Há 30 anos, Tuna campeã da Taça de Prata

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Ha 30 anos, a Tuna conquistava a Taça de Prata, derrotando o Goitacaz (RJ) por 3 a 2, no estádio Jornalista Edgar Proença. O jogo foi realizado no dia 4 de abril de 1985. Luís Carlos, Gaúcho Lima e Paulo Guilherme marcaram no primeiro tempo. Na etapa final, Ronaldo fez o terceiro da Lusa e Sousa descontou para o Goitacaz. A Tuna jogou com a seguinte formação: Ocimar; Quaresma, Ronaldo, Paulo Guilherme e Mário; Edgar, Ondino e Queirós; Tiago (Puma), Paulo César e Luís Carlos. Técnico: José Dutra dos Santos. Público de 12.819 pagantes. Árbitro: Nei Andrade Nunes Maia (BA).

Sem a tentação de inventar

POR GERSON NOGUEIRA

O futebol costuma ter caminhos tortuosos e pode mudar de direção de repente, quando menos se espera, dependendo às vezes de um simples gesto ou mudança de posição. O Remo, que atravessa um período de inferno astral desde que caiu diante do maior rival no clássico do returno, ensaia uma recuperação.

As coisas começaram a mudar com a troca de treinador. O clube abriu mão do currículo mais reluzente de Zé Teodoro pela expertise regional de Cacaio. O novo técnico assumiu na terça-feira e realizou dois treinos com o elenco. Fez pequenas mudanças na escalação e conseguiu extrair do time uma boa atuação diante do Atlético-PR na quinta-feira.

unnamed (66)Não chegou a ser um desempenho espetacular ou brilhante. Foi, sim, uma evolução em comparação com o que vinha sendo mostrado no campeonato estadual. É preciso entender que o Remo se notabilizou por hesitar diante de adversários de porte médio – Parauapebas, Independente, Tapajós e São Francisco.

Ao longo de três meses, Zé Teodoro não chegou nem perto de dar entrosamento e estabilidade ao time. Trocou constantemente as peças, sem achar uma escalação definitiva. Sob seu comando, o ataque sempre foi uma incógnita. Ora, escalava Flávio Caça-Rato e Roni. Ora, usava Val Barreto e Bismarck. Sem se definir por nenhuma das duplas.

Cacaio foi direto e claro. Contra o Furacão, resgatou Roni para o time titular e prestigiou Val Barreto, principal atacante do elenco. A opção se mostrou correta, apesar das dificuldades na definição de jogadas. No segundo tempo, experimentou Bismarck e Rafael Paty. Os problemas se repetiram, evidenciando a necessidade de mais treinamento e apuro nas finalizações.

Setor que dá dinâmica ao jogo, o meio-de-campo foi o compartimento mais alterado pelo novo comandante. Prestigiou a dupla de volantes Alberto e Ilaílson, obtendo deste o melhor rendimento desde que chegou ao Evandro Almeida. Alberto, ao contrário, errou muitos passes e em muitos momentos emperrou o avanço nas saídas para o ataque.

Na criação, fez a mudança mais ousada. Deu oportunidade ao esquecido Ratinho, que reapareceu bem ao lado de Eduardo Ramos. Ainda fora de ritmo, Ratinho colaborou decisivamente para que Ramos tivesse mais liberdade e, acima de tudo, não ficasse esgotado pela sobrecarga de tarefas, como nos tempos de Zé Teodoro.

O desenho encontrado por Cacaio pode não ser o caminho da glória, mas é de longe a melhor alternativa para aproveitamento dos jogadores que o Remo tem. Sob seu comando, um jogador pouco produtivo (principalmente pelos problemas físicos) como Caça-Rato jamais teria chance de aproveitamento. Talvez por isso mesmo, além das demandas salariais, o próprio atleta preferiu ir embora.

O Remo de Cacaio é mais guerreiro e solidário, por isso valoriza a aproximação entre os setores. Essa nova postura ficou patente diante de um adversário de qualidade como o Atlético-PR. Em nenhum momento, os zagueiros Ciro e Igor João ficaram a descoberto, como ocorreu no Re-Pa.

Os laterais passaram a ter papel mais bem claro na arrumação do time. Jadilson foi liberado para apoiar, contando sempre com a firme cobertura de Ilaílson. Na direita, Dadá teve mais problemas em consequência da própria improvisação e da lentidão de Alberto para dar suporte quando o lateral subia ao ataque.

Ficou claro logo na estreia que Cacaio não está disposto a invencionices, nem experiências desnecessárias. Vai aproveitar os jogadores que mostrarem mais aplicação e comprometimento. É um bom critério.

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O fenômeno corintiano

O Corinthians é de novo o time mais badalado do país. Com méritos. Está invicto há vários jogos e esbanja vigor e organização tática. Lidera seu grupo na Libertadores, pintando como um dos favoritos ao título continental. Não por acaso, seu técnico é cultuado quase como gênio pela imprensa paulista.

Em seu já conhecido estilo teatral de dar entrevistas, Tite capricha na teorização, mas não descuida do preparo tático de sua equipe. Conseguiu em pouquíssimo tempo fazer com que seus jogadores incorporem uma disciplina tática incomum em boleiros brasileiros.

Lembra bastante aquele Corinthians que ele mesmo conduziu ao título do Mundial Interclubes contra o Chelsea. Todos jogam com ou sem a bola, participando intensamente das manobras de preparação e ataque. Chega a se dar ao luxo de escalar o meia-armador Danilo como centroavante, com sucesso. Sinal mais do que emblemático de que a engrenagem está azeitada.

O mais interessante dessa fase vitoriosa do Corinthians, mesmo que não se aprecie o estilo pragmático de Tite, é que pode finalmente estimular os demais técnicos do país a saírem das fórmulas fáceis e previsíveis, que fazem dos torneios e campeonatos nacionais um desfile de mesmices.

Mesmo que o Corinthians não consiga manter por muito tempo a vantagem sobre os concorrentes diretos, a contribuição que Tite vem dando é digna de aplausos, principalmente neste período pós-Copa. É o primeiro técnico a mostrar na prática que o futebol do Brasil precisa de criatividade tática para fugir ao lugar-comum dos cruzamentos sobre a área e à eterna dependência dos contra-ataques.

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Perguntinha incômoda

Por que não há panelaço no Brasil quando na favela um menino de 10 anos é morto a tiros pela Polícia na favela?

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste sábado, 04)

Uma visita ao Coxinistão

POR PAULO FONTELES FILHO

Outros gentílicos também são utilizados: Fascisti, Coxinistano, Tucani, Tucanês e Bolsonariano.

O Coxinistão, oficialmente República do Coxinistão (em coxinistês: Coxinistan Republikasi), é um país esquizofrênico localizado no Higienópolis, na fronteira mental entre os Estados Unidos e o País das Maravilhas.

A sua capital é Cardosogrado.

Considerada uma nação transmisogenal, é membro do Conselho da Casa Grande desde os tempos coloniais.

1. Historia e Antiguidade:

A região nunca foi unificada, sendo composta por várias tribos reacionárias que se desenvolveram com o tráfico negreiro e a preagem indígena entre os séculos XVI e XIX. Pertence ao protetorado dos Estados Unidos da América a partir do século XX e não há unidade nacional dado à incapacidade reprodutora cuja base está em machos brancos e bombados com suas suásticas.

As evidências mais antigas do estabelecimento machônico no território do Coxinistão datam do fim da Idade da Pedra e estão relacionadas à cultura Hitlerini, da caverna do Reich. As culturas do Paleolítico Superior e do fim da Idade do Bronze são testemunhadas pelas cavernas de Goebbels, Mussolini, Pinochet, Geisel e pelas necrópoles de Roberto Marinho e Civita.

No século XVI, os Frias se assentaram na região. Depois deles, os Civitas e os Marinhos vieram a dominar a região ao sul do Tietê, tecendo um vasto império entre os séculos XVII e XIX, que foi integrado ao Império Coxini por volta do século XX, o qual contribuiu na propagação do passadismo. Mais tarde, a região se tornou parte do império de Cardoso, o Grande e de seu sucessor, o Império Aécenico.

Durante esse período o conservadorismo se espalhou pela região do Mar de Jabor e da Constantinolândia, que, de tão áridos, desertificaram. Os habitantes da Malafaica, originários da Xenofobião, controlaram a área por volta do século XVIII e estabeleceram um reino independente sob a influência cultural de Herodes, o perseguidor de Cristo na infância.

No século XVII, a metade oeste do Coxinistão, incluindo as regiões de Ulstra, Luchini, Telhada, Lobão e Bonner, foi conquistada pelos Bolsonaris sob o comando do Reino de Bolsonari, governado pelas dinastias Jair e Flavio. Depois da união Bolsonari pelos Coxini, poderoso Império do gentílico, as províncias de Marina e de Roger, que tinham populações etnicamente misturadas, passaram ao Coxinistão, depois de muitas babujices e necadas, também depois de soltar os cabelos e copular com o diabo.

2. Geografia:

Inclui uma área principal, junto aos ruiniformes da Veja e o enclave da Rede Globo, a sudoeste. O território principal limita a norte com o Mar de Jabor e a Constantinolândia, secos; a leste com o Mar de Mainardi, também seco; do outro lado do qual se encontram as costas do Felicianistão, a sul com a República Malafaica e a oeste com a Republica de Soros e o enclave de Garrastazu.

O clima, entre temperado e quente zangadiço quando fala o Lulês, língua estranha baseada num ódio figadal a uma figura de linguajem, chamada povo ou brasileiro, ou as duas, povo brasileiro. A temperatura é inóspita para que cresçam as esperanças nas janelas.

Nas terras altas só há escuridão por conta de um fenômeno permanente chamado financisti. Nas cadeias montanhosas do norte e do ocidente só há desertificação e o agreste da alma, não há primavera porque ela está proibida por decreto. Não podiam os Bolsonari lidar com a beleza de uma rosa e as manhãs humanas.

Não há rios ou nascentes .

A vegetação é um árido entrançamento de ódios biliares, mas há também a ocorrência de répteis e carcarás, além de outros predadores morais e chauvinistas.

Não há matas ou florestas, não há nada, além da rala juquira que só o fogo pode produzir. As montanhas do sul estão cobertas de tristezas e de medo.

O país não têm jazidas de petróleo, cobre, manganês, ouro ou urânio.

O Coxinistão apresenta problemas de contaminação do solo devido ao uso de pesticidas.

Desfolhantes altamente tóxicos foram usados extensivamente nos cultivos das mentalidades.

A contaminação midiática é outro problema grave; aproximadamente a metade da população é servida de esgoto e a outra metade acredita que o homem jamais foi à lua porque isso é coisa de comunista.

3. Cultura, Demografia e Símbolos Nacionais:

A cultura do Coxinistão surge como o resultado de muitas influências, todas de direita e de suas mais variados matizes, como o totalitarismo, o militarismo, o racismo e a homofobia.

Suas raízes ideológicas estão determinadas pela unidade racial branca que ensejam sua língua, hábitos e território.

Julgam-se – e são mesmos — herdeiros espirituais das Marchas por Deus e a Família, importante celebração da cosmologia e da estética Opus Dei.

Acreditam no lucro, em banqueiros, na prosperidade de rapina e em Miami.

São bem-vestidos e elegantes, se locomovem por estranhos meios, como helicópteros – onde carregam seus badulaques — e outros bólidos turbinados tipo Ferraris e Lamborghinis.

Na literatura se destaca mundialmente com Ali Kamel, o mago platinado e por Olavo de Carvalho,uma espécie de Nostradamus da contemporaneidade. Na música se destaca o maestro Lobão, um wagneriano compositor de óperas bizarricas.

Nos esportes avultam as figuras ludopédicas de Ricardo Teixeira e Ronaldo Gorducho.

Durante muitos anos o Coxinistão desenvolveu um rancor aos povos das redondezas, como é o caso dos brasileiros, venezuelanos, cubanos e bolivianos.

Apesar de minúsculos populacionalmente são fortemente armados e beligerantes e vivem de provocações aos vizinhos continentais, mais fortes, ricos economicamente e culturalmente.

Da população total do país cerca de 90% são de homens brancos e 10% são todas as outras raças, mas sempre é preciso se ter em conta que a alma também é branca, higiênica e livre de qualquer mistura cultural, mesmo que isso lhes cause urticária em dias de carnaval.

A proporção existente entre os sexos naquele país é majoritariamente masculina, quase não há mulheres – só boazudas plastificadas tipo panicat – o que enseja grave problema civilizacional, porque não há reprodução e o orgasmo está ligado à violência, à brutalidade e a pornografia, do tipo zoofílico.

A maior causa de mortalidade é por afogamento no próprio vômito.

Embora o Tucani seja o idioma mais falado no país existem outros idiomas falados como língua materna. O Fascisti é uma língua falada na região Bolsonari , o idioma é escrito com uma versão misturada ao Malafaico, alfabeto latino, próximo ao português. As línguas midiânicas também formam, através dos grupos dos Frias, Civitas e Marinhos um importante legado para o florescimento de uma cultura cosmopolita e universal.

O satanismo xiita é a religião oficial e dominante no país em número de seguidores com 95%.

O Coxinistão é um estado secular; a constituição consagra a liberdade do dinheiro.

A moeda é o dólar americano.

A bandeira nacional é azul com o numero quarenta e cinco, alusivo aos mártires da Batalha de Dilmagrado, e no centro revela-se a existência de uma Vênus Platinada.

O brasão de armas consiste na mistura de símbolos tradicionais e modernos. O ponto focal do emblema é o símbolo do pelourinho, que é uma antiga consigna da terra em que tudo se esfola, principalmente gays, afro-religiosos, comunistas, petistas e piauienses.

“Coxinistan Republikasi mi amore” é o hino nacional do Coxinistão, cujo título original é Marcha do Coxinistão. Com letra do poeta Reinaldo Azevedo e a música é de Ricardo Noblat, adaptada quando o gigante acordou.