Tribuna do torcedor

POR LÚCIO MOTTA

Ontem escutei a entrevista do presidente do Paissandú, reclamando da ausência ou pouca frequência da torcida nos jogos do Papão e que por conta disso, não teria como fazer grandes investimentos em contratações. O Castilho disse que a razão desta pouca frequência, era o grande números de jogos no mês e que amigos dele já haviam reclamado que para um assalariado fica caro demais. Jogar menos, seria o mesmo que pedir ao clube para ser eliminado precocemente de um ou mais campeonatos que está disputando ( Alternativa descartada ) Baixar preços de ingressos, provocaria problemas com os sócios torcedores, pois as vantagens que temos entre outras é a de pagar mensalidades que comparadas aos preços dos ingressos normais, dão vantagem ao sócio torcedor. Logo mexer nos preços não é a melhor coisa a ser feita. Baixar os valores das mensalidades dos planos de sócios torcedores para assim poderem baixar os preços dos ingressos para o torcedor. Também não vejo como a melhor alternativa, pois o clube perderia em arrecadação. Na minha humilde opinião, não sei se você concorda, mas para manter a Curuzu lotada e as mensalidades em dia como sonha nosso presidente Alberto Maia, teríamos de fazer contratações realmente IMPACTANTES, jogadores de nível comprovadamente bom e aí o time convenceria nos gramados e automaticamente atrairia os torcedores, custassem o que custassem os valores de ingressos e mensalidades de sócios torcedores, pois todos iriam querer estar nos estádios para ver o grande ( Novo ) Esquadrão de Aço Bicolor, aquele time que você não iria querer ficar em casa vendo pela TV, aquele time que te daria prazer em estar lá e vê-lo atropelar os adversários, mas se continuarmos a contratar jogadores como este último que estava parado há oito meses e nem fazia parte do banco do ¨grande time do Palmeiras ¨ fica difícil atrair a galera. Clube nenhum pode contratar por contratar, inclusive agora com a nova lei. Não pagou, DANÇOU. Mas ainda assim creio que a solução seja contratar bem, formar um grande ELENCO e não somente 11 jogadores bons, mas sim um grupo bom e aí vocês verão as arquibancadas cheias em todos os jogos. É A MINHA HUMILDE OPINIÃO.

Ode à frustração

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POR WILSON MATEOS, NO BLOG HACK LIFE

Trabalhe muito mas tenha qualidade de vida.
Trabalhe muito mas leia jornais e revistas.
Trabalhe muito mas leia livros, veja TV e assista os bons filmes.
Trabalhe muito mas assista aos virais “geniais” que seus amigos compartilham.
Trabalhe muito mas se atualize sobre seus clientes, os concorrentes e o mercado.
Trabalhe muito mas estude inglês e mais uma terceira língua à sua escolha.
Trabalhe muito mas vá a academia.
Trabalhe muito mas se espiritualize.
Trabalhe muito mas tenha um tempo pra você.
Trabalhe muito mas tenha tempo para os amigos.
Trabalhe muito mas seja um pai presente e um marido carinhoso.
Trabalhe muito mas tenha um hobbie e toque um instrumento musical.
Trabalhe muito mas cultive hábitos saudáveis.
Trabalhe muito mas participe da vida cultural da cidade.
Trabalhe muito mas faça network.
Trabalhe muito mas esteja por dentro as últimas tecnologias.
Trabalhe muito mas não viva só para o trabalho.

Trabalhe muito mas socialize.
Trabalhe muito, socialize mas dê atenção ao seu cônjuge.
Trabalhe muito, socialize, dê atenção ao cônjuge mas durma ao menos 8 horas.
Trabalhe muito, socialize, dê atenção ao cônjuge, durma 8 horas e acorde cedo para treinar.
Portanto, Socialize mas não beba muito, porque no dia seguinte você acorda cedo para treinar.

Socialize mas não coma bobagens para não atrapalhar o sono nem o treino.
Socialize mas dê atenção aos seus filhos. Afinal, você já trabalha muito.
Socialize: tenha um tempo só seu.
Socialize: tenha um tempo só seu, mas sem excluir seu cônjuge.
Socialize: tenha um tempo só seu, mas depois compense com seu cônjuge.
Socialize também com os amigos do cônjuge.
Socialize e depois socializes denovo com quem você não socializou dessa vez.
Socialize muito mas não vire bon-vivant. Tem que trabalhar muito. E treinar.

Treine sério mas não seja escravo do corpo.
Treine sério mas não seja radical na dieta. Tem que socializar.
Treine sério mas não abra mão de se divertir. E acorde cedo.

Seja viajado tendo apenas 1 mês de férias ao ano.
Seja magro mas beba e coma pra socializar .
Seja sincero e verdadeiro, mas faça network.
Seja sincero e verdadeiro, mas não magoe ninguém.

Pense em você mas não seja egoísta.
Pense nos outros mas não se esqueça de você.
Faça tudo mas faça só o que te faz feliz.

Publicado originalmente por Don Mateos no Facebook, que você pode conferir clicando aqui.

Dez casos de corrupção durante o regime militar

POR MARCELO FREIRE, DO UOL

Os protestos de 15 de março, direcionados principalmente contra o governo federal e a presidente Dilma Rousseff, indicaram a insatisfação de parte da população com os casos de corrupção envolvendo partidos políticos, empresas públicas e empresas privadas. Algumas pessoas, inclusive, chegaram a pedir uma intervenção militar, alegando que essa seria a solução para o fim da corrupção.
Mas será que nesse período a corrupção realmente não fazia parte da esfera política? Apesar da blindagem proporcionada pelas restrições ao Legislativo, Judiciário e imprensa, ainda assim a ditadura não passou imune a diversas denúncias de corrupção.
O portal UOL listou dez delas, tendo como fonte a série de quatro livros de Elio Gaspari sobre o período (“A Ditadura Envergonhada”, “A Ditadura Escancarada”, “A Ditadura Derrotada” e “A Ditadura Encurralada”) e reportagens da época. O primeiro item que envolve Delfim Netto contém uma resposta do ex-ministro sobre os casos. Veja:

1 – Contrabando na Polícia do Exército
A partir de 1970, dentro da 1ª Companhia do 2º Batalhão da Polícia do Exército, no Rio de Janeiro, sargentos, capitães e cabos começaram a se relacionar com o contrabando carioca. O capitão Aílton Guimarães Jorge, que já havia recebido a honra da Medalha do Pacificador pelo combate à guerrilha, era um dos integrantes da quadrilha que comercializava ilegalmente caixas de uísques, perfumes e roupas de luxo, inclusive roubando a carga de outros contrabandistas. Os militares escoltavam e intermediavam negócios dos contraventores. Foram presos pelo SNI (Serviço Nacional de Informações) e torturados, mas acabaram inocentados porque os depoimentos foram colhidos com uso de violência – direito de que os civis não dispunham em seus processos na época. O capitão Guimarães, posteriormente, deixaria o Exército para virar um dos principais nomes do jogo do bicho no Rio, ganhando fama também no meio do samba carioca. Foi patrono da Vila Isabel e presidente da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba).

2 – A vida dupla do delegado Fleury
gente1O delegado paulista Sérgio Fernandes Paranhos Fleury (foto) foi um dos nomes mais conhecidos da repressão, atuando na captura, na tortura e no assassinato de presos políticos. Os atos do delegado lhe renderam uma Medalha do Pacificador e muita blindagem dentro do Exército, que deixou de investigar as denúncias de irregularidades que iam além do que era praticado contra presos na delegacia. Apontado como líder do Esquadrão da Morte, um grupo paramilitar que cometia execuções, Fleury também tinha ligação com criminosos comuns, segundo o Ministério Público, defendendo um traficante na guerra de quadrilhas paulistanas no fim da década de 1960. Promotores do MP, no entanto, foram alertados para interromper as investigações contra Fleury.
Em 1973, o delegado chegou a ter a prisão preventiva decretada pelo assassinato de um traficante, mas o Código Penal foi reescrito para que réus primários com “bons antecedentes” tivessem direito à liberdade durante a tramitação dos recursos. Em uma conversa com Heitor Ferreira, secretário do presidente Ernesto Geisel (1974-1979), o general Golbery do Couto e Silva – então ministro do Gabinete Civil e um dos principais articuladores da ditadura militar – classificou assim o delegado Fleury, quando pensava em afastá-lo: “Esse é um bandido. Agora, prestou serviços e sabe muita coisa”. Fleury morreu em 1979, quando ainda estava sob investigação da Justiça.

3 – Governadores biônicos e sob suspeita
Em 1970, uma avaliação feita pelo SNI ajudou a determinar quais seriam os governadores do Estado indicados pelo presidente Médici (1969-1974). No Paraná, Haroldo Leon Peres foi escolhido após ser elogiado pela postura favorável ao regime; um ano depois, foi pego extorquindo um empreiteiro em US$ 1 milhão e obrigado a renunciar. Segundo o general João Baptista Figueiredo, chefe do SNI no governo Geisel, os agentes teriam descoberto que Peres “era ladrão em Maringá” se o tivessem investigado adequadamente. Na Bahia, Antônio Carlos Magalhães, em seu primeiro mandato no Estado, foi acusado em 1972 de beneficiar a Magnesita, da qual seria acionista, abatendo em 50% as dívidas da empresa.

4 – O caso Lutfalla
Outro governador envolvido em denúncias foi o paulista Paulo Maluf. Dois anos antes de assumir o Estado, em 1979, ele foi acusado de corrupção no caso conhecido como Lutfalla – empresa têxtil de sua mulher, Sylvia, que recebeu empréstimos do BNDE (Banco Nacional de Desenvolvimento) quando estava em processo de falência. As denúncias envolviam também o ministro do Planejamento Reis Velloso, que negou as irregularidades, e terminou sem punições.

5 – As mordomias do regime
Em 1976, as Redações de jornal já tinham maior liberdade, apesar de ainda estarem sob censura. O jornalista Ricardo Kotscho publicou no “Estado de São Paulo” reportagens expondo as mordomias de que ministros e servidores, financiados por dinheiro público, dispunham em Brasília. Uma piscina térmica banhava a casa do ministro de Minas e Energia, enquanto o ministro do Trabalho contava com 28 empregados. Na casa do governador de Brasília, frascos de laquê e alimentos eram comprados em quantidades desmedidas – 6.800 pãezinhos teriam sido adquiridos num mesmo dia. Filmes proibidos pela censura, como o erótico “Emmanuelle”, eram permitidos na casa dos servidores que os requisitavam. Na época, os ministros não viajavam em voos de carreira, e sim em jatos da Força Aérea.
Antes disso, no governo Médici já se observavam outras regalias: o ministro do Exército, cuja pasta ficava em Brasília, tinha uma casa de veraneio na serra fluminense, com direito a mordomo. Os generais de exército (quatro estrelas) possuíam dois carros, três empregados e casa decorada; os generais de brigada (duas estrelas) que iam para Brasília contavam com US$ 27 mil para comprar mobília. Cabos e sargentos prestavam serviços domésticos às autoridades, e o Planalto também pagou transporte e hospedagem a aspirantes para um churrasco na capital federal.

6 – Delfim e a Camargo Corrêa
Delfim Netto – ministro da Fazenda durante os governos Costa e Silva (1967-1969) e Médici, embaixador brasileiro na França no governo Geisel e ministro da Agricultura (depois Planejamento) no governo Figueiredo – sofreu algumas acusações de corrupção. Na primeira delas, em 1974, foi acusado pelo próprio Figueiredo (ainda chefe do SNI), em conversas reservadas com Geisel e Heitor Ferreira. Delfim teria beneficiado a empreiteira Camargo Corrêa a ganhar a concorrência da construção da hidrelétrica de Água Vermelha (MG). Anos depois, como embaixador, foi acusado pelo francês Jacques de la Broissia de ter prejudicado seu banco, o Crédit Commercial de France, que teria se recusado a fornecer US$ 60 milhões para a construção da usina hidrelétrica de Tucuruí, obra também executada pela Camargo Corrêa. Em citação reproduzida pela “Folha de S.Paulo” em 2006, Delfim falou sobre as denúncias, que foram publicadas nos livros de Elio
Gaspari: “Ele [Gaspari] retrata o conjunto de intrigas armado dentro do staff de Geisel pelo temor que o general tinha de que eu fosse eleito governador de São Paulo”, afirmou o ex-ministro.
Outro lado: Em relação às denúncias que envolvem seu nome nesse texto, o ex-ministro Delfim Netto respondeu ao UOL: “Trata-se de velhas intrigas que sempre foram esclarecidas. Nunca tive participação nos eventos relatados”.

7 – As comissões da General Electric
Durante um processo no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) em 1976, o presidente da General Electric no Brasil, Gerald Thomas Smilley, admitiu que a empresa pagou comissão a alguns funcionários no país para vender locomotivas à estatal Rede Ferroviária Federal, segundo noticiou a “Folha de S.Paulo” na época. Em 1969, a Junta Militar que sucedeu Costa e Silva e precedeu Médici havia aprovado um decreto-lei que destinava “fundos especiais” para a compra de 180 locomotivas da GE. Na época, um dos diretores da empresa no Brasil na época era Alcio Costa e Silva, irmão do ex-presidente, morto naquele mesmo ano de 1969. Na investigação de 1976, o Cade apurava a formação de um cartel de multinacionais no Brasil e o pagamento de subornos e comissões a autoridades para a obtenção de contratos.

8 – Newton Cruz, caso Capemi e o dossiê Baumgarten
eb21cc0143d96dbc8e3a58f1a81e4dd2O jornalista Alexandre von Baumgarten, colaborador do SNI, foi assassinado em 1982, pouco depois de publicar um dossiê acusando o general Newton Cruz (foto) de planejar sua morte – segundo o ex-delegado do Dops Cláudio Guerra, em declaração de 2012, a ordem partiu do próprio SNI. A morte do jornalista teria ligação com seu conhecimento sobre as denúncias envolvendo Cruz e outros agentes do Serviço no escândalo da Agropecuária Capemi, empresa dirigida por militares, contratada para comercializar a madeira da região do futuro lago de Tucuruí. Pelo menos US$ 10 milhões teriam sido desviados para beneficiar agentes do SNI no início da década de 1980. O general foi inocentado pela morte do jornalista.

9 – Caso Coroa-Brastel
Delfim Netto sofreria uma terceira acusação direta de corrupção, dessa vez como ministro do Planejamento, ao lado de Ernane Galvêas, ministro da Fazenda, durante o governo Figueiredo. Segundo a acusação apresentada em 1985 pelo procurador-geral da República José Paulo Sepúlveda Pertence, os dois teriam desviado irregularmente recursos públicos por meio de um empréstimo da Caixa Econômica Federal ao empresário Assis Paim, dono do grupo Coroa-Brastel, em 1981. Galvêas foi absolvido em 1994, e a acusação contra Delfim – que disse na época que a denúncia era de “iniciativa política” – não chegou a ser examinada.

10 – Grupo Delfin
Denúncia feita pela “Folha de S.Paulo” de dezembro de 1982 apontou que o Grupo Delfin, empresa privada de crédito imobiliário, foi beneficiado pelo governo por meio do Banco Nacional da Habitação ao obter Cr$ 70 bilhões para abater parte dos Cr$ 82 bilhões devidos ao banco. Segundo a reportagem, o valor total dos terrenos usados para a quitação era de apenas Cr$ 9 bilhões. Assustados com a notícia, clientes do grupo retiraram seus fundos, o que levou a empresa à falência pouco depois. A denúncia envolveu os nomes dos ministros Mário Andreazza (Interior), Delfim Netto (Planejamento) e Ernane Galvêas (Fazenda), que chegaram a ser acusados judicialmente por causa do acordo.

Um tremendo desafio

POR GERSON NOGUEIRA

O último técnico nativo a dirigir o Remo foi Charles Guerreiro no ano passado. Ele montou o time que acabaria campeão paraense da temporada. Depois dele, Agnaldo de Jesus também comandou o time interinamente, tendo o mérito de lançar Roni entre os titulares. É quase certo que, se dependesse de técnicos forasteiros, o atacante revelado no próprio clube não teria a menor chance de aproveitamento.

Cacaio é a bola da vez.

unnamed (2)Depois de uma jornada tortuosa no primeiro trimestre do ano, o Remo modifica seu planejamento inicial e parte para uma aposta desesperada na mão-de-obra local. A opção pode dar certo, mas depende de uma série de fatores.

Zé Teodoro caiu porque fracassou na tarefa de montar um time competitivo. Teve quase todos os seus pedidos de contratação atendidos, mas não chegou nem perto de dar entrosamento básico à equipe.

Acumulou até bons resultados, mas obtidos com atuações pouco confiáveis. Estava sem perder há nove jogos quando encarou o primeiro clássico no campeonato. O desempenho foi pífio. Mais que a derrota, pesou na avaliação de seu trabalho o comportamento acovardado diante do maior rival.

O Remo parecia um time pequeno, assustado com a postura agressiva do adversário. Levou um gol logo no segundo minuto de jogo e passou o resto do tempo correndo atrás do prejuízo, defendendo-se das investidas inimigas, sem jamais tomar a iniciativa de reverter a situação.

Cacaio chega para mudar esse cenário. Já enfrenta, de cara, a perda de um atacante. Flávio Caça-Rato recolheu material ontem à tarde e deve deixar o clube. Não fez boas atuações, mas não pode ser crucificado, pois pouquíssimos jogadores escaparam à instabilidade do time.

Para o confronto com o Atlético-PR, amanhã, terá que montar uma estratégia de emergência. É provável que mantenha a base da escalação do Re-Pa, com o retorno de Roni ao ataque. No meio-campo, há pouco a fazer, pois Dadá, Alberto e Eduardo Ramos são titulares incontestáveis.

O grande drama está localizado na defesa, transformada em buraco negro do time. A ausência do titular Max tornou o setor ainda mais vulnerável do que antes, como ficou patente no jogo de domingo. Ciro Sena e Igor João são os titulares, mas não será surpresa se Cacaio optar por Yan.

Depois do Furacão virá a tempestade no deserto. Sem tempo para respirar, Cacaio sairá da Copa do Brasil e entrará na semifinal da Copa Verde. Novo duelo com o Papão. Jogo de alto risco, que pode conduzir à redenção perante a torcida ou afundar de vez na desesperança.

Para chegar bem ao clássico de domingo, o Remo precisará passar com sucesso pelo Atlético-PR. Um novo tropeço afetaria o moral da tropa e abateria ainda mais o time para a batalha decisiva pela Copa regional. O elenco está enfraquecido, faltam peças para alguns setores e não há como reforçar mais a essa altura.

Quando aceitou a missão, Cacaio sabia de tudo isso. Mostrou determinação e coragem em abraçar o maior desafio da carreira. Ídolo na Curuzu e ex-atleta do próprio Remo, vem obtendo bons resultados à frente de equipes medianas – Cametá, Paragominas, Tuna. Conhece bem a realidade, as manhas e os atalhos do futebol local. Foi contratado justamente por isso.

É possível que Cacaio obtenha êxito, mas precisará de apoio dos dirigentes, compreensão da torcida e sorte, muita sorte.

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O futebol no reino da ficção

Dona CBF mudou de tática. Apedrejada quase diariamente por erros novos e antigos, parece ter cansado de ser saco de pancada e agora tenta virar o jogo. Através de sua assessoria de comunicação, a entidade vem reagindo diariamente, com informações sobre os campeonatos que promove.

O press-release enviado ontem reclama logo no primeiro parágrafo das críticas ao Brasileiro da Série A e à Seleção Brasileira “por alguns oportunistas”. Segundo a matéria, é preciso ser menos simplório, ou primário, para atribuir alguma seriedade ao debate. “Caso contrário, estes críticos de plantão vão continuar no mesmo lugar de sempre, ou seja, críticos de plantão”.

Em seguida, faz jorrar uma enxurrada de números para dar sustentação aos argumentos sobre o trabalho desenvolvido pela CBF. Informa que aumentaram os investimentos em todas as categorias do futebol. Em 2010, a entidade organizava seis campeonatos. Em 2015, serão 13 competições: sete profissionais, dois de futebol feminino e quatro da categoria de base. O número de torneios aumentou 117% em cinco anos.

Mais à frente, nova estocada nos detratores. “Enquanto alguns personagens perdem tempo com críticas infundadas, a CBF está preocupada em viabilizar os Campeonatos Brasileiros das séries A, B, C e D, Copa do Brasil, Copa do Nordeste, Copa Verde, Copa do Brasil de Futebol Feminino, Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino, Campeonato Brasileiro Sub-20, Copa do Brasil Sub-20, Copa do Brasil Sub-17 e Copa do Nordeste Sub-20”.

Enquanto se dedica a torpedear os inimigos, a entidade esquece de explicar porque não destina a competições menos badaladas os mesmos cuidados com que trata a rica Série A.

Pelo contrário, se arvora a grande baluarte do futebol brasileiro, apostando certamente na ignorância e na desinformação. “A maioria dos campeonatos dessa lista e inúmeros estaduais são deficitários e só existem graças a subsídios da CBF. Em 2014, o valor investido chegou a quase R$ 100 milhões”, informa.

Ora, se há tanto sacrifício e as despesas são tão volumosas cabe perguntar o motivo de tanto apego ao controle do futebol brasileiro. A entidade já podia ter deixado isso de lado, concentrando-se exclusivamente em cuidar da Seleção Brasileira, mas insiste em tomar conta de tudo.

É claro que a realidade é bem diferente para quem enfeixa tantos poderes, concentrando polpudos patrocínios, com força suficiente para ditar ordens, satisfazer egos e fortalecer sua base de apoio – as federações estaduais.

O texto chega a ser risível em alguns trechos. “A prioridade da CBF neste momento não é apenas o desempenho financeiro, mas, sim, imprimir uma gestão moderna, transparente e social. Com este espírito, a CBF tem aumentado expressivamente o investimento em mais e melhores competições e, em última instância, estimulando o fomento do futebol como um todo”. Seria lindo se fosse exatamente assim, mas, nós e o pessoal que acompanha o Círio, sabemos que dona CBF não dá ponto sem nó.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 01)