Em ritmo de decisão

POR GERSON NOGUEIRA

Será o terceiro Re-Pa da temporada. O primeiro, amistoso, terminou empatado. O segundo, pelo Parazão, teve domínio amplo do Papão. Desta vez, o jogo adquire caráter decisivo e registra a entrada em cena de um novo personagem, o técnico Cacaio, substituto de Zé Teodoro no Remo.

A rigor, os fatores que determinaram a superioridade alviceleste no domingo passado continuam todos de pé. O grande trunfo de Dado Cavalcanti é a qualidade e a variedade de seu elenco. Dispõe até de jogadores em excesso para algumas posições.

unnamed (57)Além disso, apesar de ter começado a trabalhar há pouco mais de um mês, Dado já conseguiu formatar um time-base, que procura manter mesmo quando não satisfaz as expectativas. O técnico implantou um formato, que tem sido corretamente respeitado.

Nos primeiros jogos, houve uma natural instabilidade. O time alternou bons e maus momentos. Goleou o Nacional na Curuzu. Derrotou o Castanhal com dificuldades. Empatou com Águia Negra e Nacional. Perdeu para o Independente, mas venceu o clássico e passou com tranquilidade pelo Águia Negra.

A impressão é de que a fase mais problemática já foi superada e o time começa a ter mais confiança em suas próprias forças, assimilando plenamente as orientações do treinador. As duas últimas apresentações refletem isso.

Do lado remista, cujos aperreios vão além das questões de campo, Cacaio teve pouquíssimo tempo para operar transformações. Ainda assim, depois de apenas dois treinos, deu à equipe um dinamismo que ainda não havia aparecido na temporada.

Contra o Atlético-PR, na quinta-feira, o Remo foi rápido, objetivo e compacto na maior parte do tempo. Até mesmo as deficiências acabaram disfarçadas pelo esforço geral da tropa. Óbvio que o lado emocional teve papel preponderante no rendimento do grupo.

A chegada de Cacaio reabriu as portas da esperança para todos no elenco. Quem andava encostado e sem chances nos tempos de Zé Teodoro voltou a ser lembrado. Casos de Ratinho, Ilaílson e até Roni.

A transfiguração foi saudada com entusiasmo pelo torcedor azulino, saudoso da velha raça e do comprometimento dos jogadores. Mas, se a atuação contra o Furacão foi empolgante, o grande teste ficou para hoje.

Como primeiro confronto da semifinal da Copa Verde, o jogo tende a ser cauteloso e preso ao meio-de-campo, mas o entusiasmo trazido por Cacaio ao Remo pode incendiar o clássico. Caso isso se confirme, todos saem ganhando, principalmente aqueles que apreciam emoção e desassombro.

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Paixão globalizada e sem fronteiras

Fenômeno provocado pela globalização do esporte e alimentado pela transmissão massiva de jogos europeus para o Brasil, um grupo de brasileiros fãs do Chelsea fizeram viagem até Londres para reverenciar o time de coração.

Empolgadíssimos com a visita a Stamford Bridge, às vésperas de acompanhar em ação ao vivo Diego Costa e seus companheiros, os brasileiros despertavam curiosidade dos londrinos pelo inusitado da cena.

O inglês macarrônico dos cânticos entoados pelo grupo não diminuía a verdade do sentimento clubístico típico destes novos tempos. Detalhe importante: nenhum dos que ali estavam alimenta a menor predileção por clubes nacionais.

Todos nasceram a milhares de léguas da terra da Rainha, mas a paixão é genuína. Prova maior de que o amor por um clube de futebol independe de fronteiras geográficas. Nem a distância é capaz de frear o fanatismo.

Costumo ver com preocupação nas redes sociais um movimento contra os chamados “mistos”, torcedores que dividem o coração entre clubes de outros Estados – em geral, de Rio e São Paulo – e agremiações locais.

Não consigo ver sentido, nem razão lógica, nesse tipo de patrulhamento. Paixão é território que ninguém controla. Torcer por um clube vem das origens de cada um, sua formação e/ou afinidades pessoais.

Como impedir alguém de devotar afeto a mais de uma bandeira, sabendo-se que os clubes da terra estão ausentes das disputas mais importantes – Série A, Libertadores, Mundial de Clubes? Chega a ser uma demonstração de desinteligência tentar reprimir essas manifestações.

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E o “pofexô” virou mártir

Vanderlei Luxemburgo, que já ensaiou uma frustrada candidatura a senador, está surfando na onda da indignação e aproveitando o tosco e autoritário posicionamento da Federação de Futebol do Rio de Janeiro para deitar e rolar no noticiário.

Marqueteiro como sempre, o técnico do Flamengo chegou a usar um esparadrapo como mordaça na última entrevista, a fim de denunciar a punição que sofreu por emitir críticas aos absurdos atos da entidade.

É claro que Luxemburgo tem toda razão. A censura é algo abominável e incompatível com a vida democrática.

A lamentar que, além das medidas retrógradas, a federação do Rio tenha conseguido a questionável façanha de transformar Luxemburgo em mártir da liberdade de expressão.

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Bola na Torre

O clássico Re-Pa que abre a semifinal da Copa Verde é o principal tema em análise e debate no programa desta noite, sob a mediação de Guilherme Guerreiro. Começa logo depois do Pânico, por volta de 00h15. Giuseppe Tommaso, Valmir Rodrigues e este escriba de Baião integram a bancada.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 05)

9 comentários em “Em ritmo de decisão

  1. De fato, desde o ano passado, o Paysandu vem buscando um jogador que complete Augusto Recife. A julgar pelo volume de jogo do rival, não era do atacante dispensado pelo aumento de salário pedido que o Paysandu precisava, mais de uma meiuca mais dinâmica. O Remo resolveu esse problema, ao dar Jhonnatan para o rival. Com a forte marcação e alta eficiência de Capanema, Recife e Jhonnatan não são volantes ou cabeças de área, como queiram, são jogadores com claras funções ofensivas quando com a posse de bola. Essa solução fez com que mesmo o apagado Rogerinho retornasse à ribalta e o Paysandu ganhou três ótimas opções de ataque. A continuar com esse rendimento, o rival tem boas perspectivas para a série B, com Rogerinho como maior incógnita, pelas oscilações que apresentou e deve continuar apresentando ao longo da temporada, no entanto… Mesmo com todos esses predicados, é verdade que o time do Remo da última partida de Zé Teodoro foi menos que apático. E os jogadores em campo não representavam sequer um esboço de time de futebol. Com a chegada de Cacaio, ânimo mudou e o time começa já a buscar uma formatação em campo. É claro que para chegar a um resultado como organização tática é preciso vontade e empenho, quero dizer, entrosamento, organização tática e outras características do bom futebol só se conseguem com real envolvimento e vontade do grupo. Pelo que parece, mais que tudo, Cacaio despertou a consciência de que o bom futebol não resulta naturalmente da simples reunião de jogadores em campo, mas dos esforços coletivo e individual, ambos necessários ao resultado desejado que é o bom futebol. Esse RExPA não deve ser como o último, a não ser pelo imprevisível, que, desconsiderado, dá esperança de um jogo equilibrado e, por isso mesmo, emocionante. Que vença o melhor, com a minha torcida para que o Leão Azul seja o melhor, claro.

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  2. Quando o jogo não valia nada, deu Paysandu, agora, valendo, hora de separar os homens dos meninos, vamos Leãooooooooooo!

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  3. Já estive do lado dos patrulheiros da paixão clubística alheia, até cheguei a encher a paciência de alguns aqui neste blog. Há um tempo que refleti e revi minha postura sobre o assunto, afinal, quem tem ideia fixa é doido. Hoje acredito que paixão não deve ser policiada.
    Se eu tenho razões (ou emoções) para não torcer para clubes de fora, bom pra mim, mas não posso exigir que alguem deixe de torcer para um clube seja lá por que motivo. Importante é o que mexe com cada um. Quem sou eu pra julgar isso?
    Hoje dá Leão, 2 a 0.

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  4. Como disse antes do jogo contra o CAP, está tudo em aberto e, como é usual num clássico de mais de 700 edições, pode dar empate como um dos dois vencer.
    O resultado de domingo último já se repetiu muitas vezes (ainda não me dispus a contar) tanto para um quanto para outro. Normal. O que não é normal é um dos dois times jogar tão ruim quanto jogou o Leão Azul contra seu tradicional rival. Torçamos para que jogue melhor hoje.

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  5. Eu só torço para o Paissandu. Mas não posso proibir as pessoas de fazerem suas escolhas. Na verdade, a uns vinte anos atrás eu torcia por Fluminense e Palmeiras, mas criei desgosto em virtude do preconceito dos sulista com o norte.

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  6. O imprevisível, sempre ele. Duas expulsões no comecinho do jogo, quem diria? E, depois, a contusão de Eduardo Ramos… Que zica! O RExPA teve no gol de Pikachu uma nuance do equilíbrio esperado e visto de fato até ali. As ações não davam vantagem nem para Remo e nem para Paysandu. Após a contusão de Dadá é que a coisa saiu totalmente de controle. Espero que Cacaio não credite apenas ao atípico de expulsões e contusões o mau desempenho do time, que teve na insistência de escalar Alberto e manter o Dadá na lateral seus erros básicos, além do inoperante Val Barreto, substituído pelo igualmente ineficiente Paty. Roni ainda se enrola com a bola nos pé, evidenciando uma falta de trabalho de fundamentos pelo Baenão. Mas acho que para o jogo contra o Paragominas há tempo ainda para resolver a escalação.

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