Jogadores do Leão reclamam de atraso salarial

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Os jogadores do Clube do Remo, revoltados com a informação de que os salários estariam quitados, resolveram se manifestar durante entrevista à imprensa no final da manhã desta quinta-feira, no estádio Evandro Almeida, logo depois do treino para o jogo de domingo contra o Paragominas. O que irritou o grupo foi uma entrevista do vice-presidente Henrique Custódio dizendo que os salários já teriam sido pagos.

Ao lado do técnico Cacaio, todos os jogadores se reuniram para falar aos repórteres, dirigindo-se à torcida. Rafael Paty, Fabiano, Eduardo Ramos e Ciro Sena falaram em nome dos demais, negando que o pagamento houvesse sido feito e pedindo providências para o que falta ser pago, informando ainda que os funcionários do clube estão há sete meses sem receber.

Ao mesmo tempo, os jogadores reafirmaram o compromisso de classificar o Remo à semifinal do returno do Campeonato Paraense, garantindo que os problemas salariais não afetarão a produção da equipe no jogo decisivo de domingo. A diretoria do clube garantiu que irá efetuar o pagamento até o mês de fevereiro. E afirmou ainda que os jogadores que ainda não foram pagos terão a situação resolvida até esta sexta-feira (10) ou na segunda-feira, 13. À tarde, um grupo de torcedores compareceu ao Baenão para manifestar total apoio aos jogadores. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

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A proposta de Moro

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POR LUIZ GONZAGA BELLUZZO

Em artigo publicado nos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo, o magistrado da moda, Sergio Moro, e o presidente da Associação de Juízes Federais defenderam a necessidade de mandar às enxovias os réus condenados em primeira instância. É o mais recente episódio da novela “A Derrocada das Instituições”.
Não é de hoje que fenece o desassombro dos intérpretes da lei, acovardados diante da ferocidade dos homens-massa que pretendem resolver os conflitos com o exercício puro e simples das próprias razões. Nas complexas sociedades modernas, a punição executada ao arrepio da lei e com desrespeito às incontornáveis instâncias de recurso garantidoras da presunção de inocência é tão grave e devastadora quanto a impunidade.
Nada pode ser mais trágico para uma sociedade enredada na malha das relações mercantis e da diversidade de interesses do que a invasão da vingança particularista na prestação da justiça. No Brasil, essa forma deformada da aplicação da norma abstrata e impessoal denuncia a capitulação dos órgãos encarregados de vigiar e punir aos ditames da sociedade-espetáculo. Os brasileiros de todas as classes assistem – uns embevecidos, outros atônitos – ao espetáculo da Justiça ou às façanhas da Justiça-Espetáculo.
O protagonismo judiciário em exibição nos palcos brasileiros desmente a tese de Michel Foucault exposta no livro Vigiar e Punir. Ao examinar a execução das penas entre os fins do século XVIII e os inícios do século XIX, Foucault desvenda a passagem do suplício público para “um jogo de dores mais sutis, mais despojado de seu fausto visível”. Em poucas décadas, diz Foucault, “desapareceu o corpo supliciado, esquartejado, amputado, simbolicamente marcado no rosto ou nos ombros, exposto vivo ou morto, apresentado como espetáculo. Desapareceu o corpo como alvo principal da repressão penal… A sombria festa punitiva começa a extinguir-se”.
A contaminação do aparelho judiciário tem avançado sem qualquer reação dos que percebem o fenômeno e o abominam, mas que preferem se recolher diante da contundência e da ousadia dos que buscam substituir a “disciplina” prisional pelos festivais de exibição midiática, encenados em um ambiente social entregue às farândolas do Pouco Pão e Muito Circo
Não há limites à ação pessoal e atrabiliária de autoridades atraídas pelos frêmitos e cintilações da “sociedade do espetáculo”, o brilhareco de 15 minutos de fama. São exemplos impecáveis de como os deveres republicanos se dissolvem diante dos esgares incontroláveis da subserviência ao exibicionismo das telas e das manchetes, coadjuvada pelo corporativismo mais escancarado.
As relações promíscuas entre as autoridades judiciais e a mídia colocam os cidadãos brasileiros diante da pior das incertezas: a absoluta imprecisão dos limites da legalidade. As garantias da publicidade do procedimento legal são, na verdade, uma defesa do cidadão acusado – e ainda inocente – contra os arcanos do poder, sobretudo das predações do poder não eleito. Pois essas conquistas da modernidade, das quais não se pode abrir mão, vêm sendo pisoteadas por quem deveria defendê-las. Ocultam à sociedade, em cujo nome dizem agir, a dedicação com que laboram para tecer a corda em que enforcarão as garantias individuais. É comum e corriqueira entre nós a transformação das prerrogativas funcionais em privilégios individuais e pessoais.
É a velha arrogância oligárquica nutrida por uma certeza: são todos da mesma turma, aquela que manda e desmanda. Há um trânsito contínuo de pessoas e de influência entre as esferas do poder: o big business, a grande política, as burocracias públicas e as corporações do mass media; e, muito mais que isso, há a formação de uma cultura comum.
Ao concluir, recordo, mais uma vez, as palavras de um magistrado de outros tempos proferidas em seu discurso de aposentadoria. “Preferi a tranquilidade do silêncio ao ruído das propagandas falazes; não suportei afetações; as cortesias rasteiras, sinuosas e insinuantes, jamais encontraram agasalho em mim; em lugar algum pretendi subjugar, mas ninguém me viu acorrentado a submissões; dentro de uma humildade que ganhei no berço, abominei a egomania e a idolatria; não me convenceram as aparências, e para as minhas convicções busquei sempre os escaninhos. Particularizando, no exercício das minhas funções de magistrado diuturnamente, dei o máximo dos meus esforços para bem desempenhá-las e, ainda que em meio de uma atmosfera serena e compreensiva, em nenhum momento transigi com a nobreza do cargo; escapei de juízos temerários, tomando cautelas para desembaraçar-me das influências e preferências determinantes de uma decisão; e, se alguma vez, inadvertidamente, pequei contra a lei, vai-me a certeza de que o fiz para distribuir bondade e benevolência.

Perfeito.

Souza estaria disposto a deixar o Papão

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Em meio à repercussão pela derrota do Paissandu frente ao Parauapebas, circulou ontem à noite na Curuzu a informação de que o atacante Souza estaria descontente e pensando em deixar o clube. A amigos, o jogador teria confessado que se sente deslocado no elenco, sem conseguir se entrosar com os demais companheiros.

Além disso, lembrando que de início nem queria vir para Belém, teria reclamado do não cumprimento de algumas promessas que lhe foram feitas. Sua preocupação é sair agora enquanto ainda há mercado para ele na própria Série B. A mesma situação estaria se passando com o goleiro Andrey.

O blog está tentando contatar e ouvir a diretoria do Papão sobre esse suposto descontentamento do centroavante. (Com informações de Cláudio Santos/foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

Nove motivos para temer a Lei da Terceirização

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O número de trabalhadores terceirizados deve aumentar caso o Congresso aprove o projeto 4.330/2004. A nova legislação abre as portas para que as empresas possam terceirizar todas as suas atividades . Hoje, somente o que é não faz parte da atividade-fim pode ser delegado a outras empresas, como por exemplo a limpeza, a segurança e a manutenção de máquinas. Entidades de trabalhadores, auditores fiscais do trabalho, procuradores do trabalho e juízes trabalhistas acreditam que o projeto é nocivo aos trabalhadores e à sociedade. O texto é de Piero Locatelli, para a Repórter Brasil:

Descubra por que você deve se preocupar com a mudança.

1) Salários e benefícios devem ser cortados
O salário de trabalhadores terceirizados é 24% menor do que o dos empregados formais, segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). No setor bancário, a diferença é ainda maior: eles ganham em média um terço do salário dos contratados. Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, eles não têm participação nos lucros, auxílio-creche e jornada de seis horas.

2) Número de empregos pode cair
Terceirizados trabalham, em média, três horas a mais por semana do que contratados diretamente. Com mais gente fazendo jornadas maiores, deve cair o número de vagas em todos os setores. Se o processo fosse inverso e os terceirizados passassem a trabalhar o mesmo número de horas que os contratados, seriam criadas 882.959 novas vagas, segundo o Dieese.

3) Risco de acidente vai aumentar
Os terceirizados são os empregados que mais sofrem acidentes. Na Petrobras, mais de 80% dos mortos em serviço entre 1995 e 2013 eram subcontratados. A segurança é prejudicada porque companhias de menor porte não têm as mesmas condições tecnológicas e econômicas. Além disso, elas recebem menos cobrança para manter um padrão equivalente ao seu porte.

4) Preconceito no trabalho pode crescer
A maior ocorrência de denúncias de discriminação está em setores onde há mais terceirizados, como os de limpeza e vigilância, segundo relatório da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Com refeitórios, vestiários e uniformes que os diferenciam, incentiva-se a percepção discriminatória de que são trabalhadores de “segunda classe”.

5) Negociação com patrão ficará mais difícil
Terceirizados que trabalham em um mesmo local têm patrões diferentes e são representados por sindicatos de setores distintos. Essa divisão afeta a capacidade deles pressionarem por benefícios. Isolados, terão mais dificuldades de negociar de forma conjunta ou de fazer ações como greves.

6) Casos de trabalho escravo podem se multiplicar
O uso de empresas terceirizadas é um artifício para tentar fugir das responsabilidades trabalhistas. Entre 2010 e 2014, cerca de 90% dos trabalhadores resgatados nos dez maiores flagrantes de trabalho escravo contemporâneo eram terceirizados, conforme dados do Ministério do Trabalho e Emprego. Casos como esses já acontecem em setores como mineração, confecções e manutenção elétrica.

7) Maus empregadores sairão impunes
Com a nova lei, ficará mais difícil responsabilizar empregadores que desrespeitam os direitos trabalhistas porque a relação entre a empresa principal e o funcionário terceirizado fica mais distante e difícil de ser comprovada. Em dezembro do último ano, o Tribunal Superior do Trabalho tinha 15.082 processos sobre terceirização na fila para serem julgados e a perspectiva dos juízes é que esse número aumente. Isso porque é mais difícil provar a responsabilidade dos empregadores sobre lesões a terceirizados.

8) Haverá mais facilidades para a corrupção
Casos de corrupção como o do bicheiro Carlos Cachoeira e do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda envolviam a terceirização de serviços públicos. Em diversos casos menores, contratos fraudulentos de terceirização também foram usados para desviar dinheiro do Estado. Para o procurador do trabalho Rafael Gomes, a nova lei libera a corrupção nas terceirizações do setor público. A saúde e a educação pública perdem dinheiro com isso.

9) Estado terá menos arrecadação e mais gasto
Empresas menores pagam menos impostos. Como o trabalho terceirizado transfere funcionários para empresas menores, isso diminuiria a arrecadação do Estado. Ao mesmo tempo, a ampliação da terceirização deve provocar uma sobrecarga adicional ao SUS (Sistema Único de Saúde) e ao INSS. Segundo ministros do TST, isso acontece porque os trabalhadores terceirizados são vítimas de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais com maior frequência, o que gera gastos ao setor público.

Fontes: Relatórios e pareceres da Procuradoria Geral da República (PGR), da Central Única dos Trabalhadores (CUT), do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e de juízes do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Entrevistas com o auditor-fiscal Renato Bignami e o procurador do trabalho Rafael Gomes.

E o Pebas apronta de novo…

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POR GERSON NOGUEIRA

Não satisfeito em infelicitar o Remo logo na abertura do campeonato, o Parauapebas contrariou todo o favoritismo do Papão e sapecou um 3 a 1 irrefutável dentro da Curuzu. Não se pode nem falar em surpresa, pois a ousadia da equipe interiorana já era bem conhecida, mas foi ignorada pelos bicolores, que vinham embalados pelas duas vitórias diante do maior rival.

unnamed (80)O jogo ratificou a boa participação dos emergentes neste Parazão, embolou a briga pela classificação às semifinais e deixou claro que o Papão ainda precisa evoluir muito para alcançar o nível competitivo necessário para encarar a Série B.

O Parauapebas se comportou da mesmíssima maneira com que enfrentou o Remo no primeiro turno. Fechado atrás, brigando muito no meio-de-campo e esperando as chances para chegar ao gol adversário. Teve ontem essas tarefas facilitadas pela atuação desarvorada do setor de criação e pelas lambanças da defesa do Papão.

Léo Goiano fez a leitura correta da dependência que o time alviceleste tem de Pikachu. Sem boa movimentação e jogadas de aproximação com o lateral-direito, a produção ofensiva do Papão fica comprometida.

O visitante só precisou de um tempo para virar e vencer o jogo, pois o Papão mostrou-se incapaz de tomar as rédeas da partida. William Alves abriu o placar aos 2 minutos, mas Célio Codó (de pênalti) igualou aos 14. O mesmo Codó desempatou aos 30 e Dedeco ampliou aos 48.

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A vitória se consolidou quando a marcação estabelecida por Léo Goiano conseguiu anular Carlinhos e, depois, ao seu substituto, Leandro Canhoto. Sem que os armadores conseguissem se aproximar de Pikachu, restava ao Papão as jogadas de abafa, os chutes de longe e os cruzamentos sem direção. Não tinha mesmo como dar certo.

Preparado para se defender, o Pebas se manteve firme na estratégia de bloquear a entrada da área. Teve espaço para contra-atacar e podia ter disparado uma goleada se Rodrigo (por duas vezes) e Mocajuba tivessem pontaria mais certeira no segundo tempo. E olha que o time já estava com menos um jogador – Gustavo foi expulso.

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Pode-se dizer que o Parauapebas triunfou pela aplicação tática de seus jogadores e pelo firme comando de seu técnico. Vitória mais do que justa. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

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Base é coisa muito séria

A partir de denúncias de pais de atletas, que reclamam de abandono, veio à tona a crise que se instalou nas divisões de base do Papão. Coincidência ou não, o clube não teve ontem atividades de treinamento em nenhuma das categorias de formação.

A presidência do clube não confirma a situação de desemparo à base, mas prometeu fazer um levantamento rigoroso a respeito.

É bom sempre lembrar que atletas como Pikachu, Pablo, Caio, Leandro Carvalho e Djalma saíram das escolinhas do clube ou pelo menos passaram pelas divisões de base. São peças valiosas no elenco atual e tiveram papel importante na recuperação do time nos últimos anos.

Cuidar da base é preservar patrimônio.

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Muitas perguntas sem resposta

O Remo foi sacudido ontem por novas pressões de setores da torcida e movimentação de conselheiros favoráveis ao impedimento do presidente Pedro Minowa. São questões legítimas e pertinentes, mas levantadas na hora errada, comprometendo ainda mais o já conturbado ambiente.

Os azulinos realmente preocupados com a recuperação do clube deveriam evitar que os ruídos da insatisfação afetem a tranquilidade interna. Com salários ainda em atraso, os jogadores têm sido blindados pelo técnico Cacaio para que concentrem atenção em relação ao jogo decisivo de domingo, em Parauapebas.

O ideal é que os insatisfeitos com a gestão procurassem agir como o benemérito Ronaldo Passarinho, que, sem alarde, tem interpelado seguidamente a diretoria e o Conselho Deliberativo sobre assuntos de extrema importância para a vida do clube. Depois de encaminhar quatro pedidos de informação à gestão passada, sem obter resposta, Ronaldo voltou à carga este mês:

“1) O Remo recebeu a primeira parcela do contrato com a Funtelpa? Em caso positivo, qual o valor e qual a destinação dada?

2) Houve recebimento das parcelas de patrocínio do Banpará, referentes a janeiro, fevereiro, março e abril? Em caso positivo, qual o valor e qual a destinação dada?

3) Houve bloqueio pela Justiça do Trabalho, de mais de R$ 80 mil, em favor do atleta Jaime?

4) Quais os atletas que têm contrato até o final de 2015, e respetivos valores?

Por fim, deixou um alerta aos membros do Condel “para que todos tomem ciência da trágica situação que o Remo atravessa, agravada pela gestão de 2013/2014”. Os questionamentos foram feitos ainda para a reunião do dia 1º de abril, mas não foram respondidos.

Diante do ruidoso silêncio da diretoria, resta esperar que o Condel use de suas atribuições para descobrir como estão de fato as finanças do clube.

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Um soco no fair-play

O tumulto verificado anteontem, em Cametá, ameaça quebrar a tranquilidade de um campeonato disputado até agora na mais completa harmonia. As imagens da TV atestam que o pênalti marcado aos 41 minutos do segundo tempo ocorreu de fato.

A falta cometida pelo defensor do S. Francisco foi indiscutível e jamais poderia servir de pretexto para o soco desferido pelo goleiro Paulo Wanzeller no assistente. O caso exige punição exemplar por parte da Justiça Desportiva. Do contrário, estará se confirmando a volta aos tempos de várzea.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 09)