favor de um processo era apresentada pelo jornal como apoio ao impeachment, registrando-se, ao mesmo tempo, que só 12% dos que se declararam a favor de um processo para afastamento da presidente sabiam que, em caso de impeachment, Michel Temer seria seu sucessor.

Projeto comum

É nesse contexto de desinformação e ignorância política que os jornais tentam manipular os números da manifestação, procurando dar a ela uma abrangência que nunca tiveram.

Segundo levantamento feito pelo Datafolha no decorrer dos protestos, 83% dos manifestantes que foram às ruas no domingo haviam votado em Aécio Neves na eleição presidencial. Temos, portanto, um contexto em que homens (56% do total) brancos (73%), com educação superior (77%) e idade média de 45 anos saíram às ruas para exigir um terceiro turno da eleição que perderam nas urnas.

A análise da sequência de números selecionados pelo Datafolha autoriza a concluir que está em curso um golpe contra a vontade da maioria que elegeu a presidente Dilma Rousseff, no qual a imprensa seleciona fatos e opiniões, organiza e dá densidade a uma disposição antidemocrática que até então era difusa nas camadas privilegiadas da sociedade.

Embora os jornais insistam em dar aos protestos um caráter mais amplo, os fatos do fim de semana demonstram que há um processo deliberado, com base na imprensa, de levar às ruas manifestantes com perfil conservador e tentar apresentá-los como uma representação majoritária da população. Aposta-se, claramente, que essa onda acabe contaminando as classes de renda emergentes, cujos integrantes, em boa parte, almejam ser vistos como membros da classe média tradicional.

Observe-se que alguns institutos de pesquisa, entre os quais o próprio Datafolha, vem registrando, na esteira das manifestações, uma mudança no posicionamento político das classes médias urbanas, com o crescimento do número de pessoas que se declaram “direitistas” ou de “centro-direita”. Cansada de perder seguidamente a disputa nas urnas democráticas, a mídia se empenha em validar e dar visibilidade a expressões políticas reacionárias e antidemocráticas.

Registre-se, como curiosidade que um dos artigos publicados na edição de segunda-feira (13) da Folha de S. Paulo termina com a seguinte observação sobre a passeata de domingo no Rio de Janeiro: “(…) foi fácil perceber que não havia em Copacabana gente em situação financeira precária. Eram 10 mil pessoas de uma classe média que segue a pauta dos grupos de comunicação, claramente favoráveis aos protestos. Se a crise se instalar com a força que se espera e os mais pobres saírem às ruas, é possível que a turma deste domingo corra para seus apartamentos. E chame a polícia”.

Não seria esse mesmo o projeto da imprensa hegemônica?

PS do Viomundo: A cobertura da Globonews deixou claríssimo, ontem, que a campanha é dos barões da mídia…

Uma avalanche de gols

unnamed

POR GERSON NOGUEIRA 

Não é todo dia que se vence por 9 a 0. Acontece fortuitamente, meio que por acidente – tanto que a última vez que o Papão conquistou esse placar foi em 1977, contra o Sport Belém. Ontem, o ataque bicolor superou todas as expectativas. Como bem lembrou Carlos Castilho, citando a música do Jota Quest em seus comentários na Rádio Clube, o jogo foi fácil, extremamente fácil. E não apenas pelas inúmeras deficiências do São Francisco – a começar pelo goleiro.

Na verdade, o massacre de 9 a 0 deveu-se na totalidade ao futebol envolvente, rápido e objetivo do time de Dado Cavalcanti. Serviu para compensar todas aquelas oportunidades que tinham sido criadas e desperdiçadas nos últimos jogos.

Ontem, além dos gols marcados, o Papão poderia ter marcado pelo menos mais três ou quatro, mas aí já não seria futebol, aproximando-se mais do basquete ou do handebol. O fato é que, com um meio-de-campo aparentemente conservador, tendo apenas Djalma a cuidar da articulação, a equipe pareceu até mais leve, jogando mais à base de passes verticais.

Auxiliado por Augusto Recife (autor do golaço que abriu o placar) e Radamés, Djalma não ficou solitário. Usou todo o entrosamento que tem com Pikachu para fazer a bola fluir e chegar aos atacantes Bruno Veiga (principalmente) e Aylon. A zaga teve desempenho razoável, mostrando algumas dificuldades no primeiro tempo, quando Jaime levou perigo em três investidas.

unnamed

Depois de fazer 2 a 0 no primeiro tempo, o Papão precisou de apenas 16 minutos de bola rolando no segundo tempo para construir a goleada histórica: o terceiro gol (Bruno Veiga) foi marcado aos 11 minutos e o sétimo (Ricardo Capanema) saiu aos 27. Lembrou, guardadas as proporções, a marcha no placar da goleada alemã sobre o Brasil na Copa.

De quebra, o centroavante Souza finalmente balançou as redes em jogada bem ao seu estilo. Pode-se dizer que, mais do que os três pontos obtidos, o Papão se beneficia das circunstâncias da vitória. O time ganha com a goleada um novo impulso para as decisões que virão pela frente – semifinais do campeonato e da Copa Verde.

Todos jogaram em alto nível, não cabendo nem destacar individualidades.

unnamed

———————————————————-

Com raça, Leão arranca vaga

O Remo tinha uma missão a cumprir em Paragominas: vencer para classificar. Cumpriu à risca, sem sobras. Conseguiu a contagem mínima, segurou a pressão meio desordenada do time da casa e saiu extenuado, mas com presença garantida na semifinal do returno.

A batalha da Arena Verde foi mais disputada basicamente no meio-de-campo. Pouquíssimas jogadas de grande área. A luta foi encarniçada no espaço entre as duas intermediárias. Três volantes de um lado, três de outro. E meias que se comportavam mais como marcadores do que como articuladores.

Ratinho, por exemplo, que tinha a tarefa de abastecer o ataque, acabou preso à cobertura de Roni pelo corredor direito do Remo. Sem apoio dos laterais, os atacantes ficavam isolados, dependendo de tentativas esporádicas. Roni, por sinal, foi o mais ativo deles, enfrentando a ríspida marcação e levando certa vantagem.

O atacante sofria faltas seguidas junto à área, mas o Remo não aproveitava, mesmo tendo um especialista (Alberto) em cobranças. A melhor chance ocorreu aos 28 minutos, com a bola passando perto do gol.

Depois disso, o lance mais contundente foi aos 44 minutos, quando Max desviou cruzamento de Alex Ruan e quase alcançou Rafael Paty, que fechava no segundo pau.

Cacaio alterou o meio-de-campo, substituindo Alberto por Bismarck e Felipe Macena. Com Bismarck avançado, buscando a área junto com Roni pela direita, o time cresceu em agressividade e confundiu o bloqueio defensivo do Paragominas.

Aos 22 minutos, veio o gol. Roni invadiu a área, driblou um zagueiro e foi derrubado. A bola sobrou para Bismarck finalizar e fazer 1 a 0. Em seguida, lance polêmico na área do Remo. Dewson mandou seguir, mas as imagens da TV indicam que o atacante do PFC foi tocado. Depois, Roni também caiu na área, atingido por trás quando se preparava para o arremate.

No final, quando a torcida remista driblou a segurança para comemorar no gramado, o policiamento disparou bombas e balas de borracha, quase causando uma tragédia. Dadá e Roni foram atingidos, sendo que o atacante chegou a desmaiar. Ato desnecessário, revelador do despreparo dos policiais.

———————————————————–

Pebas goleia e ganha ajuda do Gavião

A rodada foi mais dramática nos minutos finais dos jogos de Parauapebas e Tucuruí. No estádio Rosenão, o Cametá sofreu o primeiro gol no final do primeiro tempo, mas alcançou o empate aos 17 minutos do segundo. Resistiu até os 30 minutos, quando o Pebas tomou de vez as rédeas da partida, marcando três vezes seguidas e estabelecendo o placar de 4 a 1.

Para se classificar à semifinal, o Pebas dependia do resultado de Tucuruí, onde o Independente penava para vencer o já eliminado Gavião. Um penal marcado para o Galo Elétrico foi defendido pelo goleiro, mas Rai aproveitou o rebote para marcar, aos 30 do segundo tempo. O protesto dos jogadores do Gavião paralisou o jogo por cinco minutos.

Apesar de não ter maiores interesses no jogo, o Gavião foi aplicado e buscou o empate até o final. A recompensa veio aos 44 minutos, através de Cléo. O gol fez justiça ao equilíbrio em campo e tirou o Independente (campeão do turno) da briga pelo título do returno.

Em Santarém, outro resultado surpreendente envolvendo um time já eliminado. De virada, o Castanhal dobrou o Tapajós, marcando 3 a 2. O Boto alimentava parcas chances de classificação, mas não teve forças para se impor dentro de casa.

———————————————————–

Cruzamento favorece grandes

Remo e Paragominas se cruzam numa semifinal, no dia 21, às 16h. O Papão encara o Parauapebas no dia seguinte, às 20h30. Os jogos serão no estádio Jornalista Edgar Proença. Os times interioranos mostraram arrojo e ousadia no returno, mas é indiscutível a vantagem que os grandes da capital têm por jogarem ao lado de suas torcidas. Vem daí o favoritismo de ambos para chegar à decisão do turno. Mas ainda estão rolando os dados.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 13)