Cacaio muda o Leão para encarar Furacão

unnamed (51)

Depois de apenas dois treinos, o técnico Cacaio fez mudanças no time titular para a estreia na Copa do Brasil nesta quinta-feira (21h50) contra o Atlético-PR. Dadá será improvisado na lateral-direita, abrindo espaço para a entrada de Ilaílson ao lado de Alberto no meio-campo. No ataque, Roni fará dupla com Val Barreto. A escalação provável para enfrentar o Furacão no Mangueirão é a seguinte: Fabiano; Dadá, Ciro Sena, Igor João e Jadílson; Alberto, Ilaílson, Eduardo Ramos e Bismarck; Val Barreto e Roni. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

Eco e o uso do jornalismo por magnatas

1427393303_512601_1427394237_noticia_normal

DO EL PAÍS

Umberto Eco tem na entrada de sua casa em Milão, antes de sua montanha de livros, o jornal de seu povoado (Alessandria, no Piemonte), que recebe diariamente. Quando pedimos fotos de sua juventude foi a um computador, que é o centro borgiano de seu Aleph particular, seu escritório, e encontrou as fotos que o levam ao princípio de sua vida, quando era um bebê de fraldas. Faz tudo com eficiência e bom humor, e rapidamente; tem na boca, quase sempre, um charuto apagado com o qual, com certeza, foge do charuto. Tem uma inteligência direta, não foge de nada, nem dá voltas. Acostumado a escolher as palavras, as diz como se viessem de um exercício intelectual que tem seu reflexo nos corredores superlotados dessa casa que se parece com o paraíso dos livros.

Está com 83 anos; emagreceu, pois faz uma dieta que o afastou do uísque (com o qual almoçava algumas vezes) e de outros excessos, de forma que mostra a barriga achatada como uma glória conquistada em uma batalha sem sangue. É um dos grandes filólogos do mundo; desde muito jovem ganhou notoriedade como tal, mas um dia quis demonstrar que o movimento narrativo se demonstra andando e publicou, com um sucesso planetário, o romance O Nome da Rosa (1980), cujo mistério, cultura e ironia impressionaram o mundo.

Passeamos junto com o escritor. Física e metaforicamente. Percorremos juntos a imponente biblioteca de sua casa em Milão, onde também repousam alguns de seus livros de maior sucesso, como O Pêndulo de Foucault e Apocalípticos e Integrados. Nas mesmas prateleiras também está seu novo romance, Número Zero, uma ficção sobre jornalismo inspirada na realidade. Um olhar sobre a informação no século XXI e a Internet, campo de batalha das ideias, das notícias e das mentiras. Controlar a verdade do que aparece na rede é, para Eco, imprescindível. Uma tarefa à qual deveriam se dedicar os jornais tradicionais, para que esses continuem sendo, no futuro, garantidores da democracia, da liberdade e da pluralidade.

Com esse sucesso que teria envaidecido qualquer um, não parou de trabalhar, como filósofo e romancista, e desde então o professor Eco é também o romancista Eco; agora aparece (em vários países do mundo) com um novo romance que nasce do centro de seus próprios interesses como cidadão: ele se sente um jornalista cujo compromisso civil o levou durante décadas a fazer autocrítica do ofício; seu romance Número Zero (cujos direitos no Brasil foram comprados pela Record, que deve lançá-lo neste ano) retrata um editor que monta um jornal que não sairá às ruas, mas cuja existência serve ao magnata para intimidar e chantagear seus adversários. Pode se pensar legitimamente que nesse editor está a metáfora de Berlusconi, o grande magnata dos meios de comunicação na Itália?, perguntei a Eco. O professor disse: “Se quiser ver em Vimecarte um Berlusconi, vá em frente, mas há muitos Vimecarte na Itália”.

Leia a entrevista completa clicando aqui.

A velha mídia e seus novos ídolos

POR LUCIANO MARTINS COSTA

Uma das tarefas mais difíceis da observação da imprensa é interpretar a narrativa subjacente ao conjunto de textos e sua organização nas páginas dos jornais. Como os diários procuram abranger o máximo de temas que seus editores consideram importantes para compor a agenda pública, supõe-se que basta entender o contexto de cada caderno especializado para montar o quebra-cabeças proposto a cada dia.

Nesse modelo clássico de observação, bastaria analisar os editoriais para identificar a opinião de cada veículo e ler os artigos para circunscrever a amplitude de interpretações que a imprensa tolera em suas páginas. O resto estaria explícito ou implícito na hierarquia que vai das manchetes até as notas curtas, ou até mesmo nos temas que foram deixados de fora.

O mesmo processo serviria para observar o noticiário da televisão, pois os dois meios se complementam e os principais diários costumam esperar o fim do Jornal Nacional, da TV Globo, para concluir suas edições. No entanto, a homogeneização da mídia tradicional exige que o observador leia todos os jornais de circulação nacional e acompanhe o noticiário de maior audiência para entender a lógica do jornalismo praticado no Brasil.

As grandes empresas de comunicação estabeleceram, nos últimos anos, uma relação de parcerias que eliminou a concorrência entre elas, enquanto o propósito político comum unificou os discursos e as narrativas, fazendo com que os jornais ficassem muito parecidos entre si.

Se já não havia uma diversidade aceitável em cada um deles, agora fica ainda mais patente que os principais meios de comunicação do país atuam como uma só redação, um só corpo editorial orientado por uma visão de mundo dominante e conservadora. Essa característica fica escancarada na forma como os conteúdos de um jornal são complementados e referendados pelos demais, em sequências nas quais uma declaração, um boato ou uma anedota percorre todo o campo midiático, acabando por se afirmar como verdade incontestável.

Captura-de-Tela-2015-03-17-às-11.24.13

Seguindo esse roteiro, é possível identificar claramente na narrativa comum e mutuamente referente dos três diários de circulação nacional uma agenda política que tem como eixo central a manutenção de um quadro de crise em torno da presidente Dilma Rousseff, ao mesmo tempo em que se procura minar a reputação do ex-presidente Lula da Silva.

Abominações políticas

Faz sentido: não é conveniente dar guarida aos manifestantes que pedem o impeachment da atual presidente, se Lula continuar com chances de voltar ao Planalto em 2018. Por isso, a imprensa busca dar consistência ao discurso desses atores recentemente inseridos na cena pública após os protestos do dia 15 de março passado. Repórteres, editores e âncoras de programas de entrevistas procuram tornar compreensíveis e palatáveis as ideias politicamente toscas expressas por tais protagonistas, apresentando-os como exemplos da razão nacional.

Essa ação tem sido mais intensa na Folha de S.Paulo e na TV Cultura de São Paulo – e, por extensão desta, na revista Veja –, mas se repete em entrevistas e artigos nos outros jornais, nos quais se procura apresentar um engenheiro, um adolescente de traços orientais e um jovem negro como representantes da “voz das ruas”.

Lidos no original, os discursos dos personagens que a imprensa selecionou para representar esse movimento exemplificam com clareza o que a filósofa Marilena Chauí chamou, há três anos, de “abominações” (ver aqui).

É difícil analisar diretamente as visões de mundo expressadas por esses novos ídolos da mídia, porque, como verdadeiras aberrações do pensamento político, escapam aos paradigmas clássicos. Mas pode-se ler a versão revista e palatável de suas ideias, que a imprensa procura apresentar ao público.

Na edição de quinta-feira (2/4), o Estado de S.Paulo assume, em editorial, a crença de tais personagens, de que há uma orientação “bolivariana” no poder Executivo – o que soa quase como achincalhe à inteligência do leitor mais exigente. Na Folha de S.Paulo, um articulista recomenda que os movimentos que organizam os protestos simplifiquem e unifiquem suas bandeiras, e afirma que eles representam “o que a rua quer”.

Esses personagens não representam as ruas. São a expressão da pobreza intelectual que caracteriza a lumpenburguesia, essa extração das classes médias urbanas composta pelos abastados abestados, analfabetos políticos que desprezam a democracia e repudiam a mobilidade social, da qual são beneficiários.

É com essas excrescências que a imprensa produz diariamente seus quitutes.

Sem grana para demitir, S. Paulo mantém Muricy

DO BLOG DO PERRONE

As dificuldades financeiras enfrentadas pelo São Paulo fazem parte dos argumentos da diretoria para rebater os críticos que pedem a demissão de Muricy Ramalho. Na avaliação da direção, mandar o treinador embora significaria o risco de dobrar seus gastos com técnico. Isso porque o clube teria que continuar pagando cerca de R$ 500 mil mensais a Muricy até dezembro, quando termina seu contrato, além de bancar seu substituto.

muricy-ramalho-cabisbaixo-no-jogo-do-sao-paulo-contra-o-linense-pela-13-rodada-do-paulista-1427664108540_300x100Pelos cálculos dos cartolas, seria difícil conseguir um técnico de alto nível para ganhar menos do que Muricy. Se o substituto também recebesse R$ 500 mil, o clube passaria a gastar R$ 1 milhão por mês só com treinador até o fim do ano. Mesmo um técnico mais barato provocaria aumento na despesa, já que seriam dois profissionais pagos ao mesmo tempo.

O gasto extra é indesejável para quem fechou 2014 com um déficit operacional de aproximadamente R$ 54 milhões. Só a dívida bancária são-paulina pulou de R$ 92,8 milhões em 2013 para cerca de R$ 150,4 milhões em 2014.

A falta de dinheiro, porém, não é o único motivo que fez a diretoria manter Muricy até agora, apesar de considerar o treinador o principal responsável pelos maus resultados da equipe. A escassez de bons nomes disponíveis no mercado também ajudou. Efetivar o auxiliar Milton Cruz em seu lugar poderia ser uma alternativa barata. Mas o assistente não tem a confiança da cúpula são-paulina e enfrenta um processo de fritura.

Dona da Mercedes é questionada por envolvimento com a ditadura brasileira, mas empresa nega

POR PATRÍCIA DICHTCHEKENIAN – OPERA MUNDI

No dia em que o golpe civil-militar brasileiro completa 51 anos, a multinacional automobilística alemã Daimler S.A., fabricante da Mercedes-Benz, foi questionada nesta quarta-feira (01/04) pela Associação de Acionistas Críticos a respeito de seu envolvimento com a ditadura brasileira (1964-1985). As perguntas direcionadas à empresa repercutem o relatório final da CNV (Comissão Nacional da Verdade), que cita a firma como uma das financiadoras da Oban (Opreação Bandeirante), o órgão que, de 1969 até meados dos anos 1970, era o braço militar da repressão política e, anos mais tarde, daria origem ao DOI-Codi, principal centro de tortura e morte do regime. A empresa nega envolvimento com a ditadura.

???????????????????????????????

Leia também:
Um mês após derrubar Jango, empresários golpistas formaram nova diretoria na Fiesp
CNV: Sistema da Volkswagen para vigiar funcionários na ditadura foi criado por criminoso nazista

“O Conselho Diretor da Daimler falhou ao não investigar e esclarecer de imediato esses eventos [envolvimento com a ditadura brasileira]. A Daimler deve encarar e reconhecer sua responsabilidade histórica”, dizia a moção movida pelos Acionistas Críticos, grupo sem fins lucrativos que possui ações em mais de 25 das maiores empresas da Alemanha.

A Mercedes-Benz é citada em duas passagens no volume II do relatório final da CNV, documento entregue à presidente Dilma Rousseff no mês de dezembro:

Outro caso de graves violações de direitos humanos aconteceu com Lúcio Bellentani, na Volkswagen de São Bernardo do Campo, em 1972.53 Segundo seu depoimento, ele “estava trabalhando e chegaram dois indivíduos com metralhadora, encostaram nas minhas costas, já me algemaram. Na hora em que cheguei à sala de segurança da Volkswagen já começou a tortura, já comecei a apanhar ali, comecei a levar tapa, soco”. Foram presos no mesmo episódio mais de 20 metalúrgicos, a maioria da Volkswagen e o restante da Mercedes, da Perkins e da Metal Leve. (p. 70)

Ao lado dos banqueiros, diversas multinacionais financiaram a formação da Oban, como os grupos Ultra, Ford, General Motors, Camargo Corrêa, Objetivo e Folha. Também colaboraram multinacionais como a Nestlé, General Eletric, Mercedes Benz, Siemens e Light.  (p. 320).

ntes da reunião desta quarta, a empresa já havia respondido textualmente aos questionamentos, negando envolvimento com a ditadura e afirmando não ter sido comunicada das acusações pela CNV brasileira.

Estamos acompanhando o trabalho da comissão e começamos nossa própria investigação há algum tempo. Nossos pesquisadores ainda não revelaram quaisquer indicações de apoio da empresa ao regime militar brasileiro. Não encontramos evidências para as acusações de que a Mercedes-Benz teria financiado a Oban. Também não encontramos tais evidências no relatório da CNV. Respeitar e proteger os direitos humanos são de princípios de muita importância para a Daimler. Certamente estamos dispostos a dar apoio às autoridades brasileiras para o esclarecimento dos fatos.

Na reunião anual de hoje, em Berlim, com a presença de mais de 3 mil acionistas da empresa, a Daimler reiterou verbalmente sua posição, o que não foi suficiente para os Acionistas Críticos.

“Como a maior parte dos documentos e arquivos no Brasil não existe mais, a Daimler deveria primeiro contatar, conversar e escutar as testemunhas e vítimas, para primeiramente recuperar a memória”, sugeriu Christan Russau, membro da diretoria dos Acionistas Críticos. “Em um segundo passo, a Daimler deverá assumir responsabilidade frente às vitimas, os parentes deles e à sociedade brasileira”, completa.

Russau relatou também que o CEO da Daimler, Dieter Zetsche, afirmou que a Daimler chegou a procurar ex-funcionários alemães da época para perguntar sobre se havia notícias da colaboração da filial brasileira com o regime militar — todos disseram que não sabiam de nada.

Pressionado novamente, Zetsche afirmou que está nos planos da Daimler colher depoimentos de ex-funcionários brasileiros. O executivo, entretanto, não especificou quem seria responsável pelo trabalho de investigação e resgate da memória. Os Acionistas Críticos sugeriram que a empresa indicasse para o trabalho Valter Sanches, brasileiro, sindicalista e membro do Conselho de Administração da Daimler. Ainda não houve resposta da diretoria.

kombivolks(1)(2)

Papel de outras empresas alemãs na ditadura 

Uma das principais concorrentes da Daimler no mercado automobilístico é a Volkswagen, que também já foi questionada pelos Acionistas Críticos durante reunião de prestação de contas da companhia em Hannover, em maio de 2014.

Na ocasião, a Volkswagen respondeu que esclareceria sua relação com a ditadura brasileira caso a Comissão Nacional da Verdade revelasse provas de que houve violação dos direitos humanos por parte da empresa no período em que os militares comandavam o Brasil.

No último mês, a Volkswagen fez parte de uma audiência pública para esclarecer a colaboração do empresariado paulista na repressão aos trabalhadores durante o período militar. A sessão no auditório da Assembleia Legislativa de São Paulo teve a presença de ex-funcionários da montadora que relataram experiências de repressão dentro da fábrica.

“A Volkswagen veio com estrutura fantástica à sessão. Mas acho que eles saíram muito mal na foto. Não responderam às perguntas, tinham uma tremenda de uma blindagem. O depoimento em si foi muito fraco e vazio, querendo proteger acima de tudo a imagem da empresa”, relatou a Opera Mundi Adriano Diogo, deputado estadual e presidente da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”. “Lá, os alemães estão abrindo tudo e analisando todos os arquivos com vínculos ao nazismo. Aqui, a Volkswagen diz que é tudo mentira”, completou Diogo.

Além da Daimler e da Volkswagen, outra empresa alemã questionada pelos acionistas foi a multinacional Siemens. “O Conselho de Supervisão da Siemens se negou a investigar e esclarecer estes incidentes, nem mesmo tendo em vista o contexto do aniversário de 50 anos do golpe militar no Brasil. A Siemens deve encarar sua responsabilidade histórica e admitir os atos que cometeu”, assinala o documento entregue pela associação e lido diante dos demais acionistas e diretores da multinacional na reunião anual da firma, em 27 de janeiro de 2015.