Clássico levou 29 mil torcedores ao Mangueirão

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  • RENDA: R$ 609.526,00
    PAGANTES: 26.416
    NÃO PAGANTES: 2.625
    TOTAL: 29.041
  • Renda e público do Paissandu
  • Renda R$ 236.845, 00
    Pagantes:12.756
    Credenciados: 1.433
    Total: 14.189
  • Renda e público do Remo:
  • Renda: R$ 372.681,00
    Pagantes: 13.660
    Credenciados: 1.191
    Total: 14.851
  • Rendas líquidas: 
    Remo: R$ 249.699,44
    Paissandu: R$ 152.770,34

A frase do dia

“Fomos garfados em dois jogos pela arbitragem. Parece que todo mundo quer que o Remo vença, há algo interessante, que é o fato de o Paysandu ter série para jogar, tem time. Se for para ser assim, prejudicado, o Paysandu não irá jogar o Campeonato Paraense do ano que vem e deixará a competição só para o Remo e os outros times, quem quiser brigar pela vaga na Série D. Vamos ouvir nossa torcida e se ela achar que não devemos disputar, sairemos”.

Alberto Maia, presidente do Paissandu

Raça, mérito e polêmica

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POR GERSON NOGUEIRA 

O clássico foi tudo o que dele se esperava. Vibrante, eletrizante, polêmico. O Remo foi melhor em grande parte do jogo, podia ter feito mais gols, mas o Papão se manteve sempre perigoso e com chances, mesmo depois de perder Pikachu, expulso nos instantes finais. Como projetei na coluna de ontem, foi o mais tático de todos os jogos entre os rivais na temporada.

Valia muito, principalmente para os azulinos, que lutavam para manter as chances de chegar ao título estadual e à Série D. Pela importância do jogo, era plenamente normal a preocupação em não sofrer gols. Daí o mérito do Remo pelo esforço incansável pela vitória desde os primeiros momentos.

Cacaio entrou com Sílvio avançado, ao lado de Rafael Paty, com Bismarck aparecendo como terceiro atacante e Eduardo Ramos sempre por perto. A opção, anunciada nos vestiários do Mangueirão, foi o lance surpreendente do começo do Re-Pa.

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A presença de um velocista surpreendeu a zaga do Papão nos primeiros minutos. Ramos, Paty, Sílvio e Bismarck criaram duas situações agudas sobre Willian e Marquinhos antes do gol de abertura. O Papão, ao contrário, se segurava mais, esperando o melhor momento para investir sobre a defensiva inimiga.

Veio, então, o primeiro gol, aos 21 minutos. Quando Ramos pegou a bola na intermediária e lançou na diagonal para Sílvio, Paty correu em direção ao segundo pau. Sílvio avançou para o interior da área e cruzou. A bola chegou rasteira, pronta para ser desviada rumo às redes.

O Remo festejou muito, mas deu perigosa trégua nas ações ofensivas. Foi o suficiente para o Papão inverter o panorama. Passou a fustigar, com Pikachu pela direita e Romário pela esquerda, tendo Souza como pivô e Aylon correndo pelos lados. Apenas quatro minutos depois do gol remista, Romário cruzou e Aylon, sem marcação, acertou um cabeceio preciso.

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Restituído o equilíbrio, as equipes levaram o jogo até o fim do primeiro tempo arriscando bem menos. O Remo não repetiu mais o ímpeto inicial e o Papão concentrava esforços em tentativas centradas em Souza, que era bem vigiado por Max e Ilaílson. Ainda assim, não faltou emoção. Bismarck, pelo Remo, e Pikachu, pelo Papão, levaram muito perigo em dois lances de área.

Para a etapa final, Cacaio voltou com Levy no lugar de Bismarck. Antes que fosse possível avaliar a mexida, Eduardo Ramos recebeu livre e meteu bola para Paty entre os zagueiros. Marquinhos rebateu mal e o centroavante invadiu para chutar e desempatar, aos 40 segundos.

Paty ainda teria duas boas oportunidades. Na primeira, tocou à direita do gol de Emerson. Na segunda, foi travado quando ia bater para o gol. Na metade do segundo tempo, foi substituído por Val Barreto, que também desperdiçou dois bons ataques. No meio, Dadá e Ameixa mantinham a regularidade dos últimos jogos, lutando muito e levando vantagem sobre os meio-campistas do Papão.

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O Papão sofria com a lentidão excessiva na saída. Dado reforçou o ataque com Leandro Carvalho, mas tirou Carlinhos e sobrecarregou Jonathan e Augusto Recife. Em desvantagem, Dado liberou Jonathan para ir à frente, deixando Recife sozinho ao lado de Capanema à frente da zaga. Para corrigir o erro da substituição de Carlinhos, botou Leandro Canhoto no lugar de Capanema.

Essas alterações não mudaram, porém, a postura do time, que carecia de criatividade e rapidez. Aceitava passivamente o jogo de força do Remo na briga pela bola e não encontrava um jeito de furar o bloqueio defensivo do adversário. Recorria aos cruzamentos altos, todos anulados pela zaga.

No melhor momento do Papão no segundo tempo, Pikachu recebeu livre de marcação e invadiu a área. Fabiano saiu para fechar passagem e tocou no lateral. Pênalti. Fabiano tocou na bola, mas atingiu Pikachu. Pelo excesso de encenação no lance, o árbitro entendeu como simulação e expulsou o lateral bicolor, gerando um princípio de confusão.

Com um a mais, o Remo reteve ainda mais a posse de bola e desfrutou de vários contra-ataques. Antes do apito afinal, Levy mandou para fora duas bolas junto à área. Alex Ruan e Dadá perderam outras duas.

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Vitória conquistada na raça e na transpiração, como parece ser o novo perfil do Remo na temporada. Título do returno inteiramente merecido pela campanha de recuperação empreendida a partir da chegada de Cacaio. O desafio agora é manter o mesmo nível de competitividade.

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O peso (e a hora) das palavras

Sobre as declarações do presidente Alberto Maia ao final da partida, a prudência recomenda aguardar mais algumas horas por uma manifestação mais tranquila e comedida. No calor dos acontecimentos, irritado com o resultado, ele falou até em tirar o Papão do Campeonato Paraense de 2016.

Falou como torcedor, pois como presidente jamais poderia sustentar tal despautério. Até porque a eliminação no Parazão deixa o Papão fora da Copa Verde e da Copa do Brasil – da qual ainda poderá participar, a depender de posição no ranking.

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As novas frentes de batalha

A semana será de novas decisões para o Remo. Vai testar os nervos da torcida e os pulmões do time. Na quinta-feira, às 19h40, começa a decisão da Copa Verde contra o Cuiabá, no estádio Jornalista Edgar Proença. E no domingo, às 16h, tem a decisão do Parazão contra o Independente. Haja fôlego.

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Vitória vascaína e público maior na final carioca

Para os que vivem botando banca quanto a torcida, eis que a primeira partida da final carioca entre Vasco e Botafogo levou 45.488 torcedores à Arena Maracanã. Foi um público 73% maior que o do primeiro jogo entre Vasco e Flamengo pela decisão do ano passado, segundo informa o nosso ídolo Wellington Campos. Ah, quanto ao placar, o Vasco venceu aproveitando lance fortuito no apagar das luzes. Botafogo abusou de perder gols, o que permite crer que é possível reverter no próximo domingo.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 27)