O técnico Lecheva se apresenta hoje ao Independente Tucuruí, para iniciar o trabalho de preparação para o Campeonato Paraense. Ele confirmou ontem acerto financeiro com a diretoria do clube. Lecheva vai substituir a Samuel Cândido, que classificou o time na primeira fase do Parazão. Só após assumir a equipe é que o treinador vai definir as possíveis contratações. “Ainda não tenho noção de como está o Independente, mas a intenção é fazer uma boa campanha e montar um time forte”, disse ao DOL.
Depois de defender o Paissandu como jogador, Lecheva assumiu a direção técnica do time em várias ocasiões. A última delas foi em 2012, quando conseguiu o acesso à Série B e conquistou o título estadual de 2013. Deixou o comando do time depois de três rodadas da Série B e dirigiu a Tuna na primeira fase do Parazão. A Lusa foi rebaixada para a fase seletiva da competição e não disputará o campeonato de 2014.
Mês: dezembro 2013
Emoções de Roberto Carlos perdem audiência
O especial de Roberto Carlos, exibido na noite de terça-feira (25) na Globo, comemorou 40 anos no ar com audiência em baixa.
O programa, que contou com as participações de Tatá Werneck, Annita, Tiago Abravanel, Lulu Santos e Erasmo Carlos, registrou média de 26 pontos no horário. Cada ponto equivale a 62 mil domicílios na Grande São Paulo.
A Globo manteve a liderança em ibope na faixa, mas em 2012, o programa do cantor alcançou média de 29 pontos. (Da Folha SP)
Vivendo e aprendendo
Capa do Bola, edição de quinta-feira, 26
O passado é uma parada…
Esquina da avenida Presidente Vargas, entre rua Aristides Lobo e Riachuelo, em 1910. Flagrante da ação de “turma de expurgo” dirigida por Maurício Abreu, da equipe de Oswaldo Cruz, que veio a Belém para erradicar a malária. “Os prédios, geminados, já com os telhados totalmente revestidos de pano americano. Falta ainda a vedação de portas e janelas com o mesmo tecido, para dar início à fumigação interna contra as formas aladas do mosquito vetor”, diz relato da época. (Via Hiroshi Bogéa, no Facebook)
Capa do DIÁRIO, edição de quinta-feira, 26
Rock na madrugada – Red Hot Chili Peppers, Under the Bridge
Espírito de Natal
Mundo real e irreal
Por Tostão
Nesta época do ano, deveria tirar férias, viajar, já que o futebol para. A exceção é na Inglaterra. Mas prefiro continuar por aqui, escrevendo. Os aeroportos estão um caos, os hotéis abusam dos preços, chove muito ou faz muito calor no Brasil e muito frio na Europa e nos EUA. As estradas estão péssimas e perigosas. Os alemães, que fazem a logística de sua seleção, estranharam os quebra-molas, que, para eles, estragam os carros, congestionam o tráfego e provocam mais acidentes.
Aproveito esses dias para ler mais e ir mais ao cinema. Tiro férias também da televisão. Não suporto as retrospectivas. Difícil é arrumar assunto e leitores para minhas colunas.
Nesta época do ano, as pessoas sonham com o mundo ideal. Nele, os auditores do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) analisariam o caso da Portuguesa com o olhar do que está escrito no regulamento e também com o olhar da justiça, do contexto, com a certeza de que a Lusa não agiu com má-fé nem se beneficiou de seu erro.
Faltava um argumento jurídico à Lusa. Agora, já tem. Segundo alguns advogados, o Estatuto do Torcedor estaria acima do regulamento do campeonato, o que livraria o time do rebaixamento.
No mundo ideal, os gastos com a Copa seriam apenas com dinheiro privado. A CBF, as federações estaduais e os clubes seriam dirigidos por profissionais competentes, transparentes e independentes.
Não existiriam relações promíscuas, e o calendário seria feito para beneficiar a qualidade do futebol. Os clubes não gastariam mais do que arrecadam ou do que podem pagar, e acabariam os astronômicos salários, incompatíveis com as receitas.
No mundo ideal, os torcedores iriam para os estádios só para torcer e fazer festa. Haveria lugares mais caros, para quem quisesse mordomia, e outros mais baratos, populares. Todos teriam conforto e segurança. Os marginais estariam presos ou impedidos de frequentar os jogos. A vigilância seria constante e implacável.
No mundo ideal, os gramados seriam padrão Fifa. O futebol que se joga no Brasil seria muito melhor, individualmente e no conjunto.
O equilíbrio das partidas do Atlético-MG, contra times sem nenhuma expressão, no Mundial de Clubes, é mais uma constatação desta deficiência.
A Seleção é exceção, pelo fato de quase todos os jogadores atuarem fora do país.
No mundo ideal, a imprensa cobraria de técnicos, dirigentes e jogadores mais compromisso com a qualidade do jogo. Os analistas deixariam de ver futebol somente a partir da conduta dos treinadores, dos resultados e como se houvesse sempre uma relação direta entre a história do jogo e o placar final.
Quanto maior a distância entre o mundo real e o ideal, maior é a frustração e o desamparo. O mundo ideal só existe na nossa imaginação, mas serve de referência para se tentar sempre fazer algo melhor.
Flu anuncia Renato Gaúcho, pela sexta vez
O Fluminense confirmou Renato Gaúcho como seu novo treinador para a temporada de 2014. Será a sexta vez em que ele dirigirá o time tricolor. Em 1996, ainda como jogador, treinou a equipe nas duas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro, em que o clube foi rebaixado e escapou do descenso por causa de uma virada de mesa. Voltou como técnico em 2002.
Teve mais uma passagem no ano seguinte. Quando retornou, conquistou a Copa do Brasil de 2007 e foi vice-campeão da Taça Libertadores da América de 2008 diante da LDU, do Equador. Seu último trabalho nas Laranjeiras foi em 2009. (Da Folha SP)
Chico Bento & Rosinha
Diálogo de surdos
Por Rodrigo Martins, na Carta Capital
A internet mobiliza a juventude e é capaz de pautar temas ignorados pela mídia tradicional, mas a exagerada polarização ideológica empobrece o debate político
Os analistas políticos ainda se debatem para decifrar os enigmas dos protestos de junho. Mas ao menos um consenso parece estabelecido: tamanha mobilização, em uma sociedade historicamente apática, seria impensável sem o respaldo da internet. As redes sociais disseminaram fotos, vídeos e relatos da violenta repressão policial aos manifestantes convocados pelo Movimento Passe Livre e atraíram centenas de milhares para ocupar as ruas das principais capitais.
Não é a primeira vez que as mídias eletrônicas servem como instrumento de mobilização. Em 2011, operários da usina de Jirau, em Rondônia, iniciaram uma das maiores revoltas trabalhistas da história recente do país e destruíram parte do canteiro de obras. O distúrbio começou horas após os trabalhadores compartilharem insatisfações por torpedos de celular. Naquele mesmo ano, bombeiros do Rio de Janeiro promoveram um motim em pleno quartel, e angariaram apoio da população por meio do Facebook e do Twitter. De lá para cá, são incontáveis os atos que ganharam força após uma articulação online.
O cenário permite supor a emergência de uma democracia digital, na qual os cidadãos conectados à internet tornam-se protagonistas do debate político, sem a mediação da mídia tradicional ou a tutela de partidos ou sindicatos. Essa visão idílica, repetida à exaustão pelos entusiastas da rede, tem sido, porém, cada vez mais contestada.
Se é verdade que as redes sociais têm potencial para atrair milhares de cidadãos às ruas, também é verdade que a mobilização na internet nem sempre ganha vida no mundo offline. Após reunir mais de 800 mil adesões para uma greve geral convocada pelo Facebook, o mineiro Felipe Chamone, músico que nunca teve ligação com sindicatos, surpreendeu-se ao notar que o dia 1º de julho, marcado para a paralisação, amanheceu como outro qualquer. Em 7 de setembro, os esvaziados protestos contra a corrupção (do governo petista, registre-se) só não passaram em branco por conta da atuação dos Black Blocs.
Não é apenas a dificuldade de transformar o ativismo virtual em realidade que alimenta as críticas. A mesma plataforma mobilizadora abriga manifestações de ódio contra negros, nordestinos e gays. “Em 2006, havia pouco mais de 20 células neonazistas ativas na internet brasileira. Hoje, são mais de 300”, alerta Thiago Tavares Nunes de Oliveira, presidente da Safernet Brasil, entidade dedicada a monitorar crimes na rede mundial de computadores.
Além da atuação de criminosos, tornou-se corriqueira a ação de provocadores, os chamados trolls, para interditar o debate político com comentários agressivos, repletos de acusações e xingamentos. Os ataques movidos pelo fígado afastam do debate quem busca argumentos racionais. Nos jardins murados do Facebook ou do Twitter, os mais comedidos optam por selecionar criteriosamente sua lista de amigos ou seguidores, uma forma de assegurar um debate mais civilizado.
Mas com quem? “Normalmente, com quem compartilha dos mesmos valores e posições partidárias”, avalia Oliveira. O fenômeno é apontado por diversas pesquisas, como os mapas relacionais elaborados pelo Labic.net da Universidade Federal do Espírito Santo. Temas como a importação de médicos estrangeiros e o voto do ministro Celso de Mello no julgamento do “mensalão” resultam em um Fla-Flu com as torcidas separadas por alambrados virtuais, a reforçar suas próprias convicções e sem qualquer ponto de convergência.
A avaliação não é, porém, consensual entre os especialistas. “Hoje, o jogo é muito mais democrático. Antes da internet, o cidadão era um mero receptor de informação e o oligopólio da mídia sempre foi avesso à diversidade de opinião”, avalia o sociólogo Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC. O debate tende a ser mais agressivo nas redes sociais, ele reconhece, até pelo fato de os interlocutores estarem distantes ou protegidos por perfis anônimos. Não vê ameaça. “Não devemos debelar o conflito, e sim conviver com a divergência. Há troca de acusações na web, mas espaço para a defesa. Antidemocrática é a censura imposta por certas empresas, que bloqueiam conteúdos a pedido de indivíduos ou empresas mesmo sem ordem judicial.”
Professor de Teoria da Comunicação na Universidade Federal da Bahia, Wilson Gomes admite ser comum a formação de guetos ideológicos, mas ressalta que a exposição inadvertida a pensamentos divergentes é muito mais comum no mundo virtual. “Antes da internet, só havia discussão entre amigos, geralmente da mesma classe social. Nas redes sociais, o sujeito pode até buscar esse isolamento, mas vai acabar se deparando, cedo ou tarde, com a opinião diferente de um parente distante ou seguidor desconhecido.”
Na avaliação de Renato Lessa, cientista político da Universidade Federal Fluminense, uma das maiores virtudes das redes sociais é a capacidade de pautar temas ignorados pela mídia tradicional. Não fossem as denúncias disseminadas pela web, por exemplo, poucos dariam atenção ao desaparecimento de Amarildo de Souza, após ser levado para averiguação policial na Favela da Rocinha, no Rio. O caso ganhou o noticiário após a repercussão nas redes sociais e cinco policiais militares devem ser indiciados pela tortura, morte e ocultação do cadáver do pedreiro, ainda que seu corpo não tenha sido encontrado. A desvantagem, pondera, é a falta de aprofundamento das discussões em um ambiente no qual a instantaneidade da informação impera. “Não há um debate político de fato. O que existe é muita mobilização, mas com uma polarização exagerada”, diz Lessa. “Nos protestos de junho, não havia pauta de reivindicação clara, tampouco emergiram novos atores políticos.”
A tese é rechaçada pelo antropólogo Antonio Risério. “Há muita confusão entre crítica e pessimismo. Aristóteles acusava a escrita de ser responsável pela destruição da memória. Uma grande bobagem, não?”, provoca. “A surdez e a cegueira ideológica existem desde sempre. Sou da geração de 1968, e posso te garantir que os grupos políticos só pregavam para seus convertidos. Hoje há muito mais debate do que naquela época.”





